sábado, 29 de dezembro de 2012

O valioso exercício do diálogo


(Fonte da imagem: www.blogdacompetencia.blogspot.com.br)

Embalados pela experiência cortante do fim: o encerramento do calendário Maia para o dia vinte e um de dezembro deste ano como expectativa de final dos tempos; o Natal que nos lança culturalmente para dentro da mensagem transformadora de Jesus, segundo a qual é preciso morrer para viver; e agora a possibilidade de atravessarmos a linha cada vez mais tênue que divide um ano do outro; em meio a isso, temos a impressão de que muita coisa ainda está por dizer, muita coisa precisa ser discutida e digerida com incansável diálogo.

Ano após ano, a cada experiência de metamorfose, para não dizer revolução, somos como que balançados pelo encontro com o diferente, pelo diálogo com o outro. Os macedônios, vistos como bárbaros por não falar o grego, estavam fora do mundo civilizado até a subida de Felipe II ao poder, e depois pelo vasto Império de seu filho Alexandre que diluiu a famosa separação que existia entre gregos e bárbaros. A partir daí, o mundo começa a se globalizar e a tomar outra forma, onde o diálogo passa a ser fundamental para o desaparecimento das fronteiras étnicas. E isso se deve, obviamente, à política e à filosofia tão próprias ao mundo grego.

Por elas, o diálogo ganha corpo e se torna uma alternativa eficaz para cessar as guerras e introduzir no mundo a paz. Com o diálogo, temos a certeza de que não precisamos nos matar para resolver nossos problemas, diferenças ou adversidades. Somente o diálogo nos permite saber até onde podemos recuar ou avançar na relação de negociação com outros povos, culturas e etnias.

Se a Grécia mudou muito em contato cultural com o Oriente durante anos, herdando o alfabeto e outros modos de viver, o que dizer então da chegada da filosofia, quando alguns conversadores apareceram em algum lugar às margens do Mar Mediterrâneo. "Uns quinhentos anos antes da era cristã aconteceu na Magna Grécia a melhor coisa registrada na história universal: a descoberta do diálogo. A fé, a certeza, os dogmas, os anátemas, as preces, as proibições, as ordens, os tabus, as tiranias, as guerras e as glórias assediavam o orbe; alguns gregos contraíram, nunca sabemos como, o singular costume de conversar. Duvidaram, persuadiram, discordaram, mudaram de opinião, adiaram. Quiçá foram ajudados por sua mitologia, que era, como o shinto, um conjunto de fábulas imprecisas e de cosmogonias variáveis. Essas dispersas conjecturas foram a primeira raiz do que hoje chamamos, não sem pompa, de metafísica. Sem esses poucos gregos conversadores, a cultura ocidental é inconcebível" (BORGES, J. L. Sobre a filosofia e outros diálogos. Trad. John Lionel. SP: Hedra, 1985, p. 27).

Vejam o quanto o diálogo é importante! O diálogo com outras culturas cria um intercâmbio de troca de informações que esfria os rumores da violência, da ira e da vingança; destrói preconceitos; cessam os medos; prospera a paz; humaniza as relações e o mundo fica mais civilizado. O que um documento de pedra das longínquas comunidades maias, ramificadas em países das Américas do Norte e Central, foi capaz de fazer ultimamente, gerando um clima de repercussão internacional de que o mundo finalmente ia acabar, é a prova mais sensacional daquilo que o diálogo pode proporcionar, sobretudo hoje no mundo informatizado e globalizado. A sensação de fim do mundo tomou conta de todos pelo simples fato de termos acesso à cultura e aos materiais de estudos daquele povo.

Numa sociedade caolha como a nossa, para não dizer cega, de ações públicas impositoras sem diálogo com o povo, em que impera a égide da tecnologia e da informação acelerada em massa, dificilmente encontramos espaços para o valioso exercício do diálogo. Valores individuais e mesquinhos também nos impedem de praticar esta atividade tão importante para o aprendizado. Depois que Platão inventou o diálogo, de lá para cá, passando por Jesus Cristo, o diálogo tem sido a forma mais autêntica de nos aproximarmos uns dos outros e de nos libertarmos da ignorância, além de nos abrirmos para a promoção da paz.

Se Platão ajudou a educar a Grécia pelo diálogo, Jesus salvou muita gente em Israel também pelo diálogo.

Contudo, são nesses momentos de confraternização natalina e ano novo que, a cada ano, temos a oportunidade graciosa de nos encontrarmos uns com os outros para retomarmos a experiência única e maravilhosa do diálogo. Portanto, nesses dias de reunião familiar, não economize tempo para conversar, tampouco palavras para expressar o que pensa e o que sente em relação a tudo.

Bons diálogos e um excelente fim de ano a todos!


Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva

Licenciado em Filosofia, Bel. em Teologia, Esp. em Metafísica e Pós-graduando em Estudos Clássicos pela UnB/Archai/Unesco.

Páginas eletrônicas: www.umasreflexoes.blogspot.com.br



sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Seis passos para a felicidade com Luiz Felipe Pondé

Recentemente soube que alguns países querem endurecer ainda mais as leis antifumo: não pode fumar no carro, para fumar tem que ter uma carteirinha, quem nasceu a partir do ano 2000 não pode comprar tabaco. Esperamos, com a boca escancarada e cheia de dentes, a morte chegar. Mas, bem saudáveis. Hoje em dia, Raul Seixas vomitaria na plateia.
A "qualidade de vida" é uma das novas formas de puritanismo, sendo o feminismo uma outra (o feminismo é a nova repressão da sexualidade).
A felicidade e o bem-estar são as chaves da vida contemporânea. Vale tudo para ser feliz.
Qualquer discussão moral é pura afetação ética. Uma época dominada pela felicidade é uma época boba. Mas não estou sozinho nesta sensação: Aldous Huxley, escritor inglês, pensava a mesma coisa.
Quando olhamos para a história da ética, vemos que o utilitarismo inglês é o modo dominante da vida contemporânea. Para mim, pessoa um tanto desconfiada de quem passa a vida querendo ser feliz, isso tudo parece "limpinho" como um hospital. Jeremy Bentham (1748-1832), pai do utilitarismo, chegou mesmo a pensar num cálculo utilitário para otimizar a felicidade.
O principio utilitário afirma que o homem foge da dor e busca o prazer (o bem-estar). Logo, devemos fazer uma sociedade que vise produzir em larga escala a felicidade, o prazer e o bem-estar. E chegamos ao nosso mundo de gente que sonha em ficar com a boca escancarada, cheia de dentes, esperando a morte chegar, mas com saúde. A vida e a sociedade dominadas pela busca do bem-estar parecem tornar o homem menos homem.
O cálculo utilitário tem seis passos: 1. Intensidade: o prazer dever ser o mais intenso possível. 2. Duração: o prazer deve durar o máximo de tempo possível. 3. Certeza: cuidado para não produzir um prazer que não é o que você deseja com aquele ato. 4. "Remoticidade" (remoteness): o prazer deve causar efeito imediato ou o mais rápido possível. 5. Fecundidade: o prazer A deve gerar o prazer A1, o A2 e assim por diante. 6. Pureza: cuidado para não gerar desprazer ao invés de prazer.
Será que você já não põe isso mais ou menos em prática do seu dia a dia? Mas, dirão alguns, Bentham era um controlador, porque ele sempre pensava em termos de um centro (expert) controlando a periferia (as pessoas comuns).
Bentham ficará conhecido como o utilitarista antidemocrático, sendo John Stuart Mill (1806-1873) o utilitarista democrático. De acordo com este, maior representante da segunda geração de utilitaristas, a sociedade (os indivíduos) deve livremente buscar esse prazer.
Mas o que percebemos é que, ainda que Mill falasse muito em liberdade e contra o abuso de poder (cara simpático para a moçada que gosta de falar coisa bonitinha, tipo Obama), não adianta acusar o "centro do poder" de controlador, porque são as próprias pessoas que querem os seis passos para a felicidade de Bentham.
Isso cria o efeito de esmagamento típico do puritanismo de massa em que vivemos: saúde e felicidade. Fizéssemos um plebiscito, quase todo mundo escolheria uma gaiola feliz.
"Comunidade, identidade, estabilidade." O bem é sempre para todos, a identidade é o que nos une, a vida deve ser estável. Slogan que venderia bem no mundo para o qual seguimos a passos largos com esse utilitarismo social em que vivemos, com um controle cada vez maior dos gestos, do pensamento e dos hábitos em nome da "comunidade, identidade, estabilidade".
Esse era o slogan do mundo perfeito que Huxley criticou em seu "Admirável Mundo Novo" (1932), mas podia ser o de qualquer um dos proponentes bonitinhos do controle político da vida em nome do bem.
Louis Pojman, professor de filosofia da Academia Militar de West Point (EUA), chama isso de "tragédia da liberdade".
Toda liberdade pressupõe riscos, e toda sociedade pautada pela felicidade social não suporta a liberdade. Estamos caminhando a passos largos para uma dessas.
Toda a cultura intelectual está infestada de amor à felicidade social e de ódio ao indivíduo. O pesadelo totalitário não passou. Agora ele vem sob o disfarce da opinião pública e da vontade coletiva.
 

domingo, 16 de dezembro de 2012

A graça da vida


(apreciação da obra: Calmaria II, de Tarsila do Amaral)

É curioso, mas toda vez que me reencontro com a palavra “graça”, ocorre-me a impressão de que ela nos põe em conexão com uma abertura ou fissura presente no mundo, no cotidiano ou mesmo no curso mais simples da vida. Se é óbvio que a vida é contingência pura, tão óbvio que a cada ano somos tomados pela experiência do fim, pela sensação do ponto final que nos lança para outras continuidades, a graça, em contraluz a esta carga de contingência, parece ser muito mais uma potência de esperança, uma explosão de alegria e uma assustadora busca por mansidão.

A graça da vida está na descoberta desta mansidão. Nosso mestre Jesus disse coisas admiráveis em relação a isso. Aos seus amigos que estavam apavorados com o mar bravio, Jesus os advertiu para que não tivessem medo, pois estava com eles; o mar se acalmou(Cf. Mt 8.26). Repare bem, Jesus propõe ser uma abertura de salvação ao fechamento imposto pelo medo. Quando a mulher adúltera é apedrejada pelo povo em sinal de condenação, Jesus mais uma vez intervém com palavras de abertura: “Quem não tiver pecado que atire a primeira pedra”(Jo 8. 7). A intervenção da graça que é Jesus não só interrompe a condenação imposta pelo povo, mas salva aquela mulher.

Quantas vezes Jesus não se tornou a possibilidade de abertura para um mundo fechado à violência, ao medo e à contingência da morte, do fim! O convite “Vinde a mim todos vós que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei”(Mt 11. 28) é a prova de que a vida não fecha seu ciclo sem que antes não ganhe verdadeiro sentido no alívio, na paz trazida por Jesus. Quem não lembra dos que ladeavam Jesus quase morto no alto da cruz, os ladrões, pedindo misericórdia, mas antes murmuravam, “Se és o Cristo, salva-te a ti mesmo”(Lc 23. 39), blasfemavam, injuriavam. Não poucos de nós, também, assim como estes ladrões, continuamos a murmurar por algo que nem sequer entendemos ou desejamos de verdade.

Às vezes reclamamos por alguma coisa que sequer precisamos. Não temos discernimento para compreender o que Deus está querendo fazer conosco há um mês, dois meses, um ano, uma década. Deus simplesmente quer fazer algo maravilhoso conosco e tem uma vida toda pra isso. Mas não temos paciência para agradecer o que Deus já está fazendo e, por isso, murmuramos como fizeram os ladrões. Não sabiam eles o que Jesus estava preparando: “Hoje estarás comigo no paraíso”(Lc 23. 43).

Muitos passam uma vida inteira atolados na contingência de uma vida sem sentido; num trabalho exaustivo, com um salário miserável; numa família conflitiva e desestruturada; numa sociedade hipócrita e mentirosa; numa cultura ideológica dominante e alienante; num mundo frio, sem calor humano, e violento, onde não há quase lugar para o diálogo e os afetos. A vida, por sua própria contingência, já é cheia de sofrimento e dor, imagine então se nos fecharmos nela mesma, se nos irritarmos com qualquer besteira, se darmos lugar para tolices, se passarmos o dia inteiro reclamando de tudo, ora, não haverá lugar para a paz, a mansidão, uma vez que estaremos fechados em nossa própria ignorância.

Pense, então, se a vida já traz suas próprias desgraças, problemas e mazelas, por que torná-la insuportável, quando podíamos aliviá-la e torná-la melhor, cheia de graça!? Qual a graça da vida se ela não produz maravilha alguma? Qual a graça da vida se ela está fechada em si mesma? Eis a abertura para a graça da vida: paciência e muita, muita mansidão.

Encontre a graça da vida: “Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus”(Sl 46. 10).



Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva

Bel. em Teologia, Licenciatura em Filosofia, Esp. em Metafísica e Pós-graduando em Estudos Clássicos pela UnB/Archai/Unesco.




terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Platão e a cidade justa

O quanto é agradável revisitar trechos da filosofia política de Platão que transparecem a preocupação deste filósofo com o governo de seu tempo. Suas palavras na boca dos personagens Glauco e Sócrates mais parecem um tom em uníssono de que a cidade precisa de governo justo. Vejamos algumas passagens do Livro VII da República de Platão:

"... que nem os ignorantes e desconhecedores da verdade, nem os que permitimos passar toda a vida nos estudos podem ser bons governantes: os primeiros, por carecerem de um ideal com que relacionem todos os seus atos, assim públicos como particulares; os outros, por não se resolverem nunca a exercer essas atividades, visto já se imaginarem na ilha dos bem-aventurados..."

"... se encontrares para os que têm de ser dirigentes uma vida melhor do que o ofício de governar, conseguirás que a cidade seja bem administrada, porque somente uma cidade nessas condições é que pode ser comandada por cidadãos verdadeiramente ricos; não ricos em outro, sem dúvida, mas no que devem ser ricos bem-aventurados: em vida virtuosa e sábia. Onde os famintos e mendigos se ocupam dos negócios públicos em proveito próprio, com a esperança de fazer mão baixa no que houver de bom... Assim não é possível. Sempre que a conquista do poder se transforma num prédio encarniçado, a guerra doméstica e intestina acarreta a destruição tanto dos dirigentes como na cidade..."

"... Sendo assim, não devem ambicionar o mando os amigos do poder, para não terem de lutar com os seus concorrentes..."

"... E não é certo, continuei, que, com relação à verdade, devemos também considerar estropiada a alma que odeia, de fato, a mentira voluntária, sem a admitir em si própria nem conseguir dominar-se quando se manifesta nos outros, mas tolera facilmente a involuntária, e longe de mostrar-se indignada consigo mesma quando é apanhada em alguma falsidade, apraz-se de chafurdar-se na ignorância, como faz na lama o porco?..."

"... Porque o homem livre, lhe disse, não deve aprender nada como escravo. Os trabalhos corpóreos podem ser impostos sem maior prejuízo para o corpo, porém na alma não cala nenhum conhecimento adquirido à força..."

"... Por isso, meu caro, nunca ensines nada às crianças por meios violentos, mas à guisa de brinquedo, é como melhor poderás observar as aptidões de cada um..."

"... E já não seria uma medida preventiva de grande relevância não deixá-los provar muitos moços da Dialética?
      Segundo creio, de maravilha poderá ter-te escapado como procedem os adolescentes, quando pela primeira vez lhe sentem o gosto: usam-na à guisa de brinquedo, para rebater a tudo e a todos, e imitando os que os confundem com seus argumentos, põem empenho, por sua vez, em cofundir os outros, comprazendo-se, à maneira de cachorrinhos, em puxar e rasgar os que deles se aproximam..." 

Não há como passar pela leitura atenta de Platão sem antes considerar o caráter da cidade justa, habitada por cidadãos justos, mesmo estando distante de nós muitos séculos, porém é útil prender o olhar nesses trechos que remontam à cidade justa.
Prof. Jackislandy Meira de M. Silva


 

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Niemeyer, o artista dos traços sinuosos de vida


Afirma Dilma: "É dia de saudar sua vida"

Em nota oficial, a presidenta da República, Dilma Rousseff, citou que frase do arquiteto, para quem “a gente tem que sonhar, senão as coisas não acontecem”. De acordo com Dilma, “poucos sonharam tão intensamente e fizeram tantas coisas acontecer como ele”. Para a presidenta, “sua história não cabe nas pranchetas. Niemeyer foi um revolucionário, o mentor de uma nova arquitetura, bonita, lógica e, como ele mesmo definia, inventiva”.


 
 
EFE

Centro Cultural Oscar Niemeyer, na Espanha
Dilma elogiou sua defesa de “uma sociedade igualitária” e disse que, apesar de se autodeclarar pessimista, era “um símbolo da esperança”. “O Brasil perdeu hoje um dos seus gênios. É dia de chorar sua morte. É dia de saudar sua vida", afirmou a presidenta.
A ministra da Cultura, Marta Suplicy, divulgou nota da França, onde está em missão oficial, em que diz que "o Brasil acaba de perder um dos seus grandes. A genialidade de seus traços, a generosidade de sua alma e a firmeza de suas convicções fazem de Oscar Niemeyer um exemplo para a humanidade".
"Meu coração chora ao se despedir de um gigante na arte, poesia e coragem. Um homem que viveu na plenitude cada minuto de sua vida, com lado e posição e busca da beleza, da harmonia e justiça. A cidade de São Paulo deve a ele o seu mais bonito parque: o Ibirapuera. E, o mundo, a sua grandeza."
Para Sérgio Cabral (PMDB), governador do Estado de origem do arquiteto, "Oscar Niemeyer foi o maior arquiteto do Brasil. Um gênio da arquitetura mundial. Doce no trato, firme nas suas convicções e amado pelo povo brasileiro", declarou Cabral em nota.
O governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia (PSDB), também decretou luto oficial por três dias.
Geraldo Alckmin (PSDB), governador de São Paulo, afirmou em nota que "o Brasil perdeu o mestre que projetou o país no mundo, um gênio que desenhou as linhas do modernismo brasileiro".
Para Eduardo Campos (PSB), governador de Pernambuco, Niemeyer foi “um dos grandes gênios criadores” do Brasil para o mundo. “Sua obra dá testemunho inequívoco da criatividade, elegância e força do povo brasileiro. Niemeyer viveu uma vida muito intensa, caracterizada, inclusive, por uma militância política muito comprometida".
O senador Aécio Neves emitiu em comunicado: "Perdemos um dos mais importantes brasileiros de nossa história. Não há outras palavras para defini-lo: Niemeyer era simplesmente genial, talento puro, ousadia e inquietude e também inspiração permanente. No seu trabalho encontramos uma densa brasilidade, expressa pelo movimento, pelas curvas e a fortíssima presença do inédito, do inusitado em contraponto aos padrões e ao óbvio."
O arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani Tempesta, descreveu o comunista como “um homem de convicções claras, que serviu ao seu país com os dons que tinha”, que “deixou marcas na arquitetura mundial” e “colocou seu gênio criativo a serviço do belo, também na construção de templos”.

A vida é solidariedade, dizia Oscar Niemeyer

Até o ano de sua morte, o maior arquiteto do Brasil ainda estudava. Morto na quarta-feira (5), aos 104 anos , Oscar Niemeyer já tinha passado dos 90 quando começou a participar de encontros semanais nos quais aprendia sobre filosofia, astronomia, história e literatura com o físico e doutor em cosmologia Luiz Alberto Oliveira. “Eu era o chamado professor”, disse Oliveira, em entrevista ao iG . “Mas nunca houve dúvida de que o mestre era ele.”
Os encontros no escritório do arquiteto no Rio de Janeiro começaram em 2000, depois de Oliveira e Niemeyer terem sido apresentados por um amigo em comum. Sempre às terças-feiras, os dois se reuniam por cerca de duas horas, às vezes mais, para discussões das quais também participavam a mulher do arquiteto, Vera Lúcia Cabreira, sobrinhos, netos, bisnetos e amigos. “Todo mundo dava opinião”, relembrou o professor.
Geralmente os encontros começavam com discussões sobre as notícias do dia, nas quais, segundo Oliveira, Niemeyer se mostrava muito bem informado sobre política e economia. Depois, o professor explorava temas ligados a campos tão diferentes quanto literatura e neurociência, que no fim da reunião eram debatidos por todos os presentes.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Brasil ocupa 69ª posição em ranking de países corruptos, mostra estudo



Publicação: 05/12/2012 09:02 Atualização: 05/12/2012 09:41
A organização não governamental (ONG) Transparência Internacional (Tranparency Internacional) divulgou nesta quarta-feira (5/12) o estudo Percepções da Corrupção Index 2012, no qual analisa a situação em 176 países. O Brasil aparece em 69ª posição no ranking. Na América Latina, o país fica atrás apenas do Chile e do Uruguai, que estão na 20ª posição. Compartilham o topo da lista, com menos casos de corrupção, a Dinamarca, a Suécia e a Nova Zelândia.

As piores posições no ranking da ONG são ocupadas pelo Afeganistão, pela Coreia do Norte e pela Somália. Nas Américas e no Caribe, as posições mais negativas são as do Haiti, em 165º lugar, e do Paraguai, em 150º. Em nota, a Transparência Internacional diz que os níveis de corrupção no mundo ainda são elevados, assim como casos de “abuso de poder e relações sigilosas”. Para a organização, é necessário intensificar as ações em busca da transparência de dados e informações referentes aos órgãos públicos e sua atuação.

A presidente da Transparency Internacional, Huguette Labelle, defendeu a integração de ações governamentais em busca do combate à corrupção além da concessão de mais espaço para a sociedade participar dos debates. Segundo ela, é fundamental estabelecer regras para o lobby e o financiamento para campanhas políticas, além da definição de normas transparentes para a contratação de serviços públicos.

Labelle disse ainda que a intenção do estudo é incentivar os governos a tomar uma decisão “mais dura contra o abuso de poder”. De acordo com ela, os casos considerados mais graves estão no Oriente Médio e na África, pois, em geral, os números indicam que houve uma estagnação e até retrocesso em algumas situações.
No caso dos países que ocupam a primeira posição, destacando-se em relação aos demais, como Dinamarca, Finlândia e Nova Zelândia, a organização considera o esforço público – associado ao acesso aos sistemas de informação e à definição de regras claras, que regem o comportamento dos que ocupam cargos públicos – preponderante para evitar casos de corrupção.

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Nas piores posições, nas quais estão Afeganistão, Coreia do Norte e Somália, a ONG diz que faltam líderes responsáveis e instituições públicas eficientes. Também estão em posições consideradas negativas alguns países da zona do euro (17 países que adotam a moeda única), como Grécia, em 94ª posição, e Itália, em 72ª, regiões que sofrem os impactos intensos da crise econômica internacional.

O diretor da Transparência Internacional, Corbus de Swardt, disse que as principais economias do mundo devem dar exemplo de lisura, verificando a atuação das instituições públicas e cobrando responsabilidade dos gestores e líderes. “Isso é crucial. As instituições têm um papel significativo na prevenção da corrupção", disse. Os países que estão em confrontos internos, como a Síria e o Egito, também aparecem entre os apontados com graves problemas de corrupção. A Síria ocupa a posição de 144 e o Egito a de 118. O estudo completo está disponível no site da Transparência Internacional.
 

domingo, 2 de dezembro de 2012

Jorge amado é homenageado em selo pelos correios



 

A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos lançarão na próxima quarta-feira, dia 05 de Dezembro, o selo JORGE AMADO da 21ª LUBRAPEX – A FORÇA DA LÍNGUA PORTUGUESA. 

O cerimonial para o lançamento do selo será a partir das 18:00 hs, durante a abertura da EXPOTEC (Exposição Científica, Tecnológica e Cultural do IFRN).








sábado, 1 de dezembro de 2012

Lua cheia encantando a noite floraniense

(foto: Vantuir Azevedo)

Cantemos um salmo ao nosso Deus pela maravilhosa obra das suas mãos. O louvemos com muita alegria pois estamos cercados dos sinais de sua grandiosa criação. Ao ver esta belíssima foto, ocorreu-me na memória o que o Salmo 8  expressa de louvor e gratidão pelas coisas criadas: 

"Ó Senhor, Senhor nosso, quão admirável é o teu nome em toda a terra, tu que puseste a tua glória dos céus! Da boca das crianças e dos que mamam tu suscitaste força, por causa dos teus adversários para fazeres calar o inimigo e vingador. Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que estabeleceste; que é o homem, para que te lembres dele? E o filho do homem, para que o visites? Contudo, pouco abaixo de Deus o fizeste; de glória e de honra o coroaste. Deste-lhe domínio sobre as obras das tuas mãos; tudo puseste debaixo de seus pés: todas as ovelhas e bois, assim como os animais do campo, as aves do céu, e os peixes do mar, tudo o que passa pelas veredas dos mares. Ó Senhor, Senhor nosso, quão admirável é o teu nome em toda a terra!"

sábado, 29 de dezembro de 2012

O valioso exercício do diálogo


(Fonte da imagem: www.blogdacompetencia.blogspot.com.br)

Embalados pela experiência cortante do fim: o encerramento do calendário Maia para o dia vinte e um de dezembro deste ano como expectativa de final dos tempos; o Natal que nos lança culturalmente para dentro da mensagem transformadora de Jesus, segundo a qual é preciso morrer para viver; e agora a possibilidade de atravessarmos a linha cada vez mais tênue que divide um ano do outro; em meio a isso, temos a impressão de que muita coisa ainda está por dizer, muita coisa precisa ser discutida e digerida com incansável diálogo.

Ano após ano, a cada experiência de metamorfose, para não dizer revolução, somos como que balançados pelo encontro com o diferente, pelo diálogo com o outro. Os macedônios, vistos como bárbaros por não falar o grego, estavam fora do mundo civilizado até a subida de Felipe II ao poder, e depois pelo vasto Império de seu filho Alexandre que diluiu a famosa separação que existia entre gregos e bárbaros. A partir daí, o mundo começa a se globalizar e a tomar outra forma, onde o diálogo passa a ser fundamental para o desaparecimento das fronteiras étnicas. E isso se deve, obviamente, à política e à filosofia tão próprias ao mundo grego.

Por elas, o diálogo ganha corpo e se torna uma alternativa eficaz para cessar as guerras e introduzir no mundo a paz. Com o diálogo, temos a certeza de que não precisamos nos matar para resolver nossos problemas, diferenças ou adversidades. Somente o diálogo nos permite saber até onde podemos recuar ou avançar na relação de negociação com outros povos, culturas e etnias.

Se a Grécia mudou muito em contato cultural com o Oriente durante anos, herdando o alfabeto e outros modos de viver, o que dizer então da chegada da filosofia, quando alguns conversadores apareceram em algum lugar às margens do Mar Mediterrâneo. "Uns quinhentos anos antes da era cristã aconteceu na Magna Grécia a melhor coisa registrada na história universal: a descoberta do diálogo. A fé, a certeza, os dogmas, os anátemas, as preces, as proibições, as ordens, os tabus, as tiranias, as guerras e as glórias assediavam o orbe; alguns gregos contraíram, nunca sabemos como, o singular costume de conversar. Duvidaram, persuadiram, discordaram, mudaram de opinião, adiaram. Quiçá foram ajudados por sua mitologia, que era, como o shinto, um conjunto de fábulas imprecisas e de cosmogonias variáveis. Essas dispersas conjecturas foram a primeira raiz do que hoje chamamos, não sem pompa, de metafísica. Sem esses poucos gregos conversadores, a cultura ocidental é inconcebível" (BORGES, J. L. Sobre a filosofia e outros diálogos. Trad. John Lionel. SP: Hedra, 1985, p. 27).

Vejam o quanto o diálogo é importante! O diálogo com outras culturas cria um intercâmbio de troca de informações que esfria os rumores da violência, da ira e da vingança; destrói preconceitos; cessam os medos; prospera a paz; humaniza as relações e o mundo fica mais civilizado. O que um documento de pedra das longínquas comunidades maias, ramificadas em países das Américas do Norte e Central, foi capaz de fazer ultimamente, gerando um clima de repercussão internacional de que o mundo finalmente ia acabar, é a prova mais sensacional daquilo que o diálogo pode proporcionar, sobretudo hoje no mundo informatizado e globalizado. A sensação de fim do mundo tomou conta de todos pelo simples fato de termos acesso à cultura e aos materiais de estudos daquele povo.

Numa sociedade caolha como a nossa, para não dizer cega, de ações públicas impositoras sem diálogo com o povo, em que impera a égide da tecnologia e da informação acelerada em massa, dificilmente encontramos espaços para o valioso exercício do diálogo. Valores individuais e mesquinhos também nos impedem de praticar esta atividade tão importante para o aprendizado. Depois que Platão inventou o diálogo, de lá para cá, passando por Jesus Cristo, o diálogo tem sido a forma mais autêntica de nos aproximarmos uns dos outros e de nos libertarmos da ignorância, além de nos abrirmos para a promoção da paz.

Se Platão ajudou a educar a Grécia pelo diálogo, Jesus salvou muita gente em Israel também pelo diálogo.

Contudo, são nesses momentos de confraternização natalina e ano novo que, a cada ano, temos a oportunidade graciosa de nos encontrarmos uns com os outros para retomarmos a experiência única e maravilhosa do diálogo. Portanto, nesses dias de reunião familiar, não economize tempo para conversar, tampouco palavras para expressar o que pensa e o que sente em relação a tudo.

Bons diálogos e um excelente fim de ano a todos!


Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva

Licenciado em Filosofia, Bel. em Teologia, Esp. em Metafísica e Pós-graduando em Estudos Clássicos pela UnB/Archai/Unesco.

Páginas eletrônicas: www.umasreflexoes.blogspot.com.br



sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Seis passos para a felicidade com Luiz Felipe Pondé

Recentemente soube que alguns países querem endurecer ainda mais as leis antifumo: não pode fumar no carro, para fumar tem que ter uma carteirinha, quem nasceu a partir do ano 2000 não pode comprar tabaco. Esperamos, com a boca escancarada e cheia de dentes, a morte chegar. Mas, bem saudáveis. Hoje em dia, Raul Seixas vomitaria na plateia.
A "qualidade de vida" é uma das novas formas de puritanismo, sendo o feminismo uma outra (o feminismo é a nova repressão da sexualidade).
A felicidade e o bem-estar são as chaves da vida contemporânea. Vale tudo para ser feliz.
Qualquer discussão moral é pura afetação ética. Uma época dominada pela felicidade é uma época boba. Mas não estou sozinho nesta sensação: Aldous Huxley, escritor inglês, pensava a mesma coisa.
Quando olhamos para a história da ética, vemos que o utilitarismo inglês é o modo dominante da vida contemporânea. Para mim, pessoa um tanto desconfiada de quem passa a vida querendo ser feliz, isso tudo parece "limpinho" como um hospital. Jeremy Bentham (1748-1832), pai do utilitarismo, chegou mesmo a pensar num cálculo utilitário para otimizar a felicidade.
O principio utilitário afirma que o homem foge da dor e busca o prazer (o bem-estar). Logo, devemos fazer uma sociedade que vise produzir em larga escala a felicidade, o prazer e o bem-estar. E chegamos ao nosso mundo de gente que sonha em ficar com a boca escancarada, cheia de dentes, esperando a morte chegar, mas com saúde. A vida e a sociedade dominadas pela busca do bem-estar parecem tornar o homem menos homem.
O cálculo utilitário tem seis passos: 1. Intensidade: o prazer dever ser o mais intenso possível. 2. Duração: o prazer deve durar o máximo de tempo possível. 3. Certeza: cuidado para não produzir um prazer que não é o que você deseja com aquele ato. 4. "Remoticidade" (remoteness): o prazer deve causar efeito imediato ou o mais rápido possível. 5. Fecundidade: o prazer A deve gerar o prazer A1, o A2 e assim por diante. 6. Pureza: cuidado para não gerar desprazer ao invés de prazer.
Será que você já não põe isso mais ou menos em prática do seu dia a dia? Mas, dirão alguns, Bentham era um controlador, porque ele sempre pensava em termos de um centro (expert) controlando a periferia (as pessoas comuns).
Bentham ficará conhecido como o utilitarista antidemocrático, sendo John Stuart Mill (1806-1873) o utilitarista democrático. De acordo com este, maior representante da segunda geração de utilitaristas, a sociedade (os indivíduos) deve livremente buscar esse prazer.
Mas o que percebemos é que, ainda que Mill falasse muito em liberdade e contra o abuso de poder (cara simpático para a moçada que gosta de falar coisa bonitinha, tipo Obama), não adianta acusar o "centro do poder" de controlador, porque são as próprias pessoas que querem os seis passos para a felicidade de Bentham.
Isso cria o efeito de esmagamento típico do puritanismo de massa em que vivemos: saúde e felicidade. Fizéssemos um plebiscito, quase todo mundo escolheria uma gaiola feliz.
"Comunidade, identidade, estabilidade." O bem é sempre para todos, a identidade é o que nos une, a vida deve ser estável. Slogan que venderia bem no mundo para o qual seguimos a passos largos com esse utilitarismo social em que vivemos, com um controle cada vez maior dos gestos, do pensamento e dos hábitos em nome da "comunidade, identidade, estabilidade".
Esse era o slogan do mundo perfeito que Huxley criticou em seu "Admirável Mundo Novo" (1932), mas podia ser o de qualquer um dos proponentes bonitinhos do controle político da vida em nome do bem.
Louis Pojman, professor de filosofia da Academia Militar de West Point (EUA), chama isso de "tragédia da liberdade".
Toda liberdade pressupõe riscos, e toda sociedade pautada pela felicidade social não suporta a liberdade. Estamos caminhando a passos largos para uma dessas.
Toda a cultura intelectual está infestada de amor à felicidade social e de ódio ao indivíduo. O pesadelo totalitário não passou. Agora ele vem sob o disfarce da opinião pública e da vontade coletiva.
 

domingo, 16 de dezembro de 2012

A graça da vida


(apreciação da obra: Calmaria II, de Tarsila do Amaral)

É curioso, mas toda vez que me reencontro com a palavra “graça”, ocorre-me a impressão de que ela nos põe em conexão com uma abertura ou fissura presente no mundo, no cotidiano ou mesmo no curso mais simples da vida. Se é óbvio que a vida é contingência pura, tão óbvio que a cada ano somos tomados pela experiência do fim, pela sensação do ponto final que nos lança para outras continuidades, a graça, em contraluz a esta carga de contingência, parece ser muito mais uma potência de esperança, uma explosão de alegria e uma assustadora busca por mansidão.

A graça da vida está na descoberta desta mansidão. Nosso mestre Jesus disse coisas admiráveis em relação a isso. Aos seus amigos que estavam apavorados com o mar bravio, Jesus os advertiu para que não tivessem medo, pois estava com eles; o mar se acalmou(Cf. Mt 8.26). Repare bem, Jesus propõe ser uma abertura de salvação ao fechamento imposto pelo medo. Quando a mulher adúltera é apedrejada pelo povo em sinal de condenação, Jesus mais uma vez intervém com palavras de abertura: “Quem não tiver pecado que atire a primeira pedra”(Jo 8. 7). A intervenção da graça que é Jesus não só interrompe a condenação imposta pelo povo, mas salva aquela mulher.

Quantas vezes Jesus não se tornou a possibilidade de abertura para um mundo fechado à violência, ao medo e à contingência da morte, do fim! O convite “Vinde a mim todos vós que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei”(Mt 11. 28) é a prova de que a vida não fecha seu ciclo sem que antes não ganhe verdadeiro sentido no alívio, na paz trazida por Jesus. Quem não lembra dos que ladeavam Jesus quase morto no alto da cruz, os ladrões, pedindo misericórdia, mas antes murmuravam, “Se és o Cristo, salva-te a ti mesmo”(Lc 23. 39), blasfemavam, injuriavam. Não poucos de nós, também, assim como estes ladrões, continuamos a murmurar por algo que nem sequer entendemos ou desejamos de verdade.

Às vezes reclamamos por alguma coisa que sequer precisamos. Não temos discernimento para compreender o que Deus está querendo fazer conosco há um mês, dois meses, um ano, uma década. Deus simplesmente quer fazer algo maravilhoso conosco e tem uma vida toda pra isso. Mas não temos paciência para agradecer o que Deus já está fazendo e, por isso, murmuramos como fizeram os ladrões. Não sabiam eles o que Jesus estava preparando: “Hoje estarás comigo no paraíso”(Lc 23. 43).

Muitos passam uma vida inteira atolados na contingência de uma vida sem sentido; num trabalho exaustivo, com um salário miserável; numa família conflitiva e desestruturada; numa sociedade hipócrita e mentirosa; numa cultura ideológica dominante e alienante; num mundo frio, sem calor humano, e violento, onde não há quase lugar para o diálogo e os afetos. A vida, por sua própria contingência, já é cheia de sofrimento e dor, imagine então se nos fecharmos nela mesma, se nos irritarmos com qualquer besteira, se darmos lugar para tolices, se passarmos o dia inteiro reclamando de tudo, ora, não haverá lugar para a paz, a mansidão, uma vez que estaremos fechados em nossa própria ignorância.

Pense, então, se a vida já traz suas próprias desgraças, problemas e mazelas, por que torná-la insuportável, quando podíamos aliviá-la e torná-la melhor, cheia de graça!? Qual a graça da vida se ela não produz maravilha alguma? Qual a graça da vida se ela está fechada em si mesma? Eis a abertura para a graça da vida: paciência e muita, muita mansidão.

Encontre a graça da vida: “Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus”(Sl 46. 10).



Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva

Bel. em Teologia, Licenciatura em Filosofia, Esp. em Metafísica e Pós-graduando em Estudos Clássicos pela UnB/Archai/Unesco.




terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Platão e a cidade justa

O quanto é agradável revisitar trechos da filosofia política de Platão que transparecem a preocupação deste filósofo com o governo de seu tempo. Suas palavras na boca dos personagens Glauco e Sócrates mais parecem um tom em uníssono de que a cidade precisa de governo justo. Vejamos algumas passagens do Livro VII da República de Platão:

"... que nem os ignorantes e desconhecedores da verdade, nem os que permitimos passar toda a vida nos estudos podem ser bons governantes: os primeiros, por carecerem de um ideal com que relacionem todos os seus atos, assim públicos como particulares; os outros, por não se resolverem nunca a exercer essas atividades, visto já se imaginarem na ilha dos bem-aventurados..."

"... se encontrares para os que têm de ser dirigentes uma vida melhor do que o ofício de governar, conseguirás que a cidade seja bem administrada, porque somente uma cidade nessas condições é que pode ser comandada por cidadãos verdadeiramente ricos; não ricos em outro, sem dúvida, mas no que devem ser ricos bem-aventurados: em vida virtuosa e sábia. Onde os famintos e mendigos se ocupam dos negócios públicos em proveito próprio, com a esperança de fazer mão baixa no que houver de bom... Assim não é possível. Sempre que a conquista do poder se transforma num prédio encarniçado, a guerra doméstica e intestina acarreta a destruição tanto dos dirigentes como na cidade..."

"... Sendo assim, não devem ambicionar o mando os amigos do poder, para não terem de lutar com os seus concorrentes..."

"... E não é certo, continuei, que, com relação à verdade, devemos também considerar estropiada a alma que odeia, de fato, a mentira voluntária, sem a admitir em si própria nem conseguir dominar-se quando se manifesta nos outros, mas tolera facilmente a involuntária, e longe de mostrar-se indignada consigo mesma quando é apanhada em alguma falsidade, apraz-se de chafurdar-se na ignorância, como faz na lama o porco?..."

"... Porque o homem livre, lhe disse, não deve aprender nada como escravo. Os trabalhos corpóreos podem ser impostos sem maior prejuízo para o corpo, porém na alma não cala nenhum conhecimento adquirido à força..."

"... Por isso, meu caro, nunca ensines nada às crianças por meios violentos, mas à guisa de brinquedo, é como melhor poderás observar as aptidões de cada um..."

"... E já não seria uma medida preventiva de grande relevância não deixá-los provar muitos moços da Dialética?
      Segundo creio, de maravilha poderá ter-te escapado como procedem os adolescentes, quando pela primeira vez lhe sentem o gosto: usam-na à guisa de brinquedo, para rebater a tudo e a todos, e imitando os que os confundem com seus argumentos, põem empenho, por sua vez, em cofundir os outros, comprazendo-se, à maneira de cachorrinhos, em puxar e rasgar os que deles se aproximam..." 

Não há como passar pela leitura atenta de Platão sem antes considerar o caráter da cidade justa, habitada por cidadãos justos, mesmo estando distante de nós muitos séculos, porém é útil prender o olhar nesses trechos que remontam à cidade justa.
Prof. Jackislandy Meira de M. Silva


 

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Niemeyer, o artista dos traços sinuosos de vida


Afirma Dilma: "É dia de saudar sua vida"

Em nota oficial, a presidenta da República, Dilma Rousseff, citou que frase do arquiteto, para quem “a gente tem que sonhar, senão as coisas não acontecem”. De acordo com Dilma, “poucos sonharam tão intensamente e fizeram tantas coisas acontecer como ele”. Para a presidenta, “sua história não cabe nas pranchetas. Niemeyer foi um revolucionário, o mentor de uma nova arquitetura, bonita, lógica e, como ele mesmo definia, inventiva”.


 
 
EFE

Centro Cultural Oscar Niemeyer, na Espanha
Dilma elogiou sua defesa de “uma sociedade igualitária” e disse que, apesar de se autodeclarar pessimista, era “um símbolo da esperança”. “O Brasil perdeu hoje um dos seus gênios. É dia de chorar sua morte. É dia de saudar sua vida", afirmou a presidenta.
A ministra da Cultura, Marta Suplicy, divulgou nota da França, onde está em missão oficial, em que diz que "o Brasil acaba de perder um dos seus grandes. A genialidade de seus traços, a generosidade de sua alma e a firmeza de suas convicções fazem de Oscar Niemeyer um exemplo para a humanidade".
"Meu coração chora ao se despedir de um gigante na arte, poesia e coragem. Um homem que viveu na plenitude cada minuto de sua vida, com lado e posição e busca da beleza, da harmonia e justiça. A cidade de São Paulo deve a ele o seu mais bonito parque: o Ibirapuera. E, o mundo, a sua grandeza."
Para Sérgio Cabral (PMDB), governador do Estado de origem do arquiteto, "Oscar Niemeyer foi o maior arquiteto do Brasil. Um gênio da arquitetura mundial. Doce no trato, firme nas suas convicções e amado pelo povo brasileiro", declarou Cabral em nota.
O governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia (PSDB), também decretou luto oficial por três dias.
Geraldo Alckmin (PSDB), governador de São Paulo, afirmou em nota que "o Brasil perdeu o mestre que projetou o país no mundo, um gênio que desenhou as linhas do modernismo brasileiro".
Para Eduardo Campos (PSB), governador de Pernambuco, Niemeyer foi “um dos grandes gênios criadores” do Brasil para o mundo. “Sua obra dá testemunho inequívoco da criatividade, elegância e força do povo brasileiro. Niemeyer viveu uma vida muito intensa, caracterizada, inclusive, por uma militância política muito comprometida".
O senador Aécio Neves emitiu em comunicado: "Perdemos um dos mais importantes brasileiros de nossa história. Não há outras palavras para defini-lo: Niemeyer era simplesmente genial, talento puro, ousadia e inquietude e também inspiração permanente. No seu trabalho encontramos uma densa brasilidade, expressa pelo movimento, pelas curvas e a fortíssima presença do inédito, do inusitado em contraponto aos padrões e ao óbvio."
O arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani Tempesta, descreveu o comunista como “um homem de convicções claras, que serviu ao seu país com os dons que tinha”, que “deixou marcas na arquitetura mundial” e “colocou seu gênio criativo a serviço do belo, também na construção de templos”.

A vida é solidariedade, dizia Oscar Niemeyer

Até o ano de sua morte, o maior arquiteto do Brasil ainda estudava. Morto na quarta-feira (5), aos 104 anos , Oscar Niemeyer já tinha passado dos 90 quando começou a participar de encontros semanais nos quais aprendia sobre filosofia, astronomia, história e literatura com o físico e doutor em cosmologia Luiz Alberto Oliveira. “Eu era o chamado professor”, disse Oliveira, em entrevista ao iG . “Mas nunca houve dúvida de que o mestre era ele.”
Os encontros no escritório do arquiteto no Rio de Janeiro começaram em 2000, depois de Oliveira e Niemeyer terem sido apresentados por um amigo em comum. Sempre às terças-feiras, os dois se reuniam por cerca de duas horas, às vezes mais, para discussões das quais também participavam a mulher do arquiteto, Vera Lúcia Cabreira, sobrinhos, netos, bisnetos e amigos. “Todo mundo dava opinião”, relembrou o professor.
Geralmente os encontros começavam com discussões sobre as notícias do dia, nas quais, segundo Oliveira, Niemeyer se mostrava muito bem informado sobre política e economia. Depois, o professor explorava temas ligados a campos tão diferentes quanto literatura e neurociência, que no fim da reunião eram debatidos por todos os presentes.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Brasil ocupa 69ª posição em ranking de países corruptos, mostra estudo



Publicação: 05/12/2012 09:02 Atualização: 05/12/2012 09:41
A organização não governamental (ONG) Transparência Internacional (Tranparency Internacional) divulgou nesta quarta-feira (5/12) o estudo Percepções da Corrupção Index 2012, no qual analisa a situação em 176 países. O Brasil aparece em 69ª posição no ranking. Na América Latina, o país fica atrás apenas do Chile e do Uruguai, que estão na 20ª posição. Compartilham o topo da lista, com menos casos de corrupção, a Dinamarca, a Suécia e a Nova Zelândia.

As piores posições no ranking da ONG são ocupadas pelo Afeganistão, pela Coreia do Norte e pela Somália. Nas Américas e no Caribe, as posições mais negativas são as do Haiti, em 165º lugar, e do Paraguai, em 150º. Em nota, a Transparência Internacional diz que os níveis de corrupção no mundo ainda são elevados, assim como casos de “abuso de poder e relações sigilosas”. Para a organização, é necessário intensificar as ações em busca da transparência de dados e informações referentes aos órgãos públicos e sua atuação.

A presidente da Transparency Internacional, Huguette Labelle, defendeu a integração de ações governamentais em busca do combate à corrupção além da concessão de mais espaço para a sociedade participar dos debates. Segundo ela, é fundamental estabelecer regras para o lobby e o financiamento para campanhas políticas, além da definição de normas transparentes para a contratação de serviços públicos.

Labelle disse ainda que a intenção do estudo é incentivar os governos a tomar uma decisão “mais dura contra o abuso de poder”. De acordo com ela, os casos considerados mais graves estão no Oriente Médio e na África, pois, em geral, os números indicam que houve uma estagnação e até retrocesso em algumas situações.
No caso dos países que ocupam a primeira posição, destacando-se em relação aos demais, como Dinamarca, Finlândia e Nova Zelândia, a organização considera o esforço público – associado ao acesso aos sistemas de informação e à definição de regras claras, que regem o comportamento dos que ocupam cargos públicos – preponderante para evitar casos de corrupção.

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Nas piores posições, nas quais estão Afeganistão, Coreia do Norte e Somália, a ONG diz que faltam líderes responsáveis e instituições públicas eficientes. Também estão em posições consideradas negativas alguns países da zona do euro (17 países que adotam a moeda única), como Grécia, em 94ª posição, e Itália, em 72ª, regiões que sofrem os impactos intensos da crise econômica internacional.

O diretor da Transparência Internacional, Corbus de Swardt, disse que as principais economias do mundo devem dar exemplo de lisura, verificando a atuação das instituições públicas e cobrando responsabilidade dos gestores e líderes. “Isso é crucial. As instituições têm um papel significativo na prevenção da corrupção", disse. Os países que estão em confrontos internos, como a Síria e o Egito, também aparecem entre os apontados com graves problemas de corrupção. A Síria ocupa a posição de 144 e o Egito a de 118. O estudo completo está disponível no site da Transparência Internacional.
 

domingo, 2 de dezembro de 2012

Jorge amado é homenageado em selo pelos correios



 

A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos lançarão na próxima quarta-feira, dia 05 de Dezembro, o selo JORGE AMADO da 21ª LUBRAPEX – A FORÇA DA LÍNGUA PORTUGUESA. 

O cerimonial para o lançamento do selo será a partir das 18:00 hs, durante a abertura da EXPOTEC (Exposição Científica, Tecnológica e Cultural do IFRN).








sábado, 1 de dezembro de 2012

Lua cheia encantando a noite floraniense

(foto: Vantuir Azevedo)

Cantemos um salmo ao nosso Deus pela maravilhosa obra das suas mãos. O louvemos com muita alegria pois estamos cercados dos sinais de sua grandiosa criação. Ao ver esta belíssima foto, ocorreu-me na memória o que o Salmo 8  expressa de louvor e gratidão pelas coisas criadas: 

"Ó Senhor, Senhor nosso, quão admirável é o teu nome em toda a terra, tu que puseste a tua glória dos céus! Da boca das crianças e dos que mamam tu suscitaste força, por causa dos teus adversários para fazeres calar o inimigo e vingador. Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que estabeleceste; que é o homem, para que te lembres dele? E o filho do homem, para que o visites? Contudo, pouco abaixo de Deus o fizeste; de glória e de honra o coroaste. Deste-lhe domínio sobre as obras das tuas mãos; tudo puseste debaixo de seus pés: todas as ovelhas e bois, assim como os animais do campo, as aves do céu, e os peixes do mar, tudo o que passa pelas veredas dos mares. Ó Senhor, Senhor nosso, quão admirável é o teu nome em toda a terra!"

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