terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Mais que um congresso, um encontro de fé.


A nossa pequenina cidade de Florânia percebeu, nesses quase três dias de Congresso jovem da Assembléia de Deus, a busca constante do homem pela autenticidade da fé. O pregador que veio ficar conosco para nos ajudar a mergulhar espiritualmente na Palavra de Deus, Pr. Geasi Souza, repetia incansavelmente: "É necessário vivermos a autenticidade de nossa fé". Parece-nos uma frase um tanto simplista, para não dizermos desgastada, no entanto, é uma necessidade que nos persegue desde o alvorecer da fé cristã, quando Constantino, Imperador de Roma, tornou-a oficializada pelo Império. A partir daí, a Igreja de Cristo nunca mais foi a mesma e sentimos saudades da ardente fé que levava tantos homens por amor ao Evangelho à morte, pois quanto mais o sangue dos mártires se derramava pela terra, mais e mais o número de cristãos florescia e se espalhava pelo mundo.
"Por onde Cristo passava, seus sinais o acompanhavam, sinais de milagres, de amor, de alegria, de bênçãos. Os tempos se passaram, esse Cristo mudou? Por que os sinais não continuam a acontecer? A resposta é uma só, Cristo não mudou, nós é que mudamos". Essas palavras do poeta e cantor Sérgio Lopes foram fenomenais para quem acredita que Jesus ainda está vivo em nosso meio, tocando as pessoas, curando-as, levantando-as, amando-as... Mas, para quem não crê nessas manifestações, as perguntas de Sérgio Lopes permanecem, assim como a preocupação de Geasi nos ajuda a descobrir o caminho, o encontro de fé com Deus.
Esse congresso não só promoveu a nossa fé nesse Deus que cura, como também aflorou nos corações de todos a preocupação com a pluralidade e unidade religiosas porque as pessoas, de diferentes confissões, puderam vislumbrar a oração de homens que, com suas vidas, adoravam a Deus em Espírito e em Verdade, enxergando neles características de compromisso com o Evangelho e com o testemunho diante da comunidade, sendo eles mesmos reflexos desse Evangelho: homens casados; construindo e mantendo suas famílias no Evangelho; vivendo com o suor de seus rostos; declarando para a sociedade inteira, a seriedade da fé em Cristo.
Vimos que para ser cristão se faz urgente afirmar a pluralidade das expressões religiosas, uma vez que são diferentes os homens de todos os lugares, de todos os tempos e de todas as culturas. Agora, afirmar a pluralidade não é compactuar com a relatividade da verdade do Evangelho, tampouco com o neoliberalismo no qual, infelizmente, estamos inseridos. Não somos coniventes com isso. Com um banquete servido à faz de conta, à fantasia da fé. Que diz que é, mas não é. Não podemos mais bricar com Deus! É chegado o tempo de conhecê-lo de verdade, não de mentirinha. Portanto, o seridoense já está percebendo que a unanimidade católica é questionável e está cheia de contrasensos do ponto de vista religioso. O número de evangélicos está crescendo bastante no Brasil, apesar de vivermos num país onde fora colonizado por católicos e, por isso, de cultura católica. Mesmo assim, esse crescimento demonstra maturidade religiosa do povo brasileiro, porque as pessoas estão cansadas de diletantismo barato, de formalismo religioso e de práticas por demais repetitivas, mais apegadas à tradição, à autoridade de uma "aristocracia" superada, do que à vida mesma presente nas Escrituras, oriunda sim da autoridade de Cristo, nosso Senhor.
Graças a Deus, a nossa fé não está mais sujeita a uma só expressão religiosa, unilateral. Faz tempo..., mas só agora tomamos consciência. Tomamos consciência de que a nossa expressão é plural, mas a fé é uma, una, que é fundamentada em Cristo! A expressão da fé é plural porque somos diferentes uns dos outros, mas iguais em preservar a unidade posta por Deus na vida de uma pessoa, Jesus Cristo.
A partir disso, a autenticidade da fé, isto é, o que penso de Deus, eu vivo. O que falo de Deus, eu vivo. É uma exigência para não vendermos a nossa seriedade com o Evangelho; para não trocarmos a nossa amizade com Deus; para não jogarmos fora a certeza da fé por um "prato de lentilhas", como nos disse o poeta, cantor e compositor evangélico, Sérgio Lopes. O qual nos proporcionou saborear a alegria do encontro verdadeiro com Cristo, através de suas canções que nos fazem lembrar de tudo em volta de Jesus de Nazaré, sua história, seu lugar, suas amizades, suas palavras...

Jackislandy Meira de M. Silva, professor e filósofo.
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segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Os valores...


Muitos de nós passamos pela vida sem, ao menos, de quando em quando, avaliarmos nossas escolhas, nossas opções. Vivemos como que jogados na relatividade das culturas, dos costumes a que nos submetemos, respirando modelos escolhidos por outros e não por nós. Usamos as mesmas roupas, os mesmos relógios, as mesmas sandálias em virtude das “marcas” mais presentes no momento, “da moda”... Bebemos, por vezes, as mesmas bebidas, cujos rótulos são os mais visíveis no momento... As mesmas comidas com gostos e qualidades quase sempre os mesmos e assim por diante. Parece que estamos destinados as mesmices do dia-a-dia porque nos acomodamos em não querer fazer parte das decisões a que damos valor, pondo nestas decisões um pouco de nós, das nossas escolhas, dos nossos desejos pessoais, dos nossos gostos aprazíveis que enriquecem e alegram mais o nosso viver. Não necessitaríamos, talvez, sair da moda para aprendermos a valorar? Sejamos um “démodé”, um fora de moda!
O importante disso tudo é que empregamos vários sentidos para a palavra “valor”. Dentre eles, o mais elementar para os dias de hoje é o econômico. As coisas não nos deixam indiferentes, de modo que a todo momento precisamos estar valorando ou reconhecendo um valor ou um antivalor em tudo quanto experimentamos. A Filosofia que estuda o mundo dos valores chama-se Axiologia(axios-ou).
Objetivamente, observamos que não criamos os valores, mas algo já é nosso. O filósofo Jean Paul Sartre diz e defende a criação, a produção dos valores por nós. Segundo ele, os valores são objetos de nossa criação a fim de nos orientarmos em nossa existência militante. A cada instante, a cada momento estamos valorizando, valorando. O valor é tudo aquilo que não nos deixa indiferentes às coisas. Por isso, procuremos estabelecer uma hierarquia de valores a fim de gerir com mais sabedoria a vida que levamos, uma vez que a qualidade de vida está na maneira de discernir as diferenças presentes no mundo, pois isso é o que constitui o homem sábio.
Para o pensamento do homem comum, o valor é tudo aquilo que é capaz de romper, de quebrar a nossa indiferença. Aquilo que se destaca pela sua perfeição é um valor. Daí o sentido da palavra axiologia, o que me parece perfeito, o que me atrai, o belo.
Será que as coisas não têm mais valor do que o valor que nós lhes damos? Ou elas têm um valor objetivo? Não nos ocuparemos em responder essas questões aos leitores, até por que não teríamos tempo pra isso, no entanto façamos destas questões um motivar para nossa reflexão acerca dos valores.
Por fim, entendemos que o valor de tudo que nos aparece nos remonta a uma grande complexidade de significados, desde os físicos, materiais, emocionais até os espirituais... Portanto, valor é tudo aquilo que tem preço, estima, agradabilidade e significado.


Jackislandy Meira de M. Silva, professor e filósofo.
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sábado, 8 de dezembro de 2007

A idéia de Deus em Anselmo de Cantuária


Anselmo de Cantuária (1033/1034 - 21 de Abril 1109), nascido Anselmo de Aosta (por ser natural de Aosta, hoje na Itália), e também conhecido como Santo Anselmo, foi um influente teólogo e filósofo medieval italiano de origem normanda.

Anselmo de Aosta parte da ideia de Deus de ser perfeitíssimo. Não existir somente na ideia, mas também na realidade. Parte-se do conceito de Deus para afirmá-lo.
Assim, o ponto de partida do argumento ou prova a priori de Anselmo é a ideia de Deus que nós temos no nosso intelecto, também o estulto do qual fala o Salmo (estulto é aquele que se diz ateu) tem em si a ideia de Deus, esta ideia é de um ser maior do que o qual nada se pode pensar. “Id quo magis cogitare nequit”, a ideia de ser perfeitíssimo. Esta característica de Deus como ser perfeitíssimo está no intelecto, porém na sua própria natureza está implícito o fato de que não existe só no intelecto porque se poderia pensar num outro ser que além de existir no intelecto existisse na realidade e então o primeiro não seria mais “Id quo magis...”, mas isso é contraditório, pois afirma e nega que Deus seja o ser maior do que o qual nada pode existir.
Em conclusão, partindo da idéia de Deus como ser perfeitíssimo está implícita nesta própria idéia o atributo e a característica da existência. Assim, Sto. Anselmo afirma que no próprio conceito de Deus como ser perfeitíssimo está incluída a prova de sua existência. Este argumento se chama a priori porque não parte das coisas criadas, mas do conceito de Deus que vem antes de todas as coisas criadas e que se encontra no sujeito, no eu do homem. Este argumento se chama também ontológico porque dá existência real de ser lógico. No próprio conceito de Deus se deve admitir a existência como elemento essencial desta perfeição.
O monge Gaunilon objetou o seu mestre no “Líber pro insipiente” que a ideia de Deus é conhecida pelos homens como e somente de forma genérica, não temos um conhecimento substancial dele. Em segundo lugar, Gaunilon afirma que eu poderia ter na minha mente a idéia das ilhas felizes cheias de delícias, mas não por isso esta idéia se concretizaria na realidade.
Deste modo, Gaunilon nega a legitimidade da passagem do plano lógico ao plano real. Padre Anselmo respondeu ao seu discípulo no “líber apologeticus” afirmando que o exemplo da ilha afortunada e perfeita não é adequado porque a passagem da idéia à existência real é possível somente em um caso, no caso da idéia de Deus como “Id quo magis cogitare nequit”, quer dizer somente no caso da idéia de ser perfeitíssimo.
A novidade de Anselmo para a Filosofia é o argumento a priori, ontológico ou a simultâneo. Sua Filosofia está como em Agostinho a favor da fé, a fórmula que ele usa é “Credo ut intelligam”, acredito para entender. Depois, outros filósofos acrescentaram a afirmação “intelligo ut credam”. Para Anselmo, a fé tem a primazia sobre a razão, o princípio da razão é a fé. A fé torna possível entender o sentido último das coisas, o objeto da fé por sua vez é abraçado em força do amor, o homem conhece porque ama, deseja conhecer sempre mais a realidade que ama. A fé desta forma não suprime a razão e a inteligência, mas é um princípio estimulante e vivificante. Na prova de Anselmo, o ponto de partida é a realidade de Deus que nós já possuímos por meio da fé e da tradição cristã, a razão se exerce como a ajuda a entender um dado já oferecido pela fé. Assim, o ponto de partida de Anselmo é a idéia de Deus apresentada em termos totalmente racionais (a idéia de ser perfeitíssimo), mas de fato herdada pela tradição cristã. “Fides quaerens intellectum”, a fé que procura a inteligência.

Jackislandy Meira de M. Silva, professor e filósofo.
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quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Todos somos chamados a ser filósofos... Aceite o convite!


Como podemos pretender, enquanto cristãos, possuir uma verdade última sobre o homem e sua finalidade e, ao mesmo tempo, buscar a verdade, o sentido da vida humana, também como filósofo?
Não confundir em nossa discussão os níveis filosófico e teológico. Por ora, tentemos somente ser filósofos. O convite se dirige a todos os filósofos e não-filósofos, disse uma vez um poeta francês Pèguy. Até porque o filósofo é aquele que luta contra todos os a priori, isto é, contra todos os “pré-conceitos”, uma vez que a Filosofia implica numa purificação – ascese da inteligência.
Se eu quero falar da visão beatífica, eu posso perguntar se a fé me é necessária. Isso é o que Tomás de Aquino quer dizer: “Se eu quero falar do homem eu tenho que saber o que é o homem”. Além disso, posso buscar na fé algo mais, algo que poderá me ajudar no esclarecimento do homem sobre a fé. A fé nos traz certezas, mas essas certezas não são evidências, e se não são evidências eu creio nelas, eu adiro a elas na obscuridade. Estou cercado de obscuridade no momento em que busco respostas na fé. No mundo terreno, a certeza da fé é obscura.
Tudo o que a nossa inteligência descobrir por si mesma, ela deve descobrir por si própria. A gente pode se interrogar diante das Escrituras sobre antropologia do homem nas Sagradas Escrituras. Existem níveis diferentes no processo do conhecimento, assim como um vôo do avião que durante o percurso faz diversas manobras variando níveis de subida e descida. Percebemos que há diversos níveis, mas vamos ser, agora, filósofos. Não que queiramos descer de nível, porém subir em busca da verdade. Segundo Pèguy, há pessoas que descem ao rio e há pessoas que remontam à fonte, há duas espécies de pessoas.
Agostinho nos propunha que é preciso amar perdidamente a verdade, não para possuir a verdade, mas para servir a verdade. Ser possuído pela verdade. O filósofo é aquele que serve e que luta contra todos os seus a priori. Eis, com isso, o itinerário do filósofo. Ver as coisas, tudo, pela primeira vez, como se fosse uma criança. Eu vejo o que você não vê. “O pintor é aquele que procura tornar visível o invisível”(Pintor Klee)... É você ver uma maçã como se nunca tivesse visto. Não é ter o olhar segundo, e sim o olhar primeiro.
Para sintetizar, não sei se me faço entender, mas aquelas três perguntas de Kant postas em sua Filosofia; Que posso saber? Que devo fazer? Que posso esperar?... Chegam até nós, hoje, motivando-nos a descobrir o sentido da vida, porque essas perguntas evidenciam a amplitude do estudo da Filosofia, pois esse estudo é mais do que qualquer ciência. Nenhuma ciência é capaz de questionar desta maneira e de respondê-las. Somente pela reflexão filosófica.

Jackislandy Meira de M. Silva, professor e filósofo.
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Em busca do ser...


O ser nos rodeia por toda parte, de modo que muitos são os caminhos para chegar a ele, que está sempre a nosso alcance, a despeito de não o perceberem os idealistas.
Duas noções afins: ser e ente. Uma definição de Tomás de Aquino explicita muito bem a afinidade: “ens est id cujus actus est esse” – “ente é aquilo que é puro ato de ser”. O ôntico e o ontológico. A coisa e o que a coisa é, ou seja, o objeto e o sentido do objeto. Uma coisa é o ser, outra coisa é o sentido pelo qual existe o ser.
Desde que o homem é homem, sempre buscou o sentido do ser, dos entes, das coisas em geral, muito embora estejamos ainda néscios diante do encontro com o verdadeiro ser das coisas. Ou não sabemos procurar ou não nos aplicamos em busca do ser. O fato é que o homem sempre pensou, buscou de alguma maneira o ser, mas, da maneira propriamente filosófica, começou a pensar na Grécia com Platão, Aristóteles... Os pré-socráticos.
Mais do que dizer o que as coisas são, na Filosofia, a gente se aproxima delas. Mas sempre há alguma luz para nos aproximarmos desta verdade do ser. É preciso que a gente esteja cego para não perceber, em nossa volta, a existência do ser.
O ser tem a ver com o conhecimento porque este é uma relação entre o sujeito cognoscente e o objeto conhecido. O ser conhecido ou cognoscível é posterior ao ser. O objeto pressupõe o ser da coisa, o idealismo. Cabe no ser uma notícia de objeto para sua manifestação. Com a idéia de ser e ente não há distinção, mas o ser é o que os entes têm em comum, e o ente é o sujeito de cada ser. “O ente é aquilo cuja forma ou realidade consiste em ser”(Tomás de Aquino). Portanto, ôntico é aquilo que diz respeito ao ente; ontológico é o que pertence ao conceito em torno ôntico do ente.
O ser é indefinível, ele é tão geral que não cabe ter uma definição. Deus é simples, nós é que somos compostos. Nós conhecemos a Deus pelo desconhecido. Do ser não há conceito genérico e nenhuma diferença específica. Dizer o que é o ser é cair numa tautologia, numa repetição de nomes. O ser no seu claro escuro ilumina os demais entes. O que é que todos os entes têm em comum? É o ser, a todo ente corresponde o ser. Portanto o ser é uno, nesta grande multidão.
O conceito de ser é o mais supremo e o mais abstrato, em consequência não lhe cabe um conceito, uma definição. Ao máximo, no limite, nós podemos chegar com o conhecimento. Situação limite no qual não posso passar, não posso avançar, um problemático misterioso. A primeira aporia com que nós topamos é algo que nos intriga, haja vista a aporia de Parmênides. Portanto, buscar o ser é uma procura intrigante.

Jackislandy Meira de M. Silva, professor e filósofo.
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segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Qual a sua imaginação sobre a origem da vida?

Numa ótica filosófica, o problema da origem da vida não vem dificultar a pesquisa científica, mas otimizá-la a ponto de ampliar suas perspectivas de descobertas, isto é, o problema permanece em aberto.
Nesse sentido, a vida tem como seu último princípio a alma. Agora, embora não havendo ainda explorado a natureza última desse princípio e a sua origem, uma coisa é clara: ela não pode ter origem da matéria, porque se fosse assim não se compreenderia porque apenas uma parte e não toda a matéria é dotada de alma. Precisa-se então admitir que a alma tenha origem de algo sublime, mediante a ação de um ser inteligente.
As recentes descobertas parecem confirmar essa hipótese. Que o homem consiga sintetizar a vida constitui um argumento a favor e não contra a tese de que alma surge mediante a ação de um ser inteligente: o homem, de fato, é um ser inteligente!
Quanto, porém, à modalidade seguida por aquele ser inteligente que por primeiro deu origem à vida (seja por criação direta ou indireta, por evolução, mediante intervenção programada ou mesmo por geração espontânea) se mantém um discurso opinável, do qual se sustenta não poder dizer a última palavra.
Do ponto de vista científico existem muitas aberrações teóricas tentando ser demonstradas como as mencionadas acima, e que não se sustentam enquanto desfecho do problema posto. A origem da vida é um tema que ainda não foi esgotado, embora haja especulações diversas, no entanto a teimosia humana em desvendá-lo e demonstrá-lo se põe à prova.
Reflita, meu caro, e tente dar a sua resposta à altura do problema.

Jackislandy Meira de M. Silva, professor e filósofo.
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domingo, 18 de novembro de 2007

O meu Deus em relação ao de Espinosa

Bento de Espinoza foi o terceiro filho dos judeus portugueses Ana Débora Sénior e Miguel d’Espinosa. Nasceu em 1632, em Amsterdã, Holanda. Durante muitos anos dedicou-se à produção de obras filosóficas voltadas para a Ética, Teologia e Política, vindo a falecer de tuberculose no dia 21 de fevereiro de 1677. Dentre as suas obras, destacam-se “Tratado da Emenda do Intelecto, o Breve Tratado” e o “Tratado Teológico-político”. Bastante inquieto contra as crenças supersticiosas de sua época por ameaçar a prática da Filosofia e a prática da liberdade, viu-se impelido a demonstrar um pensamento que desconstruiu toda uma concepção judaico-cristã de Deus, ou seja, ele desconstrói a nossa visão de Deus, inaugurando uma outra. É o que veremos...
O Deus que me fascina é o da tradição cristã bastante presente em todo o Ocidente, que se revelou extraordinariamente na pessoa histórica de Jesus de Nazaré, assumindo ainda algumas características do Deus todo-poderoso de Isaac, Jacó e Moisés, oriundo da cultura judaica.
Esse Deus é uno e trino. Uno porque salvaguarda o monismo de que só Ele é Deus, Criador e Senhor do universo, do mundo. Trino devido à sua mostração, enquanto encarnado definitivamente na história, por isso é pessoal e revela-se em três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo. Há em Deus uma consciência e uma vontade divinas. Pois o perfil desse Deus é eminentemente pessoal, catalisando n’Ele a salvação de todos os homens, como um télos para alcançar, um modelo a perseguir.
Resta-me ainda afirmar não só a Transcendência, mas também a imanência desse Deus no que diz respeito à sua presença em nós pela ação do Espírito Santo. Deus que está fora e, ao mesmo tempo, dentro de nós.
Assim como Nicolau Copérnico fez com o geocentrismo e Galileu Galilei com o telescópio ao observar imperfeições na lua, do mesmo modo o fez Espinosa em relação a Deus. Este em Espinosa é absolutamente imanente. Se Deus é o todo como pode estar fora do todo? Então, Deus não seria Deus. O Racionalismo absoluto de Espinosa, singularmente, é imanente porque é diferente de Malebranche, Leibniz, Kant e Descartes.
A diferença entre nós e Deus é apenas de potência. Segundo Espinosa, Deus não é criador, mas produtor da potência. O homem é o “modus” de Deus. Deus é impessoal e por isso não tem vontade e não pode escolher. Depreende-se disso que toda a noção cristã do Ocidente de Revelação e de Transcendência é eliminada, caindo por terra toda uma compreensão da ética cristã paradigmática.
Em Espinosa não há télos. Tudo é um constante devir comparável à força da natureza. A vida humana e divina se unem, não admitindo em si a dor e a paixão. Ele é ação pura, inalterável e infinitamente feliz. Nada de mais sublime do que o grito de alegria da natureza. Deus é a natureza. Tal como a natureza somos nós e Deus. Todas as coisas estão relacionadas à “causa sui” que é Deus, substância absoluta e necessária. Com isso, Deus é dinâmico, repleto de movimento porque é natureza.
Não há qualquer hierarquização de Deus em Espinosa devido à sua pura potência.
Finalmente, voltando ao conceito de Deus como natureza, nota-se que Deus está sempre se transformando, crescendo, movimentando-se. Deus não parou no sétimo dia para descansar, pois n’Ele não há motivo. Por quê? Não há motivo em Deus porque a sua essência é pura potência necessária de se produzir.

Jackislandy Meira de M. Silva, professor e filósofo.
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quinta-feira, 8 de novembro de 2007

O tempo...


O tempo é muito violento conosco. Digo isso porque com o passar dos segundos, minutos, horas, dias, meses e até anos, a gente envelhece, o cabelo embranquece, a pele enruguece e as dores teimam em querer ficar. Tudo parece passar e nada ficar, a não ser as dores. Mas, por dentro, algo toca muito bem o nosso íntimo, é a felicidade de amar. Amar é participar da grande alegria do outro. O outro que nos deixa muitas lembranças, apesar de toda a distância e de todo contratempo. Sim, talvez envelheceremos, ao menos, a vida concorre para isso. No entanto, sorrimos com a felicidade de viver que ainda transcorre em nossas veias. Nunca perderemos o brilho dos olhos, porque é a expressão de nossa esperança!
Há... O tempo! Este, sim, é motivo de reflexão. Pois, estando inerente às situações de nossas vidas é que ele nos provoca a isso. Agostinho de Hipona que viveu no séc. IV d. C., magnificamente o tratou sob o aspecto subjetivo, destacando mais a sua qualidade do que a sua quantidade: “Se ninguém mo perguntar, eu sei; se o quiser me explicar a quem me fizer a pergunta, já não sei. Porém, atrevo-me a declarar, sem receio de contestação, que, se nada sobreviesse, não haveria tempo futuro, e se agora nada houvesse, não existiria o tempo presente"
[1]. Já Aristóteles se deteve mais no aspecto quantitativo ou nas causas aparentes do tempo, o que o levou à famosa definição ligada ao instante, pois seria uma duração segundo um antes e um depois.
Ora, tanto Agostinho quanto Aristóteles mostraram suas preocupações humanas em pensar o tempo, o que não é uma tarefa fácil, pois o tempo a todo instante parece nos escapar. Esta foi uma observação não menos genial de Agostinho nas suas Confissões, quando afirmou que o tempo ao simplesmente existir é que ele, de fato, tende a não mais existir.
Diante dessas reflexões acerca do tempo, podemos pontuar um aspecto, digo, mais intenso do tempo que implica diretamente na tentativa de sermos mais felizes ou um pouco menos infelizes, se assim quiserem. É o aspecto do presente no tempo que, diferentemente do passado e do futuro, parece conter com mais intensidade o conteúdo magnífico de viver, pairando no tempo um sabor de eternidade, tornando-o mais leve e cada vez mais ameno.
Nessa direção, observa um filósofo contemporâneo, André Comte-Sponville
[2] que o presente permanece presente, de modo que a única coisa que nos autoriza a afirmar que o tempo é, é que ele não cessa de se manter. É o que Spinoza[3] define como duração: não a soma de um passado e de um futuro, que só tem uma existência imaginária, mas a continuação indefinida de uma existência, em outras palavras, a perduração do presente.
Meus caros, com esse pensamento, passeamos por alguns instantes nos meandros do tempo, compartilhamos alguns minutos de eternidade. Acreditamos que o que segura, o que sustenta o tempo é o presente, ou seja, a eternidade. E eternidade aqui entendida como salvação mesmo, pois não há nada mais absurdo do que esperar a eternidade, uma vez que é preciso estar nela já, viver nela já, experimentando o tempo como presente. Mas, não confundamos presente com imobilidade, inércia. Aí já é uma outra história, um outro pensar...

Jackislandy Meira de M. Silva, professor e filósofo.
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[1] AGOSTINHO. As Confissões. Os Pensadores. São Paulo, SP: Nova Cultural, 1999, pp. 322.[2] A Felicidade, desesperadamente. São Paulo: Martins fontes, pp. 93.[3] Ética, II, definição 5. Ver também O ser-tempo, pp. 59s.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Amor Fati(amor do momento presente, do "destino")


Meus caros leitores, a expressão do título sugerido foi polidamente cunhada pelo filósofo Friedrich Wilhelm Nietzsche, nascido em Röcken, Alemanha, no dia 15 de outubro de 1844, onde desenvolveu grande parte de seu pensamento voltado para a superação dos limites humanos, vindo a falecer com apenas 56 anos de idade no dia 25 de agosto de 1900, em Weimar.
Conhecido popularmente por Nietzsche, esse filósofo contemporâneo depois de quase um século e meio da existência de seu pensamento, ainda nos convida, hoje, a viver de tal modo que nem os arrependimentos nem os remorsos tenham mais nenhum espaço, nenhum sentido em nossas histórias. O critério agora, para ele, é resgatar alguns momentos de alegria, sem dúvida, de amor, de lucidez, de serenidade... Que eu possa me exercitar em refletir nos momentos de minha vida, utilizando o critério do eterno retorno? Por que não? Mas como isso pode me salvar dos medos e dos ressentimentos? Isso, de fato, pode ser a saída para a insegurança? Qual a relação que isso tem a ver com as minhas angústias do ponto de vista da finitude humana?
A razão dessas e de outras perguntas fazia Nietzsche se debater consigo mesmo, a tal ponto que o levou a desenhar uma noção fundamental de superação, de poder mesmo sobre os problemas referentes ao passado e ao futuro que impediam o homem de viver realmente o presente, de amar o presente com toda carga de eternidade. É a noção de eternidade que pode nos mostrar o caminho, a saída para as alegrias da vida, cultivando elementos tão caros ao cristianismo – o que para ele soava estranho, no entanto era preciso admitir –, ter fé e cultivar o amor.
“Ah! Como não me consumiria de desejo de eternidade, de desejo do anel dos anéis, do anel nupcial do Retorno? Ainda não encontrei a mulher de quem eu quisesse filhos, a não ser esta mulher que amo, pois eu te amo, ó eternidade! Pois eu te amo, ó eternidade!”[1]
O amor do que é no presente exige, antes de tudo, fugir do peso do passado, assim como das promessas do futuro. É o que vai afirmar, com seus próprios meios, o velho Nietzsche, de modo esplêndido e magnífico:
“Minha fórmula para o que há de grande no homem é o amor fati: nada desejar além daquilo que é, nem diante de si, nem atrás de si, nem nos séculos dos séculos. Não se contentar em suportar o inelutável, e ainda menos dissimulá-lo – todo idealismo é uma maneira de mentir diante do inelutável - , mas amá-lo”.[2]
Não desejar nada, a não ser aquilo que é! A expressão poderia ser assinada por Epicteto ou Marco Aurélio – aqueles de cuja cosmologia ele não se fatigou em zombar. No entanto, Nietzsche insiste, como neste fragmento de A Vontade de Poder:
“Uma filosofia experimental como a que vivo começa suprimindo, a título de experiência, até a possibilidade do pessimismo absoluto... Ela quer antes atingir o extremo oposto, uma afirmação dionisíaca do universo tal como ele é, sem possibilidade de subtração, de exceção ou de escolha. Ela quer o ciclo eterno: as mesmas coisas, a mesma lógica ou o mesmo ilogismo dos encadeamentos. Estado mais elevado a que possa um filósofo atingir: minha fórmula para isso é o amor fati. Isso implica que os aspectos até então negados da existência sejam concebidos não apenas como necessários, mas como desejáveis...”[3]
A grosso modo, o que esse filósofo quer dizer é que devemos esperar um pouco menos, lamentar um pouco menos, amar um pouco mais. Nunca permanecer nas dimensões não reais do tempo, no passado e no futuro, mas tentar, ao contrário, habitar tanto quanto possível o presente, dizer-lhe sim com amor(numa afirmação dionisíaca, diz Nietzsche, referindo-se a Dioniso, o deus grego do vinho, da festa e da alegria, aquele que, por excelência, ama a vida).


[1] Zaratustra, III, “Os sete selos”.
[2] Ecce Homo, “Por que sou tão sábio”.
[3] Tradução Bianquis, II, Introdução. Parágrafo 14.


Jackislandy Meira de M. Silva, Professor e Filósofo.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Heidegger e a questão do ser...

(Martim Heidegger nasceu no dia 26/09/l889 em Messkinch, Alemanha, onde sua família já estava radicada há vários séculos. Com o passar dos anos tornou-se um dos filósofos mais importantes do século XX, vindo a trabalhar como Professor honorário até a morte, em 26/06/l976).

Há muito que a Filosofia se pergunta pela questão do ser. O que significa o ser? Em Parmênides encontramos a definição lapidar: “Pois existe o ser”. Também Aristóteles em sua Metafísica propõe a questão do ser. Pergunta-se sempre somente pelo ente com referência ao seu ser. Quando questionamos o ente assim como ente, vemos não em relação ao fato de ele estar simplesmente presente, por exemplo, como uma cadeira, uma mesa ou uma árvore, mas sim como ente: vemos, pois em relação ao seu ser. Esta é a questão fundamental de toda a Metafísica[1].
Para Heidegger, fora do ente não há ser. O ser não é o ente, mas o ser do ente. Afirma pensar o ser como tal: o ente enquanto ente. Enquanto o que é se identifica com o ser. Ser enquanto ser.
A Analítica existencial de Heidegger tem uma estrutura ontológica da existência que desconstroi a tradicional concepção metafísica da subjetividade, por meio de uma verdadeira compreensão dos aspectos da Existência, da Facticidade e do Ser-no-mundo.
A existência do ponto de vista geral é o que está aí. Um fato bruto e incondicionado de estar presente, o Dasein. No sentido humano é vida, biologia, biografia. Narrativa dos acontecimentos da vida decidida, a história como o modo de ser humano na sua temporalidade(passado, presente, futuro). Heidegger admite aqui uma quarta instância do tempo: o agora como transcendência intra-temporal, incluindo o homem, de modo a ser o horizonte possível através do qual podemos compreender a existência.
A temporalidade nos permite compreender o ser na sua totalidade, enquanto conjunto de todas as possibilidades. Assim, é inevitável a influência do tema morte nessa discussão, porque ela está o tempo todo atrás de nós mesmos. A morte é constituição ontológica, pura possibilidade. Existe aqui a possibilidade da impossibilidade, a morte. Somos todos constituídos como um ser pra morte desde sempre.
A respeito da facticidade em Heidegger, permite-nos sublinhar que se opõe a factualidade porque é um projeto lançado de tal e tal modo(“meu já-ser”). Ser-no-mundo, e não no ar, mas numa conjuntura. O ser humano como pura compreensão de ser. Um ser posto pra fora. Lançado(Dasein) significa ser o “aí” do ser, presença e abertura de ser ou estar voltado para o ser.
A compreensão do Ser-no-mundo nos leva à estrutura ontológica fundamental do Dasein. Toda a história da Metafísica considerou a diferença metafísica entre os entes. Fundacionismo como onto-teologia. Assim, não se pensa o ser em si mesmo. Fizeram do ser um ente. Deus não é um ser, porém um ente que contrapõe a outros entes.
Destarte, observamos que a desconstrução do ser feita por Heidegger constitui o pulsar de sua Filosofia ao afirmar que o ser é abertura e pura possibilidade de ser.
Ser pura possibilidade significa ser coisa alguma, nada. Pura nulidade. Por que ser possibilidade incomoda? Por que ser finitude incomoda? Se somos um conjunto de nossas possibilidades, e a mais radical e extrema é a morte, significa dizer que a morte é luz da compreensão de todas as totalidades. O ser pra morte constitui o guia de compreensão do ser. Antecipar-se à morte. Viver como mortal. Assumir-se como mortalidade já. Serenidade!
Dessa forma, pontua-se aqui o que é Análise da existência própria. Analisar os existenciais. Heidegger contrapõe os existenciais às categorias. Os existenciais são os modos possíveis de ser. A essência do homem consiste em não ter essência. A essência é o que já era ser para Aristóteles, equivalente aqui à idéia, “eidos”. Do ponto de vista da existência, a essência é pura possibilidade, pode ou não existe. A essência independe da existência.
O ser homem consiste em nunca ser. “Ek-sistencia” – ser pura compreensão do ser poder-ser, o ainda não-ser.

Jackislandy Meira de M. Silva, Professor e Filósofo.
[1] Cf. HEIDEGGER, Martin. Seminário de Zollikon. São Paulo: EDUC; Petrópolis, RJ: Vozes. 2001, p. 142-143.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Um momento de oração...

Tentar descrever amiúdes um momento tão profundo como este chega a ser quase impossível, não só pelo ambiente de silêncio que me envolve, mas também por vãos pensamentos que procuram me assaltar neste instante, o qual não parece ter fim porque a alma anseia desejosa e naturalmente para Deus, calando-se cada vez que a comunhão se torna maior e mais intensa, onde os brados de aleluia e glória a Deus dão inevitavelmente lugar ao gemido da alma que beira ao silêncio para uma promoção verdadeira de paz espiritual. Com isso, o clima de oração e escuta da Palavra de Deus é tão forte que não se dilui frente às distrações e preocupações circunstanciais do presente.
Encontro-me, certamente, num lugar de oração, mais precisamente num templo, bombardeado pelos ideais e por problemas cujo sentido não vejo. A realidade da convivência social é, por vezes, massacrante, dolorosa, porém desafiante, encorajadora. Entendo que desse conflito existencial brota uma real, e não menos convicta, necessidade de vitória porque algo muito maior subsiste neste cerco explorador de consciências. Não poucas vezes, a proximidade da família, dos amigos, dos irmãos de caminhada me parece ser a saída ou a resposta para uma série de problemas. No entanto, há uma grande diferença entre parecer e ser, uma vez que quando se está perto está longe e, quando longe, perto está. Não são duas realidades que se equivalem, do mesmo peso é claro, mas a necessidade de ser o que realmente se vive extrapola todas as contradições fora ou dentro de um momento de oração. A questão é, se quando oramos, estamos de fato longe ou pertos de Deus?
Acima de qualquer assertiva está sublinhada em minha vida ou na vida de quem quer que seja, muito embora não admita ou não venha a reconhecer, a beleza de um valor diferente de todos os outros, a amizade com Deus que se realiza num momento íntimo de oração. Eis que receber o toque de Deus em minha miséria humana é a maior responsabilidade de que homem algum jamais poderia hesitar em receber sobre a terra. Responsabilidade que não se esgota em simples palavras ou ações, mas que se eleva e transcende na experiência do amor a Deus, na pessoa de Cristo. Jamais me esquecerei dos momentos especiais de oração que travei com Deus, pois eles são experiências riquíssimas de superação das minhas dúvidas e debilidades como também de crescimento a uma situação de pertença ao Criador, Redentor, Consolador e Consumador da História da Salvação.
Penetrar na sublimidade da vida de Cristo ressuscitado, vencedor da morte, eis o meu maior desejo e meu maior Bem, muito embora tenha limitações, decorrentes das condições de um ser criado e passivo de pecado. Amando a Cristo, entrego-me ao Pai no poder de seu Espírito, a Ele Glória pelos séculos dos séculos, Amém!!! Acompanhado da união doxológica é que ponho a termo essa reflexão de intimidade para com meu querido Deus, verdadeiro e único, fiel e pessoal.

Jackislandy Meira de Medeiros Silva, Professor e filósofo.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

DA BAJULAÇÃO

Vez por outra as pessoas são assaltadas pela balbúrdia da bajulação em ambientes intensamente sociais; mercado público, feira livre, supermercados, escolas, igrejas, sindicatos, Bancos, praças, festas, ruas e avenidas da “urbes”(cidade)... Umas até se incomodam com o estranhamento suportável das trocas de abraços e apertos-de-mão infindáveis que mais parecem exigência dos cargos públicos que ocupam ao invés de cumprimentos sinceros entre amigos. Outras são inteiramente incapazes de estranhar tal diferença, uma vez que se deixam envolver pela falsa necessidade de tanta lisonja, adulação e puxa-saquismo que saltam aos seus olhos, muitas vezes ingênuos e puros, mas interessados em compartilhar, não se sabe por que, da descarga de uma verborragia barata dos cordões políticos.
Mas, assim como a vida, a ingenuidade ou a pureza ou os interesses da adulação têm seus limites, têm seus dias contados! O limite da vida é a morte, o da bajulação é a sensatez, o amor próprio e o compromisso com a verdade. Acredita-se que só o pacto com a verdade é mais honrada e mais elevada que a amizade: “Amicus Platô, amicus Sócrates, sed amica veritas”(Aristóteles) – Amigo Platão, amigo Sócrates, mas mais amiga é a verdade. Ninguém é tão forte que possa resistir aos apelos da verdade para si e para os outros, sobretudo no mundo político, pois aqui e acolá, apesar da sua vida exposta, a verdade dá sinais de sobrevivência, haja vista o escândalo de corrupção do atual Presidente do Senado, Renan Calheiros. Alguém jamais conseguirá, embora forte política, social e economicamente, a todo instante, viver disfarçado de certinho, bonzinho e amável à custa de abraços, beijos e aplausos, encoberto pelas bajulações de algumas pessoas que beiram ao ridículo. Lembre-se, Jesus fora traído com um beijo!
“Todos te aplaudem, tudo bem, isto que é vida” afirma a Bíblia, no Livro dos Salmos. Ora, esta é a grande vantagem para aqueles que gozam do exercício do poder, servir-se do banquete do “status”, cujo alimento é regado à base de muita adulação para todos os gostos. Em virtude disso, corre-se o risco da autoridade pública ficar dividida entre o pleno cumprimento da justiça e a doce satisfação em atender aos caprichos de seus bajuladores, fiéis protetores que seguem à risca os fracassos e os desmandos de tal autoridade, ignorando a democracia e a sensibilidade à crítica, uma vez que todos são passíveis à crítica para o perfeito desenvolvimento de seus serviços.
Permitiu-se, desde muito tempo, inclusive na Grécia antiga, nos dias de Sócrates até hoje, na esfera política do mundo inteiro, abrir-se uma chaga chamada bajulação que, não tomada como arte da persuasão ou artifício para as negociações de caráter ético, passa a maquiar a personalidade dos representantes do povo, falsificando a autenticidade dos discursos, das idéias e das verdadeiras ações destes em relação aos seus subalternos e aos demais.
Platão, no seu diálogo Górgias, destacou que a Retórica é apenas uma parte da adulação, isto é, um simulacro de uma parte da política. Retórica, adulação e política estão intimamente relacionadas porque buscam a satisfação do bem-estar e do engano, descomprometidas com a verdade, ao passo que a Filosofia estava sempre interessada pelo exercício da sabedoria, da verdade e da justiça[1]. Nessa época, Platão contrapõe Filosofia à política, o que não vai acontecer com a Filosofia Moderna, ambas estão eminentemente ligadas, basta ler a teoria do Príncipe em Maquiavel.


Jackislandy Meira de M. Silva, Professor e Filósofo.

[1]Cf. PLATÃO, Górgias, 463a – 464a.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Visão de mundo II.

Na verdade, o homem se enfraquece diante de um mundo que perdeu a fé, desmotivou a unidade, encarcerou o social, secularizou o que quis, fortalecendo uma abertura quase completa para o individualismo, o sectarismo, o existencialismo e idealismos sem finalidade alguma. Ele se confunde consigo mesmo e não é capaz de levar adiante algo começado, pois as escolhas são muitas dentro de um mundo aproveitador, permeado de vantagens descrentes e decrescentes, como também de valores invertidos ou simplesmente sem valores.
Por isso, não há quase quem perceba mais um significante homem feliz, transbordando de otimismos e de esperanças fundamentais, cuja capacidade está em reconhecer e amar o Infinito, o Eterno, o Absoluto, o Imortal, o Deus Salvador, mas também Criador e Onipotente. Esta complementação do homem puramente racional com aquele puramente religioso desvaneceu-se ou diluiu-se nas artimanhas ativistas, inconscientes e automáticas do homem moderno e contemporâneo que não vê mais nenhuma identificação ou relação de sua vida com este Absoluto, com esta Força propulsora e espiritual convidativa, o próprio Deus.
A identificação do homem com seu próprio ser consciente e atuante, sobretudo espiritual, é a base sólida para a superação de muitos problemas encontrados no relacionamento político.
Nunca é tarde para aquele que está acordado em meio a tantas impiedades e desavenças entre um e outro ser, dotado de inteligência e discernimento. Não devemos querer resolver nossas dificuldades e suprir nossas necessidades imediatamente, porque a briga e a rivalidade são destruidoras de dignidade neste sentido, e quando você toma uma posição diferente, espera com paciência ou age com solicitude, nada é desesperador, mas pelo contrário, as coisas acontecem com a maior facilidade possível. Hoje, falta exatamente esse rigor coerente, lógico, transparente e evidente: “Quem não vive como pensa, termina por pensar como vive”(Paul Burger). Pois, se isso não é possível acontecer, sempre iremos reclamar, amargurar, recalcar, chorar e cair, ao invés de agradecer, fortificar, progredir, cantar e levantar.
É estremecedor e magnífico ao depararmo-nos com alguém que é capaz de externar um sorriso, uma palavra amiga, um abraço e um carinho merecedor sempre e em toda parte. Percebemos que existe alguém satisfeito por razões diversas próprias e, talvez, jamais explicada sua felicidade. Com certeza, ela foi conquistada aqui e será aperfeiçoada depois, só nos resta saber como isso se torna, também, realidade em nós. Pois, somente uma vida feliz e cheia de sentido interno poderá livrar-nos das amarras e dos condicionamentos mais desagradáveis e ameaçadores já existentes.

Jackislandy Meira de M. Silva, Professor e Filósofo.

Visão de mundo I.

Os fascínios pela natureza, a busca de realizações profissionais, os trabalhos, os meios de comunicação de massa, as instituições multiformes, a corrupção na política, a realidade virtual... Tudo isso condiciona o homem a mudar de opinião, de valores e de finalidade existencial.
A condição humana, a meu ver, é limitada e finita. E quando muitos não tomam consciência de sua finitude, acabam por cair num vazio irreversível ou num pessimismo doentio. Isso pode gerar catástrofes e crises existenciais jamais solucionadas pela força de vontade e pela capacidade do próprio ser humano. A não ser que ele tome impulsos inovadores rumo ao infinito, ao ilimitado, ao eterno, ao absoluto que é o próprio Deus.
Toda essa faceta existencial é envolvida e mobilizada por uma relação inquietante, cheia de futilidades, repleta de artimanhas e de jogo de cintura, a política. Esta nasce de uma necessidade cortante, séria e integrante da própria sociedade humana, bastante racionalista, por vezes conflitante.
As necessidades dos seres ditos racionais e conseqüentemente suas condições possíveis de realização os fazem perceber e detectar um aparato de exigências em toda parte que implicarão na realidade circunstancial de cada um. Daí acarretam-se, para o homem político, responsabilidades conscientes em suas decisões e em seus compromissos. Às vezes, o ato consciente e firme não é efetuado, surgindo de contradições graves que vão de encontro a si mesmo e ao bem estar da própria sociedade política, quando esta não está preparada para tal atitude.
Então, estas efetivas atitudes não conscientes, por vezes destruidoras, tanto subjetiva quanto objetivamente, proporcionam expressões, preconceitos ou atributos endereçados ao próprio homem como animal laborans , “animal” somente, “bicho”, “burro”, “alienado”, “manipulado”, “dominado”, “controlado” ... Rótulos diversos e desproporcionais à altura de quem quer que seja ou até à altura de um ser que, acima de tudo, vive, constrói, comunica, ama...
É fácil imaginar ou deixar que isso pudesse acontecer numa realidade cujo objetivo é fabricar, é produzir, é concorrer, é dividir, é dessacralizar, é afastar um do outro a possibilidade de viver digna ou humanamente. É a busca exacerbada do lucro, do ter e do poder. É a espécie humana milionária, empresariada e corrupta que desvincula a vida de uma grande multidão faminta, revoltada e assalariada. É realmente uma minoria que revolta e explora tantos sedentos por direitos como: justiça, paz, solidariedade e uma história mais participante e integral, total. Onde todos tenham seu espaço, sua contribuição criativa junto à sociedade política.
Muitos não agüentam mais esperar por melhores dias, por melhores empregos, melhores escolas, melhores construções artísticas, melhores criações. E o que acontece? Eles correm contra o tempo de suas existências, onde o que vale é o ativismo, a atividade esmagadora sobre si mesmo e sobre os outros. Não se interessam mais por um trabalho que se perpetue, nem por uma vida curiosa pelo estudo, pela contemplação. Não acreditam mais em si mesmos, em suas virtudes, a autoconfiança foi esquecida, lembrando apenas e tão somente do marketing e de ideologias baratas, descartáveis e insignificantes. Alguns se detêm na perspicácia de um olhar distante e esperto perante os fatos e percepções enganosas, porém muitos desviam este olhar cauteloso e arguto, que pode trazer a felicidade, para outros olhares obscuros, rápidos e imediatos que podem trazer o mal, a violência, a guerra e a morte desnecessárias.

Jackislandy Meira de M. Silva, Professor e Filósofo.

domingo, 19 de agosto de 2007

A Liberdade Cristã.

Quando ainda estudávamos no ensino fundamental, antigo primário e ginásio, nossos professores de ciências costumavam afirmar que somos, enquanto seres humanos, compostos de um corpo e de uma alma, repletos de vontade, inteligência e liberdade. Sim, de fato, o somos de verdade, mas na Filosofia aprendi que essas duas instâncias da pessoa, do indivíduo, segundo o pensador Grego Aristóteles, do séc. IV a.C., são respectivamente matéria e forma, constitutivos básicos da natureza humana. Na dimensão material ou sensitiva estão presentes os cinco sentidos: olfato, paladar, tato, audição e visão, representando assim os sentidos externos do homem para perceber a realidade por fora. Ao passo que na dimensão formal existe a função das faculdades internas, vontade e inteligência que interagem entre si produzindo assim a liberdade, responsáveis por sentir a realidade por dentro. Com isso, nossas vontades podem ser postas em ação pela liberdade à luz da razão, isto é, da inteligência.
Ora, na Teologia aprendi que tudo isso, fruto da especulação filosófica, é nada mais nada menos que Dom de Deus, é pura graça divina termos os sentidos externos e as faculdades internas em nossa vida à nossa disposição, de podermos usufruir de um corpo e de uma alma para uma existência sadia. É claro que não os possuímos por suficiência nossa, mas por gratuidade divina. Foi Deus quem nos deu de presente esses dons. Lá na Criação Ele nos fez livres e viu que tudo era muito perfeito(bom), até colocar-nos à prova dizendo com autoridade: “De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore da ciência do bem e do mal, dela não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás”(Gn 2. 16-17). Mas, teimosamente o homem comeu do fruto proibido!
Daí, abrimos mão de tão preciosos dons na medida em que fomos tentados por satanás no Jardim do Éden e desobedecemos à ordem de Deus comendo do fruto da árvore. A natureza humana, devido ao pecado da desobediência de nossos primeiros pais, encontra-se inclinada ao mal. As nossas vontades agora estão destinadas a serem seduzidas pelo pecado comprometendo a força da inteligência em nós e conseqüentemente a ação do livre arbítrio, pois a liberdade só acontece pela permanência do homem em Deus. Além de escolher a que caminho seguir é preciso também permanecer nele. Antes, o querer, o pensar e o agir concorriam único e exclusivamente para o Bem, Deus, que estava presente naturalmente em nossas vidas. Com a chaga aberta pelo pecado em nossa natureza, precisamos buscar a Deus constantemente senão estamos perdidos.
Tanto é que, no desdobrar da História da Salvação, Deus vai sempre ao encontro do homem para socorrê-lo, através da sua Palavra e da sua ação Poderosa, sem jamais o abandonar, até que envia o seu Filho Jesus Cristo em nosso meio para elevar definitivamente a nossa natureza decaída pelo pecado de Adão, mostrando-nos a possibilidade de um novo Adão em nossas vidas. Mas, se quisermos, é claro, conforme a nossa liberdade. Até porque Deus respeita a nossa liberdade para arcarmos com as conseqüências de nossos atos.
No entanto, para sermos novamente livres em Deus, o critério agora é Cristo, a misericórdia em pessoa, caracterizando-se como o único e verdadeiro Caminho de acesso ao Pai: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim”(Jo 14. 6). Deveríamos agradecer sem cessar a Deus por nos conceder novamente uma abertura para a verdadeira liberdade. Só nos resta desejar ardentemente o Bem em nossas vidas que, de fato, a graça de Cristo pela sua morte nos ajudará a tomarmos posse de tão grandioso Bem, a comunhão com Deus.
Se pensamos que, ao nos dirigirmos demasiadamente para as bebidas, ao nos afogarmos nas drogas, ao nos entregarmos ao sexo desmedido, ao mergulharmos no consumismo ou na violência familiar e urbana, ao vivermos no pecado e no erro, estamos agindo livremente, é um grande engano. Pois esse é o caminho contrário ao de Cristo, uma vez que nos arrasta para a destruição e a morte, traindo a ordem de Deus instaurada em nosso interior, repleto de vontade e inteligência para servir e conhecer a Verdade divina, de modo que, ao escolher o pecado, o homem rompe com a sua integridade física, psicológica e espiritual, atrapalhando sua verdadeira amizade com Deus, como afirma João 8. 31, 32, 36: “Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente, sereis meus discípulos e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente, sereis livres”.


Jackislandy Meira de M. Silva, Professor e Filósofo.

domingo, 5 de agosto de 2007

Bendito seja Deus...

Bendito seja Deus...
Bendito seja o seu santo Nome agora e para sempre pelos séculos dos séculos. Amém.
Querido Deus, a Igreja Assembléia de Deus em Florânia tem me chamado bastante atenção no que diz respeito à Unção do Teu santo Poder, à vida intensa no Espírito e na força da Palavra de Deus de todos os seus congregados. É a vida em Cristo que, de fato, importa para essas pessoas. Cristo que irradia paz e poder às pessoas para superar seus problemas e efetivar seus propósitos, pois Deus é fiel e cumpre todas as suas promessas. Não foi diferente no decorrer da História da Salvação para com o seu povo e para com Cristo, por que haveria de o ser hoje? Deus continua se revelando, mostrando-se na história e na vida das pessoas de nosso tempo, em denominações cristãs sérias por tratar o Nome de Deus com dignidade e honra.
Sendo assim, a minha posição de convertido tem a dimensão de querer mesmo voltar aos braços do Pai, segundo a parábola do filho pródigo (Lc. 15. 11-32). É esta volta que caracteriza a minha alegria de poder comungar da Glória de Deus, ainda mais sabendo que jamais passará: “O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar”(Mt. 24, 35). Não há alegria como essa, a de poder participar das palavras e da vida de Cristo tendo a certeza de que são eternas, uma vez que temos a segurança de que Deus está conosco todos os dias até a consumação dos tempos(Cf. Mt. 28, 20). Tenho buscado muitíssimo uma quietude no coração, mas acabo de perceber que esta quietude, esta paz só pode vir do Senhor Jesus Cristo. É Ele o meu porto seguro. É n’Ele que devo colocar toda a minha confiança.
Sem saber ainda ao certo o que Deus quer conosco, eu e minha esposa somos gratos a Deus por nos abrir uma porta de acesso a Ti, pois estamos cada vez mais próximos de Ti, orando, meditando e vivendo da Tua Palavra, ó Pai. Como é agradável e suave uma vida que caminha sob os Teus olhos, ó Pai. Mas temos a certeza de que preparas um plano maravilhoso para nossas vidas com saúde, trabalho, alegria, filhos.... Bendito seja Deus por tudo em nossas histórias... E que continue a soprar o hálito da vida em nossas vidas assim como soprastes lá em Adão, por Jesus Cristo, seu amado filho, na força consoladora do Espírito Santo, Amém. A paz de Jesus para todos.

Jackislandy Meira de M. Silva, Professor e Filósofo.

terça-feira, 3 de julho de 2007

Tomada de Reflexão Filosófica.

O Professor Dr. Markus Figueira da Silva, do núcleo de Pós-Graduação em Filosofia Metafísica da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, numa de suas aulas, mencionou a Antropofagia Metafísica de Oswald de Andrade, organizador da Semana de Arte Moderna de 1922, que não é a fome essa necessidade física de levá-lo a comer alguém ou outra coisa(canibalismo), mas a força ou o poder de superação da força do outro, caracterizando assim, a Metafísica verdadeira do antropófago. A força é que é a comida de fato. É a afirmação, mas não a negação de alguém que lhe motiva a participar da alegria do outro, pois é afirmando o outro que afirmo a mim mesmo. Superando-me, supero o outro que também se supera. Crescendo, faço crescer o outro. Enriquecendo-me, enriqueço também o outro e assim por diante, como numa relação positiva de forças para o progresso saudável da ciência e da humanidade, lembrando nesse caso o próprio Immanuel Kant em A paz perpétua, ou ainda, para o desenvolvimento das potencialidades humanas. Salvaguardando a idéia de que toda competitividade é sadia desde que esteja orientada sob essa perspectiva.
Nesse aspecto, pode-se muito bem fazer uma analogia com Nietzsche em relação ao Super-homem que é a superação pela afirmação da vitória do outro, tornando evidente para nós a figura poderosa do Super-homem, não provocando, de modo algum, indignação, blefes e ressentimentos. Pois, de certa forma, é uma contribuição louvável de Oswald de Andrade para o aprimoramento dessas idéias filosóficas que retira o homem da inércia ou de uma vida sem sentido, dando-lhe apoderamento de si mesmo, consciência de sua força para superar as próprias limitações. Seria uma espécie de se auto-apoderar para o desenvolvimento de si mesmo.
Com esse pano de fundo teórico filosófico, vamos deslumbrar algumas passagens do Manifesto Antropófago de Oswald de Andrade:
Só a Antropofagia nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente. Única lei do mundo. Expressão mascarada de todos os individualismos, de todos os coletivismos. De todas as religiões. De todos os tratados de paz...
Tupi, or not tupi that is the question ...
Só me interessa o que não é meu. Lei do homem. Lei do antropófago...
Contra todos os importadores de consciência enlatada. A existência palpável da vida. E a mentalidade pré-lógica para o Sr. Lévy-Bruhl estudar...
Romantismo, à Revolução Bolchevista, à Revolução Surrealista e ao bárbaro tecnizado de Keyserling. Caminhamos...
Contra o Padre Vieira. Autor do nosso primeiro empréstimo, para ganhar comissão. O rei-analfabeto dissera-lhe: ponha isso no papel mas sem muita lábia. Fez-se o empréstimo. Gravou-se o açúcar brasileiro. Vieira deixou o dinheiro em Portugal e nos trouxe a lábia...
Morte e vida das hipóteses. Da equação eu parte do Cosmos ao axioma Cosmos parte do eu. Subsistência. Conhecimento. Antropofagia...
Nunca fomos catequizados. Fizemos foi carnaval. O índio vestido de senador do Império. Fingindo de Pitt. Ou figurando nas óperas de Alencar cheio de bons sentimentos portugueses...
Já tínhamos o comunismo. Já tínhamos a língua surrealista. A idade de ouro...
Perguntei a um homem o que era o Direito. Ele me respondeu que era a garantia do exercício da POSSIBILIDADE. Esse homem chamava-se Galli Mathias. Comia...
Só não há determinismo onde há mistério. Mas que temos nós com isso?
A alegria é a prova dos nove...
Chegamos ao aviltamento. A baixa antropofagia aglomerada nos pecados de catecismo – a inveja, a usura, a calúnia, o assassinato. Peste dos chamados povos cultos e cristianizados, é contra ela que estamos agindo. Antropófagos....
Contra a realidade social, vestida e opressora, cadastrada por Freud...
Jackislandy Meira de Medeiros Silva, Professor e filósofo.

segunda-feira, 18 de junho de 2007

A maior parte dos políticos brasileiros não goza de muito prestígio e confiabilidade por parte da população

A população brasileira está saturada de corrupção, de descaso e, mais ainda, de rejeição, devido à irresponsabilidade de seus políticos. Ela oscila de acordo com os interesses de seus representantes. Estes são a minoria do país e sobrevivem às custas dos mais pobres, dos trabalhadores assalariados, que são a maioria desta sociedade. Sem dúvida, a maior parte de nossos políticos acumula altos cargos e riquezas em decorrência da falta de politização de nosso povo.
A estrutura sócio, administrativa e política do Brasil está falida porque é indiferente aos gastos absurdos e desnecessários dos altos escalões do governo. Muito preocupa o despreparo dos administradores que assumem cargos eletivos sem nenhuma experiência de gerenciamento das instituições governamentais ou que são imparciais nas decisões ministeriais, criando assim sérios problemas no setor aéreo brasileiro - o apagão aéreo, crise dos controladores de vôo -, como também na Petrobrás com o famoso caso Evo Morales da Bolívia. Enfim, somamos a isso, a sonegação de impostos, a má distribuição de renda “per capita” do país e a carência de investimentos no setor interno da produção. De fato, sem um compromisso sério com a infra-estrutura do país e sem fazer as reformas necessárias como a reforma política, a da previdência social e a jurídica, a sociedade entra em declive total, não confiando em seus líderes e não alimentando suas esperanças de mudanças.
Portanto, lutamos e cobramos dos representantes políticos, melhores condições de vida, sobretudo, na base interna do país: educação; agricultura; saúde; moradia; bem-estar social; saneamento e desenvolvimento. Certamente, deste ambiente nascerá um povo menos alienado e mais politizado sobre os problemas que o afligem, dificultando o suborno e a impunidade de nossos políticos.

Jackislandy Meira de M. silva, professor e filósofo.

sábado, 9 de junho de 2007

A mudança

Segundo o poeta grego Arquíloco... “as coisas humanas apenas mudanças incertas são”. Ou ainda, como o filósofo grego, no séc. VI-V a.C., Heráclito de Éfeso afirmou: “Não é possível descer duas vezes no mesmo rio... A quem desce os mesmos rios alcança-o novos e novas águas... Descemos e não descemos em um mesmo rio, nós mesmos somos e não somos”. A mudança é uma das grandes verdades existenciais, igual a um rio perene e comparável a um milésimo de segundo que já passou.
É palpável a certeza da mudança, provocando-nos desejos infinitos, a fim de capturar a fagulha eterna dos momentos da vida – o desabrochar de uma flor, o sol que nasce e morre, o sorriso do ser amado, o cantar de um passarinho, a leitura de um bom livro, a harmonia de uma bela canção, o balbuciar de uma oração... – que, diria João Cabral de Melo Neto, “teima em nascer”, portanto, teima em passar. Tudo parece finalmente passar e nada ficar. Só ficam, talvez, a simplicidade e a ternura dos instantes vividos pela intensidade do coração humano.
Aqui plantamos uma árvore, acolá levamos a palavra. Nunca sabemos, porém, se estaremos ao vivo para ver a árvore safrejar, a palavra difundir-se... Mas, a árvore perpetuar-se-á através da semente levada pelo vento e a palavra, por sua vez, não será extinta por este na areia, ela ecoa pela caatinga a dentro.
Disse Orides Fontela que “o vento, a chuva, o sol, o frio/ tudo vai, tudo vem e vai”. Estaremos, de algum modo, em movimento, iremos à escola, saímos para uma festa, viajamos pra algum lugar, visitamos alguém... No entanto, em cada mudança, em cada movimento, nenhum é igual ao outro, reconhecendo-se que tudo muda, embora estando o ser no mesmo espaço. Quando abrimos a janela do quarto, como pensa Mário Quintana, será uma página nova, mas teremos nas mãos o mesmo livro.
Renascemos na fé a cada nascer do sol, a cada manhã, como argumenta Carlos Drummond:
“Como a vida muda.
como a vida é muda.
como a vida é nuda.
como a vida é nada.
como a vida é tudo.
...
como a vida é senha
de outra vida nova
...
como a vida é vida
ainda quando morte
...
como a vida é forte
em suas algemas
...
como a vida é bela
...
como a vida vale
mais que a própria vida
sempre renascida.”

Jackislandy Meira de M. Silva, Professor e Filósofo.

quinta-feira, 31 de maio de 2007

A presença de Deus amor

A PRESENÇA DE DEUS AMOR

Parece-nos óbvia a intensa presença de Deus no caminho do homem, mas a natureza humana, debilitada pelo pecado ou pelo mal, tira-nos e desvia-nos para outro rumo, o rumo da vontade humana sempre inclinada, atolada no erro, uma vontade individualista e pessimista de nosso tempo. No entanto, não nos aparenta ser tão ululante assim a presença de Deus na vida do homem. Vida aqui significa caminho e caminho corresponde à via que dá acesso ao Pai, à comunhão com a primeira pessoa da Santíssima Trindade, o Pai Nosso.
A paternidade anda descartada hoje em dia, jogada no lixo, chegando a ponto de ser reciclada na medida em que se tem a referência em Deus. Quando o assunto entre nós é Deus se parece com algo fora de moda ou coisa do gênero. Isso é perigoso porque perdemos a ligação total com o divino, com alguma substância que nos remete diretamente a Deus, ao Senhor de nossas vidas. De tal modo que, ao perdermos essa comunhão, corremos o risco de nos distanciar por demais de valores imprescindíveis para o comportamento ético na sociedade, como a família, a vida, o respeito, a honestidade, a justiça, a paz... A responsabilidade familiar que concorre aos pais a Educação da prole para uma humanidade sadia, vive sendo desvalorizada o tempo todo, isso acontece porque a sociedade atual, consumista, está distante dos princípios fundamentais da dignidade humana, cujo ideal deveria ser endereçado para o bem.
A escolha entre o bem e o mal não deve ser uma atitude meramente liberal e interesseira. Deve ser, sim, uma medida de total desprendimento de si, isolada de qualquer força alienante ou massificante. Essa atitude tem de ser desinteressada e intencionada só para a bondade. Antes de ser uma escolha, é uma adesão firme e convicta, repleta de amor. E aqui, nesse ponto, encontramo-nos com a liberdade cristã, capaz de aproximar o homem a Deus e levá-lo, conduzi-lo à prática do bem que é a Verdade salvadora de Cristo. “Ama a verdade que a verdade vos libertará” (Jo. 8,32). Se existe um bem considerado como valor objetivo e único para nossa realização humana e religiosa, esse bem não nos aprisionará porque é a Ressurreição de Cristo.
A Ressurreição é motivo de regeneração, de salvação de todo gênero humano, segundo a Bíblia. A raça esmagada pelo pecado pode ser salva na medida da adesão ou da entrega do homem para Deus Amor. Assim, qualquer pessoa comprometida com esta verdade deve dizer o que disse Paulo: “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim”. Por isso, levanto e respiro todos os dias, por causa de Cristo. N’Ele enxergamos ou sentimos o cheiro do verdadeiro amor. Essa é a Verdade!
Portanto, a liberdade deve ser comparada ao amor de Cristo pelo Pai. O Pai que ama e protege seu filho. Entrega, adesão a Deus e desprendimento por Deus significam amor.

Jackislandy Meira, professor e filósofo.

sábado, 26 de maio de 2007

Queremos bem ao sítio Cajueiro - Florânia/RN.

Lá tem mirante paisagístico, pinhas enormes, cajus de ótima qualidade, Cooperativas de apicultores, cujo mel é excelente para uma vida saudável – como diria Cônego Estanislau(Pe. Chumbinho) de saudosa memória: “Abelha não faz mal, faz mel”, perfeito trocadilho – , baobás como aquele da obra O Pequeno Príncipe de Saint’Exupèry, ou como o curioso e conhecidíssimo “Pau do Oco”, uma grandiosa árvore medindo 10 metros de circunferência; contam os mais velhos que seu nome científico é “Tamburi”, cujo “oco”, dizem, era usado por uma mulher misteriosa que se escondia dentro dele. O “Pau do Oco” faz até milagres! Dizem muitos que nesse “oco” se acumulava uma espécie de água, com a qual as pessoas se curavam de pano branco. Encontramos ainda, nesse lugar, pessoas amigas e gente bastante trabalhadora, de semblante alegre e agradável...
Localiza-se na micro-região central do Seridó, mais precisamente na Serra de Santana, Planalto da Borborema, Estado do Rio Grande do Norte. Seu clima ameno recebe ventos da brisa do agreste, vindos do litoral, tornando o lugar ainda mais aprazível para viver. Os visitantes poderão optar por longas caminhadas percorrendo trilhas antigas – construídas pelos povos primitivos(índios) que aí viveram antes de nós – e explorando belezas naturais de encher os olhos de qualquer um. Recomendamos a visita, pois vale a pena conhecer!
Há uma capela antiquiquíssima, onde as pessoas religiosas do cajueiro, do povoado João da Cruz e de Florânia acorrem para lá em busca de paz, silêncio e oração. A comunidade usufrui de uma Escola de Ensino Fundamental Municipal, agora também com extensão do Ensino Médio Estadual. Chama-se Escola Aprígio Soares com atividades diuturnas de aprendizado e disciplina; reestruturada e informatizada de acordo com suas necessidades; salas suficientes para o desenvolvimento do ensino-aprendizagem; equipe pedagógica (professores e especialistas da educação) empenhada na busca da excelência, a fim de confirmar o que disse o Administrador de Empresas e colunista Stephen Kanitz na revista veja de maio deste ano, nº 19: “Se almejarmos somente a média, seremos medíocres. Se almejarmos a excelência, seremos excelentes”.
Para lá me desloco duas vezes por semana, segundas e terças-feiras com a responsabilidade honrosa de lecionar as disciplinas de Cultura, Sociologia e Filosofia para alunos com outra vivência, isto é, diferentes de alguns alunos que encontramos na Cidade, apegados as práticas relativas de uma sociedade liberal irresponsável, idolatrando a bebida, o dinheiro e o sexo desenfreado. Os alunos, com os quais convivo no Cajueiro, senão todos ao menos a maioria, cultivam valores como respeito, tolerância, trabalho e, sobretudo, consideração à família, amplamente voltada para a Natureza, tirando dela seu sustento. No fundo, são pessoas que me enchem de satisfação, simplesmente por participar de seu processo cultural e educativo.
Por essas e tantas outras razões é que convoco todo floraniense que se preze, a dizer: Quero bem ao sítio cajueiro!!!

Jackislandy Meira, Professor e Filósofo.

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Poema da Necessidade(Drummond)

POEMA DA NECESSIDADE


É preciso casar João,
é preciso suportar Antônio,
é preciso odiar Melquíades,
é preciso substituir nós todos.

É preciso salvar o país,
é preciso crer em Deus,
é preciso pagar as dívidas,
é preciso comprar um rádio,
é preciso esquecer fulana.

É preciso estudar volapuque,
é preciso estar sempre bêbado,
é preciso ler Baudelaire,
é preciso colher as flores
de que rezam velhos autores.

É preciso viver com os homens,
é preciso não assassiná-los,
é preciso ter mãos pálidas
e anunciar o FIM DO MUNDO.




Carlos Drummond de Andrade.

Carta de despedida

A carta
Dia 20 de maio de 2007 completam três anos do meu desligamento das atividades ministeriais da Igreja Católica como Padre Diocesano de Caicó-RN, particularmente da Paróquia de São Sebastião de Florânia. Por essa razão, compartilho dessa carta com todos os amigos e visitantes on line do site: http://www.inforside.com.br/. Carta esta mui importante para as questões problemáticas ainda latentes no seio da Igreja Católica atual, através dela, digo a carta, procurei expressar à Comunidade uma outra escolha, uma outra opção também digna para minha vida, o matrimônio.


Carta de despedida

Jamais experimentei momento por demais difícil em minha vida, como este, o de escrever carta tão significativa. Esta vai endereçada a todos quanto teimam em compreender o ser humano, o ser gente, o ser possibilidade, o ser criado, o ser amado por Deus, sempre outro, pronto para amar. O ser que sou eu, você, nós. Saint-Exupèry nos dizia que toda e qualquer carta são os olhos da alma.
É assim que venho até vocês nesta noite, através de uma simples carta, primeiro para comunicar que fui destituído do cargo de administrador paroquial de Florânia, em seguida para justificar a decisão de afastar-me das atividades do ministério sacerdotal, uma vez que permaneço eternamente padre pelo sacramento da ordem e filho de Deus pelo batismo, depois agradeço por tudo o que Igreja me proporcionou nesses longo treze anos, desde o seminário até aqui.
Tendo em vista a minha felicidade e realização pessoal, não fui surpreendido pela notícia de que não ia mais celebrar em Florânia, pois já pensava seriamente em mudar os destinos da minha vida, como estudar, trabalhar mais, constituir uma família, lutar livremente pelos meus ideais, assumindo minhas convicções, sem que tenha de ser discriminado pela sociedade e por meus superiores.
Assim, no curso da caminhada ministerial, descobrira que a felicidade e uma vida nova estavam batendo na minha porta, ora através de pessoas interessantes que conhecia e amava, ora por meio dos estudos e infindas realizações, mesmo sabendo que isso nada fosse, comparável ao sublime dom de Deus que é ser Padre.
Porém, não querendo mais me privar de tudo que me regozija, me apraz, me satisfaz, fazendo-me ser mais, sublinhando o que já dizia o Prof. Cândido Mendes do Rio de Janeiro: “Queira sempre ser mais, lute contra a inércia da vida”, assumo aqui a minha consciência, não complicando, mas simplificando o que há de mais latente em mim, a liberdade de amar a vida em todos os aspectos. Essa é a minha luta, muito embora acredite e veja que a Igreja também me possibilitou tudo isto, haja vista sua entrega constante aos apelos pela paz, pela justiça social e pela ordem ética. Mesmo assim, sendo perita em humanidade, como afirma João Paulo II, a Igreja continua muito passiva, não tocando em temas congelados, acerca do celibato, do homossexualismo, dos recasados e da presença mais forte da mulher no mundo da Igreja.
Por fim, gostaria de agradecer a imensa bondade com que a Igreja me tratou durante esses anos, por tudo o que me proporcionou a vida toda e, ainda mais, pelas oportunidades dirigidas a mim. Despeço-me com as palavras do Pe. e poeta Michel Quoist que traduzem muito bem esta situação: “Tudo te dei, mas é duro, Senhor. É duro amar toda a gente e não possuir ninguém. É duro apertar uma mão e não poder retê-la”.



Jackislandy Meira de Medeiros Silva, Professor e filósofo.

domingo, 13 de maio de 2007

Mil vezes MÃE...

MAMÃE... Assim que nascemos experimentamos já o sabor dessa palavra tão meiga e tão valorosa, mamãe. É como se o filho recém-nascido quisesse chamar pela mãe de modo urgente e a chamasse não só uma, mas duas vezes, mãe, mãe, quer dizer, mamãe. Ocorrendo nos momentos de choro, de dor ou de necessidade acaba se tornando frequente a tão doce, não menos necessária, expressão, mamãe. Oriunda do latim, “mater, matris”, mãe é a que alimenta o filho; ama. Por escolha divina, são mulheres, mas poderiam ser homens, e Deus teria muito bem invertido os papéis. É a que produz, a que causa, a fonte, a origem. No sentido de maternidade, o fato de ser mãe põe a mulher num lugar de honra e veneração, pois é dona de uma singular, não menos fraternal, afeição maternal. “Matrem esse aliquo” – “ter um filho de alguém, de outrem” – é o maravilhoso dom da fertilidade associado pelos antigos à palavra terra – “terra mater” – que tudo produz ou “mater magna” – grande deusa; Cíbele. O magnífico é notarmos que “mater” tem a mesma idéia que “pater” também do latim, envolvendo respeito e dignidade, por isso a ligação feita acima à idéia de uma deusa, veneração. Isso quer dizer que na realidade, na vida, os dois papéis poderiam também se equivaler ou, ao menos, se corresponder. O fato é que nem sempre essa correspondência acontece, acarretando para a mamãe um acúmulo infinito de responsabilidades, tendo assim que se desdobrar para fazer as vezes do pai, portanto, duas vezes mãe, mamãe. No dia de hoje, em homenagem às mães, por que não chamamos, ao invés de duas, por mil vezes mãe? MAMAMAMAMAMAMAMAMAMA.........MAMÃE! 

Jackislandy Meira, Filósofo e Teólogo.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Mais que um congresso, um encontro de fé.


A nossa pequenina cidade de Florânia percebeu, nesses quase três dias de Congresso jovem da Assembléia de Deus, a busca constante do homem pela autenticidade da fé. O pregador que veio ficar conosco para nos ajudar a mergulhar espiritualmente na Palavra de Deus, Pr. Geasi Souza, repetia incansavelmente: "É necessário vivermos a autenticidade de nossa fé". Parece-nos uma frase um tanto simplista, para não dizermos desgastada, no entanto, é uma necessidade que nos persegue desde o alvorecer da fé cristã, quando Constantino, Imperador de Roma, tornou-a oficializada pelo Império. A partir daí, a Igreja de Cristo nunca mais foi a mesma e sentimos saudades da ardente fé que levava tantos homens por amor ao Evangelho à morte, pois quanto mais o sangue dos mártires se derramava pela terra, mais e mais o número de cristãos florescia e se espalhava pelo mundo.
"Por onde Cristo passava, seus sinais o acompanhavam, sinais de milagres, de amor, de alegria, de bênçãos. Os tempos se passaram, esse Cristo mudou? Por que os sinais não continuam a acontecer? A resposta é uma só, Cristo não mudou, nós é que mudamos". Essas palavras do poeta e cantor Sérgio Lopes foram fenomenais para quem acredita que Jesus ainda está vivo em nosso meio, tocando as pessoas, curando-as, levantando-as, amando-as... Mas, para quem não crê nessas manifestações, as perguntas de Sérgio Lopes permanecem, assim como a preocupação de Geasi nos ajuda a descobrir o caminho, o encontro de fé com Deus.
Esse congresso não só promoveu a nossa fé nesse Deus que cura, como também aflorou nos corações de todos a preocupação com a pluralidade e unidade religiosas porque as pessoas, de diferentes confissões, puderam vislumbrar a oração de homens que, com suas vidas, adoravam a Deus em Espírito e em Verdade, enxergando neles características de compromisso com o Evangelho e com o testemunho diante da comunidade, sendo eles mesmos reflexos desse Evangelho: homens casados; construindo e mantendo suas famílias no Evangelho; vivendo com o suor de seus rostos; declarando para a sociedade inteira, a seriedade da fé em Cristo.
Vimos que para ser cristão se faz urgente afirmar a pluralidade das expressões religiosas, uma vez que são diferentes os homens de todos os lugares, de todos os tempos e de todas as culturas. Agora, afirmar a pluralidade não é compactuar com a relatividade da verdade do Evangelho, tampouco com o neoliberalismo no qual, infelizmente, estamos inseridos. Não somos coniventes com isso. Com um banquete servido à faz de conta, à fantasia da fé. Que diz que é, mas não é. Não podemos mais bricar com Deus! É chegado o tempo de conhecê-lo de verdade, não de mentirinha. Portanto, o seridoense já está percebendo que a unanimidade católica é questionável e está cheia de contrasensos do ponto de vista religioso. O número de evangélicos está crescendo bastante no Brasil, apesar de vivermos num país onde fora colonizado por católicos e, por isso, de cultura católica. Mesmo assim, esse crescimento demonstra maturidade religiosa do povo brasileiro, porque as pessoas estão cansadas de diletantismo barato, de formalismo religioso e de práticas por demais repetitivas, mais apegadas à tradição, à autoridade de uma "aristocracia" superada, do que à vida mesma presente nas Escrituras, oriunda sim da autoridade de Cristo, nosso Senhor.
Graças a Deus, a nossa fé não está mais sujeita a uma só expressão religiosa, unilateral. Faz tempo..., mas só agora tomamos consciência. Tomamos consciência de que a nossa expressão é plural, mas a fé é uma, una, que é fundamentada em Cristo! A expressão da fé é plural porque somos diferentes uns dos outros, mas iguais em preservar a unidade posta por Deus na vida de uma pessoa, Jesus Cristo.
A partir disso, a autenticidade da fé, isto é, o que penso de Deus, eu vivo. O que falo de Deus, eu vivo. É uma exigência para não vendermos a nossa seriedade com o Evangelho; para não trocarmos a nossa amizade com Deus; para não jogarmos fora a certeza da fé por um "prato de lentilhas", como nos disse o poeta, cantor e compositor evangélico, Sérgio Lopes. O qual nos proporcionou saborear a alegria do encontro verdadeiro com Cristo, através de suas canções que nos fazem lembrar de tudo em volta de Jesus de Nazaré, sua história, seu lugar, suas amizades, suas palavras...

Jackislandy Meira de M. Silva, professor e filósofo.
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segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Os valores...


Muitos de nós passamos pela vida sem, ao menos, de quando em quando, avaliarmos nossas escolhas, nossas opções. Vivemos como que jogados na relatividade das culturas, dos costumes a que nos submetemos, respirando modelos escolhidos por outros e não por nós. Usamos as mesmas roupas, os mesmos relógios, as mesmas sandálias em virtude das “marcas” mais presentes no momento, “da moda”... Bebemos, por vezes, as mesmas bebidas, cujos rótulos são os mais visíveis no momento... As mesmas comidas com gostos e qualidades quase sempre os mesmos e assim por diante. Parece que estamos destinados as mesmices do dia-a-dia porque nos acomodamos em não querer fazer parte das decisões a que damos valor, pondo nestas decisões um pouco de nós, das nossas escolhas, dos nossos desejos pessoais, dos nossos gostos aprazíveis que enriquecem e alegram mais o nosso viver. Não necessitaríamos, talvez, sair da moda para aprendermos a valorar? Sejamos um “démodé”, um fora de moda!
O importante disso tudo é que empregamos vários sentidos para a palavra “valor”. Dentre eles, o mais elementar para os dias de hoje é o econômico. As coisas não nos deixam indiferentes, de modo que a todo momento precisamos estar valorando ou reconhecendo um valor ou um antivalor em tudo quanto experimentamos. A Filosofia que estuda o mundo dos valores chama-se Axiologia(axios-ou).
Objetivamente, observamos que não criamos os valores, mas algo já é nosso. O filósofo Jean Paul Sartre diz e defende a criação, a produção dos valores por nós. Segundo ele, os valores são objetos de nossa criação a fim de nos orientarmos em nossa existência militante. A cada instante, a cada momento estamos valorizando, valorando. O valor é tudo aquilo que não nos deixa indiferentes às coisas. Por isso, procuremos estabelecer uma hierarquia de valores a fim de gerir com mais sabedoria a vida que levamos, uma vez que a qualidade de vida está na maneira de discernir as diferenças presentes no mundo, pois isso é o que constitui o homem sábio.
Para o pensamento do homem comum, o valor é tudo aquilo que é capaz de romper, de quebrar a nossa indiferença. Aquilo que se destaca pela sua perfeição é um valor. Daí o sentido da palavra axiologia, o que me parece perfeito, o que me atrai, o belo.
Será que as coisas não têm mais valor do que o valor que nós lhes damos? Ou elas têm um valor objetivo? Não nos ocuparemos em responder essas questões aos leitores, até por que não teríamos tempo pra isso, no entanto façamos destas questões um motivar para nossa reflexão acerca dos valores.
Por fim, entendemos que o valor de tudo que nos aparece nos remonta a uma grande complexidade de significados, desde os físicos, materiais, emocionais até os espirituais... Portanto, valor é tudo aquilo que tem preço, estima, agradabilidade e significado.


Jackislandy Meira de M. Silva, professor e filósofo.
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sábado, 8 de dezembro de 2007

A idéia de Deus em Anselmo de Cantuária


Anselmo de Cantuária (1033/1034 - 21 de Abril 1109), nascido Anselmo de Aosta (por ser natural de Aosta, hoje na Itália), e também conhecido como Santo Anselmo, foi um influente teólogo e filósofo medieval italiano de origem normanda.

Anselmo de Aosta parte da ideia de Deus de ser perfeitíssimo. Não existir somente na ideia, mas também na realidade. Parte-se do conceito de Deus para afirmá-lo.
Assim, o ponto de partida do argumento ou prova a priori de Anselmo é a ideia de Deus que nós temos no nosso intelecto, também o estulto do qual fala o Salmo (estulto é aquele que se diz ateu) tem em si a ideia de Deus, esta ideia é de um ser maior do que o qual nada se pode pensar. “Id quo magis cogitare nequit”, a ideia de ser perfeitíssimo. Esta característica de Deus como ser perfeitíssimo está no intelecto, porém na sua própria natureza está implícito o fato de que não existe só no intelecto porque se poderia pensar num outro ser que além de existir no intelecto existisse na realidade e então o primeiro não seria mais “Id quo magis...”, mas isso é contraditório, pois afirma e nega que Deus seja o ser maior do que o qual nada pode existir.
Em conclusão, partindo da idéia de Deus como ser perfeitíssimo está implícita nesta própria idéia o atributo e a característica da existência. Assim, Sto. Anselmo afirma que no próprio conceito de Deus como ser perfeitíssimo está incluída a prova de sua existência. Este argumento se chama a priori porque não parte das coisas criadas, mas do conceito de Deus que vem antes de todas as coisas criadas e que se encontra no sujeito, no eu do homem. Este argumento se chama também ontológico porque dá existência real de ser lógico. No próprio conceito de Deus se deve admitir a existência como elemento essencial desta perfeição.
O monge Gaunilon objetou o seu mestre no “Líber pro insipiente” que a ideia de Deus é conhecida pelos homens como e somente de forma genérica, não temos um conhecimento substancial dele. Em segundo lugar, Gaunilon afirma que eu poderia ter na minha mente a idéia das ilhas felizes cheias de delícias, mas não por isso esta idéia se concretizaria na realidade.
Deste modo, Gaunilon nega a legitimidade da passagem do plano lógico ao plano real. Padre Anselmo respondeu ao seu discípulo no “líber apologeticus” afirmando que o exemplo da ilha afortunada e perfeita não é adequado porque a passagem da idéia à existência real é possível somente em um caso, no caso da idéia de Deus como “Id quo magis cogitare nequit”, quer dizer somente no caso da idéia de ser perfeitíssimo.
A novidade de Anselmo para a Filosofia é o argumento a priori, ontológico ou a simultâneo. Sua Filosofia está como em Agostinho a favor da fé, a fórmula que ele usa é “Credo ut intelligam”, acredito para entender. Depois, outros filósofos acrescentaram a afirmação “intelligo ut credam”. Para Anselmo, a fé tem a primazia sobre a razão, o princípio da razão é a fé. A fé torna possível entender o sentido último das coisas, o objeto da fé por sua vez é abraçado em força do amor, o homem conhece porque ama, deseja conhecer sempre mais a realidade que ama. A fé desta forma não suprime a razão e a inteligência, mas é um princípio estimulante e vivificante. Na prova de Anselmo, o ponto de partida é a realidade de Deus que nós já possuímos por meio da fé e da tradição cristã, a razão se exerce como a ajuda a entender um dado já oferecido pela fé. Assim, o ponto de partida de Anselmo é a idéia de Deus apresentada em termos totalmente racionais (a idéia de ser perfeitíssimo), mas de fato herdada pela tradição cristã. “Fides quaerens intellectum”, a fé que procura a inteligência.

Jackislandy Meira de M. Silva, professor e filósofo.
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quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Todos somos chamados a ser filósofos... Aceite o convite!


Como podemos pretender, enquanto cristãos, possuir uma verdade última sobre o homem e sua finalidade e, ao mesmo tempo, buscar a verdade, o sentido da vida humana, também como filósofo?
Não confundir em nossa discussão os níveis filosófico e teológico. Por ora, tentemos somente ser filósofos. O convite se dirige a todos os filósofos e não-filósofos, disse uma vez um poeta francês Pèguy. Até porque o filósofo é aquele que luta contra todos os a priori, isto é, contra todos os “pré-conceitos”, uma vez que a Filosofia implica numa purificação – ascese da inteligência.
Se eu quero falar da visão beatífica, eu posso perguntar se a fé me é necessária. Isso é o que Tomás de Aquino quer dizer: “Se eu quero falar do homem eu tenho que saber o que é o homem”. Além disso, posso buscar na fé algo mais, algo que poderá me ajudar no esclarecimento do homem sobre a fé. A fé nos traz certezas, mas essas certezas não são evidências, e se não são evidências eu creio nelas, eu adiro a elas na obscuridade. Estou cercado de obscuridade no momento em que busco respostas na fé. No mundo terreno, a certeza da fé é obscura.
Tudo o que a nossa inteligência descobrir por si mesma, ela deve descobrir por si própria. A gente pode se interrogar diante das Escrituras sobre antropologia do homem nas Sagradas Escrituras. Existem níveis diferentes no processo do conhecimento, assim como um vôo do avião que durante o percurso faz diversas manobras variando níveis de subida e descida. Percebemos que há diversos níveis, mas vamos ser, agora, filósofos. Não que queiramos descer de nível, porém subir em busca da verdade. Segundo Pèguy, há pessoas que descem ao rio e há pessoas que remontam à fonte, há duas espécies de pessoas.
Agostinho nos propunha que é preciso amar perdidamente a verdade, não para possuir a verdade, mas para servir a verdade. Ser possuído pela verdade. O filósofo é aquele que serve e que luta contra todos os seus a priori. Eis, com isso, o itinerário do filósofo. Ver as coisas, tudo, pela primeira vez, como se fosse uma criança. Eu vejo o que você não vê. “O pintor é aquele que procura tornar visível o invisível”(Pintor Klee)... É você ver uma maçã como se nunca tivesse visto. Não é ter o olhar segundo, e sim o olhar primeiro.
Para sintetizar, não sei se me faço entender, mas aquelas três perguntas de Kant postas em sua Filosofia; Que posso saber? Que devo fazer? Que posso esperar?... Chegam até nós, hoje, motivando-nos a descobrir o sentido da vida, porque essas perguntas evidenciam a amplitude do estudo da Filosofia, pois esse estudo é mais do que qualquer ciência. Nenhuma ciência é capaz de questionar desta maneira e de respondê-las. Somente pela reflexão filosófica.

Jackislandy Meira de M. Silva, professor e filósofo.
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Em busca do ser...


O ser nos rodeia por toda parte, de modo que muitos são os caminhos para chegar a ele, que está sempre a nosso alcance, a despeito de não o perceberem os idealistas.
Duas noções afins: ser e ente. Uma definição de Tomás de Aquino explicita muito bem a afinidade: “ens est id cujus actus est esse” – “ente é aquilo que é puro ato de ser”. O ôntico e o ontológico. A coisa e o que a coisa é, ou seja, o objeto e o sentido do objeto. Uma coisa é o ser, outra coisa é o sentido pelo qual existe o ser.
Desde que o homem é homem, sempre buscou o sentido do ser, dos entes, das coisas em geral, muito embora estejamos ainda néscios diante do encontro com o verdadeiro ser das coisas. Ou não sabemos procurar ou não nos aplicamos em busca do ser. O fato é que o homem sempre pensou, buscou de alguma maneira o ser, mas, da maneira propriamente filosófica, começou a pensar na Grécia com Platão, Aristóteles... Os pré-socráticos.
Mais do que dizer o que as coisas são, na Filosofia, a gente se aproxima delas. Mas sempre há alguma luz para nos aproximarmos desta verdade do ser. É preciso que a gente esteja cego para não perceber, em nossa volta, a existência do ser.
O ser tem a ver com o conhecimento porque este é uma relação entre o sujeito cognoscente e o objeto conhecido. O ser conhecido ou cognoscível é posterior ao ser. O objeto pressupõe o ser da coisa, o idealismo. Cabe no ser uma notícia de objeto para sua manifestação. Com a idéia de ser e ente não há distinção, mas o ser é o que os entes têm em comum, e o ente é o sujeito de cada ser. “O ente é aquilo cuja forma ou realidade consiste em ser”(Tomás de Aquino). Portanto, ôntico é aquilo que diz respeito ao ente; ontológico é o que pertence ao conceito em torno ôntico do ente.
O ser é indefinível, ele é tão geral que não cabe ter uma definição. Deus é simples, nós é que somos compostos. Nós conhecemos a Deus pelo desconhecido. Do ser não há conceito genérico e nenhuma diferença específica. Dizer o que é o ser é cair numa tautologia, numa repetição de nomes. O ser no seu claro escuro ilumina os demais entes. O que é que todos os entes têm em comum? É o ser, a todo ente corresponde o ser. Portanto o ser é uno, nesta grande multidão.
O conceito de ser é o mais supremo e o mais abstrato, em consequência não lhe cabe um conceito, uma definição. Ao máximo, no limite, nós podemos chegar com o conhecimento. Situação limite no qual não posso passar, não posso avançar, um problemático misterioso. A primeira aporia com que nós topamos é algo que nos intriga, haja vista a aporia de Parmênides. Portanto, buscar o ser é uma procura intrigante.

Jackislandy Meira de M. Silva, professor e filósofo.
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segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Qual a sua imaginação sobre a origem da vida?

Numa ótica filosófica, o problema da origem da vida não vem dificultar a pesquisa científica, mas otimizá-la a ponto de ampliar suas perspectivas de descobertas, isto é, o problema permanece em aberto.
Nesse sentido, a vida tem como seu último princípio a alma. Agora, embora não havendo ainda explorado a natureza última desse princípio e a sua origem, uma coisa é clara: ela não pode ter origem da matéria, porque se fosse assim não se compreenderia porque apenas uma parte e não toda a matéria é dotada de alma. Precisa-se então admitir que a alma tenha origem de algo sublime, mediante a ação de um ser inteligente.
As recentes descobertas parecem confirmar essa hipótese. Que o homem consiga sintetizar a vida constitui um argumento a favor e não contra a tese de que alma surge mediante a ação de um ser inteligente: o homem, de fato, é um ser inteligente!
Quanto, porém, à modalidade seguida por aquele ser inteligente que por primeiro deu origem à vida (seja por criação direta ou indireta, por evolução, mediante intervenção programada ou mesmo por geração espontânea) se mantém um discurso opinável, do qual se sustenta não poder dizer a última palavra.
Do ponto de vista científico existem muitas aberrações teóricas tentando ser demonstradas como as mencionadas acima, e que não se sustentam enquanto desfecho do problema posto. A origem da vida é um tema que ainda não foi esgotado, embora haja especulações diversas, no entanto a teimosia humana em desvendá-lo e demonstrá-lo se põe à prova.
Reflita, meu caro, e tente dar a sua resposta à altura do problema.

Jackislandy Meira de M. Silva, professor e filósofo.
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domingo, 18 de novembro de 2007

O meu Deus em relação ao de Espinosa

Bento de Espinoza foi o terceiro filho dos judeus portugueses Ana Débora Sénior e Miguel d’Espinosa. Nasceu em 1632, em Amsterdã, Holanda. Durante muitos anos dedicou-se à produção de obras filosóficas voltadas para a Ética, Teologia e Política, vindo a falecer de tuberculose no dia 21 de fevereiro de 1677. Dentre as suas obras, destacam-se “Tratado da Emenda do Intelecto, o Breve Tratado” e o “Tratado Teológico-político”. Bastante inquieto contra as crenças supersticiosas de sua época por ameaçar a prática da Filosofia e a prática da liberdade, viu-se impelido a demonstrar um pensamento que desconstruiu toda uma concepção judaico-cristã de Deus, ou seja, ele desconstrói a nossa visão de Deus, inaugurando uma outra. É o que veremos...
O Deus que me fascina é o da tradição cristã bastante presente em todo o Ocidente, que se revelou extraordinariamente na pessoa histórica de Jesus de Nazaré, assumindo ainda algumas características do Deus todo-poderoso de Isaac, Jacó e Moisés, oriundo da cultura judaica.
Esse Deus é uno e trino. Uno porque salvaguarda o monismo de que só Ele é Deus, Criador e Senhor do universo, do mundo. Trino devido à sua mostração, enquanto encarnado definitivamente na história, por isso é pessoal e revela-se em três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo. Há em Deus uma consciência e uma vontade divinas. Pois o perfil desse Deus é eminentemente pessoal, catalisando n’Ele a salvação de todos os homens, como um télos para alcançar, um modelo a perseguir.
Resta-me ainda afirmar não só a Transcendência, mas também a imanência desse Deus no que diz respeito à sua presença em nós pela ação do Espírito Santo. Deus que está fora e, ao mesmo tempo, dentro de nós.
Assim como Nicolau Copérnico fez com o geocentrismo e Galileu Galilei com o telescópio ao observar imperfeições na lua, do mesmo modo o fez Espinosa em relação a Deus. Este em Espinosa é absolutamente imanente. Se Deus é o todo como pode estar fora do todo? Então, Deus não seria Deus. O Racionalismo absoluto de Espinosa, singularmente, é imanente porque é diferente de Malebranche, Leibniz, Kant e Descartes.
A diferença entre nós e Deus é apenas de potência. Segundo Espinosa, Deus não é criador, mas produtor da potência. O homem é o “modus” de Deus. Deus é impessoal e por isso não tem vontade e não pode escolher. Depreende-se disso que toda a noção cristã do Ocidente de Revelação e de Transcendência é eliminada, caindo por terra toda uma compreensão da ética cristã paradigmática.
Em Espinosa não há télos. Tudo é um constante devir comparável à força da natureza. A vida humana e divina se unem, não admitindo em si a dor e a paixão. Ele é ação pura, inalterável e infinitamente feliz. Nada de mais sublime do que o grito de alegria da natureza. Deus é a natureza. Tal como a natureza somos nós e Deus. Todas as coisas estão relacionadas à “causa sui” que é Deus, substância absoluta e necessária. Com isso, Deus é dinâmico, repleto de movimento porque é natureza.
Não há qualquer hierarquização de Deus em Espinosa devido à sua pura potência.
Finalmente, voltando ao conceito de Deus como natureza, nota-se que Deus está sempre se transformando, crescendo, movimentando-se. Deus não parou no sétimo dia para descansar, pois n’Ele não há motivo. Por quê? Não há motivo em Deus porque a sua essência é pura potência necessária de se produzir.

Jackislandy Meira de M. Silva, professor e filósofo.
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quinta-feira, 8 de novembro de 2007

O tempo...


O tempo é muito violento conosco. Digo isso porque com o passar dos segundos, minutos, horas, dias, meses e até anos, a gente envelhece, o cabelo embranquece, a pele enruguece e as dores teimam em querer ficar. Tudo parece passar e nada ficar, a não ser as dores. Mas, por dentro, algo toca muito bem o nosso íntimo, é a felicidade de amar. Amar é participar da grande alegria do outro. O outro que nos deixa muitas lembranças, apesar de toda a distância e de todo contratempo. Sim, talvez envelheceremos, ao menos, a vida concorre para isso. No entanto, sorrimos com a felicidade de viver que ainda transcorre em nossas veias. Nunca perderemos o brilho dos olhos, porque é a expressão de nossa esperança!
Há... O tempo! Este, sim, é motivo de reflexão. Pois, estando inerente às situações de nossas vidas é que ele nos provoca a isso. Agostinho de Hipona que viveu no séc. IV d. C., magnificamente o tratou sob o aspecto subjetivo, destacando mais a sua qualidade do que a sua quantidade: “Se ninguém mo perguntar, eu sei; se o quiser me explicar a quem me fizer a pergunta, já não sei. Porém, atrevo-me a declarar, sem receio de contestação, que, se nada sobreviesse, não haveria tempo futuro, e se agora nada houvesse, não existiria o tempo presente"
[1]. Já Aristóteles se deteve mais no aspecto quantitativo ou nas causas aparentes do tempo, o que o levou à famosa definição ligada ao instante, pois seria uma duração segundo um antes e um depois.
Ora, tanto Agostinho quanto Aristóteles mostraram suas preocupações humanas em pensar o tempo, o que não é uma tarefa fácil, pois o tempo a todo instante parece nos escapar. Esta foi uma observação não menos genial de Agostinho nas suas Confissões, quando afirmou que o tempo ao simplesmente existir é que ele, de fato, tende a não mais existir.
Diante dessas reflexões acerca do tempo, podemos pontuar um aspecto, digo, mais intenso do tempo que implica diretamente na tentativa de sermos mais felizes ou um pouco menos infelizes, se assim quiserem. É o aspecto do presente no tempo que, diferentemente do passado e do futuro, parece conter com mais intensidade o conteúdo magnífico de viver, pairando no tempo um sabor de eternidade, tornando-o mais leve e cada vez mais ameno.
Nessa direção, observa um filósofo contemporâneo, André Comte-Sponville
[2] que o presente permanece presente, de modo que a única coisa que nos autoriza a afirmar que o tempo é, é que ele não cessa de se manter. É o que Spinoza[3] define como duração: não a soma de um passado e de um futuro, que só tem uma existência imaginária, mas a continuação indefinida de uma existência, em outras palavras, a perduração do presente.
Meus caros, com esse pensamento, passeamos por alguns instantes nos meandros do tempo, compartilhamos alguns minutos de eternidade. Acreditamos que o que segura, o que sustenta o tempo é o presente, ou seja, a eternidade. E eternidade aqui entendida como salvação mesmo, pois não há nada mais absurdo do que esperar a eternidade, uma vez que é preciso estar nela já, viver nela já, experimentando o tempo como presente. Mas, não confundamos presente com imobilidade, inércia. Aí já é uma outra história, um outro pensar...

Jackislandy Meira de M. Silva, professor e filósofo.
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[1] AGOSTINHO. As Confissões. Os Pensadores. São Paulo, SP: Nova Cultural, 1999, pp. 322.[2] A Felicidade, desesperadamente. São Paulo: Martins fontes, pp. 93.[3] Ética, II, definição 5. Ver também O ser-tempo, pp. 59s.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Amor Fati(amor do momento presente, do "destino")


Meus caros leitores, a expressão do título sugerido foi polidamente cunhada pelo filósofo Friedrich Wilhelm Nietzsche, nascido em Röcken, Alemanha, no dia 15 de outubro de 1844, onde desenvolveu grande parte de seu pensamento voltado para a superação dos limites humanos, vindo a falecer com apenas 56 anos de idade no dia 25 de agosto de 1900, em Weimar.
Conhecido popularmente por Nietzsche, esse filósofo contemporâneo depois de quase um século e meio da existência de seu pensamento, ainda nos convida, hoje, a viver de tal modo que nem os arrependimentos nem os remorsos tenham mais nenhum espaço, nenhum sentido em nossas histórias. O critério agora, para ele, é resgatar alguns momentos de alegria, sem dúvida, de amor, de lucidez, de serenidade... Que eu possa me exercitar em refletir nos momentos de minha vida, utilizando o critério do eterno retorno? Por que não? Mas como isso pode me salvar dos medos e dos ressentimentos? Isso, de fato, pode ser a saída para a insegurança? Qual a relação que isso tem a ver com as minhas angústias do ponto de vista da finitude humana?
A razão dessas e de outras perguntas fazia Nietzsche se debater consigo mesmo, a tal ponto que o levou a desenhar uma noção fundamental de superação, de poder mesmo sobre os problemas referentes ao passado e ao futuro que impediam o homem de viver realmente o presente, de amar o presente com toda carga de eternidade. É a noção de eternidade que pode nos mostrar o caminho, a saída para as alegrias da vida, cultivando elementos tão caros ao cristianismo – o que para ele soava estranho, no entanto era preciso admitir –, ter fé e cultivar o amor.
“Ah! Como não me consumiria de desejo de eternidade, de desejo do anel dos anéis, do anel nupcial do Retorno? Ainda não encontrei a mulher de quem eu quisesse filhos, a não ser esta mulher que amo, pois eu te amo, ó eternidade! Pois eu te amo, ó eternidade!”[1]
O amor do que é no presente exige, antes de tudo, fugir do peso do passado, assim como das promessas do futuro. É o que vai afirmar, com seus próprios meios, o velho Nietzsche, de modo esplêndido e magnífico:
“Minha fórmula para o que há de grande no homem é o amor fati: nada desejar além daquilo que é, nem diante de si, nem atrás de si, nem nos séculos dos séculos. Não se contentar em suportar o inelutável, e ainda menos dissimulá-lo – todo idealismo é uma maneira de mentir diante do inelutável - , mas amá-lo”.[2]
Não desejar nada, a não ser aquilo que é! A expressão poderia ser assinada por Epicteto ou Marco Aurélio – aqueles de cuja cosmologia ele não se fatigou em zombar. No entanto, Nietzsche insiste, como neste fragmento de A Vontade de Poder:
“Uma filosofia experimental como a que vivo começa suprimindo, a título de experiência, até a possibilidade do pessimismo absoluto... Ela quer antes atingir o extremo oposto, uma afirmação dionisíaca do universo tal como ele é, sem possibilidade de subtração, de exceção ou de escolha. Ela quer o ciclo eterno: as mesmas coisas, a mesma lógica ou o mesmo ilogismo dos encadeamentos. Estado mais elevado a que possa um filósofo atingir: minha fórmula para isso é o amor fati. Isso implica que os aspectos até então negados da existência sejam concebidos não apenas como necessários, mas como desejáveis...”[3]
A grosso modo, o que esse filósofo quer dizer é que devemos esperar um pouco menos, lamentar um pouco menos, amar um pouco mais. Nunca permanecer nas dimensões não reais do tempo, no passado e no futuro, mas tentar, ao contrário, habitar tanto quanto possível o presente, dizer-lhe sim com amor(numa afirmação dionisíaca, diz Nietzsche, referindo-se a Dioniso, o deus grego do vinho, da festa e da alegria, aquele que, por excelência, ama a vida).


[1] Zaratustra, III, “Os sete selos”.
[2] Ecce Homo, “Por que sou tão sábio”.
[3] Tradução Bianquis, II, Introdução. Parágrafo 14.


Jackislandy Meira de M. Silva, Professor e Filósofo.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Heidegger e a questão do ser...

(Martim Heidegger nasceu no dia 26/09/l889 em Messkinch, Alemanha, onde sua família já estava radicada há vários séculos. Com o passar dos anos tornou-se um dos filósofos mais importantes do século XX, vindo a trabalhar como Professor honorário até a morte, em 26/06/l976).

Há muito que a Filosofia se pergunta pela questão do ser. O que significa o ser? Em Parmênides encontramos a definição lapidar: “Pois existe o ser”. Também Aristóteles em sua Metafísica propõe a questão do ser. Pergunta-se sempre somente pelo ente com referência ao seu ser. Quando questionamos o ente assim como ente, vemos não em relação ao fato de ele estar simplesmente presente, por exemplo, como uma cadeira, uma mesa ou uma árvore, mas sim como ente: vemos, pois em relação ao seu ser. Esta é a questão fundamental de toda a Metafísica[1].
Para Heidegger, fora do ente não há ser. O ser não é o ente, mas o ser do ente. Afirma pensar o ser como tal: o ente enquanto ente. Enquanto o que é se identifica com o ser. Ser enquanto ser.
A Analítica existencial de Heidegger tem uma estrutura ontológica da existência que desconstroi a tradicional concepção metafísica da subjetividade, por meio de uma verdadeira compreensão dos aspectos da Existência, da Facticidade e do Ser-no-mundo.
A existência do ponto de vista geral é o que está aí. Um fato bruto e incondicionado de estar presente, o Dasein. No sentido humano é vida, biologia, biografia. Narrativa dos acontecimentos da vida decidida, a história como o modo de ser humano na sua temporalidade(passado, presente, futuro). Heidegger admite aqui uma quarta instância do tempo: o agora como transcendência intra-temporal, incluindo o homem, de modo a ser o horizonte possível através do qual podemos compreender a existência.
A temporalidade nos permite compreender o ser na sua totalidade, enquanto conjunto de todas as possibilidades. Assim, é inevitável a influência do tema morte nessa discussão, porque ela está o tempo todo atrás de nós mesmos. A morte é constituição ontológica, pura possibilidade. Existe aqui a possibilidade da impossibilidade, a morte. Somos todos constituídos como um ser pra morte desde sempre.
A respeito da facticidade em Heidegger, permite-nos sublinhar que se opõe a factualidade porque é um projeto lançado de tal e tal modo(“meu já-ser”). Ser-no-mundo, e não no ar, mas numa conjuntura. O ser humano como pura compreensão de ser. Um ser posto pra fora. Lançado(Dasein) significa ser o “aí” do ser, presença e abertura de ser ou estar voltado para o ser.
A compreensão do Ser-no-mundo nos leva à estrutura ontológica fundamental do Dasein. Toda a história da Metafísica considerou a diferença metafísica entre os entes. Fundacionismo como onto-teologia. Assim, não se pensa o ser em si mesmo. Fizeram do ser um ente. Deus não é um ser, porém um ente que contrapõe a outros entes.
Destarte, observamos que a desconstrução do ser feita por Heidegger constitui o pulsar de sua Filosofia ao afirmar que o ser é abertura e pura possibilidade de ser.
Ser pura possibilidade significa ser coisa alguma, nada. Pura nulidade. Por que ser possibilidade incomoda? Por que ser finitude incomoda? Se somos um conjunto de nossas possibilidades, e a mais radical e extrema é a morte, significa dizer que a morte é luz da compreensão de todas as totalidades. O ser pra morte constitui o guia de compreensão do ser. Antecipar-se à morte. Viver como mortal. Assumir-se como mortalidade já. Serenidade!
Dessa forma, pontua-se aqui o que é Análise da existência própria. Analisar os existenciais. Heidegger contrapõe os existenciais às categorias. Os existenciais são os modos possíveis de ser. A essência do homem consiste em não ter essência. A essência é o que já era ser para Aristóteles, equivalente aqui à idéia, “eidos”. Do ponto de vista da existência, a essência é pura possibilidade, pode ou não existe. A essência independe da existência.
O ser homem consiste em nunca ser. “Ek-sistencia” – ser pura compreensão do ser poder-ser, o ainda não-ser.

Jackislandy Meira de M. Silva, Professor e Filósofo.
[1] Cf. HEIDEGGER, Martin. Seminário de Zollikon. São Paulo: EDUC; Petrópolis, RJ: Vozes. 2001, p. 142-143.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Um momento de oração...

Tentar descrever amiúdes um momento tão profundo como este chega a ser quase impossível, não só pelo ambiente de silêncio que me envolve, mas também por vãos pensamentos que procuram me assaltar neste instante, o qual não parece ter fim porque a alma anseia desejosa e naturalmente para Deus, calando-se cada vez que a comunhão se torna maior e mais intensa, onde os brados de aleluia e glória a Deus dão inevitavelmente lugar ao gemido da alma que beira ao silêncio para uma promoção verdadeira de paz espiritual. Com isso, o clima de oração e escuta da Palavra de Deus é tão forte que não se dilui frente às distrações e preocupações circunstanciais do presente.
Encontro-me, certamente, num lugar de oração, mais precisamente num templo, bombardeado pelos ideais e por problemas cujo sentido não vejo. A realidade da convivência social é, por vezes, massacrante, dolorosa, porém desafiante, encorajadora. Entendo que desse conflito existencial brota uma real, e não menos convicta, necessidade de vitória porque algo muito maior subsiste neste cerco explorador de consciências. Não poucas vezes, a proximidade da família, dos amigos, dos irmãos de caminhada me parece ser a saída ou a resposta para uma série de problemas. No entanto, há uma grande diferença entre parecer e ser, uma vez que quando se está perto está longe e, quando longe, perto está. Não são duas realidades que se equivalem, do mesmo peso é claro, mas a necessidade de ser o que realmente se vive extrapola todas as contradições fora ou dentro de um momento de oração. A questão é, se quando oramos, estamos de fato longe ou pertos de Deus?
Acima de qualquer assertiva está sublinhada em minha vida ou na vida de quem quer que seja, muito embora não admita ou não venha a reconhecer, a beleza de um valor diferente de todos os outros, a amizade com Deus que se realiza num momento íntimo de oração. Eis que receber o toque de Deus em minha miséria humana é a maior responsabilidade de que homem algum jamais poderia hesitar em receber sobre a terra. Responsabilidade que não se esgota em simples palavras ou ações, mas que se eleva e transcende na experiência do amor a Deus, na pessoa de Cristo. Jamais me esquecerei dos momentos especiais de oração que travei com Deus, pois eles são experiências riquíssimas de superação das minhas dúvidas e debilidades como também de crescimento a uma situação de pertença ao Criador, Redentor, Consolador e Consumador da História da Salvação.
Penetrar na sublimidade da vida de Cristo ressuscitado, vencedor da morte, eis o meu maior desejo e meu maior Bem, muito embora tenha limitações, decorrentes das condições de um ser criado e passivo de pecado. Amando a Cristo, entrego-me ao Pai no poder de seu Espírito, a Ele Glória pelos séculos dos séculos, Amém!!! Acompanhado da união doxológica é que ponho a termo essa reflexão de intimidade para com meu querido Deus, verdadeiro e único, fiel e pessoal.

Jackislandy Meira de Medeiros Silva, Professor e filósofo.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

DA BAJULAÇÃO

Vez por outra as pessoas são assaltadas pela balbúrdia da bajulação em ambientes intensamente sociais; mercado público, feira livre, supermercados, escolas, igrejas, sindicatos, Bancos, praças, festas, ruas e avenidas da “urbes”(cidade)... Umas até se incomodam com o estranhamento suportável das trocas de abraços e apertos-de-mão infindáveis que mais parecem exigência dos cargos públicos que ocupam ao invés de cumprimentos sinceros entre amigos. Outras são inteiramente incapazes de estranhar tal diferença, uma vez que se deixam envolver pela falsa necessidade de tanta lisonja, adulação e puxa-saquismo que saltam aos seus olhos, muitas vezes ingênuos e puros, mas interessados em compartilhar, não se sabe por que, da descarga de uma verborragia barata dos cordões políticos.
Mas, assim como a vida, a ingenuidade ou a pureza ou os interesses da adulação têm seus limites, têm seus dias contados! O limite da vida é a morte, o da bajulação é a sensatez, o amor próprio e o compromisso com a verdade. Acredita-se que só o pacto com a verdade é mais honrada e mais elevada que a amizade: “Amicus Platô, amicus Sócrates, sed amica veritas”(Aristóteles) – Amigo Platão, amigo Sócrates, mas mais amiga é a verdade. Ninguém é tão forte que possa resistir aos apelos da verdade para si e para os outros, sobretudo no mundo político, pois aqui e acolá, apesar da sua vida exposta, a verdade dá sinais de sobrevivência, haja vista o escândalo de corrupção do atual Presidente do Senado, Renan Calheiros. Alguém jamais conseguirá, embora forte política, social e economicamente, a todo instante, viver disfarçado de certinho, bonzinho e amável à custa de abraços, beijos e aplausos, encoberto pelas bajulações de algumas pessoas que beiram ao ridículo. Lembre-se, Jesus fora traído com um beijo!
“Todos te aplaudem, tudo bem, isto que é vida” afirma a Bíblia, no Livro dos Salmos. Ora, esta é a grande vantagem para aqueles que gozam do exercício do poder, servir-se do banquete do “status”, cujo alimento é regado à base de muita adulação para todos os gostos. Em virtude disso, corre-se o risco da autoridade pública ficar dividida entre o pleno cumprimento da justiça e a doce satisfação em atender aos caprichos de seus bajuladores, fiéis protetores que seguem à risca os fracassos e os desmandos de tal autoridade, ignorando a democracia e a sensibilidade à crítica, uma vez que todos são passíveis à crítica para o perfeito desenvolvimento de seus serviços.
Permitiu-se, desde muito tempo, inclusive na Grécia antiga, nos dias de Sócrates até hoje, na esfera política do mundo inteiro, abrir-se uma chaga chamada bajulação que, não tomada como arte da persuasão ou artifício para as negociações de caráter ético, passa a maquiar a personalidade dos representantes do povo, falsificando a autenticidade dos discursos, das idéias e das verdadeiras ações destes em relação aos seus subalternos e aos demais.
Platão, no seu diálogo Górgias, destacou que a Retórica é apenas uma parte da adulação, isto é, um simulacro de uma parte da política. Retórica, adulação e política estão intimamente relacionadas porque buscam a satisfação do bem-estar e do engano, descomprometidas com a verdade, ao passo que a Filosofia estava sempre interessada pelo exercício da sabedoria, da verdade e da justiça[1]. Nessa época, Platão contrapõe Filosofia à política, o que não vai acontecer com a Filosofia Moderna, ambas estão eminentemente ligadas, basta ler a teoria do Príncipe em Maquiavel.


Jackislandy Meira de M. Silva, Professor e Filósofo.

[1]Cf. PLATÃO, Górgias, 463a – 464a.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Visão de mundo II.

Na verdade, o homem se enfraquece diante de um mundo que perdeu a fé, desmotivou a unidade, encarcerou o social, secularizou o que quis, fortalecendo uma abertura quase completa para o individualismo, o sectarismo, o existencialismo e idealismos sem finalidade alguma. Ele se confunde consigo mesmo e não é capaz de levar adiante algo começado, pois as escolhas são muitas dentro de um mundo aproveitador, permeado de vantagens descrentes e decrescentes, como também de valores invertidos ou simplesmente sem valores.
Por isso, não há quase quem perceba mais um significante homem feliz, transbordando de otimismos e de esperanças fundamentais, cuja capacidade está em reconhecer e amar o Infinito, o Eterno, o Absoluto, o Imortal, o Deus Salvador, mas também Criador e Onipotente. Esta complementação do homem puramente racional com aquele puramente religioso desvaneceu-se ou diluiu-se nas artimanhas ativistas, inconscientes e automáticas do homem moderno e contemporâneo que não vê mais nenhuma identificação ou relação de sua vida com este Absoluto, com esta Força propulsora e espiritual convidativa, o próprio Deus.
A identificação do homem com seu próprio ser consciente e atuante, sobretudo espiritual, é a base sólida para a superação de muitos problemas encontrados no relacionamento político.
Nunca é tarde para aquele que está acordado em meio a tantas impiedades e desavenças entre um e outro ser, dotado de inteligência e discernimento. Não devemos querer resolver nossas dificuldades e suprir nossas necessidades imediatamente, porque a briga e a rivalidade são destruidoras de dignidade neste sentido, e quando você toma uma posição diferente, espera com paciência ou age com solicitude, nada é desesperador, mas pelo contrário, as coisas acontecem com a maior facilidade possível. Hoje, falta exatamente esse rigor coerente, lógico, transparente e evidente: “Quem não vive como pensa, termina por pensar como vive”(Paul Burger). Pois, se isso não é possível acontecer, sempre iremos reclamar, amargurar, recalcar, chorar e cair, ao invés de agradecer, fortificar, progredir, cantar e levantar.
É estremecedor e magnífico ao depararmo-nos com alguém que é capaz de externar um sorriso, uma palavra amiga, um abraço e um carinho merecedor sempre e em toda parte. Percebemos que existe alguém satisfeito por razões diversas próprias e, talvez, jamais explicada sua felicidade. Com certeza, ela foi conquistada aqui e será aperfeiçoada depois, só nos resta saber como isso se torna, também, realidade em nós. Pois, somente uma vida feliz e cheia de sentido interno poderá livrar-nos das amarras e dos condicionamentos mais desagradáveis e ameaçadores já existentes.

Jackislandy Meira de M. Silva, Professor e Filósofo.

Visão de mundo I.

Os fascínios pela natureza, a busca de realizações profissionais, os trabalhos, os meios de comunicação de massa, as instituições multiformes, a corrupção na política, a realidade virtual... Tudo isso condiciona o homem a mudar de opinião, de valores e de finalidade existencial.
A condição humana, a meu ver, é limitada e finita. E quando muitos não tomam consciência de sua finitude, acabam por cair num vazio irreversível ou num pessimismo doentio. Isso pode gerar catástrofes e crises existenciais jamais solucionadas pela força de vontade e pela capacidade do próprio ser humano. A não ser que ele tome impulsos inovadores rumo ao infinito, ao ilimitado, ao eterno, ao absoluto que é o próprio Deus.
Toda essa faceta existencial é envolvida e mobilizada por uma relação inquietante, cheia de futilidades, repleta de artimanhas e de jogo de cintura, a política. Esta nasce de uma necessidade cortante, séria e integrante da própria sociedade humana, bastante racionalista, por vezes conflitante.
As necessidades dos seres ditos racionais e conseqüentemente suas condições possíveis de realização os fazem perceber e detectar um aparato de exigências em toda parte que implicarão na realidade circunstancial de cada um. Daí acarretam-se, para o homem político, responsabilidades conscientes em suas decisões e em seus compromissos. Às vezes, o ato consciente e firme não é efetuado, surgindo de contradições graves que vão de encontro a si mesmo e ao bem estar da própria sociedade política, quando esta não está preparada para tal atitude.
Então, estas efetivas atitudes não conscientes, por vezes destruidoras, tanto subjetiva quanto objetivamente, proporcionam expressões, preconceitos ou atributos endereçados ao próprio homem como animal laborans , “animal” somente, “bicho”, “burro”, “alienado”, “manipulado”, “dominado”, “controlado” ... Rótulos diversos e desproporcionais à altura de quem quer que seja ou até à altura de um ser que, acima de tudo, vive, constrói, comunica, ama...
É fácil imaginar ou deixar que isso pudesse acontecer numa realidade cujo objetivo é fabricar, é produzir, é concorrer, é dividir, é dessacralizar, é afastar um do outro a possibilidade de viver digna ou humanamente. É a busca exacerbada do lucro, do ter e do poder. É a espécie humana milionária, empresariada e corrupta que desvincula a vida de uma grande multidão faminta, revoltada e assalariada. É realmente uma minoria que revolta e explora tantos sedentos por direitos como: justiça, paz, solidariedade e uma história mais participante e integral, total. Onde todos tenham seu espaço, sua contribuição criativa junto à sociedade política.
Muitos não agüentam mais esperar por melhores dias, por melhores empregos, melhores escolas, melhores construções artísticas, melhores criações. E o que acontece? Eles correm contra o tempo de suas existências, onde o que vale é o ativismo, a atividade esmagadora sobre si mesmo e sobre os outros. Não se interessam mais por um trabalho que se perpetue, nem por uma vida curiosa pelo estudo, pela contemplação. Não acreditam mais em si mesmos, em suas virtudes, a autoconfiança foi esquecida, lembrando apenas e tão somente do marketing e de ideologias baratas, descartáveis e insignificantes. Alguns se detêm na perspicácia de um olhar distante e esperto perante os fatos e percepções enganosas, porém muitos desviam este olhar cauteloso e arguto, que pode trazer a felicidade, para outros olhares obscuros, rápidos e imediatos que podem trazer o mal, a violência, a guerra e a morte desnecessárias.

Jackislandy Meira de M. Silva, Professor e Filósofo.

domingo, 19 de agosto de 2007

A Liberdade Cristã.

Quando ainda estudávamos no ensino fundamental, antigo primário e ginásio, nossos professores de ciências costumavam afirmar que somos, enquanto seres humanos, compostos de um corpo e de uma alma, repletos de vontade, inteligência e liberdade. Sim, de fato, o somos de verdade, mas na Filosofia aprendi que essas duas instâncias da pessoa, do indivíduo, segundo o pensador Grego Aristóteles, do séc. IV a.C., são respectivamente matéria e forma, constitutivos básicos da natureza humana. Na dimensão material ou sensitiva estão presentes os cinco sentidos: olfato, paladar, tato, audição e visão, representando assim os sentidos externos do homem para perceber a realidade por fora. Ao passo que na dimensão formal existe a função das faculdades internas, vontade e inteligência que interagem entre si produzindo assim a liberdade, responsáveis por sentir a realidade por dentro. Com isso, nossas vontades podem ser postas em ação pela liberdade à luz da razão, isto é, da inteligência.
Ora, na Teologia aprendi que tudo isso, fruto da especulação filosófica, é nada mais nada menos que Dom de Deus, é pura graça divina termos os sentidos externos e as faculdades internas em nossa vida à nossa disposição, de podermos usufruir de um corpo e de uma alma para uma existência sadia. É claro que não os possuímos por suficiência nossa, mas por gratuidade divina. Foi Deus quem nos deu de presente esses dons. Lá na Criação Ele nos fez livres e viu que tudo era muito perfeito(bom), até colocar-nos à prova dizendo com autoridade: “De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore da ciência do bem e do mal, dela não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás”(Gn 2. 16-17). Mas, teimosamente o homem comeu do fruto proibido!
Daí, abrimos mão de tão preciosos dons na medida em que fomos tentados por satanás no Jardim do Éden e desobedecemos à ordem de Deus comendo do fruto da árvore. A natureza humana, devido ao pecado da desobediência de nossos primeiros pais, encontra-se inclinada ao mal. As nossas vontades agora estão destinadas a serem seduzidas pelo pecado comprometendo a força da inteligência em nós e conseqüentemente a ação do livre arbítrio, pois a liberdade só acontece pela permanência do homem em Deus. Além de escolher a que caminho seguir é preciso também permanecer nele. Antes, o querer, o pensar e o agir concorriam único e exclusivamente para o Bem, Deus, que estava presente naturalmente em nossas vidas. Com a chaga aberta pelo pecado em nossa natureza, precisamos buscar a Deus constantemente senão estamos perdidos.
Tanto é que, no desdobrar da História da Salvação, Deus vai sempre ao encontro do homem para socorrê-lo, através da sua Palavra e da sua ação Poderosa, sem jamais o abandonar, até que envia o seu Filho Jesus Cristo em nosso meio para elevar definitivamente a nossa natureza decaída pelo pecado de Adão, mostrando-nos a possibilidade de um novo Adão em nossas vidas. Mas, se quisermos, é claro, conforme a nossa liberdade. Até porque Deus respeita a nossa liberdade para arcarmos com as conseqüências de nossos atos.
No entanto, para sermos novamente livres em Deus, o critério agora é Cristo, a misericórdia em pessoa, caracterizando-se como o único e verdadeiro Caminho de acesso ao Pai: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim”(Jo 14. 6). Deveríamos agradecer sem cessar a Deus por nos conceder novamente uma abertura para a verdadeira liberdade. Só nos resta desejar ardentemente o Bem em nossas vidas que, de fato, a graça de Cristo pela sua morte nos ajudará a tomarmos posse de tão grandioso Bem, a comunhão com Deus.
Se pensamos que, ao nos dirigirmos demasiadamente para as bebidas, ao nos afogarmos nas drogas, ao nos entregarmos ao sexo desmedido, ao mergulharmos no consumismo ou na violência familiar e urbana, ao vivermos no pecado e no erro, estamos agindo livremente, é um grande engano. Pois esse é o caminho contrário ao de Cristo, uma vez que nos arrasta para a destruição e a morte, traindo a ordem de Deus instaurada em nosso interior, repleto de vontade e inteligência para servir e conhecer a Verdade divina, de modo que, ao escolher o pecado, o homem rompe com a sua integridade física, psicológica e espiritual, atrapalhando sua verdadeira amizade com Deus, como afirma João 8. 31, 32, 36: “Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente, sereis meus discípulos e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente, sereis livres”.


Jackislandy Meira de M. Silva, Professor e Filósofo.

domingo, 5 de agosto de 2007

Bendito seja Deus...

Bendito seja Deus...
Bendito seja o seu santo Nome agora e para sempre pelos séculos dos séculos. Amém.
Querido Deus, a Igreja Assembléia de Deus em Florânia tem me chamado bastante atenção no que diz respeito à Unção do Teu santo Poder, à vida intensa no Espírito e na força da Palavra de Deus de todos os seus congregados. É a vida em Cristo que, de fato, importa para essas pessoas. Cristo que irradia paz e poder às pessoas para superar seus problemas e efetivar seus propósitos, pois Deus é fiel e cumpre todas as suas promessas. Não foi diferente no decorrer da História da Salvação para com o seu povo e para com Cristo, por que haveria de o ser hoje? Deus continua se revelando, mostrando-se na história e na vida das pessoas de nosso tempo, em denominações cristãs sérias por tratar o Nome de Deus com dignidade e honra.
Sendo assim, a minha posição de convertido tem a dimensão de querer mesmo voltar aos braços do Pai, segundo a parábola do filho pródigo (Lc. 15. 11-32). É esta volta que caracteriza a minha alegria de poder comungar da Glória de Deus, ainda mais sabendo que jamais passará: “O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar”(Mt. 24, 35). Não há alegria como essa, a de poder participar das palavras e da vida de Cristo tendo a certeza de que são eternas, uma vez que temos a segurança de que Deus está conosco todos os dias até a consumação dos tempos(Cf. Mt. 28, 20). Tenho buscado muitíssimo uma quietude no coração, mas acabo de perceber que esta quietude, esta paz só pode vir do Senhor Jesus Cristo. É Ele o meu porto seguro. É n’Ele que devo colocar toda a minha confiança.
Sem saber ainda ao certo o que Deus quer conosco, eu e minha esposa somos gratos a Deus por nos abrir uma porta de acesso a Ti, pois estamos cada vez mais próximos de Ti, orando, meditando e vivendo da Tua Palavra, ó Pai. Como é agradável e suave uma vida que caminha sob os Teus olhos, ó Pai. Mas temos a certeza de que preparas um plano maravilhoso para nossas vidas com saúde, trabalho, alegria, filhos.... Bendito seja Deus por tudo em nossas histórias... E que continue a soprar o hálito da vida em nossas vidas assim como soprastes lá em Adão, por Jesus Cristo, seu amado filho, na força consoladora do Espírito Santo, Amém. A paz de Jesus para todos.

Jackislandy Meira de M. Silva, Professor e Filósofo.

terça-feira, 3 de julho de 2007

Tomada de Reflexão Filosófica.

O Professor Dr. Markus Figueira da Silva, do núcleo de Pós-Graduação em Filosofia Metafísica da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, numa de suas aulas, mencionou a Antropofagia Metafísica de Oswald de Andrade, organizador da Semana de Arte Moderna de 1922, que não é a fome essa necessidade física de levá-lo a comer alguém ou outra coisa(canibalismo), mas a força ou o poder de superação da força do outro, caracterizando assim, a Metafísica verdadeira do antropófago. A força é que é a comida de fato. É a afirmação, mas não a negação de alguém que lhe motiva a participar da alegria do outro, pois é afirmando o outro que afirmo a mim mesmo. Superando-me, supero o outro que também se supera. Crescendo, faço crescer o outro. Enriquecendo-me, enriqueço também o outro e assim por diante, como numa relação positiva de forças para o progresso saudável da ciência e da humanidade, lembrando nesse caso o próprio Immanuel Kant em A paz perpétua, ou ainda, para o desenvolvimento das potencialidades humanas. Salvaguardando a idéia de que toda competitividade é sadia desde que esteja orientada sob essa perspectiva.
Nesse aspecto, pode-se muito bem fazer uma analogia com Nietzsche em relação ao Super-homem que é a superação pela afirmação da vitória do outro, tornando evidente para nós a figura poderosa do Super-homem, não provocando, de modo algum, indignação, blefes e ressentimentos. Pois, de certa forma, é uma contribuição louvável de Oswald de Andrade para o aprimoramento dessas idéias filosóficas que retira o homem da inércia ou de uma vida sem sentido, dando-lhe apoderamento de si mesmo, consciência de sua força para superar as próprias limitações. Seria uma espécie de se auto-apoderar para o desenvolvimento de si mesmo.
Com esse pano de fundo teórico filosófico, vamos deslumbrar algumas passagens do Manifesto Antropófago de Oswald de Andrade:
Só a Antropofagia nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente. Única lei do mundo. Expressão mascarada de todos os individualismos, de todos os coletivismos. De todas as religiões. De todos os tratados de paz...
Tupi, or not tupi that is the question ...
Só me interessa o que não é meu. Lei do homem. Lei do antropófago...
Contra todos os importadores de consciência enlatada. A existência palpável da vida. E a mentalidade pré-lógica para o Sr. Lévy-Bruhl estudar...
Romantismo, à Revolução Bolchevista, à Revolução Surrealista e ao bárbaro tecnizado de Keyserling. Caminhamos...
Contra o Padre Vieira. Autor do nosso primeiro empréstimo, para ganhar comissão. O rei-analfabeto dissera-lhe: ponha isso no papel mas sem muita lábia. Fez-se o empréstimo. Gravou-se o açúcar brasileiro. Vieira deixou o dinheiro em Portugal e nos trouxe a lábia...
Morte e vida das hipóteses. Da equação eu parte do Cosmos ao axioma Cosmos parte do eu. Subsistência. Conhecimento. Antropofagia...
Nunca fomos catequizados. Fizemos foi carnaval. O índio vestido de senador do Império. Fingindo de Pitt. Ou figurando nas óperas de Alencar cheio de bons sentimentos portugueses...
Já tínhamos o comunismo. Já tínhamos a língua surrealista. A idade de ouro...
Perguntei a um homem o que era o Direito. Ele me respondeu que era a garantia do exercício da POSSIBILIDADE. Esse homem chamava-se Galli Mathias. Comia...
Só não há determinismo onde há mistério. Mas que temos nós com isso?
A alegria é a prova dos nove...
Chegamos ao aviltamento. A baixa antropofagia aglomerada nos pecados de catecismo – a inveja, a usura, a calúnia, o assassinato. Peste dos chamados povos cultos e cristianizados, é contra ela que estamos agindo. Antropófagos....
Contra a realidade social, vestida e opressora, cadastrada por Freud...
Jackislandy Meira de Medeiros Silva, Professor e filósofo.

segunda-feira, 18 de junho de 2007

A maior parte dos políticos brasileiros não goza de muito prestígio e confiabilidade por parte da população

A população brasileira está saturada de corrupção, de descaso e, mais ainda, de rejeição, devido à irresponsabilidade de seus políticos. Ela oscila de acordo com os interesses de seus representantes. Estes são a minoria do país e sobrevivem às custas dos mais pobres, dos trabalhadores assalariados, que são a maioria desta sociedade. Sem dúvida, a maior parte de nossos políticos acumula altos cargos e riquezas em decorrência da falta de politização de nosso povo.
A estrutura sócio, administrativa e política do Brasil está falida porque é indiferente aos gastos absurdos e desnecessários dos altos escalões do governo. Muito preocupa o despreparo dos administradores que assumem cargos eletivos sem nenhuma experiência de gerenciamento das instituições governamentais ou que são imparciais nas decisões ministeriais, criando assim sérios problemas no setor aéreo brasileiro - o apagão aéreo, crise dos controladores de vôo -, como também na Petrobrás com o famoso caso Evo Morales da Bolívia. Enfim, somamos a isso, a sonegação de impostos, a má distribuição de renda “per capita” do país e a carência de investimentos no setor interno da produção. De fato, sem um compromisso sério com a infra-estrutura do país e sem fazer as reformas necessárias como a reforma política, a da previdência social e a jurídica, a sociedade entra em declive total, não confiando em seus líderes e não alimentando suas esperanças de mudanças.
Portanto, lutamos e cobramos dos representantes políticos, melhores condições de vida, sobretudo, na base interna do país: educação; agricultura; saúde; moradia; bem-estar social; saneamento e desenvolvimento. Certamente, deste ambiente nascerá um povo menos alienado e mais politizado sobre os problemas que o afligem, dificultando o suborno e a impunidade de nossos políticos.

Jackislandy Meira de M. silva, professor e filósofo.

sábado, 9 de junho de 2007

A mudança

Segundo o poeta grego Arquíloco... “as coisas humanas apenas mudanças incertas são”. Ou ainda, como o filósofo grego, no séc. VI-V a.C., Heráclito de Éfeso afirmou: “Não é possível descer duas vezes no mesmo rio... A quem desce os mesmos rios alcança-o novos e novas águas... Descemos e não descemos em um mesmo rio, nós mesmos somos e não somos”. A mudança é uma das grandes verdades existenciais, igual a um rio perene e comparável a um milésimo de segundo que já passou.
É palpável a certeza da mudança, provocando-nos desejos infinitos, a fim de capturar a fagulha eterna dos momentos da vida – o desabrochar de uma flor, o sol que nasce e morre, o sorriso do ser amado, o cantar de um passarinho, a leitura de um bom livro, a harmonia de uma bela canção, o balbuciar de uma oração... – que, diria João Cabral de Melo Neto, “teima em nascer”, portanto, teima em passar. Tudo parece finalmente passar e nada ficar. Só ficam, talvez, a simplicidade e a ternura dos instantes vividos pela intensidade do coração humano.
Aqui plantamos uma árvore, acolá levamos a palavra. Nunca sabemos, porém, se estaremos ao vivo para ver a árvore safrejar, a palavra difundir-se... Mas, a árvore perpetuar-se-á através da semente levada pelo vento e a palavra, por sua vez, não será extinta por este na areia, ela ecoa pela caatinga a dentro.
Disse Orides Fontela que “o vento, a chuva, o sol, o frio/ tudo vai, tudo vem e vai”. Estaremos, de algum modo, em movimento, iremos à escola, saímos para uma festa, viajamos pra algum lugar, visitamos alguém... No entanto, em cada mudança, em cada movimento, nenhum é igual ao outro, reconhecendo-se que tudo muda, embora estando o ser no mesmo espaço. Quando abrimos a janela do quarto, como pensa Mário Quintana, será uma página nova, mas teremos nas mãos o mesmo livro.
Renascemos na fé a cada nascer do sol, a cada manhã, como argumenta Carlos Drummond:
“Como a vida muda.
como a vida é muda.
como a vida é nuda.
como a vida é nada.
como a vida é tudo.
...
como a vida é senha
de outra vida nova
...
como a vida é vida
ainda quando morte
...
como a vida é forte
em suas algemas
...
como a vida é bela
...
como a vida vale
mais que a própria vida
sempre renascida.”

Jackislandy Meira de M. Silva, Professor e Filósofo.

quinta-feira, 31 de maio de 2007

A presença de Deus amor

A PRESENÇA DE DEUS AMOR

Parece-nos óbvia a intensa presença de Deus no caminho do homem, mas a natureza humana, debilitada pelo pecado ou pelo mal, tira-nos e desvia-nos para outro rumo, o rumo da vontade humana sempre inclinada, atolada no erro, uma vontade individualista e pessimista de nosso tempo. No entanto, não nos aparenta ser tão ululante assim a presença de Deus na vida do homem. Vida aqui significa caminho e caminho corresponde à via que dá acesso ao Pai, à comunhão com a primeira pessoa da Santíssima Trindade, o Pai Nosso.
A paternidade anda descartada hoje em dia, jogada no lixo, chegando a ponto de ser reciclada na medida em que se tem a referência em Deus. Quando o assunto entre nós é Deus se parece com algo fora de moda ou coisa do gênero. Isso é perigoso porque perdemos a ligação total com o divino, com alguma substância que nos remete diretamente a Deus, ao Senhor de nossas vidas. De tal modo que, ao perdermos essa comunhão, corremos o risco de nos distanciar por demais de valores imprescindíveis para o comportamento ético na sociedade, como a família, a vida, o respeito, a honestidade, a justiça, a paz... A responsabilidade familiar que concorre aos pais a Educação da prole para uma humanidade sadia, vive sendo desvalorizada o tempo todo, isso acontece porque a sociedade atual, consumista, está distante dos princípios fundamentais da dignidade humana, cujo ideal deveria ser endereçado para o bem.
A escolha entre o bem e o mal não deve ser uma atitude meramente liberal e interesseira. Deve ser, sim, uma medida de total desprendimento de si, isolada de qualquer força alienante ou massificante. Essa atitude tem de ser desinteressada e intencionada só para a bondade. Antes de ser uma escolha, é uma adesão firme e convicta, repleta de amor. E aqui, nesse ponto, encontramo-nos com a liberdade cristã, capaz de aproximar o homem a Deus e levá-lo, conduzi-lo à prática do bem que é a Verdade salvadora de Cristo. “Ama a verdade que a verdade vos libertará” (Jo. 8,32). Se existe um bem considerado como valor objetivo e único para nossa realização humana e religiosa, esse bem não nos aprisionará porque é a Ressurreição de Cristo.
A Ressurreição é motivo de regeneração, de salvação de todo gênero humano, segundo a Bíblia. A raça esmagada pelo pecado pode ser salva na medida da adesão ou da entrega do homem para Deus Amor. Assim, qualquer pessoa comprometida com esta verdade deve dizer o que disse Paulo: “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim”. Por isso, levanto e respiro todos os dias, por causa de Cristo. N’Ele enxergamos ou sentimos o cheiro do verdadeiro amor. Essa é a Verdade!
Portanto, a liberdade deve ser comparada ao amor de Cristo pelo Pai. O Pai que ama e protege seu filho. Entrega, adesão a Deus e desprendimento por Deus significam amor.

Jackislandy Meira, professor e filósofo.

sábado, 26 de maio de 2007

Queremos bem ao sítio Cajueiro - Florânia/RN.

Lá tem mirante paisagístico, pinhas enormes, cajus de ótima qualidade, Cooperativas de apicultores, cujo mel é excelente para uma vida saudável – como diria Cônego Estanislau(Pe. Chumbinho) de saudosa memória: “Abelha não faz mal, faz mel”, perfeito trocadilho – , baobás como aquele da obra O Pequeno Príncipe de Saint’Exupèry, ou como o curioso e conhecidíssimo “Pau do Oco”, uma grandiosa árvore medindo 10 metros de circunferência; contam os mais velhos que seu nome científico é “Tamburi”, cujo “oco”, dizem, era usado por uma mulher misteriosa que se escondia dentro dele. O “Pau do Oco” faz até milagres! Dizem muitos que nesse “oco” se acumulava uma espécie de água, com a qual as pessoas se curavam de pano branco. Encontramos ainda, nesse lugar, pessoas amigas e gente bastante trabalhadora, de semblante alegre e agradável...
Localiza-se na micro-região central do Seridó, mais precisamente na Serra de Santana, Planalto da Borborema, Estado do Rio Grande do Norte. Seu clima ameno recebe ventos da brisa do agreste, vindos do litoral, tornando o lugar ainda mais aprazível para viver. Os visitantes poderão optar por longas caminhadas percorrendo trilhas antigas – construídas pelos povos primitivos(índios) que aí viveram antes de nós – e explorando belezas naturais de encher os olhos de qualquer um. Recomendamos a visita, pois vale a pena conhecer!
Há uma capela antiquiquíssima, onde as pessoas religiosas do cajueiro, do povoado João da Cruz e de Florânia acorrem para lá em busca de paz, silêncio e oração. A comunidade usufrui de uma Escola de Ensino Fundamental Municipal, agora também com extensão do Ensino Médio Estadual. Chama-se Escola Aprígio Soares com atividades diuturnas de aprendizado e disciplina; reestruturada e informatizada de acordo com suas necessidades; salas suficientes para o desenvolvimento do ensino-aprendizagem; equipe pedagógica (professores e especialistas da educação) empenhada na busca da excelência, a fim de confirmar o que disse o Administrador de Empresas e colunista Stephen Kanitz na revista veja de maio deste ano, nº 19: “Se almejarmos somente a média, seremos medíocres. Se almejarmos a excelência, seremos excelentes”.
Para lá me desloco duas vezes por semana, segundas e terças-feiras com a responsabilidade honrosa de lecionar as disciplinas de Cultura, Sociologia e Filosofia para alunos com outra vivência, isto é, diferentes de alguns alunos que encontramos na Cidade, apegados as práticas relativas de uma sociedade liberal irresponsável, idolatrando a bebida, o dinheiro e o sexo desenfreado. Os alunos, com os quais convivo no Cajueiro, senão todos ao menos a maioria, cultivam valores como respeito, tolerância, trabalho e, sobretudo, consideração à família, amplamente voltada para a Natureza, tirando dela seu sustento. No fundo, são pessoas que me enchem de satisfação, simplesmente por participar de seu processo cultural e educativo.
Por essas e tantas outras razões é que convoco todo floraniense que se preze, a dizer: Quero bem ao sítio cajueiro!!!

Jackislandy Meira, Professor e Filósofo.

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Poema da Necessidade(Drummond)

POEMA DA NECESSIDADE


É preciso casar João,
é preciso suportar Antônio,
é preciso odiar Melquíades,
é preciso substituir nós todos.

É preciso salvar o país,
é preciso crer em Deus,
é preciso pagar as dívidas,
é preciso comprar um rádio,
é preciso esquecer fulana.

É preciso estudar volapuque,
é preciso estar sempre bêbado,
é preciso ler Baudelaire,
é preciso colher as flores
de que rezam velhos autores.

É preciso viver com os homens,
é preciso não assassiná-los,
é preciso ter mãos pálidas
e anunciar o FIM DO MUNDO.




Carlos Drummond de Andrade.

Carta de despedida

A carta
Dia 20 de maio de 2007 completam três anos do meu desligamento das atividades ministeriais da Igreja Católica como Padre Diocesano de Caicó-RN, particularmente da Paróquia de São Sebastião de Florânia. Por essa razão, compartilho dessa carta com todos os amigos e visitantes on line do site: http://www.inforside.com.br/. Carta esta mui importante para as questões problemáticas ainda latentes no seio da Igreja Católica atual, através dela, digo a carta, procurei expressar à Comunidade uma outra escolha, uma outra opção também digna para minha vida, o matrimônio.


Carta de despedida

Jamais experimentei momento por demais difícil em minha vida, como este, o de escrever carta tão significativa. Esta vai endereçada a todos quanto teimam em compreender o ser humano, o ser gente, o ser possibilidade, o ser criado, o ser amado por Deus, sempre outro, pronto para amar. O ser que sou eu, você, nós. Saint-Exupèry nos dizia que toda e qualquer carta são os olhos da alma.
É assim que venho até vocês nesta noite, através de uma simples carta, primeiro para comunicar que fui destituído do cargo de administrador paroquial de Florânia, em seguida para justificar a decisão de afastar-me das atividades do ministério sacerdotal, uma vez que permaneço eternamente padre pelo sacramento da ordem e filho de Deus pelo batismo, depois agradeço por tudo o que Igreja me proporcionou nesses longo treze anos, desde o seminário até aqui.
Tendo em vista a minha felicidade e realização pessoal, não fui surpreendido pela notícia de que não ia mais celebrar em Florânia, pois já pensava seriamente em mudar os destinos da minha vida, como estudar, trabalhar mais, constituir uma família, lutar livremente pelos meus ideais, assumindo minhas convicções, sem que tenha de ser discriminado pela sociedade e por meus superiores.
Assim, no curso da caminhada ministerial, descobrira que a felicidade e uma vida nova estavam batendo na minha porta, ora através de pessoas interessantes que conhecia e amava, ora por meio dos estudos e infindas realizações, mesmo sabendo que isso nada fosse, comparável ao sublime dom de Deus que é ser Padre.
Porém, não querendo mais me privar de tudo que me regozija, me apraz, me satisfaz, fazendo-me ser mais, sublinhando o que já dizia o Prof. Cândido Mendes do Rio de Janeiro: “Queira sempre ser mais, lute contra a inércia da vida”, assumo aqui a minha consciência, não complicando, mas simplificando o que há de mais latente em mim, a liberdade de amar a vida em todos os aspectos. Essa é a minha luta, muito embora acredite e veja que a Igreja também me possibilitou tudo isto, haja vista sua entrega constante aos apelos pela paz, pela justiça social e pela ordem ética. Mesmo assim, sendo perita em humanidade, como afirma João Paulo II, a Igreja continua muito passiva, não tocando em temas congelados, acerca do celibato, do homossexualismo, dos recasados e da presença mais forte da mulher no mundo da Igreja.
Por fim, gostaria de agradecer a imensa bondade com que a Igreja me tratou durante esses anos, por tudo o que me proporcionou a vida toda e, ainda mais, pelas oportunidades dirigidas a mim. Despeço-me com as palavras do Pe. e poeta Michel Quoist que traduzem muito bem esta situação: “Tudo te dei, mas é duro, Senhor. É duro amar toda a gente e não possuir ninguém. É duro apertar uma mão e não poder retê-la”.



Jackislandy Meira de Medeiros Silva, Professor e filósofo.

domingo, 13 de maio de 2007

Mil vezes MÃE...

MAMÃE... Assim que nascemos experimentamos já o sabor dessa palavra tão meiga e tão valorosa, mamãe. É como se o filho recém-nascido quisesse chamar pela mãe de modo urgente e a chamasse não só uma, mas duas vezes, mãe, mãe, quer dizer, mamãe. Ocorrendo nos momentos de choro, de dor ou de necessidade acaba se tornando frequente a tão doce, não menos necessária, expressão, mamãe. Oriunda do latim, “mater, matris”, mãe é a que alimenta o filho; ama. Por escolha divina, são mulheres, mas poderiam ser homens, e Deus teria muito bem invertido os papéis. É a que produz, a que causa, a fonte, a origem. No sentido de maternidade, o fato de ser mãe põe a mulher num lugar de honra e veneração, pois é dona de uma singular, não menos fraternal, afeição maternal. “Matrem esse aliquo” – “ter um filho de alguém, de outrem” – é o maravilhoso dom da fertilidade associado pelos antigos à palavra terra – “terra mater” – que tudo produz ou “mater magna” – grande deusa; Cíbele. O magnífico é notarmos que “mater” tem a mesma idéia que “pater” também do latim, envolvendo respeito e dignidade, por isso a ligação feita acima à idéia de uma deusa, veneração. Isso quer dizer que na realidade, na vida, os dois papéis poderiam também se equivaler ou, ao menos, se corresponder. O fato é que nem sempre essa correspondência acontece, acarretando para a mamãe um acúmulo infinito de responsabilidades, tendo assim que se desdobrar para fazer as vezes do pai, portanto, duas vezes mãe, mamãe. No dia de hoje, em homenagem às mães, por que não chamamos, ao invés de duas, por mil vezes mãe? MAMAMAMAMAMAMAMAMAMA.........MAMÃE! 

Jackislandy Meira, Filósofo e Teólogo.

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