O teólogo Leonardo Boff discursa em plenária da Carta da Terra durante a Cúpula dos Povos, na Rio+20
"É um documento materialista e miserável". Foi dessa forma que o
teólogo e escritor Leonardo Boff se referiu ao documento geral da ONU
que está sendo preparado na Rio+20, Conferência da ONU sobre
Desenvolvimento Sustentável, que ocorre até o dia 22 de junho, no RIo de
Janeiro.
"O Futuro que preparam na Rio+20 vai nos levar ao abismo", disse Boff, um dos responsáveis pela Carta da Terra, declaração de princípios que busca inserir na sociedade princípios mais éticos na relação com o meio ambiente.
Segundo o teólogo, a busca por uma economia mais sustentável, um dos
principais focos da Rio+20, não terá sucesso algum com as ideias e
panoramas atuais.
"Só se fala de economia verde. Mas o que eles querem é apenas uma
economia pintada de verde. Temos que ter uma ruptura com o sistema
atual", afirmou.
O ex-representante da ONU (Organização das
Nações Unidas) para mudanças climáticas, Yvo de Boer, disse hoje que o
texto final da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento
Sustentável (Rio+20), que ainda está sendo negociado, não mostra o
“desejo de realmente provocar mudanças radicais”. Professor da
Universidade de Maastrich, na Holanda, o especialista disse que o texto
traz apenas reafirmações de crenças que vêm sendo repetidas há 20 anos.
“Quando
li o texto na manhã de hoje, vi que infelizmente ainda falta o desejo
de realmente provocar uma mudança fundamental e radical, que precisamos
ver. Se quisermos lidar com esses assuntos não resolvidos de
sustentabilidade, temos que ir além de afirmações. Não vamos resolver
esses problemas globais apenas com reafirmações de crenças. Precisamos
de uma mudança fundamental de direção”, disse.
De acordo com De
Boer, nos próximos anos, com o aumento populacional, o mundo terá que
lidar com o crescimento da demanda por energia, pelos alimentos e pela
água. O desafio será maior por causa das mudanças climáticas, que
poderão reduzir as terras disponíveis para a agricultura e as reservas
de água.
Polêmicas
A última versão
preliminar do documento final da Rio+20, a que a Agência Brasil teve
acesso, mostra que os temas controvertidos, como definições de recursos e
metas pontuais, foram excluídos. O texto é amplo e generalista, mas
ressalta aspectos sociais, como as parcerias para a erradicação da
pobreza, a melhoria na qualidade de vida nos assentamentos, transportes e
educação, além do combate à discriminação por gênero.
O rascunho
foi negociado até a noite de ontem, sendo que só as delegações dos 193
países, organizações não governamentais e alguns movimentos da sociedade
civil tiveram acesso ao texto. Nele, há 50 páginas, indicando que pelo
menos 30 das propostas iniciais foram retiradas. No começo da
conferência, o documento apresentado tinha 80 páginas e, anteriormente,
chegou a ter 200 páginas.
No texto, não há menção sobre a criação
do fundo anual de US$ 30 bilhões, a partir de 2013, e que alcançaria
US$ 100 bilhões em 2018. A proposta defendida pelo Brasil e por países
de economias em desenvolvimento foi rejeitada pelas nações mais ricas.
Em
substituição à proposta de criação do fundo, há o compromisso de ser
criado um fórum para apreciar o assunto a partir de nomeações da
Assembleia Geral das Nações Unidas. O documento preliminar está dividido
em seis capítulos e 287 itens. Os capítulos mais relevantes são os que
tratam de financiamentos e meios de implementação (relacionados às metas
e compromissos que devem ser cumpridos).
O texto destaca também a
necessidade de os países fortalecerem as parcerias para a transferência
de tecnologia limpa. Mas não há detalhamento, pois a questão divide os
países desenvolvidos e os em desenvolvimento. Nas situações de impasse, o
rascunho apela para os mais ricos contribuírem para o desenvolvimento
sustentável, ação que vale também para as questões relativas à
capacitação e ao comércio.
Que além da burocracia do evento Rio+20 (de 13 a 22 de junho de 2012, no Rio de Janeiro) sobre meio ambiente, biodiversidade e sustentabilidade dos recursos naturais do planeta, vejamos ações concretas da cúpula internacional que se encontrará aqui no Brasil para este grande despertamento de interesses que viabilizem tecnologia com preservação da natureza.
Há muitos hoje no mundo inteiro, das mais diferentes
procedências, preocupados com a crise atual que engloba um complexo de
outras crises. Cada um traz luz. E toda luz é criadora. Mas, de minha
parte, vindo da filosofia e da teologia, sinto necessidade de uma
reflexão que vá mais fundo, às raizes, de onde lentamente ela se
originou e que hoje eclode com toda a sua virulência. À diferença de
outras crises anteriores, esta possui uma singularidade: nela está em
jogo o futuro da vida e a continuidade de nossa civilização. Nossas
práticas estão indo contra o curso evolucionário da Terra. Esta nos
criou um lugar amigável para viver mas nós não estamos nos mostrando
amigáveis para com ela. Movemos-lhe uma guerra sem trégua em todas as
frentes, sem nenhuma chance de vencer. Ela pode continuar sem nós. Nós,
no entando, precisamos dela.
Estimo que a origem próxima (não vamos retroceder até o homo faber de
dois milhões de anos atrás) se encontra no paradigma da modernidade que
fragmentou o real e o transformou num objeto de ciência e num campo de
intervenção técnica. Até então a humanidade se entendia normalmente com
parte de um cosmos vivente e cheio de propósito, sentindo-se filho e
filha da Mãe Terra. Agora ela foi transformada num armazém de recursos.
As coisas e os seres humanos estão desconectados entre si, cada qual
seguindo um curso próprio. Essa virada produziu uma concepção
mecanisista e atomizada da realidade que está erodindo a continuidade de
nossas experiências e a integridade de nosso psiqué coletiva.
A secularização de todas as esferas da vida nos tirou o sentimento de
pertença a um Todo maior. Estamos desenraizados e mergulhados numa
profunda solidão. O oposto à uma visão espiritual do mundo não é o
materialismo ou o ateismo. É o desenraizamento e o sentimento de que
estamos sós no universo e perdidos, coisa que uma visão espiritual do
mundo impedia. Esse complexo de questões subjaz à atual crise.
Precisamos, para sair dela, reencantar o mundo e perceber a Matriz
Relacional (Relational Matrix) em erosão, que nos envolve a todos. Somos
urgidos a comprender o signficado do projeto humano no interior de um
universo em evolução/criação. As novas ciências depois de Einstein, de
Heisenberg/Bohr, de Prigogine e de Hawking nos mostraram que todas as
coisas se encontram interconectadas umas com as outras de tal forma que
formam um complexo Todo.
Os átomos e as partículas elementares não são mais consideradas
inertes e sem vida. Os microcosmos emergem como um mundo altamente
interativo, impossível e ser descrito pela linguagem humana, mas apenas
por via da matemática. Forma uma unidade complexa na qual cada partícula
é ligada a todas as outras e isso desde os primórdios da aventura
cósmica há 13,7 bilhões de anos. Matéria e mente comparecem
misteriosamente entrelaçadas, sendo difícil discernir se a mente surge
da matéria ou a matéria da mente ou se elas surgem conjuntamente. A
própria Terra se motra viva (Gaia) articulando todos os elementos para
garantir as condições ideais para a vida. Nela mais que a competição,
funciona a cooperação de todos com todos. Ela mostra um impulso para a
complexidade, para a diversidade e para a irrupção da consciência em
níveis cada vez mais complexos até a sua expressão atual pelas redes de
conexões globais dentro de um processo de mundialização crescente.
Esta cosmovisão nos alimenta a esperança de um outro mundo possível, a
partir de um cosmos em evolução que através de nós sente, pensa, cria,
ama e busca permanente equilíbrio. As idéias-mestras como
interdependência, comunidade de vida, reciprocidade, complementariedade,
corresponsabilidade são chaves de leitura e nos alimentam uma nova
visão mais harmoniosa das coisas.
Esta cosmologia é que falta hoje. Ela tem o condão de nos fornecer
uma visão coerente do universo, da Terra e de nosso lugar no conjunto
dos seres, como guardiães e cuidadores de todo o criado. Esta cosmovisão
nos impedirá de cair num abismo sem retorno. Nas crises passadas, a
Terra sempre se mostrou a nosso favor, nos salvando. E não será
diferente agora. Juntos, nós e ela, sinergeticamente poderemos triunfar.
O Ministério da Pesca e Aquicultura em parceria com o Ministério da Saúde realiza entre os dias 11
e 24 de setembro a Semana do Peixe. A 8ª edição da Campanha tem como
principal objetivo incentivar o brasileiro a consumir pescado
regularmente com foco na alimentação saudável.
De
modo geral, os peixes são boas fontes de todos os aminoácidos
essenciais, que ajudam a formar as proteínas, necessárias para o
crescimento e a manutenção do corpo humano. São também fontes
importantes de ferro, vitamina B12, cálcio e gorduras essenciais,
fundamentais ao bom funcionamento do corpo.
Vários
tipos de pescado são fontes de ômega 3, que é encontrado principalmente
em peixes como atum, pintado, sardinha, arenque, anchova, tainha,
bacalhau e truta. O ômega 3 auxilia na manutenção de níveis saudáveis de
triglicerídeos, desde que associado a uma alimentação equilibrada e
hábitos de vida saudáveis. Tanto os peixes de rio como de mar fazem bem à
saúde. O teor de gordura nos peixes é baixo, fazendo deles uma ótima
opção de proteína. Para uma alimentação mais saudável, o Ministério da
Saúde recomenda o consumo de duas porções de peixes por semana.
No link a seguir, você pode baixar o informativo contendo informações sobre:
Os benefícios que o consumo de pescado proporciona à saúde
Orientações sobre como verificar a qualidade do produto na hora da compra
Como limpar o pescado
Diversas receitas regionais e melhoradas nutricionalmente, com quantidades reduzidas de sal e de gorduras: Download - informe sobre a semana do peixe
Pensar o futuro do mundo também passa pela filosofia. Charge de Marco Baré http://acertodecontas.blog.br/artigos/exemplo-para-o-mundo/attachment/energia-nuclear-2/
(fotos do jardim de Claude Monet, um colírio para os olhos)
De pronto, ponho-me a escrever. É fascinante o mistério que envolve as coisas. Assim o é com a beleza, pois há muita beleza no mundo. A beleza é fascinante, é divina, é encantadora, mas é preciso ouvir a voz das coisas, admirar-se com a vida, admitir o mistério. Há algo escondido na imensa vastidão da aparência. As pessoas querem ouvir geralmente o que lhes agrada, o que faz bem aos ouvidos, às suas necessidades e o que as colocam novamente na dinâmica da vida. Isso faz sentido porque elas estão tentando alimentar sua subjetividade. Talvez, por isso, as pessoas sejam constantemente mais seduzidas pela beleza do que pela verdade. A beleza está mais ao alcance dos olhos do que a verdade. A beleza parece ser mais acessível, talvez não, mas o que importa é que ela está em algum lugar, em algum estalo da natureza. Ela se esconde e se mostra rasgadamente aos sentidos. Alguém já disse que a beleza é filha do olhar. Eu acrescento... de um olhar periférico e profundo, aparente e imanente, geral e singular. Ela é filha de um olhar cuidadoso, atencioso. Às vezes, nem é preciso olhar, mas sentir, imaginar talvez. Mas, definitivamente, de uma coisa eu esteja certo, em tudo isso será preciso recolher o olhar e voltar a cultivar uma admiração irrestrita por um jardim. Como encontrar um jardim nas cidades movimentadas e poluídas? Como encontrar um jardim no deserto da vida? Como encontrar um jardim nos gélidos edifícios das grandes cidades? Como cultivar um jardim nas cidades pervertidas pelo consumo e pelas drogas? Como cultivar um jardim em nós? Deus, Epicuro, Francis Bacon, Rubem Alves... Quantos não falaram em jardins! Quando estou só caminhando em meus pensamentos utópicos, penso em jardins! Não é assim a experiência de um nômade perdido na imensidão do deserto! Os povos do oriente vivem mais do que nós em contato com o deserto, talvez por isso vivam obcecados à procura de um jardim, de um oásis. Tal convivência com o deserto provoca nessas pessoas uma necessidade cortante de água, de verde, de plantas, de flores, de comida, de frescura, de abrigo, de proteção, de um lugar... As areias e o sol do deserto deixam essas pessoas não só extenuadas fisicamente, mas as deixam com uma sensibilidade e imaginação de tudo que é contrário ao deserto à flor da pele. Seria quase impossível não pensar em água de coco no deserto, não pensar num poço se excedendo de água ou numa fonte de água fresca jorrando sem parar. Se no deserto a terra não é fértil, a imaginação compensa esta falta. Não foi à toa que Saint-Exupéry falou tão maravilhosamente do deserto em seu livro “O Pequeno Príncipe”, numa certa altura ele diz como ninguém que o deserto é belo porque esconde, em algum lugar, uma fonte. Isto quer dizer que em algum lugar do deserto pode haver beleza. Em algum lugar do deserto há um jardim. Vejam como é magnífico, muitos em seus pensamentos buscaram jardins, falaram bem dos jardins, das flores, da frescura dos perfumes que emanam delas, da beleza com a qual se veste, das inúmeras espécies que se estendem pelo mundo afora; como também da necessidade da natureza de se viver num jardim filosoficamente, para bem viver, para uma vida boa. Deus criou um jardim e nos colocou lá. Desde o início, diz Rubem Alves, “somos destinados ao jardim, somos destinados a ser jardineiros. O sonho do jardim apareceu entre os hebreus, porque eram nômades que moravam no deserto. Deserto é areia, é terra estéril, é escorpião, é cobra, é pedra, é secura, é sede”. Daí o sonho que lateja em nós à procura do jardim. Epicuro comprou um jardim em oposição à pólis desacreditada pelos gregos. Ele viu sabiamente que os homens queriam se recolher em comunidade num jardim. E assim formou, em pleno declínio da democracia, um jardim. “Compraram, então, um jardim na vizinhança, um pouco fora dos limites da porta de Dipylon, e passaram a cultivar alguns vegetais, provavelmente bliton(repolho), krommyon(cebola) e kinara(um ancestral da moderna alcachofra, cuja base era comestível, mas não as escamas). Sua dieta não era luxuosa nem abundante, e sim saborosa e nutritiva. Como Epicuro explicou a seu amigo Meneceu, 'O sábio não escolhe a maior quantidade de comida, mas a mais agradável'”(In DE BOTTON, Alain. As Consolações da Filosofia. Rio de Janeiro: Rocco, 2001. p. 71-72) . No intuito de viver conforme a natureza é que se buscou morar num jardim: “Portanto, sendo tal caminho útil a todos os que se familiarizaram com a investigação da natureza e desse modo de viver, tiro principalmente a minha calma, preparei para teu uso uma espécie de epítome e um sumário de elementos fundamentais de minha filosofia em sua totalidade”(D.L.,X,37). É praticamente unânime a opinião de que o jardim é o lugar de maior repouso para o espírito do homem. O jardim é lugar de sossego, descanso e refrigério para a alma. No jardim, à sombra das árvores, em meio aos perfumes das orquídeas e margaridas, com borboletas esvoaçando suas asas por sobre as flores numa policromia admirável de cores e beleza, retomamos o rumo certo de nossas vidas e nos permitimos sonhar, pensar, filosofar. Não sei se disse o que tive intenção de dizer, no entanto, reforço a ideia de que no jardim podemos nos lembrar de onde viemos e de que estamos em harmonia com o todo, somos partes do todo; pensamos também o quanto é saboroso mexer com a terra e sentir o cheiro do mato; respirar ar puro, bem como ter a consciência de que a natureza é perfeita e precisa ser preservada, cuidada, porque se emancipa a todos nós. “Deus Todo-Poderoso foi quem primeiro plantou um jardim. Na verdade, plantar jardins é o mais puro dos prazeres humanos, isto é, aquele que constitui maior repouso para o espírito do homem; sem jardins, edifícios e palácios não passam de construções grosseiras”(Francis Bacon).
Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva Licenciado em Filosofia pela UERN e Especialista em Metafísica pela UFRN www.umasreflexoes.blogspot.com www.chegadootempo.blogspot.com www.twitter.com/filoflorania
Um vendaval causou pânico na cidade de Jardim de Piranhas, na tarde desta quinta-feira (3). Os fortes ventos ocorreram por volta das 16h20. “A correria do pessoal foi grande. Muita gente nervosa e aflita com tudo”. O vendaval durou alguns minutos, mas provocou estrago nos prédios e nervosismo nos moradores. Muitas casas foram destelhadas e os casos mais graves foram no ginásio de esportes e no posto de combustível. “A cobertura do posto caiu por cima das bombas, carros e motos. Já o ginásio também perdeu sua cobertura”. Além disso, alguns postes e árvores caíram pelas ruas da cidade, muitas pessoas estão tentando colocar as telhas que não se quebraram de volta no telhado das casas. Alguns pontos de Jardim de Piranhas ficaram sem energia elétrica. Graças ao nosso bom deus apenas danos materiais pela cidade.
Fonte: http://www.jarlescavalcanti.com/
Temporal causa uma série de danos materiais na cidade de Jardim de Piranhas. Deus protegeu a população de maiores consequências. Certamente, a natureza já está gritando por socorro, haja vista a intensa ação humana no meio ambiente que o degrada violentamente sem controle e sem racionalização. Faz-se urgente uma educação para a preservação do meio ambiente!!!! Vamos começar pelo rio piranhas. Como será que a população está tratando o rio, patrimônio natural do RN???
É possível criar uma ontologia particular sem citar a Tradição com base na música, no teatro e na poesia, bem como na literatura.
Segundo Nietzsche, a tarefa do saber é: “ver a ciência sob a ótica do artista, mas a arte sob a ótica da vida”. É a dialética entre a Tradição(História) e a Ruptura(indivíduo). Foucault é filho dessa cultura que não precisa pressupor aHistória para desenvolver a estrutura lógica de seu pensar.
É sabido por todos que, após as duas grandes guerras mundiais, a razão como modelo único entra em crise porque não atendeu as necessidades básicas que levam o homem ao progresso. “A razão é a imperfeição da inteligência”, segundo Tomás de Aquino, pois, fora quem melhor compreendeu a modernidade da modernidade.
A modernidade fracassou por duas maneiras: a pretensão de um estado nação assumir o controle do mundo com a queda do muro de Berlim; depois, com a Física quântica, derrogando a razão positivista que acreditava esquadrinhar todas as coisas, inclusive o átomo.
O Racionalismo frustra a modernidade como também a desigualdade social mundial, isto é, com o desenvolvimento econômico sustentado das nações.
O grande pecado da modernidade foi espiritualizar o material e materializar o espiritual, tornando o consumismo a sua marca fundamental.
Massificação e sociedade de consumo são as razões do capitalismo.
A ciência não foi capaz de dar estabilidade e segurança social frente às imprevisibilidades do futuro. Não é suficiente para integrar o homem à cultura que lhe é própria. Newton e Descartes são as duas pernas com as quais andamos. Newton com a gravidade universal e Descartes com o Método.
Sendo assim, ciência e razão nos conduziram a sofrimentos e a desorientações pela garantia de um progresso tecnológico. Não foi capaz de sanar a sede de saúde, paz mundial, importância antropológica, política, social e histórica. Frustrou as perspectivas de progresso no século XX.
Edgar Morin nos ensina que o dever principal da educação é armar cada um para o combate vital à lucidez.
Do séc. passado recebemos a lição de que “não sabemos tudo de nada”. Lutamos contra nossas pretensões bélicas, econômicas e racionalistas, mas nos esquecemos de promover o bem-estar social, ecológico, político sustentado pelo mundo a fora.
Daí, passamos por uma devastadora crise de paradigma. Os modelos educacionais ou até do próprio conhecimento não dão conta das exigências complexas por que passa a humanidade.
“O conhecimento do mundo como mundo é necessidade ao mesmo tempo intelectual e vital. É o problema universal de todo cidadão do novo milênio: como ter acesso às informações sobre o mundo e como ter a possibilidade de articulá-las e organizá-las? Como perceber e conceber o Contexto, o Global ( a relação todo/partes), o Multidimensional, o complexo? Para articular e organizar os conhecimentos e assim reconhecer e conhecer os problemas do mundo, é necessária a reforma do pensamento”(Edgar Morin, in Sete Saberes necessários à Educação do Futuro, pág. 35).
Para Morin, a Reforma é paradigmática e, não, programática. Uma educação que fomente a nossa aptidão para organizar o conhecimento.
Aqui é o ponto: Estamos inseridos numa sociedade altamente tecnológica informatizada, onde a Educação precisa mais do que nunca incluir esses valores para tentar responder as expectativas dos alunos e de uma nova compreensão de mundo. Todavia, como unir velocidade de informações e conteúdos via Internet/meios tecnológicos com a capacidade do aluno introjetar/refletir essas mesmas informações? Ou será que a educação está formando sujeitos de desejos ao invés de sujeitos reflexivos?
Uma alternativa ou uma das alternativas para indicar saídas é favorecer a atividade da arte e da filosofia na Educação, ou seja, implementar ações educativas complementares: jogos; filmes; jornal; teatro; música. Tudo isso unido ao poder da reflexão para possibilitar a descoberta de talentos críticos que contribuam na construção de valores e de preservação do meio ambiente.
A conseqüência de tudo isso foi o nosso afastamento de uma vida contemplativa(razão) para nos familiarizar, agora como nunca, com uma vida ativa, interativa audiovisual e lúdica. O desencanto da razão levou-nos ao encanto da música e dos jogos, isto é, do entretenimento midiático. Eis, no entanto, o desafio: educar toda essa massa humana advinda da cultura do entretenimento para as escolas. Se quisermos impactar crianças, adolescentes e jovens com a Educação basta oferecermos a música e o esporte nesse processo, e depois, formar indivíduos reflexivos, cuja meta é a multiplicação dessas práticas de saberes.
Quem não acompanhou pela televisão brasileira o resgate emocionado da mulher Jean Batiste Mimosa, 36 anos de idade, soterrada pelo terremoto ocorrido há quatro dias no Haiti, cujo foco mais atingido fora a Capital Porto Príncipe. Esta mulher gritava pedindo ajuda, clamando por socorro, no centro da Cidade sob os escombros de pedras e destroços das construções. Certamente, o pedido de ajuda desta mulher, sufocado há quase quatro(4) dias, representa o grito, o clamor, o S.O.S, o desespero de milhares e milhares de haitianos que choram de dor pela perda de aproximadamente duzentos(200) mil mortos. A imprensa até agora confirmou que o número de mortos poderá chegar a duzentos(200) mil, que o número de pessoas desabrigadas atinge já trezentos(300) mil, que o número de pessoas passando fome e necessidades de toda ordem são um(1) milhão. A tragédia comove o mundo, principalmente o Brasil, haja vista o apoio humanitário que o nosso país prestava àquelas pessoas. Militares, religiosos, civis deram suas vidas pela história daqueles homens e mulheres que viviam aterrorizados pela guerra, pela pobreza e pela falta de dignidade humana. Dra. Zilda Arns, coordenadora da Pastoral da Criança no Brasil, dava palestra no momento exato do terremoto, também morreu no desastre que desafia a ciência ou as previsões meteorológicas e as nossas capacidades de conservação da espécie. A catástrofe provocada pelo terremoto no Haiti, bem como outras tantas que pulverizam o mundo com maremotos, inundações, tempestades, incêndios espontâneos, enfim, ceifando vidas mostram o quanto somos vulneráveis, o quanto somos frágeis, o quanto somos pequenos diante da grandeza infinita de Deus. Não que nós queiramos responsabilizar Deus por isso. Longe disso. Porém, precisamos estar preparados para os mistérios imponderáveis que cercam a vida e a natureza, pois não fomos nós que os criamos, mas o próprio Deus que respeita a ordem e a inteligência postas na vida e na natureza. Se até Deus respeita a ordem das coisas, o que dizer de nós? Respeitamos a natureza? Cuidamos da vida? Louvamos a Deus por esses bens tão caros a nós que são a vida e a natureza? Queremos por ordem ou desordem às coisas? De uma coisa devemos nos dar conta, o mundo, que ora encontra-se perplexo diante da tragédia do Haiti por tragar milhares de vidas, sendo que outras tantas ainda estão ameaçadas, ultrapassa suas fronteiras e desconhece seus limites para criar extraordinariamente um mutirão de apoio humanitário às pessoas sedentas de solidariedade. Aprendemos, sem dúvida, com essa experiência, que precisamos diminuir nossas distâncias pela solidariedade, pois só ela acaba com a fome, dá abrigo, oferta alegria e multiplica esperança. Solidariedade, esta é a palavra de ordem.
O teólogo Leonardo Boff discursa em plenária da Carta da Terra durante a Cúpula dos Povos, na Rio+20
"É um documento materialista e miserável". Foi dessa forma que o
teólogo e escritor Leonardo Boff se referiu ao documento geral da ONU
que está sendo preparado na Rio+20, Conferência da ONU sobre
Desenvolvimento Sustentável, que ocorre até o dia 22 de junho, no RIo de
Janeiro.
"O Futuro que preparam na Rio+20 vai nos levar ao abismo", disse Boff, um dos responsáveis pela Carta da Terra, declaração de princípios que busca inserir na sociedade princípios mais éticos na relação com o meio ambiente.
Segundo o teólogo, a busca por uma economia mais sustentável, um dos
principais focos da Rio+20, não terá sucesso algum com as ideias e
panoramas atuais.
"Só se fala de economia verde. Mas o que eles querem é apenas uma
economia pintada de verde. Temos que ter uma ruptura com o sistema
atual", afirmou.
O ex-representante da ONU (Organização das
Nações Unidas) para mudanças climáticas, Yvo de Boer, disse hoje que o
texto final da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento
Sustentável (Rio+20), que ainda está sendo negociado, não mostra o
“desejo de realmente provocar mudanças radicais”. Professor da
Universidade de Maastrich, na Holanda, o especialista disse que o texto
traz apenas reafirmações de crenças que vêm sendo repetidas há 20 anos.
“Quando
li o texto na manhã de hoje, vi que infelizmente ainda falta o desejo
de realmente provocar uma mudança fundamental e radical, que precisamos
ver. Se quisermos lidar com esses assuntos não resolvidos de
sustentabilidade, temos que ir além de afirmações. Não vamos resolver
esses problemas globais apenas com reafirmações de crenças. Precisamos
de uma mudança fundamental de direção”, disse.
De acordo com De
Boer, nos próximos anos, com o aumento populacional, o mundo terá que
lidar com o crescimento da demanda por energia, pelos alimentos e pela
água. O desafio será maior por causa das mudanças climáticas, que
poderão reduzir as terras disponíveis para a agricultura e as reservas
de água.
Polêmicas
A última versão
preliminar do documento final da Rio+20, a que a Agência Brasil teve
acesso, mostra que os temas controvertidos, como definições de recursos e
metas pontuais, foram excluídos. O texto é amplo e generalista, mas
ressalta aspectos sociais, como as parcerias para a erradicação da
pobreza, a melhoria na qualidade de vida nos assentamentos, transportes e
educação, além do combate à discriminação por gênero.
O rascunho
foi negociado até a noite de ontem, sendo que só as delegações dos 193
países, organizações não governamentais e alguns movimentos da sociedade
civil tiveram acesso ao texto. Nele, há 50 páginas, indicando que pelo
menos 30 das propostas iniciais foram retiradas. No começo da
conferência, o documento apresentado tinha 80 páginas e, anteriormente,
chegou a ter 200 páginas.
No texto, não há menção sobre a criação
do fundo anual de US$ 30 bilhões, a partir de 2013, e que alcançaria
US$ 100 bilhões em 2018. A proposta defendida pelo Brasil e por países
de economias em desenvolvimento foi rejeitada pelas nações mais ricas.
Em
substituição à proposta de criação do fundo, há o compromisso de ser
criado um fórum para apreciar o assunto a partir de nomeações da
Assembleia Geral das Nações Unidas. O documento preliminar está dividido
em seis capítulos e 287 itens. Os capítulos mais relevantes são os que
tratam de financiamentos e meios de implementação (relacionados às metas
e compromissos que devem ser cumpridos).
O texto destaca também a
necessidade de os países fortalecerem as parcerias para a transferência
de tecnologia limpa. Mas não há detalhamento, pois a questão divide os
países desenvolvidos e os em desenvolvimento. Nas situações de impasse, o
rascunho apela para os mais ricos contribuírem para o desenvolvimento
sustentável, ação que vale também para as questões relativas à
capacitação e ao comércio.
Que além da burocracia do evento Rio+20 (de 13 a 22 de junho de 2012, no Rio de Janeiro) sobre meio ambiente, biodiversidade e sustentabilidade dos recursos naturais do planeta, vejamos ações concretas da cúpula internacional que se encontrará aqui no Brasil para este grande despertamento de interesses que viabilizem tecnologia com preservação da natureza.
Há muitos hoje no mundo inteiro, das mais diferentes
procedências, preocupados com a crise atual que engloba um complexo de
outras crises. Cada um traz luz. E toda luz é criadora. Mas, de minha
parte, vindo da filosofia e da teologia, sinto necessidade de uma
reflexão que vá mais fundo, às raizes, de onde lentamente ela se
originou e que hoje eclode com toda a sua virulência. À diferença de
outras crises anteriores, esta possui uma singularidade: nela está em
jogo o futuro da vida e a continuidade de nossa civilização. Nossas
práticas estão indo contra o curso evolucionário da Terra. Esta nos
criou um lugar amigável para viver mas nós não estamos nos mostrando
amigáveis para com ela. Movemos-lhe uma guerra sem trégua em todas as
frentes, sem nenhuma chance de vencer. Ela pode continuar sem nós. Nós,
no entando, precisamos dela.
Estimo que a origem próxima (não vamos retroceder até o homo faber de
dois milhões de anos atrás) se encontra no paradigma da modernidade que
fragmentou o real e o transformou num objeto de ciência e num campo de
intervenção técnica. Até então a humanidade se entendia normalmente com
parte de um cosmos vivente e cheio de propósito, sentindo-se filho e
filha da Mãe Terra. Agora ela foi transformada num armazém de recursos.
As coisas e os seres humanos estão desconectados entre si, cada qual
seguindo um curso próprio. Essa virada produziu uma concepção
mecanisista e atomizada da realidade que está erodindo a continuidade de
nossas experiências e a integridade de nosso psiqué coletiva.
A secularização de todas as esferas da vida nos tirou o sentimento de
pertença a um Todo maior. Estamos desenraizados e mergulhados numa
profunda solidão. O oposto à uma visão espiritual do mundo não é o
materialismo ou o ateismo. É o desenraizamento e o sentimento de que
estamos sós no universo e perdidos, coisa que uma visão espiritual do
mundo impedia. Esse complexo de questões subjaz à atual crise.
Precisamos, para sair dela, reencantar o mundo e perceber a Matriz
Relacional (Relational Matrix) em erosão, que nos envolve a todos. Somos
urgidos a comprender o signficado do projeto humano no interior de um
universo em evolução/criação. As novas ciências depois de Einstein, de
Heisenberg/Bohr, de Prigogine e de Hawking nos mostraram que todas as
coisas se encontram interconectadas umas com as outras de tal forma que
formam um complexo Todo.
Os átomos e as partículas elementares não são mais consideradas
inertes e sem vida. Os microcosmos emergem como um mundo altamente
interativo, impossível e ser descrito pela linguagem humana, mas apenas
por via da matemática. Forma uma unidade complexa na qual cada partícula
é ligada a todas as outras e isso desde os primórdios da aventura
cósmica há 13,7 bilhões de anos. Matéria e mente comparecem
misteriosamente entrelaçadas, sendo difícil discernir se a mente surge
da matéria ou a matéria da mente ou se elas surgem conjuntamente. A
própria Terra se motra viva (Gaia) articulando todos os elementos para
garantir as condições ideais para a vida. Nela mais que a competição,
funciona a cooperação de todos com todos. Ela mostra um impulso para a
complexidade, para a diversidade e para a irrupção da consciência em
níveis cada vez mais complexos até a sua expressão atual pelas redes de
conexões globais dentro de um processo de mundialização crescente.
Esta cosmovisão nos alimenta a esperança de um outro mundo possível, a
partir de um cosmos em evolução que através de nós sente, pensa, cria,
ama e busca permanente equilíbrio. As idéias-mestras como
interdependência, comunidade de vida, reciprocidade, complementariedade,
corresponsabilidade são chaves de leitura e nos alimentam uma nova
visão mais harmoniosa das coisas.
Esta cosmologia é que falta hoje. Ela tem o condão de nos fornecer
uma visão coerente do universo, da Terra e de nosso lugar no conjunto
dos seres, como guardiães e cuidadores de todo o criado. Esta cosmovisão
nos impedirá de cair num abismo sem retorno. Nas crises passadas, a
Terra sempre se mostrou a nosso favor, nos salvando. E não será
diferente agora. Juntos, nós e ela, sinergeticamente poderemos triunfar.
O Ministério da Pesca e Aquicultura em parceria com o Ministério da Saúde realiza entre os dias 11
e 24 de setembro a Semana do Peixe. A 8ª edição da Campanha tem como
principal objetivo incentivar o brasileiro a consumir pescado
regularmente com foco na alimentação saudável.
De
modo geral, os peixes são boas fontes de todos os aminoácidos
essenciais, que ajudam a formar as proteínas, necessárias para o
crescimento e a manutenção do corpo humano. São também fontes
importantes de ferro, vitamina B12, cálcio e gorduras essenciais,
fundamentais ao bom funcionamento do corpo.
Vários
tipos de pescado são fontes de ômega 3, que é encontrado principalmente
em peixes como atum, pintado, sardinha, arenque, anchova, tainha,
bacalhau e truta. O ômega 3 auxilia na manutenção de níveis saudáveis de
triglicerídeos, desde que associado a uma alimentação equilibrada e
hábitos de vida saudáveis. Tanto os peixes de rio como de mar fazem bem à
saúde. O teor de gordura nos peixes é baixo, fazendo deles uma ótima
opção de proteína. Para uma alimentação mais saudável, o Ministério da
Saúde recomenda o consumo de duas porções de peixes por semana.
No link a seguir, você pode baixar o informativo contendo informações sobre:
Os benefícios que o consumo de pescado proporciona à saúde
Orientações sobre como verificar a qualidade do produto na hora da compra
Como limpar o pescado
Diversas receitas regionais e melhoradas nutricionalmente, com quantidades reduzidas de sal e de gorduras: Download - informe sobre a semana do peixe
Pensar o futuro do mundo também passa pela filosofia. Charge de Marco Baré http://acertodecontas.blog.br/artigos/exemplo-para-o-mundo/attachment/energia-nuclear-2/
(fotos do jardim de Claude Monet, um colírio para os olhos)
De pronto, ponho-me a escrever. É fascinante o mistério que envolve as coisas. Assim o é com a beleza, pois há muita beleza no mundo. A beleza é fascinante, é divina, é encantadora, mas é preciso ouvir a voz das coisas, admirar-se com a vida, admitir o mistério. Há algo escondido na imensa vastidão da aparência. As pessoas querem ouvir geralmente o que lhes agrada, o que faz bem aos ouvidos, às suas necessidades e o que as colocam novamente na dinâmica da vida. Isso faz sentido porque elas estão tentando alimentar sua subjetividade. Talvez, por isso, as pessoas sejam constantemente mais seduzidas pela beleza do que pela verdade. A beleza está mais ao alcance dos olhos do que a verdade. A beleza parece ser mais acessível, talvez não, mas o que importa é que ela está em algum lugar, em algum estalo da natureza. Ela se esconde e se mostra rasgadamente aos sentidos. Alguém já disse que a beleza é filha do olhar. Eu acrescento... de um olhar periférico e profundo, aparente e imanente, geral e singular. Ela é filha de um olhar cuidadoso, atencioso. Às vezes, nem é preciso olhar, mas sentir, imaginar talvez. Mas, definitivamente, de uma coisa eu esteja certo, em tudo isso será preciso recolher o olhar e voltar a cultivar uma admiração irrestrita por um jardim. Como encontrar um jardim nas cidades movimentadas e poluídas? Como encontrar um jardim no deserto da vida? Como encontrar um jardim nos gélidos edifícios das grandes cidades? Como cultivar um jardim nas cidades pervertidas pelo consumo e pelas drogas? Como cultivar um jardim em nós? Deus, Epicuro, Francis Bacon, Rubem Alves... Quantos não falaram em jardins! Quando estou só caminhando em meus pensamentos utópicos, penso em jardins! Não é assim a experiência de um nômade perdido na imensidão do deserto! Os povos do oriente vivem mais do que nós em contato com o deserto, talvez por isso vivam obcecados à procura de um jardim, de um oásis. Tal convivência com o deserto provoca nessas pessoas uma necessidade cortante de água, de verde, de plantas, de flores, de comida, de frescura, de abrigo, de proteção, de um lugar... As areias e o sol do deserto deixam essas pessoas não só extenuadas fisicamente, mas as deixam com uma sensibilidade e imaginação de tudo que é contrário ao deserto à flor da pele. Seria quase impossível não pensar em água de coco no deserto, não pensar num poço se excedendo de água ou numa fonte de água fresca jorrando sem parar. Se no deserto a terra não é fértil, a imaginação compensa esta falta. Não foi à toa que Saint-Exupéry falou tão maravilhosamente do deserto em seu livro “O Pequeno Príncipe”, numa certa altura ele diz como ninguém que o deserto é belo porque esconde, em algum lugar, uma fonte. Isto quer dizer que em algum lugar do deserto pode haver beleza. Em algum lugar do deserto há um jardim. Vejam como é magnífico, muitos em seus pensamentos buscaram jardins, falaram bem dos jardins, das flores, da frescura dos perfumes que emanam delas, da beleza com a qual se veste, das inúmeras espécies que se estendem pelo mundo afora; como também da necessidade da natureza de se viver num jardim filosoficamente, para bem viver, para uma vida boa. Deus criou um jardim e nos colocou lá. Desde o início, diz Rubem Alves, “somos destinados ao jardim, somos destinados a ser jardineiros. O sonho do jardim apareceu entre os hebreus, porque eram nômades que moravam no deserto. Deserto é areia, é terra estéril, é escorpião, é cobra, é pedra, é secura, é sede”. Daí o sonho que lateja em nós à procura do jardim. Epicuro comprou um jardim em oposição à pólis desacreditada pelos gregos. Ele viu sabiamente que os homens queriam se recolher em comunidade num jardim. E assim formou, em pleno declínio da democracia, um jardim. “Compraram, então, um jardim na vizinhança, um pouco fora dos limites da porta de Dipylon, e passaram a cultivar alguns vegetais, provavelmente bliton(repolho), krommyon(cebola) e kinara(um ancestral da moderna alcachofra, cuja base era comestível, mas não as escamas). Sua dieta não era luxuosa nem abundante, e sim saborosa e nutritiva. Como Epicuro explicou a seu amigo Meneceu, 'O sábio não escolhe a maior quantidade de comida, mas a mais agradável'”(In DE BOTTON, Alain. As Consolações da Filosofia. Rio de Janeiro: Rocco, 2001. p. 71-72) . No intuito de viver conforme a natureza é que se buscou morar num jardim: “Portanto, sendo tal caminho útil a todos os que se familiarizaram com a investigação da natureza e desse modo de viver, tiro principalmente a minha calma, preparei para teu uso uma espécie de epítome e um sumário de elementos fundamentais de minha filosofia em sua totalidade”(D.L.,X,37). É praticamente unânime a opinião de que o jardim é o lugar de maior repouso para o espírito do homem. O jardim é lugar de sossego, descanso e refrigério para a alma. No jardim, à sombra das árvores, em meio aos perfumes das orquídeas e margaridas, com borboletas esvoaçando suas asas por sobre as flores numa policromia admirável de cores e beleza, retomamos o rumo certo de nossas vidas e nos permitimos sonhar, pensar, filosofar. Não sei se disse o que tive intenção de dizer, no entanto, reforço a ideia de que no jardim podemos nos lembrar de onde viemos e de que estamos em harmonia com o todo, somos partes do todo; pensamos também o quanto é saboroso mexer com a terra e sentir o cheiro do mato; respirar ar puro, bem como ter a consciência de que a natureza é perfeita e precisa ser preservada, cuidada, porque se emancipa a todos nós. “Deus Todo-Poderoso foi quem primeiro plantou um jardim. Na verdade, plantar jardins é o mais puro dos prazeres humanos, isto é, aquele que constitui maior repouso para o espírito do homem; sem jardins, edifícios e palácios não passam de construções grosseiras”(Francis Bacon).
Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva Licenciado em Filosofia pela UERN e Especialista em Metafísica pela UFRN www.umasreflexoes.blogspot.com www.chegadootempo.blogspot.com www.twitter.com/filoflorania
Um vendaval causou pânico na cidade de Jardim de Piranhas, na tarde desta quinta-feira (3). Os fortes ventos ocorreram por volta das 16h20. “A correria do pessoal foi grande. Muita gente nervosa e aflita com tudo”. O vendaval durou alguns minutos, mas provocou estrago nos prédios e nervosismo nos moradores. Muitas casas foram destelhadas e os casos mais graves foram no ginásio de esportes e no posto de combustível. “A cobertura do posto caiu por cima das bombas, carros e motos. Já o ginásio também perdeu sua cobertura”. Além disso, alguns postes e árvores caíram pelas ruas da cidade, muitas pessoas estão tentando colocar as telhas que não se quebraram de volta no telhado das casas. Alguns pontos de Jardim de Piranhas ficaram sem energia elétrica. Graças ao nosso bom deus apenas danos materiais pela cidade.
Fonte: http://www.jarlescavalcanti.com/
Temporal causa uma série de danos materiais na cidade de Jardim de Piranhas. Deus protegeu a população de maiores consequências. Certamente, a natureza já está gritando por socorro, haja vista a intensa ação humana no meio ambiente que o degrada violentamente sem controle e sem racionalização. Faz-se urgente uma educação para a preservação do meio ambiente!!!! Vamos começar pelo rio piranhas. Como será que a população está tratando o rio, patrimônio natural do RN???
É possível criar uma ontologia particular sem citar a Tradição com base na música, no teatro e na poesia, bem como na literatura.
Segundo Nietzsche, a tarefa do saber é: “ver a ciência sob a ótica do artista, mas a arte sob a ótica da vida”. É a dialética entre a Tradição(História) e a Ruptura(indivíduo). Foucault é filho dessa cultura que não precisa pressupor aHistória para desenvolver a estrutura lógica de seu pensar.
É sabido por todos que, após as duas grandes guerras mundiais, a razão como modelo único entra em crise porque não atendeu as necessidades básicas que levam o homem ao progresso. “A razão é a imperfeição da inteligência”, segundo Tomás de Aquino, pois, fora quem melhor compreendeu a modernidade da modernidade.
A modernidade fracassou por duas maneiras: a pretensão de um estado nação assumir o controle do mundo com a queda do muro de Berlim; depois, com a Física quântica, derrogando a razão positivista que acreditava esquadrinhar todas as coisas, inclusive o átomo.
O Racionalismo frustra a modernidade como também a desigualdade social mundial, isto é, com o desenvolvimento econômico sustentado das nações.
O grande pecado da modernidade foi espiritualizar o material e materializar o espiritual, tornando o consumismo a sua marca fundamental.
Massificação e sociedade de consumo são as razões do capitalismo.
A ciência não foi capaz de dar estabilidade e segurança social frente às imprevisibilidades do futuro. Não é suficiente para integrar o homem à cultura que lhe é própria. Newton e Descartes são as duas pernas com as quais andamos. Newton com a gravidade universal e Descartes com o Método.
Sendo assim, ciência e razão nos conduziram a sofrimentos e a desorientações pela garantia de um progresso tecnológico. Não foi capaz de sanar a sede de saúde, paz mundial, importância antropológica, política, social e histórica. Frustrou as perspectivas de progresso no século XX.
Edgar Morin nos ensina que o dever principal da educação é armar cada um para o combate vital à lucidez.
Do séc. passado recebemos a lição de que “não sabemos tudo de nada”. Lutamos contra nossas pretensões bélicas, econômicas e racionalistas, mas nos esquecemos de promover o bem-estar social, ecológico, político sustentado pelo mundo a fora.
Daí, passamos por uma devastadora crise de paradigma. Os modelos educacionais ou até do próprio conhecimento não dão conta das exigências complexas por que passa a humanidade.
“O conhecimento do mundo como mundo é necessidade ao mesmo tempo intelectual e vital. É o problema universal de todo cidadão do novo milênio: como ter acesso às informações sobre o mundo e como ter a possibilidade de articulá-las e organizá-las? Como perceber e conceber o Contexto, o Global ( a relação todo/partes), o Multidimensional, o complexo? Para articular e organizar os conhecimentos e assim reconhecer e conhecer os problemas do mundo, é necessária a reforma do pensamento”(Edgar Morin, in Sete Saberes necessários à Educação do Futuro, pág. 35).
Para Morin, a Reforma é paradigmática e, não, programática. Uma educação que fomente a nossa aptidão para organizar o conhecimento.
Aqui é o ponto: Estamos inseridos numa sociedade altamente tecnológica informatizada, onde a Educação precisa mais do que nunca incluir esses valores para tentar responder as expectativas dos alunos e de uma nova compreensão de mundo. Todavia, como unir velocidade de informações e conteúdos via Internet/meios tecnológicos com a capacidade do aluno introjetar/refletir essas mesmas informações? Ou será que a educação está formando sujeitos de desejos ao invés de sujeitos reflexivos?
Uma alternativa ou uma das alternativas para indicar saídas é favorecer a atividade da arte e da filosofia na Educação, ou seja, implementar ações educativas complementares: jogos; filmes; jornal; teatro; música. Tudo isso unido ao poder da reflexão para possibilitar a descoberta de talentos críticos que contribuam na construção de valores e de preservação do meio ambiente.
A conseqüência de tudo isso foi o nosso afastamento de uma vida contemplativa(razão) para nos familiarizar, agora como nunca, com uma vida ativa, interativa audiovisual e lúdica. O desencanto da razão levou-nos ao encanto da música e dos jogos, isto é, do entretenimento midiático. Eis, no entanto, o desafio: educar toda essa massa humana advinda da cultura do entretenimento para as escolas. Se quisermos impactar crianças, adolescentes e jovens com a Educação basta oferecermos a música e o esporte nesse processo, e depois, formar indivíduos reflexivos, cuja meta é a multiplicação dessas práticas de saberes.
Quem não acompanhou pela televisão brasileira o resgate emocionado da mulher Jean Batiste Mimosa, 36 anos de idade, soterrada pelo terremoto ocorrido há quatro dias no Haiti, cujo foco mais atingido fora a Capital Porto Príncipe. Esta mulher gritava pedindo ajuda, clamando por socorro, no centro da Cidade sob os escombros de pedras e destroços das construções. Certamente, o pedido de ajuda desta mulher, sufocado há quase quatro(4) dias, representa o grito, o clamor, o S.O.S, o desespero de milhares e milhares de haitianos que choram de dor pela perda de aproximadamente duzentos(200) mil mortos. A imprensa até agora confirmou que o número de mortos poderá chegar a duzentos(200) mil, que o número de pessoas desabrigadas atinge já trezentos(300) mil, que o número de pessoas passando fome e necessidades de toda ordem são um(1) milhão. A tragédia comove o mundo, principalmente o Brasil, haja vista o apoio humanitário que o nosso país prestava àquelas pessoas. Militares, religiosos, civis deram suas vidas pela história daqueles homens e mulheres que viviam aterrorizados pela guerra, pela pobreza e pela falta de dignidade humana. Dra. Zilda Arns, coordenadora da Pastoral da Criança no Brasil, dava palestra no momento exato do terremoto, também morreu no desastre que desafia a ciência ou as previsões meteorológicas e as nossas capacidades de conservação da espécie. A catástrofe provocada pelo terremoto no Haiti, bem como outras tantas que pulverizam o mundo com maremotos, inundações, tempestades, incêndios espontâneos, enfim, ceifando vidas mostram o quanto somos vulneráveis, o quanto somos frágeis, o quanto somos pequenos diante da grandeza infinita de Deus. Não que nós queiramos responsabilizar Deus por isso. Longe disso. Porém, precisamos estar preparados para os mistérios imponderáveis que cercam a vida e a natureza, pois não fomos nós que os criamos, mas o próprio Deus que respeita a ordem e a inteligência postas na vida e na natureza. Se até Deus respeita a ordem das coisas, o que dizer de nós? Respeitamos a natureza? Cuidamos da vida? Louvamos a Deus por esses bens tão caros a nós que são a vida e a natureza? Queremos por ordem ou desordem às coisas? De uma coisa devemos nos dar conta, o mundo, que ora encontra-se perplexo diante da tragédia do Haiti por tragar milhares de vidas, sendo que outras tantas ainda estão ameaçadas, ultrapassa suas fronteiras e desconhece seus limites para criar extraordinariamente um mutirão de apoio humanitário às pessoas sedentas de solidariedade. Aprendemos, sem dúvida, com essa experiência, que precisamos diminuir nossas distâncias pela solidariedade, pois só ela acaba com a fome, dá abrigo, oferta alegria e multiplica esperança. Solidariedade, esta é a palavra de ordem.