sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

PÁGINA VIRADA

Eu tentei de tantas formas ser feliz
Mas despreso foi tudo que consegui
Como sofreu o meu coração
Cheguei até pensar que a minha vida era ficcção
Pois num beco sem saida, não via chance de um dia ser feliz
E estando eu naquele triste estado
Corpo ferido e coração magoado,
Tudo se concretizou, Jesus além das forças não me provou
Me fez feliz e a minha hitória ele mudou,
E o meu passado como página virou

Agora já passou
É uma página virada em minha vida
Pois no espelho eu não vejo mais feridas
De um passado que feriu meu coração
Agora tudo mudou,
Sou abençoado e hoje canto assim
Na certeza que Jesus está aqui
Morando dentro lá no fundo,
Do meu coração.

De Shirley Carvalhaes para nossa meditação.

sábado, 21 de dezembro de 2013

Encontros alegres



                                                           (Imagem: Romero Britto)

A essa altura do ano os encontros se multiplicam compulsivamente, se é que podemos classificar esses agrupamentos de pessoas de “encontros”, uma vez que mais parecem ajuntamentos forçosos pela conveniência de datas tradicionalmente reconhecidas como o Natal e o Ano Novo. Encontros precisam ser espontâneos, verdadeiramente amigáveis e alegres. Quando se impõe, exige e força um encontro, não flui como deveria ser, de um modo criativo, surpreendente e generoso.
Encontros são encontros, simplesmente, inclassificáveis e obedece, na minha opinião, à ordem do por vir, do vir a ser de Heráclito de Éfeso. Temos encontros diários e permanentemente.
Penso que quanto mais nos enfadamos das festas, reuniões ou até mesmo desses rituais de fim de ano, mais e mais necessitamos, ficamos sedentos e desejosos de verdadeiros encontros, semelhantes aos que costumamos experimentar em família, entre amigos, num aniversário surpresa, num jantar imprevisto, em circunstâncias criadas naturalmente, onde as pessoas vão chegando, chegando e a atmosfera do encontro vai se constituindo cheia de alegria e gratidão. Não dá mais para suportar encontros produzidos, superficiais, monótonos e sem imprevisibilidade. Quanto mais o tempo passa, os anos se vão e a bagagem da vida aumenta, aí é que precisamos de encontros assim.
A alegria é fruto de um bom encontro carregado de afetos bons. Por isso que volta e meia dizemos que um bom encontro é cheio de vida e alegria, de “afecções” dessa natureza. Estamos alegres quando nos sentimos afetados por pessoas alegres que vão aumentar em nós essa potência. Era justamente isso que entendia Spinoza, filósofo holandês do séc. XVII, sobre os bons e maus encontros. Para ele, é da nossa natureza afetar e ser afetado por outros, de modo que a vida é uma intensa possibilidade de encontros.
Só que um encontro alegre se traduz em conquistar, por menor que seja, um pedaço daquele ambiente, daquele encontro, entrar nele, sentir-se parte dele, assumi-lo. Seria o encontro comigo dentro. Ele me preenche e eu o preencho. Eis a alegria!
Por sua vez, o mau encontro se dá na medida em que os afetos não se combinam, diminuindo sua potência de ser. Aí vem a tristeza que surge da separação de uma potência que não me integra, não me preenche, não me põe dentro do encontro. Eis a tristeza!
Algumas vezes, é certo, não depende de nós mudar os encontros, nem sempre temos o poder de mudar as ações, de influenciar, as circunstâncias não nos permitem, as condições menos ainda, enfim. Porém, agir é sempre bom, é interessante agir diferente, criar novas ações neste Natal e Ano novo, abrir-se a experiências novas e inusitadas de encontros parece ser uma tentativa bastante louvável para quem deseja encontros alegres com afetos que se combinem, se completem.
Espero que todos procurem bons encontros, encontros alegres, neste Natal e fim de Ano.

Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva
Bel. em Teologia, Bel. e Licenciado em Filosofia, Esp. em Metafísica, Esp. em Estudos Clássicos.

sábado, 14 de dezembro de 2013

Supertrabalhador de Gabriel O pensador

De Gabriel O pensador...

Quem trabalha e mata fome não come o pão de ninguém
Mas quem come e não trabalha tá comendo o pão de alguém
Quem trabalha e mata a fome não come o pão de ninguém
Mas quem come e não trabalha tá comendo o pão de alguém
É pra ganhar o pão tem que trabalhar Missão para os heróis que estão dentro do seu lar
O seu pai, sua mãe, são trabalhadores
São os super-heróis, verdadeiros protetores
A superjornalista, o superdoutor
O supermotorista, o supertrocador
O superguitarrista, o superprodutor
E a superprofessora, é que me ensinou
E o supercarteiro, quê que faz, quê que faz?
Manda carta e manda conta pra mamãe e pro papai
E o supergari, o lixeiro, o quê que faz?
Bota o lixo no lixo que aqui tem lixo demais
Cada um faz o que sabe, cada uma sabe o que faz
Ninguém menos ninguém mais, todo mundo corre atrás
E volta pra casa com saudade do filho
Enfrentando o desafio, desviando do gatilho
Mais uma jornada, adivinha quem chegou?
São as aventuras do supertrabalhador
Sou o supertrabalhador
Alimento minha família com orgulho e amor
Supertrabalhador
São as aventuras do supertrabalhador
Sou o Supertrabalhador
Enfrento os desafios, o perigo que for
Supertrabalhador
São as aventuras do Supertrabalhador
Demorou
Quem trabalha e mata fome não come o pão de ninguém
Mas quem come e não trabalha tá comendo o pão de alguém
Quem trabalha e mata a fome não come o pão de ninguém
E pra fazer o pão tem que colher o grão
Separar o joio do trigo na plantação
O superlavrador falou com o agricultor,
Que sabe que precisa também do motorista do trator
na cidade, o engenheiro precisa di pedreiro
Mas pra fazer o prédio tem que desenhar primeiro
O sonho do arquiteto, bonito no projeto, virando concreto
Vai virando o concreto!
Eu sou o supertrabalhador
Alimento minha família com orgulho e amor
Supertrabalhador
São as aventuras do supertrabalhador
Sou o Supertrabalhador
Enfrento os desafios, o perigo que for
Supertrabalhador
São as aventuras do Supertrabalhador
Demorou
Quero ser trabalhador, quem não é um dia quis
Minha mãe sempre falou:"Quem trabalha é mais feliz"
Mas tem que suar pra ganhar o pão
E ainda tem que enfrentar o leão
O leão quer morder nosso pão
Cuidado com o leão, que ele come o nosso pão
O leão quer morder nosso pão
Cuidado com o leão, não dá mole não
Eu sou o supertrabalhador
Alimento minha família com orgulho e amor
Supertrabalhador
São as aventuras do supertrabalhador
Sou o Supertrabalhador
Enfrento os desafios, o perigo que for
Supertrabalhador
São as aventuras do Supertrabalhador
Demorou
Supertrabalhador
Taxista, motoboy, assistente, diretor
Supertrabalhador
Pipoqueiro, pedagogo, poteiro, pesqisador
Supertrabalhador
Ambulante, feirante, astronauta, ilustrador
Supertrabalhador
Comandante, comissário, caixa, vendedor
Supertrabalhador
Cozinheiro, garçon, bibliotecário, escritor
Supertrabalhador
Maquinista, sambista, surfista, historiador
Supertrabalhador
Marceneiro, carpinteiro, ferreiro, minerador
Supertrabalhador
Telefonista, salva-vidas, bombeiro, mergulhador
Supertrabalhador
Pára-quedista, arqueólogo, filósofo, pintor
Supertrabalhador
Sapateiro, boiadeiro, farmaucêtico, cantor
Super

A ARTE DE NÃO ADOECER

Por Dr. Draúzio Varella

Se não quiser adoecer – “Fale de seus sentimentos”
Emoções e sentimentos que são escondidos, reprimidos, acabam em doenças como: gastrite, úlcera, dores lombares, dor na coluna… Com o tempo arepressão dos sentimentos degenera até em câncer. Então vamos desabafar,confidenciar, partilhar nossa intimidade, nossos segredos, nossos pecados. O diálogo, a fala, a palavra, é um poderoso remédio e excelente terapia..
Se não quiser adoecer – “Tome decisão”
A pessoa indecisa permanece na dúvida, na ansiedade, na angústia. A indecisão acumula problemas, preocupações, agressões. A história humana é feita de decisões. Para decidir é preciso saber renunciar, saber perder vantagem e valores para ganhar outros. As pessoas indecisas são vítimas de doenças nervosas, gástricas e problemas de pele.
Se não quiser adoecer – “Busque soluções”
Pessoas negativas não enxergam soluções e aumentam os problemas. Preferem a lamentação, a murmuração, o pessimismo. Melhor é acender o fósforo que lamentar a escuridão. Pequena é a abelha, mas produz o que de mais doce existe. Somos o que pensamos. O pensamento negativo gera energia negativa que se transforma em doença.
Se não quiser adoecer – “Não viva de aparências”
Quem esconde a realidade finge, faz pose, quer sempre dar a impressão que está bem, quer mostrar-se perfeito, bonzinho etc., está acumulando toneladas de peso… uma estátua de bronze, mas com pés de barro. Nada pior para a saúde que viver de aparências e fachadas. São pessoas com muito verniz e pouca raiz. Seu destino é a farmácia, o hospital, a dor.
Se não quiser adoecer – “Aceite-se”
A rejeição de si próprio, a ausência de auto-estima, faz com que sejamos algozes de nós mesmos. Ser eu mesmo é o núcleo de uma vida saudável. Os que não se aceitam são invejosos, ciumentos, imitadores, competitivos,destruidores. Aceitar-se, aceitar ser aceito, aceitar as críticas, é sabedoria, bom senso e terapia.
Se não quiser adoecer – “Confie”
Quem não confia, não se comunica, não se abre, não se relaciona, não cria liames profundos, não sabe fazer amizades verdadeiras. Sem confiança, não há relacionamento. A desconfiança é falta de fé em si, nos outros e em Deus.
Se não quiser adoecer – “Não viva sempre triste”
O bom humor, a risada, o lazer, a alegria, recuperam a saúde e trazem vida longa. A pessoa alegre tem o dom de alegrar o ambiente em que vive. “O bom humor nos salva das mãos do doutor”. Alegria é saúde e terapia.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Monólogos das Oficinas de Ferramentas Filosóficas 2013

Se pudermos fazer um apanhado das atividades do ProEMI 2013 realizadas pelas oficinas de ferramentas filosóficas na Escola Estadual Teônia Amaral/Florânia/RN, veremos que foram muito proveitosas no que diz respeito ao desempenho dos estudantes em aceitar colaborar com as iniciativas propostas. Todos acabaram comprando a ideia de que é preciso estudar, pesquisar, aprender, criar, argumentar, interpretar, falar, enfim... Parece que o objetivo planejado foi alcançado. As ferramentas filosóficas em três dimensões: ORALIDADE, INTERPRETAÇÃO TEXTUAL e TECNOLOGIAS, desde o início, procuraram incentivar o estudante a estabelecer uma relação de proximidade do que se fala com o que se entende e vice-versa. Por isso, visamos trabalhar intensamente a voz, impostação, oratória, dicção, exercício contínuo da leitura. Aliado a isso, tentamos fazer com que o estudante descobrisse a interação do que estava sendo dito com o que poderia ser compreendido, entendido ou interpretado, ou seja, a possibilidade de conduzir o estudante a entrar numa perspectiva diferente de relação com o texto, a emoção, a intimidade com o que estava sendo dito.
Talvez daí tenha nascido a ideia de propor dois monólogos muito peculiares para a fala, a interpretação e a relação de intimidade do orador com o texto para apresentação da culminância das oficinas do ProEMI, ocorrida nesta quinta-feira, 05/12/2013 às 19h no auditório da própria Escola. Os monólogos foram: Apresentação da obra Morte e Vida Severina de João Cabral de Melo Neto e o Monólogo de Orfeu reperformado por Vinícius de Morais em homenagem ao seu centenário. O texto de abertura da obra morte e vida severina, interpretado por dois estudantes do 3º Ano do Ensino Médio, uma espécie de prólogo da obra em que o protagonista dá o tom em forma de monólogo, sintetizando praticamente o que virá a ser a saga do retirante que emigra mostrando a dor e o sofrimento do povo nordestino. Depois, uma estudante, também do 3º Ano do Ensino Médio, sugere uma interpretação íntima com muita emoção ao monólogo de Orfeu que explora uma temática bem trágica, a morte, a vida e o amor, elementos profundos da condição humana.
Gostaria de registrar toda a minha gratidão aos estudantes do 3º Ano do Ensino Médio Inovador envolvidos nessa apresentação que traduz um pouco o que realmente queríamos alcançar.

Abraços, Prof. Jackislandy Meira

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Adeus Mandela, mas seu carisma e vida políticas jamais nos deixarão

Um homem de grandiosa consciência política cujo legado é o diálogo, a justiça, a moral e a luta incansável pelo fim do aparthaid, que se caracterizava pela discriminação e segregação racial, confrontando sempre ideais de libertação e paz com atos insanos de opressão e violência. Mandela ou "Madiba", como é conhecido pelos seus compatriotas, chamou a atenção do mundo pela sua liderança e pelos seus vigorosos discursos a favor de um mundo mais humano.
Que seu zelo por um mundo sem muros raciais, onde todos se respeitam pelo que são e como são, continue a inspirar muitos outros a seguir o mesmo caminho traçado ou iluminado por Mandela. Construtor de uma história irretocável, Nelson Mandela permanecerá sendo um modelo de esperança, de engajamento e de respeito ao outro.
Que seu olhar perdure fixo no horizonte para além de nossas possibilidades e incertezas. As limitações do cárcere não o fizeram insensível, tampouco inerte, medroso e covarde, mas o transformaram mais ainda num indivíduo cidadão, comprometido e profundamente politizado.
Que seu riso de vida ainda projete em nós a certeza de dias melhores em que os povos se alegrem num crescendo infinito.
Que seu grito de liberdade ecoe e alcance os tímpanos de nossos ouvidos cada vez que relutamos a ouvir, a sentir um pouco mais.
Que seu silêncio também encontre uma morada coletiva em nossos corações de indignação, inconformismo e, sobretudo, de paz, uma certa paz inquieta.


Minha gratidão por tudo que representou Nelson Mandela,

Prof. Jackislandy Meira de M. Silva.




quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Incapaz de viver o que sabe ser certo


(imagem: Medéia de Paul Cézanne)

             Eis aí a incapacidade que parece atormentar a todos; viver o que se sabe certo. Mas o que seria o certo pra você? Longe de mim, aqui, querer advogar o politicamente correto, no entanto cabe a todos uma tomada de consciência a partir do ponto gerador de atitudes, de ação, de vida. Que princípios seguimos para agir? Ou seguimos certos códigos de ética construídos por nós mesmos ou vivemos involuntariamente, alheios a qualquer tipo de obediência e dever.
 Segundo Kant, pensador do séc. XVIII, duas coisas lhe causavam bastante espanto, como bem confessou o filósofo: “o céu estrelado fora de mim e a lei moral dentro de mim”. Ele admitia uma verdade subjetiva que possibilitava o indivíduo construir seus próprios valores e conceitos para viver. Sendo assim, o clichê: “o que é certo pra mim não é certo pra você” ganha, à luz da filosofia kantiana, um status aceitável e discutível é claro. A partir disso, as sociedades com seus cidadãos tiveram a imensa liberdade para construir seus sistemas, leis e constituições conforme as diferentes tradições, crenças e valores.
Só que Kant e muitos de nós nos esquecemos de combinar tudo isso com a nossa condição humana. Os indivíduos não são programáticos nem pragmáticos, mas imprevisíveis e inconstantes, instáveis, humanos. Há uma espada da condição humana que transpassa a nossa alma, atravessando-nos totalmente.  A nossa humanidade não dá saltos, ela é o que é. Não somos nem bichos nem deuses, mas humanos. Aí está uma verdade que demoramos para aceitar, tanto é que é preciso muitas atrocidades acontecerem para que tomemos um choque de realidade.
O caso do padrasto e da mãe do garoto Joaquim Ponte Marques que abalou o Brasil com contornos de crueldade ao mostrar que a criança havia sido morta antes de ser jogada ao rio e de ser encontrada depois de seis dias de desaparecida. Uma psicóloga ouviu o padrasto e percebeu que ele tinha ciúmes da criança. As suspeitas de sua morte apontam o padrasto e a mãe que estão presos. Vontades e os desejos mais perversos nos incapacitam de viver conforme sabemos o que é certo. Essa é a tragédia humana. O que dizer do fato do auditor fiscal Luís Alexandre Cardoso de Magalhães, no programa Fantástico da Globo, de domingo 24/11, haver confessado publicamente que, entre jantar, hotel e mulher, chegou a gastar R$ 8 mil, R$ 10 mil com dinheiro de corrupção.  Alexandre é um dos quatro auditores fiscais suspeitos de participar de um esquema de corrupção na prefeitura de São Paulo. É investigado por cobrar propina de construtoras para que elas pagassem menos ISS, o Imposto Sobre Serviço. A fraude pode chegar a R$ 500 milhões.
Vemos que os indivíduos são vítimas impotentes de seus desejos de prevaricação, de opressão do outro e de trazer danos sérios à administração pública. O impulso é o desejo ilimitado de “ter mais”: mais poder, mais riqueza, mais reconhecimento social. As contradições e males sociais provindos do ser humano entre o que é e o que deve ser são marcantes, de tal modo que estão profundamente enraizados na alma individual como dupla, dividida, dilacerada, fragmentada em seus múltiplos desejos.
Impossível não nos remetermos agora à literatura clássica, sobretudo ao célebre monólogo de Medéia (1078 – 80) em que emerge claramente uma nova compreensão de alma, de indivíduo, podendo ser chamada de “trágica”, ou seja, “dilacerada”, dividida entre desejos e vontades. Assim se expressou Eurípides em sua homônima tragédia: “um indivíduo incapaz de viver conforme o que sabe ser certo”.
Tal é a nossa alma. Em constante conflito entre o que se sabe e o que se faz. Tal é a condição humana, arrastando-nos para a morte, para o amor e para experiência trágica da vida, não menos trágica que as experiências de amor e morte. Portanto, fiquemos com o espírito de indignação de Medéia na obra de Eurípides: “Que não me caiba em sorte essa próspera vida de dor, nem essa felicidade, que dilacera o meu espírito!”. 

Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva
Bel. em Teologia, Licenciado em Filosofia/UERN, Esp. em Metafísica/UFRN e Esp. em Estudos Clássicos UnB/Archai/Unesco.

 

 

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

20 de novembro - dia da consciência negra

“Ninguém liberta ninguém, ninguém se liberta sozinho:
Os homens se libertam em comunhão.”
(FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido, 1987, p. 29.)

Em sua obra mais célebre Pedagogia do Oprimido, escrita durante o exílio no Chile, em 1968, até o último livro publicado em vida, Pedagogia da Autonomia: Saberes Necessários à Prática Educativa (1996), o educador Paulo Freire (1921-1997) sempre tratou da questão da igualdade, da educação como ato libertador e transformador.
 
 

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Joaquim Barbosa: o homem certo na hora certa


Ato histórico: Joaquim Barbosa decreta prisão de MENSALEIROS

José Genoino, José Dirceu, Delúbio Soares e Marcos Valérios deverão ser presos
Divulgação STF

Doze condenados no processo do mensalão tiveram seus pedidos de prisão decretados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), na tarde desta sexta-feira (15/11). O presidente do STF, ministro Joaquim Barbosa, já encaminhou a ordem à Polícia Federal e distribuídos aos estados.
Entre os condenados que tiveram o pedido de prisão decretados estão o ex-presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), José Genoino; o ex-tesoureiro do partido, Delúbio Soares; o ex-ministro chefe da Casa Civil, José Dirceu; o operador do esquema do mensalão, Marcos Valério; sua secretária, Simone Vasconcelos; além  e do ex-advogado de Valério, Cristiano Paz e do ex-sócio Ramon Hollerbach.
Em sua página oficial na internet, o expresidente do PT, José Genoino, deputado licenceado que deve se entregar à Justiça, declara inocência e diz que cumpre a decisão com indignação, que foi condenado por estar à frente do partido na época e que não haveria provas contra ele. Genoino diz considera-se um preso político e foi condenado a 6 anos e 11 meses de prisão pela participação no esquema e deverá cumprir a pena em regime semiabreto.
Já o ex-ministro chefe da casa Civil, começará a cumprir a pena de 7 anos e 11 meses por crime de corrupção ativa, em regime semiaberto até que sejam analisado os embargos infringentes por formação de quadrilha, crime ao qual foi condenado a cumprir 2 anos e 11 meses em regime fechado.
A decisão sobre a execução das penas dos 12 condenados na Ação Penal 470, o processo do mensalão, foi tomada na quarta-feira (13/11) após os ministros rejeitarem os segundos embargos de declaração apresentados pelos réus condenados no processo.
Os ministros seguiram o voto divergente de Teori Zavascki. Ele entendeu que todos os réus podem ter as penas executadas, exceto nos crimes em que questionaram as condenações por meio dos embargos infringentes, recurso previsto para os réus que obtiveram pelo menos quatro votos pela absolvição, outra fase de recursos. O entendimento permite a prisão dos réus que tiveram os embargos rejeitados e dos condenados que, mesmo tendo direito aos infringentes, não questionaram as penas por meio deste recurso.



Jabuti - prêmio literário 2013

Um dos mais tradicionais prêmios literários brasileiros, o Jabuti entregou, na quarta-feira, em São Paulo, a estatueta aos três primeiros colocados de suas 27 categorias – a lista já havia sido revelada. A surpresa da noite foi o anúncio dos vencedores do Livro do Ano de Ficção, dado a Diálogos Impossíveis (Objetiva), do cronista do Estado Luis Fernando Verissimo, e do Livro do Ano de Não Ficção, que premiou As Duas Guerras de Vlado Herzog, de Audálio Dantas, ganhador, antes, em Reportagem. Os dois levaram R$ 35 mil, além dos R$ 3.500 que os ganhadores de todas as categorias recebem.
O gaúcho Verissimo não pôde ir à cerimônia devido a compromissos em Porto Alegre. “O prêmio foi uma surpresa”, disse ele ao Estado, por telefone. “O livro foi o segundo mais votado e só ganhou porque o primeiro foi desclassificado por um detalhe do regulamento. Não estou reclamando do prêmio, mas acho que Sérgio Sant’Anna foi injustiçado.”
Dantas estava lá e, aos 84 anos, fez um discurso emocionado em homenagem a seu personagem e em defesa do acesso à informação. “Esse trabalho que agora vejo premiado tem um sentido muito profundo para mim. Ao mesmo tempo em que sou o autor desse livro, sou também personagem, porque vi de perto, senti o medo e o horror daqueles dias de outubro de 1975, quando assassinaram Vladimir Herzog”, disse ao receber o prêmio. Audálio Dantas era presidente do sindicato dos jornalistas quando “a ditadura militar pôs em prática um plano de caça aos jornalistas acusados de atividades comunistas”. “Acompanhei caso a caso essa tragédia desde o começo, denunciando as prisões ilegais e as torturas praticada não só contra os jornalistas. Tive, naquele momento, os dias mais angustiantes da minha vida, mas acho que cumpri com o dever que me cabia naquele momento e acredito que essa história do Vlado está registrada na história do Brasil e nas lutas contra a opressão”, completou após a premiação.
A decisão de contar essa história, porém, não foi fácil, e levou mais de três décadas, tempo em que pesquisou o assunto. A escrita, que durou cerca de um ano e meio, também teve seus percalços. “Foi difícil escrever sobre tudo isso porque a emoção era muito grande. E a emoção, em alguns momentos, pode atrapalhar um trabalho que deve ser o retrato da verdade, da história. Essa era a minha preocupação, mas consegui”, contou.
Entre as outras dificuldades citadas pelo jornalista, estava o acesso aos documentos oficiais, e este seria, na opinião do autor, um empecilho para que outros textos sobre o período viessem à tona. O escritor também comentou os recentes debates em torno das biografias não autorizadas. “Negar ao povo brasileiro o direito de saber é algo que devemos combater com todas as nossas forças. Digo isso em relação às tentativas de se proibir biografias. Quando as pessoas são públicas, as biografias pertencem ao público. Devemos combater essas tentativas que neste momento são movidas por interesses muitas vezes simplesmente pecuniários e o interesse deve ser muito maior do que isso.”

http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,para-verissimo-sergio-santanna-foi-injusticado,1097152,0.htm

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

A voz da criança não se cale em nós!


"Que jamais a voz da criança nela se cale, que caia como um presente dos céus oferecendo às palavras ressecadas o brilho de seu riso, o sal de suas lágrimas, sua todo-poderosa selvageria."


                                                                 (L.-R. Des Florêts, trecho de Ostinato)

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Não passamos de pó e cinza



Se tem um tema que realmente demanda muita “metafísica” e nos joga para dentro do drama da existência humana, esse tema é a morte. Essa desconhecida costuma deixar cicatrizes profundas na história e mais ainda na consciência individual e coletiva de todos nós, mas também é capaz de produzir um intenso movimento a favor da vida, quando não, ao menos nos faz refletir e a parar diante dela.
Muitos acidentes de trânsito, tragédias difíceis de apagar, certamente levaram pessoas abnegadas a defender regras mais eficazes de promoção da segurança nas estradas. Assassinatos, homicídios, guerras e catástrofes acabam transformando nossas vidas e até mudando nossos comportamentos a cada momento. Tornamo-nos piores ou melhores, porém alguma coisa muda, alguma coisa sai de lugar com a morte. A morte dá uma guinada na vida da gente.
Por causa da morte do seringueiro Chico Mendes, defensor político dos interesses dos trabalhadores do Estado do Amazonas e contra a exploração irracional da floresta, muitos saíram de suas casas e levantaram a bandeira de luta social e política a favor do meio ambiente, a favor da vida e da desconstrução social. Não é tão diferente com o impacto causado pela morte de centenas de estudantes e trabalhadores cidadãos na época da ditadura militar perseguidos pela censura e pelo cerceamento dos direitos civis. Quem não lembra da revolução que a F1, campeonato de automobilismo, sofreu em virtude da morte de Ayrton Senna! Os EUA ainda não superaram o trauma criado pela morte das quase três mil pessoas, vítimas dos ataques às torres gêmeas em setembro de 2001!
Curioso, mas ainda hoje, depois de mais de sessenta e cinco anos não nos esquecemos da segunda guerra mundial, das bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki, dos campos de concentração, da morte em massa de mais de seis milhões de judeus. Ora, não sai de nossa memória, após 2013 anos, a morte cruel e brutal de um judeu, Jesus, o tradicional filho do carpinteiro, o Galileu. Como todas as outras, mas, sobretudo, com esta, temos muito o que aprender: Aceitar a morte, uma vez que é a nossa própria condição humana; além disso, vencê-la; atravessar e ser atravessado por ela, de modo a refletir uma vida justa, honesta e corajosa.    
O filósofo francês Jean Paul Sartre, em vida e mesmo após a sua morte, nos deixou um legado praticamente universal, por isso não menos existencial, de que somos condenados à liberdade. Na mesma proporção e talvez mais contundente ainda, essa condenação possa servir para o dado da morte. Somos também condenados à morte porque somos humanos. Parece óbvio, mas basta nascermos, basta estarmos vivos para morrermos.
Ao nos remetermos para o contexto da velhice do Rei Salomão, muitíssimo experimentado em anos, vemos uma corajosa forma de encarar a morte/vida, sacudindo de nós a poeira da vaidade, pois não passamos de pó e cinza. Pensar a morte é encarar a vida com tudo o que ela significa na visão do autor do livro bíblico do Eclesiastes, é saber-se insuficiente, impregnado de vitalidade, é transformar-se em um homem de verdade: “Não te apresses em abrir a boca; que teu coração não se apresse em proferir palavras diante de Deus, porque Deus está no céu, e tu na terra; que tuas palavras sejam, portanto, pouco numerosas. Porque as muitas ocupações geram sonhos, e a torrente de palavras faz nascer resoluções insensatas” (5.1-2).
Fica a pergunta: Sabendo que vamos morrer, e isso não nos escapa, ainda assim nos envaidecemos, como agiríamos, então, acaso não soubéssemos que morreríamos?
Vale aprender do koheleth, como é conhecido o livro do Eclesiastes em hebraico: “[Lembra-te do teu Criador] antes que se quebre a cadeia de prata, e se despedace o copo de ouro, e se despedace o cântaro junto à fonte, e se despedace a roda junto ao poço, e o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu” (12. 6,7).


Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva
Bel. em Teologia, Licenciado em Filosofia/UERN, Esp. em Metafísica/UFRN e Esp. em Estudos Clássicos UnB/Archai/Unesco.
www.twitter.com/filoflorania

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

A gratuidade do sair-de-si-para-o-outro, texto de Emmanuel Lévinas

Eis que surge, na vida vivida pelo humano, e é aí que, a falar com propriedade, o humano começa, pura eventualidade, mas desde logo eventualidade pura e santa - do devotar-se ao outro. Na economia geral do ser e da sua tensão sobre si, eis que surge uma preocupação pelo outro até o sacrifício, até a possibilidade de morrer por ele: uma responsabilidade por outrem. De modo diferente que ser! É essa ruptura da indiferença - indiferença que pode ser estatisticamente dominante - a possibilidade de um-para-o-outro, um para o outro, que é o acontecimento ético. Na existência humana que interrompe e supera seu esforço de ser - seu conatus essendi espinosista - a vocação de um existir-para-outrem mais forte que a ameaça da morte: a aventura existencial do próximo importa ao eu antes que a sua própria, colocando o eu diretamente como responsável pelo ser de outrem. [...] Tudo se passa como se o surgimento do humano na economia do ser provocasse uma virada no sentido, na intriga e na classe filosófica da ontologia. O em-si do ser persistente-em-ser supera-se na gratuidade do sair-de-si-para-o-outro.


LÉVINAS, E. Entre nós: ensaios sobre a alteridade. Trad. Pergentino Stefano Pivatto (coord.). Petrópolis: Vozes, 2005, pp. 18-9.


segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Um exemplo de hospitalidade filosófica






Obviamente que vivemos num mundo da “ecumene”, num mundo habitado, cujas fronteiras estão cada vez mais invisíveis e podemos até nos considerar cidadãos do mundo, quer pela realidade de uma aldeia global quer pela forma como tratamos o outro, o estrangeiro, os de outra pátria ou sem pátria, os andarilhos, forasteiros, enfim. No cenário atual, as discussões diplomáticas a respeito de atos virtuais de espionagem estão quentíssimas, deixando bastante conturbadas as relações éticas entre Brasil e EUA, o que prova o quanto o mundo virtual tornou inseguras nossas fronteiras; a impressão é que elas já não existem mais.
Ainda assim, mesmo com toda a facilidade do que fazemos aqui respingue ali instantaneamente, há recorrentes casos de extremo nacionalismo, acentuada xenofobia nos mais variados rincões. Os preconceitos com o diferente se sucedem em toda parte. Parece que sofremos de uma certa aversão ao diferente, ao que não é do nosso grupo, ao que não pensa como nós.
Só que surgirão os que não admitem ser preconceituosos, xenófobos ou coisa do gênero, etc., mas consideram ser sociáveis, sem problema algum com os outros, tolerantes. Contudo, a conversa muda no momento em que estas situações começam a interferir na minha vida. Desde que determinados problemas não me afetem tudo bem. Geralmente é assim, o tolerar tem limites e transparece superioridade por parte de quem tolera. Bom quem tolera, coitadinho quem é tolerado.
O interessante é que Emmanuel Lévinas, filósofo judeu, lituano, francês, que viveu o turbilhão das guerras do século passado, é um exemplo crucial não de tolerância, e sim de hospitalidade em seu pensamento. Isso é muito forte porque o exemplo de tolerância ainda traz consigo algo de superioridade, pois ao dizer que sou tolerante a você, a enunciação por si só já demonstra algo de superior. Enquanto superior, traduzo a minha bondade sobre você. Ele diz que há algo muito mais generoso, que é precisamente a hospitalidade, o acolher efetivamente o outro, a alteridade, o diferente, e fazer disso um diálogo rico e fértil sob vários aspectos.
Este diálogo se faz entre ideias, linguagens, temas e assim por diante, tal como essa acolhida, essa hospitalidade que ele concede a temas que vem dos apaixonados romances russos, sobretudo Dostoiévski, depois com a leitura da Bíblia e por fim com uma crítica profunda ao espírito do Totalitarismo presente no hitlerismo, por exemplo.
Nesse contexto, a palavra hospitalidade guarda a ideia de duas outras palavras: atenção e acolhimento, de modo que a hospitalidade expressa uma tensão em direção ao outro, intenção também atenta, atenção intencional ao outro. O primeiro movimento que acompanha o acontecimento da hospitalidade, para Lévinas, é o acolhimento: “A noção de rosto significa a anterioridade filosófica do sendo sobre o ser, uma exterioridade que não apela ao poder nem à posse, uma exterioridade que não se reduz, como em Platão, à interioridade da recordação, e que, contudo, protege o eu que o acolhe” (Totalidade e Infinito, p. 22).
Estamos diante de uma hospitalidade infinita e incondicional, aberta à ética, por isso não restrita simplesmente à ordem do político, mas que ultrapassa o pensamento meramente político, do espaço político. O alcance da hospitalidade, segundo Lévinas, está na afirmação de que “A intencionalidade é hospitalidade”. Vejamos o momento de acolhimento à palavra para a decisão divina: “Decisão do Eterno acolhendo a homenagem do Egito (O Eterno é hospedeiro [host] acolhendo o hóspede [guest] que lhe traz sua homenagem numa cena clássica de hospitalidade.). A Bíblia permite prevê-la no Deuteronômio 23. 8, versículo que o próprio Messias, apesar de sua justiça, deve ter esquecido. Pertence-se à ordem messiânica, quando se pode admitir o outro entre os seus. Que um povo aceite aqueles que vêm instalar-se no seu seio, por mais estranhos que sejam, com seus costumes e seus hábitos, com seu falar e seus odores, que ele lhe dê uma akhsania como um lugar de albergue e de que respirar e viver – é um canto de glória do Deus de Israel”(À l'heure des nations, p. 113).

Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva
Bel. em Teologia, Licenciado em Filosofia/UERN, Esp. em Metafísica/UFRN e Esp. em Estudos Clássicos UnB/Archai/Unesco.
        
        


sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

PÁGINA VIRADA

Eu tentei de tantas formas ser feliz
Mas despreso foi tudo que consegui
Como sofreu o meu coração
Cheguei até pensar que a minha vida era ficcção
Pois num beco sem saida, não via chance de um dia ser feliz
E estando eu naquele triste estado
Corpo ferido e coração magoado,
Tudo se concretizou, Jesus além das forças não me provou
Me fez feliz e a minha hitória ele mudou,
E o meu passado como página virou

Agora já passou
É uma página virada em minha vida
Pois no espelho eu não vejo mais feridas
De um passado que feriu meu coração
Agora tudo mudou,
Sou abençoado e hoje canto assim
Na certeza que Jesus está aqui
Morando dentro lá no fundo,
Do meu coração.

De Shirley Carvalhaes para nossa meditação.

sábado, 21 de dezembro de 2013

Encontros alegres



                                                           (Imagem: Romero Britto)

A essa altura do ano os encontros se multiplicam compulsivamente, se é que podemos classificar esses agrupamentos de pessoas de “encontros”, uma vez que mais parecem ajuntamentos forçosos pela conveniência de datas tradicionalmente reconhecidas como o Natal e o Ano Novo. Encontros precisam ser espontâneos, verdadeiramente amigáveis e alegres. Quando se impõe, exige e força um encontro, não flui como deveria ser, de um modo criativo, surpreendente e generoso.
Encontros são encontros, simplesmente, inclassificáveis e obedece, na minha opinião, à ordem do por vir, do vir a ser de Heráclito de Éfeso. Temos encontros diários e permanentemente.
Penso que quanto mais nos enfadamos das festas, reuniões ou até mesmo desses rituais de fim de ano, mais e mais necessitamos, ficamos sedentos e desejosos de verdadeiros encontros, semelhantes aos que costumamos experimentar em família, entre amigos, num aniversário surpresa, num jantar imprevisto, em circunstâncias criadas naturalmente, onde as pessoas vão chegando, chegando e a atmosfera do encontro vai se constituindo cheia de alegria e gratidão. Não dá mais para suportar encontros produzidos, superficiais, monótonos e sem imprevisibilidade. Quanto mais o tempo passa, os anos se vão e a bagagem da vida aumenta, aí é que precisamos de encontros assim.
A alegria é fruto de um bom encontro carregado de afetos bons. Por isso que volta e meia dizemos que um bom encontro é cheio de vida e alegria, de “afecções” dessa natureza. Estamos alegres quando nos sentimos afetados por pessoas alegres que vão aumentar em nós essa potência. Era justamente isso que entendia Spinoza, filósofo holandês do séc. XVII, sobre os bons e maus encontros. Para ele, é da nossa natureza afetar e ser afetado por outros, de modo que a vida é uma intensa possibilidade de encontros.
Só que um encontro alegre se traduz em conquistar, por menor que seja, um pedaço daquele ambiente, daquele encontro, entrar nele, sentir-se parte dele, assumi-lo. Seria o encontro comigo dentro. Ele me preenche e eu o preencho. Eis a alegria!
Por sua vez, o mau encontro se dá na medida em que os afetos não se combinam, diminuindo sua potência de ser. Aí vem a tristeza que surge da separação de uma potência que não me integra, não me preenche, não me põe dentro do encontro. Eis a tristeza!
Algumas vezes, é certo, não depende de nós mudar os encontros, nem sempre temos o poder de mudar as ações, de influenciar, as circunstâncias não nos permitem, as condições menos ainda, enfim. Porém, agir é sempre bom, é interessante agir diferente, criar novas ações neste Natal e Ano novo, abrir-se a experiências novas e inusitadas de encontros parece ser uma tentativa bastante louvável para quem deseja encontros alegres com afetos que se combinem, se completem.
Espero que todos procurem bons encontros, encontros alegres, neste Natal e fim de Ano.

Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva
Bel. em Teologia, Bel. e Licenciado em Filosofia, Esp. em Metafísica, Esp. em Estudos Clássicos.

sábado, 14 de dezembro de 2013

Supertrabalhador de Gabriel O pensador

De Gabriel O pensador...

Quem trabalha e mata fome não come o pão de ninguém
Mas quem come e não trabalha tá comendo o pão de alguém
Quem trabalha e mata a fome não come o pão de ninguém
Mas quem come e não trabalha tá comendo o pão de alguém
É pra ganhar o pão tem que trabalhar Missão para os heróis que estão dentro do seu lar
O seu pai, sua mãe, são trabalhadores
São os super-heróis, verdadeiros protetores
A superjornalista, o superdoutor
O supermotorista, o supertrocador
O superguitarrista, o superprodutor
E a superprofessora, é que me ensinou
E o supercarteiro, quê que faz, quê que faz?
Manda carta e manda conta pra mamãe e pro papai
E o supergari, o lixeiro, o quê que faz?
Bota o lixo no lixo que aqui tem lixo demais
Cada um faz o que sabe, cada uma sabe o que faz
Ninguém menos ninguém mais, todo mundo corre atrás
E volta pra casa com saudade do filho
Enfrentando o desafio, desviando do gatilho
Mais uma jornada, adivinha quem chegou?
São as aventuras do supertrabalhador
Sou o supertrabalhador
Alimento minha família com orgulho e amor
Supertrabalhador
São as aventuras do supertrabalhador
Sou o Supertrabalhador
Enfrento os desafios, o perigo que for
Supertrabalhador
São as aventuras do Supertrabalhador
Demorou
Quem trabalha e mata fome não come o pão de ninguém
Mas quem come e não trabalha tá comendo o pão de alguém
Quem trabalha e mata a fome não come o pão de ninguém
E pra fazer o pão tem que colher o grão
Separar o joio do trigo na plantação
O superlavrador falou com o agricultor,
Que sabe que precisa também do motorista do trator
na cidade, o engenheiro precisa di pedreiro
Mas pra fazer o prédio tem que desenhar primeiro
O sonho do arquiteto, bonito no projeto, virando concreto
Vai virando o concreto!
Eu sou o supertrabalhador
Alimento minha família com orgulho e amor
Supertrabalhador
São as aventuras do supertrabalhador
Sou o Supertrabalhador
Enfrento os desafios, o perigo que for
Supertrabalhador
São as aventuras do Supertrabalhador
Demorou
Quero ser trabalhador, quem não é um dia quis
Minha mãe sempre falou:"Quem trabalha é mais feliz"
Mas tem que suar pra ganhar o pão
E ainda tem que enfrentar o leão
O leão quer morder nosso pão
Cuidado com o leão, que ele come o nosso pão
O leão quer morder nosso pão
Cuidado com o leão, não dá mole não
Eu sou o supertrabalhador
Alimento minha família com orgulho e amor
Supertrabalhador
São as aventuras do supertrabalhador
Sou o Supertrabalhador
Enfrento os desafios, o perigo que for
Supertrabalhador
São as aventuras do Supertrabalhador
Demorou
Supertrabalhador
Taxista, motoboy, assistente, diretor
Supertrabalhador
Pipoqueiro, pedagogo, poteiro, pesqisador
Supertrabalhador
Ambulante, feirante, astronauta, ilustrador
Supertrabalhador
Comandante, comissário, caixa, vendedor
Supertrabalhador
Cozinheiro, garçon, bibliotecário, escritor
Supertrabalhador
Maquinista, sambista, surfista, historiador
Supertrabalhador
Marceneiro, carpinteiro, ferreiro, minerador
Supertrabalhador
Telefonista, salva-vidas, bombeiro, mergulhador
Supertrabalhador
Pára-quedista, arqueólogo, filósofo, pintor
Supertrabalhador
Sapateiro, boiadeiro, farmaucêtico, cantor
Super

A ARTE DE NÃO ADOECER

Por Dr. Draúzio Varella

Se não quiser adoecer – “Fale de seus sentimentos”
Emoções e sentimentos que são escondidos, reprimidos, acabam em doenças como: gastrite, úlcera, dores lombares, dor na coluna… Com o tempo arepressão dos sentimentos degenera até em câncer. Então vamos desabafar,confidenciar, partilhar nossa intimidade, nossos segredos, nossos pecados. O diálogo, a fala, a palavra, é um poderoso remédio e excelente terapia..
Se não quiser adoecer – “Tome decisão”
A pessoa indecisa permanece na dúvida, na ansiedade, na angústia. A indecisão acumula problemas, preocupações, agressões. A história humana é feita de decisões. Para decidir é preciso saber renunciar, saber perder vantagem e valores para ganhar outros. As pessoas indecisas são vítimas de doenças nervosas, gástricas e problemas de pele.
Se não quiser adoecer – “Busque soluções”
Pessoas negativas não enxergam soluções e aumentam os problemas. Preferem a lamentação, a murmuração, o pessimismo. Melhor é acender o fósforo que lamentar a escuridão. Pequena é a abelha, mas produz o que de mais doce existe. Somos o que pensamos. O pensamento negativo gera energia negativa que se transforma em doença.
Se não quiser adoecer – “Não viva de aparências”
Quem esconde a realidade finge, faz pose, quer sempre dar a impressão que está bem, quer mostrar-se perfeito, bonzinho etc., está acumulando toneladas de peso… uma estátua de bronze, mas com pés de barro. Nada pior para a saúde que viver de aparências e fachadas. São pessoas com muito verniz e pouca raiz. Seu destino é a farmácia, o hospital, a dor.
Se não quiser adoecer – “Aceite-se”
A rejeição de si próprio, a ausência de auto-estima, faz com que sejamos algozes de nós mesmos. Ser eu mesmo é o núcleo de uma vida saudável. Os que não se aceitam são invejosos, ciumentos, imitadores, competitivos,destruidores. Aceitar-se, aceitar ser aceito, aceitar as críticas, é sabedoria, bom senso e terapia.
Se não quiser adoecer – “Confie”
Quem não confia, não se comunica, não se abre, não se relaciona, não cria liames profundos, não sabe fazer amizades verdadeiras. Sem confiança, não há relacionamento. A desconfiança é falta de fé em si, nos outros e em Deus.
Se não quiser adoecer – “Não viva sempre triste”
O bom humor, a risada, o lazer, a alegria, recuperam a saúde e trazem vida longa. A pessoa alegre tem o dom de alegrar o ambiente em que vive. “O bom humor nos salva das mãos do doutor”. Alegria é saúde e terapia.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Monólogos das Oficinas de Ferramentas Filosóficas 2013

Se pudermos fazer um apanhado das atividades do ProEMI 2013 realizadas pelas oficinas de ferramentas filosóficas na Escola Estadual Teônia Amaral/Florânia/RN, veremos que foram muito proveitosas no que diz respeito ao desempenho dos estudantes em aceitar colaborar com as iniciativas propostas. Todos acabaram comprando a ideia de que é preciso estudar, pesquisar, aprender, criar, argumentar, interpretar, falar, enfim... Parece que o objetivo planejado foi alcançado. As ferramentas filosóficas em três dimensões: ORALIDADE, INTERPRETAÇÃO TEXTUAL e TECNOLOGIAS, desde o início, procuraram incentivar o estudante a estabelecer uma relação de proximidade do que se fala com o que se entende e vice-versa. Por isso, visamos trabalhar intensamente a voz, impostação, oratória, dicção, exercício contínuo da leitura. Aliado a isso, tentamos fazer com que o estudante descobrisse a interação do que estava sendo dito com o que poderia ser compreendido, entendido ou interpretado, ou seja, a possibilidade de conduzir o estudante a entrar numa perspectiva diferente de relação com o texto, a emoção, a intimidade com o que estava sendo dito.
Talvez daí tenha nascido a ideia de propor dois monólogos muito peculiares para a fala, a interpretação e a relação de intimidade do orador com o texto para apresentação da culminância das oficinas do ProEMI, ocorrida nesta quinta-feira, 05/12/2013 às 19h no auditório da própria Escola. Os monólogos foram: Apresentação da obra Morte e Vida Severina de João Cabral de Melo Neto e o Monólogo de Orfeu reperformado por Vinícius de Morais em homenagem ao seu centenário. O texto de abertura da obra morte e vida severina, interpretado por dois estudantes do 3º Ano do Ensino Médio, uma espécie de prólogo da obra em que o protagonista dá o tom em forma de monólogo, sintetizando praticamente o que virá a ser a saga do retirante que emigra mostrando a dor e o sofrimento do povo nordestino. Depois, uma estudante, também do 3º Ano do Ensino Médio, sugere uma interpretação íntima com muita emoção ao monólogo de Orfeu que explora uma temática bem trágica, a morte, a vida e o amor, elementos profundos da condição humana.
Gostaria de registrar toda a minha gratidão aos estudantes do 3º Ano do Ensino Médio Inovador envolvidos nessa apresentação que traduz um pouco o que realmente queríamos alcançar.

Abraços, Prof. Jackislandy Meira

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Adeus Mandela, mas seu carisma e vida políticas jamais nos deixarão

Um homem de grandiosa consciência política cujo legado é o diálogo, a justiça, a moral e a luta incansável pelo fim do aparthaid, que se caracterizava pela discriminação e segregação racial, confrontando sempre ideais de libertação e paz com atos insanos de opressão e violência. Mandela ou "Madiba", como é conhecido pelos seus compatriotas, chamou a atenção do mundo pela sua liderança e pelos seus vigorosos discursos a favor de um mundo mais humano.
Que seu zelo por um mundo sem muros raciais, onde todos se respeitam pelo que são e como são, continue a inspirar muitos outros a seguir o mesmo caminho traçado ou iluminado por Mandela. Construtor de uma história irretocável, Nelson Mandela permanecerá sendo um modelo de esperança, de engajamento e de respeito ao outro.
Que seu olhar perdure fixo no horizonte para além de nossas possibilidades e incertezas. As limitações do cárcere não o fizeram insensível, tampouco inerte, medroso e covarde, mas o transformaram mais ainda num indivíduo cidadão, comprometido e profundamente politizado.
Que seu riso de vida ainda projete em nós a certeza de dias melhores em que os povos se alegrem num crescendo infinito.
Que seu grito de liberdade ecoe e alcance os tímpanos de nossos ouvidos cada vez que relutamos a ouvir, a sentir um pouco mais.
Que seu silêncio também encontre uma morada coletiva em nossos corações de indignação, inconformismo e, sobretudo, de paz, uma certa paz inquieta.


Minha gratidão por tudo que representou Nelson Mandela,

Prof. Jackislandy Meira de M. Silva.




quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Incapaz de viver o que sabe ser certo


(imagem: Medéia de Paul Cézanne)

             Eis aí a incapacidade que parece atormentar a todos; viver o que se sabe certo. Mas o que seria o certo pra você? Longe de mim, aqui, querer advogar o politicamente correto, no entanto cabe a todos uma tomada de consciência a partir do ponto gerador de atitudes, de ação, de vida. Que princípios seguimos para agir? Ou seguimos certos códigos de ética construídos por nós mesmos ou vivemos involuntariamente, alheios a qualquer tipo de obediência e dever.
 Segundo Kant, pensador do séc. XVIII, duas coisas lhe causavam bastante espanto, como bem confessou o filósofo: “o céu estrelado fora de mim e a lei moral dentro de mim”. Ele admitia uma verdade subjetiva que possibilitava o indivíduo construir seus próprios valores e conceitos para viver. Sendo assim, o clichê: “o que é certo pra mim não é certo pra você” ganha, à luz da filosofia kantiana, um status aceitável e discutível é claro. A partir disso, as sociedades com seus cidadãos tiveram a imensa liberdade para construir seus sistemas, leis e constituições conforme as diferentes tradições, crenças e valores.
Só que Kant e muitos de nós nos esquecemos de combinar tudo isso com a nossa condição humana. Os indivíduos não são programáticos nem pragmáticos, mas imprevisíveis e inconstantes, instáveis, humanos. Há uma espada da condição humana que transpassa a nossa alma, atravessando-nos totalmente.  A nossa humanidade não dá saltos, ela é o que é. Não somos nem bichos nem deuses, mas humanos. Aí está uma verdade que demoramos para aceitar, tanto é que é preciso muitas atrocidades acontecerem para que tomemos um choque de realidade.
O caso do padrasto e da mãe do garoto Joaquim Ponte Marques que abalou o Brasil com contornos de crueldade ao mostrar que a criança havia sido morta antes de ser jogada ao rio e de ser encontrada depois de seis dias de desaparecida. Uma psicóloga ouviu o padrasto e percebeu que ele tinha ciúmes da criança. As suspeitas de sua morte apontam o padrasto e a mãe que estão presos. Vontades e os desejos mais perversos nos incapacitam de viver conforme sabemos o que é certo. Essa é a tragédia humana. O que dizer do fato do auditor fiscal Luís Alexandre Cardoso de Magalhães, no programa Fantástico da Globo, de domingo 24/11, haver confessado publicamente que, entre jantar, hotel e mulher, chegou a gastar R$ 8 mil, R$ 10 mil com dinheiro de corrupção.  Alexandre é um dos quatro auditores fiscais suspeitos de participar de um esquema de corrupção na prefeitura de São Paulo. É investigado por cobrar propina de construtoras para que elas pagassem menos ISS, o Imposto Sobre Serviço. A fraude pode chegar a R$ 500 milhões.
Vemos que os indivíduos são vítimas impotentes de seus desejos de prevaricação, de opressão do outro e de trazer danos sérios à administração pública. O impulso é o desejo ilimitado de “ter mais”: mais poder, mais riqueza, mais reconhecimento social. As contradições e males sociais provindos do ser humano entre o que é e o que deve ser são marcantes, de tal modo que estão profundamente enraizados na alma individual como dupla, dividida, dilacerada, fragmentada em seus múltiplos desejos.
Impossível não nos remetermos agora à literatura clássica, sobretudo ao célebre monólogo de Medéia (1078 – 80) em que emerge claramente uma nova compreensão de alma, de indivíduo, podendo ser chamada de “trágica”, ou seja, “dilacerada”, dividida entre desejos e vontades. Assim se expressou Eurípides em sua homônima tragédia: “um indivíduo incapaz de viver conforme o que sabe ser certo”.
Tal é a nossa alma. Em constante conflito entre o que se sabe e o que se faz. Tal é a condição humana, arrastando-nos para a morte, para o amor e para experiência trágica da vida, não menos trágica que as experiências de amor e morte. Portanto, fiquemos com o espírito de indignação de Medéia na obra de Eurípides: “Que não me caiba em sorte essa próspera vida de dor, nem essa felicidade, que dilacera o meu espírito!”. 

Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva
Bel. em Teologia, Licenciado em Filosofia/UERN, Esp. em Metafísica/UFRN e Esp. em Estudos Clássicos UnB/Archai/Unesco.

 

 

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

20 de novembro - dia da consciência negra

“Ninguém liberta ninguém, ninguém se liberta sozinho:
Os homens se libertam em comunhão.”
(FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido, 1987, p. 29.)

Em sua obra mais célebre Pedagogia do Oprimido, escrita durante o exílio no Chile, em 1968, até o último livro publicado em vida, Pedagogia da Autonomia: Saberes Necessários à Prática Educativa (1996), o educador Paulo Freire (1921-1997) sempre tratou da questão da igualdade, da educação como ato libertador e transformador.
 
 

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Joaquim Barbosa: o homem certo na hora certa


Ato histórico: Joaquim Barbosa decreta prisão de MENSALEIROS

José Genoino, José Dirceu, Delúbio Soares e Marcos Valérios deverão ser presos
Divulgação STF

Doze condenados no processo do mensalão tiveram seus pedidos de prisão decretados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), na tarde desta sexta-feira (15/11). O presidente do STF, ministro Joaquim Barbosa, já encaminhou a ordem à Polícia Federal e distribuídos aos estados.
Entre os condenados que tiveram o pedido de prisão decretados estão o ex-presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), José Genoino; o ex-tesoureiro do partido, Delúbio Soares; o ex-ministro chefe da Casa Civil, José Dirceu; o operador do esquema do mensalão, Marcos Valério; sua secretária, Simone Vasconcelos; além  e do ex-advogado de Valério, Cristiano Paz e do ex-sócio Ramon Hollerbach.
Em sua página oficial na internet, o expresidente do PT, José Genoino, deputado licenceado que deve se entregar à Justiça, declara inocência e diz que cumpre a decisão com indignação, que foi condenado por estar à frente do partido na época e que não haveria provas contra ele. Genoino diz considera-se um preso político e foi condenado a 6 anos e 11 meses de prisão pela participação no esquema e deverá cumprir a pena em regime semiabreto.
Já o ex-ministro chefe da casa Civil, começará a cumprir a pena de 7 anos e 11 meses por crime de corrupção ativa, em regime semiaberto até que sejam analisado os embargos infringentes por formação de quadrilha, crime ao qual foi condenado a cumprir 2 anos e 11 meses em regime fechado.
A decisão sobre a execução das penas dos 12 condenados na Ação Penal 470, o processo do mensalão, foi tomada na quarta-feira (13/11) após os ministros rejeitarem os segundos embargos de declaração apresentados pelos réus condenados no processo.
Os ministros seguiram o voto divergente de Teori Zavascki. Ele entendeu que todos os réus podem ter as penas executadas, exceto nos crimes em que questionaram as condenações por meio dos embargos infringentes, recurso previsto para os réus que obtiveram pelo menos quatro votos pela absolvição, outra fase de recursos. O entendimento permite a prisão dos réus que tiveram os embargos rejeitados e dos condenados que, mesmo tendo direito aos infringentes, não questionaram as penas por meio deste recurso.



Jabuti - prêmio literário 2013

Um dos mais tradicionais prêmios literários brasileiros, o Jabuti entregou, na quarta-feira, em São Paulo, a estatueta aos três primeiros colocados de suas 27 categorias – a lista já havia sido revelada. A surpresa da noite foi o anúncio dos vencedores do Livro do Ano de Ficção, dado a Diálogos Impossíveis (Objetiva), do cronista do Estado Luis Fernando Verissimo, e do Livro do Ano de Não Ficção, que premiou As Duas Guerras de Vlado Herzog, de Audálio Dantas, ganhador, antes, em Reportagem. Os dois levaram R$ 35 mil, além dos R$ 3.500 que os ganhadores de todas as categorias recebem.
O gaúcho Verissimo não pôde ir à cerimônia devido a compromissos em Porto Alegre. “O prêmio foi uma surpresa”, disse ele ao Estado, por telefone. “O livro foi o segundo mais votado e só ganhou porque o primeiro foi desclassificado por um detalhe do regulamento. Não estou reclamando do prêmio, mas acho que Sérgio Sant’Anna foi injustiçado.”
Dantas estava lá e, aos 84 anos, fez um discurso emocionado em homenagem a seu personagem e em defesa do acesso à informação. “Esse trabalho que agora vejo premiado tem um sentido muito profundo para mim. Ao mesmo tempo em que sou o autor desse livro, sou também personagem, porque vi de perto, senti o medo e o horror daqueles dias de outubro de 1975, quando assassinaram Vladimir Herzog”, disse ao receber o prêmio. Audálio Dantas era presidente do sindicato dos jornalistas quando “a ditadura militar pôs em prática um plano de caça aos jornalistas acusados de atividades comunistas”. “Acompanhei caso a caso essa tragédia desde o começo, denunciando as prisões ilegais e as torturas praticada não só contra os jornalistas. Tive, naquele momento, os dias mais angustiantes da minha vida, mas acho que cumpri com o dever que me cabia naquele momento e acredito que essa história do Vlado está registrada na história do Brasil e nas lutas contra a opressão”, completou após a premiação.
A decisão de contar essa história, porém, não foi fácil, e levou mais de três décadas, tempo em que pesquisou o assunto. A escrita, que durou cerca de um ano e meio, também teve seus percalços. “Foi difícil escrever sobre tudo isso porque a emoção era muito grande. E a emoção, em alguns momentos, pode atrapalhar um trabalho que deve ser o retrato da verdade, da história. Essa era a minha preocupação, mas consegui”, contou.
Entre as outras dificuldades citadas pelo jornalista, estava o acesso aos documentos oficiais, e este seria, na opinião do autor, um empecilho para que outros textos sobre o período viessem à tona. O escritor também comentou os recentes debates em torno das biografias não autorizadas. “Negar ao povo brasileiro o direito de saber é algo que devemos combater com todas as nossas forças. Digo isso em relação às tentativas de se proibir biografias. Quando as pessoas são públicas, as biografias pertencem ao público. Devemos combater essas tentativas que neste momento são movidas por interesses muitas vezes simplesmente pecuniários e o interesse deve ser muito maior do que isso.”

http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,para-verissimo-sergio-santanna-foi-injusticado,1097152,0.htm

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

A voz da criança não se cale em nós!


"Que jamais a voz da criança nela se cale, que caia como um presente dos céus oferecendo às palavras ressecadas o brilho de seu riso, o sal de suas lágrimas, sua todo-poderosa selvageria."


                                                                 (L.-R. Des Florêts, trecho de Ostinato)

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Não passamos de pó e cinza



Se tem um tema que realmente demanda muita “metafísica” e nos joga para dentro do drama da existência humana, esse tema é a morte. Essa desconhecida costuma deixar cicatrizes profundas na história e mais ainda na consciência individual e coletiva de todos nós, mas também é capaz de produzir um intenso movimento a favor da vida, quando não, ao menos nos faz refletir e a parar diante dela.
Muitos acidentes de trânsito, tragédias difíceis de apagar, certamente levaram pessoas abnegadas a defender regras mais eficazes de promoção da segurança nas estradas. Assassinatos, homicídios, guerras e catástrofes acabam transformando nossas vidas e até mudando nossos comportamentos a cada momento. Tornamo-nos piores ou melhores, porém alguma coisa muda, alguma coisa sai de lugar com a morte. A morte dá uma guinada na vida da gente.
Por causa da morte do seringueiro Chico Mendes, defensor político dos interesses dos trabalhadores do Estado do Amazonas e contra a exploração irracional da floresta, muitos saíram de suas casas e levantaram a bandeira de luta social e política a favor do meio ambiente, a favor da vida e da desconstrução social. Não é tão diferente com o impacto causado pela morte de centenas de estudantes e trabalhadores cidadãos na época da ditadura militar perseguidos pela censura e pelo cerceamento dos direitos civis. Quem não lembra da revolução que a F1, campeonato de automobilismo, sofreu em virtude da morte de Ayrton Senna! Os EUA ainda não superaram o trauma criado pela morte das quase três mil pessoas, vítimas dos ataques às torres gêmeas em setembro de 2001!
Curioso, mas ainda hoje, depois de mais de sessenta e cinco anos não nos esquecemos da segunda guerra mundial, das bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki, dos campos de concentração, da morte em massa de mais de seis milhões de judeus. Ora, não sai de nossa memória, após 2013 anos, a morte cruel e brutal de um judeu, Jesus, o tradicional filho do carpinteiro, o Galileu. Como todas as outras, mas, sobretudo, com esta, temos muito o que aprender: Aceitar a morte, uma vez que é a nossa própria condição humana; além disso, vencê-la; atravessar e ser atravessado por ela, de modo a refletir uma vida justa, honesta e corajosa.    
O filósofo francês Jean Paul Sartre, em vida e mesmo após a sua morte, nos deixou um legado praticamente universal, por isso não menos existencial, de que somos condenados à liberdade. Na mesma proporção e talvez mais contundente ainda, essa condenação possa servir para o dado da morte. Somos também condenados à morte porque somos humanos. Parece óbvio, mas basta nascermos, basta estarmos vivos para morrermos.
Ao nos remetermos para o contexto da velhice do Rei Salomão, muitíssimo experimentado em anos, vemos uma corajosa forma de encarar a morte/vida, sacudindo de nós a poeira da vaidade, pois não passamos de pó e cinza. Pensar a morte é encarar a vida com tudo o que ela significa na visão do autor do livro bíblico do Eclesiastes, é saber-se insuficiente, impregnado de vitalidade, é transformar-se em um homem de verdade: “Não te apresses em abrir a boca; que teu coração não se apresse em proferir palavras diante de Deus, porque Deus está no céu, e tu na terra; que tuas palavras sejam, portanto, pouco numerosas. Porque as muitas ocupações geram sonhos, e a torrente de palavras faz nascer resoluções insensatas” (5.1-2).
Fica a pergunta: Sabendo que vamos morrer, e isso não nos escapa, ainda assim nos envaidecemos, como agiríamos, então, acaso não soubéssemos que morreríamos?
Vale aprender do koheleth, como é conhecido o livro do Eclesiastes em hebraico: “[Lembra-te do teu Criador] antes que se quebre a cadeia de prata, e se despedace o copo de ouro, e se despedace o cântaro junto à fonte, e se despedace a roda junto ao poço, e o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu” (12. 6,7).


Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva
Bel. em Teologia, Licenciado em Filosofia/UERN, Esp. em Metafísica/UFRN e Esp. em Estudos Clássicos UnB/Archai/Unesco.
www.twitter.com/filoflorania

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

A gratuidade do sair-de-si-para-o-outro, texto de Emmanuel Lévinas

Eis que surge, na vida vivida pelo humano, e é aí que, a falar com propriedade, o humano começa, pura eventualidade, mas desde logo eventualidade pura e santa - do devotar-se ao outro. Na economia geral do ser e da sua tensão sobre si, eis que surge uma preocupação pelo outro até o sacrifício, até a possibilidade de morrer por ele: uma responsabilidade por outrem. De modo diferente que ser! É essa ruptura da indiferença - indiferença que pode ser estatisticamente dominante - a possibilidade de um-para-o-outro, um para o outro, que é o acontecimento ético. Na existência humana que interrompe e supera seu esforço de ser - seu conatus essendi espinosista - a vocação de um existir-para-outrem mais forte que a ameaça da morte: a aventura existencial do próximo importa ao eu antes que a sua própria, colocando o eu diretamente como responsável pelo ser de outrem. [...] Tudo se passa como se o surgimento do humano na economia do ser provocasse uma virada no sentido, na intriga e na classe filosófica da ontologia. O em-si do ser persistente-em-ser supera-se na gratuidade do sair-de-si-para-o-outro.


LÉVINAS, E. Entre nós: ensaios sobre a alteridade. Trad. Pergentino Stefano Pivatto (coord.). Petrópolis: Vozes, 2005, pp. 18-9.


segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Um exemplo de hospitalidade filosófica






Obviamente que vivemos num mundo da “ecumene”, num mundo habitado, cujas fronteiras estão cada vez mais invisíveis e podemos até nos considerar cidadãos do mundo, quer pela realidade de uma aldeia global quer pela forma como tratamos o outro, o estrangeiro, os de outra pátria ou sem pátria, os andarilhos, forasteiros, enfim. No cenário atual, as discussões diplomáticas a respeito de atos virtuais de espionagem estão quentíssimas, deixando bastante conturbadas as relações éticas entre Brasil e EUA, o que prova o quanto o mundo virtual tornou inseguras nossas fronteiras; a impressão é que elas já não existem mais.
Ainda assim, mesmo com toda a facilidade do que fazemos aqui respingue ali instantaneamente, há recorrentes casos de extremo nacionalismo, acentuada xenofobia nos mais variados rincões. Os preconceitos com o diferente se sucedem em toda parte. Parece que sofremos de uma certa aversão ao diferente, ao que não é do nosso grupo, ao que não pensa como nós.
Só que surgirão os que não admitem ser preconceituosos, xenófobos ou coisa do gênero, etc., mas consideram ser sociáveis, sem problema algum com os outros, tolerantes. Contudo, a conversa muda no momento em que estas situações começam a interferir na minha vida. Desde que determinados problemas não me afetem tudo bem. Geralmente é assim, o tolerar tem limites e transparece superioridade por parte de quem tolera. Bom quem tolera, coitadinho quem é tolerado.
O interessante é que Emmanuel Lévinas, filósofo judeu, lituano, francês, que viveu o turbilhão das guerras do século passado, é um exemplo crucial não de tolerância, e sim de hospitalidade em seu pensamento. Isso é muito forte porque o exemplo de tolerância ainda traz consigo algo de superioridade, pois ao dizer que sou tolerante a você, a enunciação por si só já demonstra algo de superior. Enquanto superior, traduzo a minha bondade sobre você. Ele diz que há algo muito mais generoso, que é precisamente a hospitalidade, o acolher efetivamente o outro, a alteridade, o diferente, e fazer disso um diálogo rico e fértil sob vários aspectos.
Este diálogo se faz entre ideias, linguagens, temas e assim por diante, tal como essa acolhida, essa hospitalidade que ele concede a temas que vem dos apaixonados romances russos, sobretudo Dostoiévski, depois com a leitura da Bíblia e por fim com uma crítica profunda ao espírito do Totalitarismo presente no hitlerismo, por exemplo.
Nesse contexto, a palavra hospitalidade guarda a ideia de duas outras palavras: atenção e acolhimento, de modo que a hospitalidade expressa uma tensão em direção ao outro, intenção também atenta, atenção intencional ao outro. O primeiro movimento que acompanha o acontecimento da hospitalidade, para Lévinas, é o acolhimento: “A noção de rosto significa a anterioridade filosófica do sendo sobre o ser, uma exterioridade que não apela ao poder nem à posse, uma exterioridade que não se reduz, como em Platão, à interioridade da recordação, e que, contudo, protege o eu que o acolhe” (Totalidade e Infinito, p. 22).
Estamos diante de uma hospitalidade infinita e incondicional, aberta à ética, por isso não restrita simplesmente à ordem do político, mas que ultrapassa o pensamento meramente político, do espaço político. O alcance da hospitalidade, segundo Lévinas, está na afirmação de que “A intencionalidade é hospitalidade”. Vejamos o momento de acolhimento à palavra para a decisão divina: “Decisão do Eterno acolhendo a homenagem do Egito (O Eterno é hospedeiro [host] acolhendo o hóspede [guest] que lhe traz sua homenagem numa cena clássica de hospitalidade.). A Bíblia permite prevê-la no Deuteronômio 23. 8, versículo que o próprio Messias, apesar de sua justiça, deve ter esquecido. Pertence-se à ordem messiânica, quando se pode admitir o outro entre os seus. Que um povo aceite aqueles que vêm instalar-se no seu seio, por mais estranhos que sejam, com seus costumes e seus hábitos, com seu falar e seus odores, que ele lhe dê uma akhsania como um lugar de albergue e de que respirar e viver – é um canto de glória do Deus de Israel”(À l'heure des nations, p. 113).

Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva
Bel. em Teologia, Licenciado em Filosofia/UERN, Esp. em Metafísica/UFRN e Esp. em Estudos Clássicos UnB/Archai/Unesco.
        
        


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