sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Jabuti - prêmio literário 2013

Um dos mais tradicionais prêmios literários brasileiros, o Jabuti entregou, na quarta-feira, em São Paulo, a estatueta aos três primeiros colocados de suas 27 categorias – a lista já havia sido revelada. A surpresa da noite foi o anúncio dos vencedores do Livro do Ano de Ficção, dado a Diálogos Impossíveis (Objetiva), do cronista do Estado Luis Fernando Verissimo, e do Livro do Ano de Não Ficção, que premiou As Duas Guerras de Vlado Herzog, de Audálio Dantas, ganhador, antes, em Reportagem. Os dois levaram R$ 35 mil, além dos R$ 3.500 que os ganhadores de todas as categorias recebem.
O gaúcho Verissimo não pôde ir à cerimônia devido a compromissos em Porto Alegre. “O prêmio foi uma surpresa”, disse ele ao Estado, por telefone. “O livro foi o segundo mais votado e só ganhou porque o primeiro foi desclassificado por um detalhe do regulamento. Não estou reclamando do prêmio, mas acho que Sérgio Sant’Anna foi injustiçado.”
Dantas estava lá e, aos 84 anos, fez um discurso emocionado em homenagem a seu personagem e em defesa do acesso à informação. “Esse trabalho que agora vejo premiado tem um sentido muito profundo para mim. Ao mesmo tempo em que sou o autor desse livro, sou também personagem, porque vi de perto, senti o medo e o horror daqueles dias de outubro de 1975, quando assassinaram Vladimir Herzog”, disse ao receber o prêmio. Audálio Dantas era presidente do sindicato dos jornalistas quando “a ditadura militar pôs em prática um plano de caça aos jornalistas acusados de atividades comunistas”. “Acompanhei caso a caso essa tragédia desde o começo, denunciando as prisões ilegais e as torturas praticada não só contra os jornalistas. Tive, naquele momento, os dias mais angustiantes da minha vida, mas acho que cumpri com o dever que me cabia naquele momento e acredito que essa história do Vlado está registrada na história do Brasil e nas lutas contra a opressão”, completou após a premiação.
A decisão de contar essa história, porém, não foi fácil, e levou mais de três décadas, tempo em que pesquisou o assunto. A escrita, que durou cerca de um ano e meio, também teve seus percalços. “Foi difícil escrever sobre tudo isso porque a emoção era muito grande. E a emoção, em alguns momentos, pode atrapalhar um trabalho que deve ser o retrato da verdade, da história. Essa era a minha preocupação, mas consegui”, contou.
Entre as outras dificuldades citadas pelo jornalista, estava o acesso aos documentos oficiais, e este seria, na opinião do autor, um empecilho para que outros textos sobre o período viessem à tona. O escritor também comentou os recentes debates em torno das biografias não autorizadas. “Negar ao povo brasileiro o direito de saber é algo que devemos combater com todas as nossas forças. Digo isso em relação às tentativas de se proibir biografias. Quando as pessoas são públicas, as biografias pertencem ao público. Devemos combater essas tentativas que neste momento são movidas por interesses muitas vezes simplesmente pecuniários e o interesse deve ser muito maior do que isso.”

http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,para-verissimo-sergio-santanna-foi-injusticado,1097152,0.htm

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sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Jabuti - prêmio literário 2013

Um dos mais tradicionais prêmios literários brasileiros, o Jabuti entregou, na quarta-feira, em São Paulo, a estatueta aos três primeiros colocados de suas 27 categorias – a lista já havia sido revelada. A surpresa da noite foi o anúncio dos vencedores do Livro do Ano de Ficção, dado a Diálogos Impossíveis (Objetiva), do cronista do Estado Luis Fernando Verissimo, e do Livro do Ano de Não Ficção, que premiou As Duas Guerras de Vlado Herzog, de Audálio Dantas, ganhador, antes, em Reportagem. Os dois levaram R$ 35 mil, além dos R$ 3.500 que os ganhadores de todas as categorias recebem.
O gaúcho Verissimo não pôde ir à cerimônia devido a compromissos em Porto Alegre. “O prêmio foi uma surpresa”, disse ele ao Estado, por telefone. “O livro foi o segundo mais votado e só ganhou porque o primeiro foi desclassificado por um detalhe do regulamento. Não estou reclamando do prêmio, mas acho que Sérgio Sant’Anna foi injustiçado.”
Dantas estava lá e, aos 84 anos, fez um discurso emocionado em homenagem a seu personagem e em defesa do acesso à informação. “Esse trabalho que agora vejo premiado tem um sentido muito profundo para mim. Ao mesmo tempo em que sou o autor desse livro, sou também personagem, porque vi de perto, senti o medo e o horror daqueles dias de outubro de 1975, quando assassinaram Vladimir Herzog”, disse ao receber o prêmio. Audálio Dantas era presidente do sindicato dos jornalistas quando “a ditadura militar pôs em prática um plano de caça aos jornalistas acusados de atividades comunistas”. “Acompanhei caso a caso essa tragédia desde o começo, denunciando as prisões ilegais e as torturas praticada não só contra os jornalistas. Tive, naquele momento, os dias mais angustiantes da minha vida, mas acho que cumpri com o dever que me cabia naquele momento e acredito que essa história do Vlado está registrada na história do Brasil e nas lutas contra a opressão”, completou após a premiação.
A decisão de contar essa história, porém, não foi fácil, e levou mais de três décadas, tempo em que pesquisou o assunto. A escrita, que durou cerca de um ano e meio, também teve seus percalços. “Foi difícil escrever sobre tudo isso porque a emoção era muito grande. E a emoção, em alguns momentos, pode atrapalhar um trabalho que deve ser o retrato da verdade, da história. Essa era a minha preocupação, mas consegui”, contou.
Entre as outras dificuldades citadas pelo jornalista, estava o acesso aos documentos oficiais, e este seria, na opinião do autor, um empecilho para que outros textos sobre o período viessem à tona. O escritor também comentou os recentes debates em torno das biografias não autorizadas. “Negar ao povo brasileiro o direito de saber é algo que devemos combater com todas as nossas forças. Digo isso em relação às tentativas de se proibir biografias. Quando as pessoas são públicas, as biografias pertencem ao público. Devemos combater essas tentativas que neste momento são movidas por interesses muitas vezes simplesmente pecuniários e o interesse deve ser muito maior do que isso.”

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