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domingo, 16 de fevereiro de 2014
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
terça-feira, 6 de novembro de 2012
'Ser e Tempo', de Martin Heidegger, é tema de debate

Reprodução
O filósofo alemão Martin Heidegger
O caderno Sabático, do jornal O Estado de S. Paulo, a Editora Unicamp e a Livraria da Vila promovem nesta terça-feira, 6, o lançamento do livro Ser e Tempo, do filósofo alemão Martin Heidegger (1889- 1976) com um debate do qual participam o tradutor Fausto Castilho, o editor Rinaldo Gama, do Sabático, e o repórter especial Antonio Gonçalves Filho.
O tratado Ser e Tempo, que chega em tradução bilíngue (coedição Editora Unicamp e Vozes), é parte do conjunto das grandes obras filosóficas do século 20. Mesmo inacabado, não impediu Heidegger "que viesse a tratar fora do plano de um tratado, como escrito avulso, muitos dentre os temas que constariam da segunda parte não redigida", como bem explica Fausto Castilho, que foi aluno do próprio Heidegger, de Merleau-Ponty, Piaget e Bachelard.
A obra trata da questão do Dasein. Heidegger pretende repropor a chamada questão-do-ser já formulada pelos gregos. Nessa obra, a interrogação é formulada a partir da análise ontológica de um ente "exemplar", que tem por isso a função de ontologia fundamental. Esse ente exemplar é denominado por Heidegger de Dasein. É, portanto, a velha questão grega, o que é o ser?, que o filósofo crê ter sido feita incorretamente ao longo da história da filosofia. Em sua ontologia, propõe-se a diferenciar ser de ente - levando em conta a questão da temporalidade - para , então , recolocar de forma correta a pergunta radical de Leibniz (1646-1716): "Por que há algo em vez de nada?" A obra traz ainda reflexões sobre a angústia, a morte e a técnica, tendo influenciado o pensamento de filósofos como Jean-Paul Sartre, Hannah Arendt e Paul Ricoeur.
Herdeiro intelectual de Franz Brentano (1838-1917) e Edmund Husserl (1859-1938), que vinham à esteira do renascimento aristotélico promovido por Adolf Trendelemburg(1802-1872), Heidegger, lembra Castilho, "preconiza desde cedo uma interpretação original de Aristóteles em sua tese por muito tempo conhecida como Relatório Natorp, que lhe valeu em 1923 a nomeação como professor extraordinário em Marburgo".
O dilema entre "tecnofilia" e "tecnofobia" e as desilusões quanto ao caráter da ciência como uma panaceia universal haviam sido tratadas pelo aluno de Brentano, Edmund Husserl - por sua vez professor de Heidegger- em Krisis, espécie de manifesto contra a corrosão dos valores pela técnica. Crise, aliás, preconizada por Nietzsche.
Sobre essas influências, Castilho observa que "a de Husserl sobre Heidegger é mais do que ostensiva", não ocorrendo o mesmo no caso de Nietzsche, "já que essa relação direta e mais intensa com ele só acontece tardiamente, entre 1936 e 1940, durante a guerra e no momento preciso em que os nazistas procuram conferir àquele autor a condição de ideólogo preferencial do nazismo." Por sua vez "não é de modo algum clara qual seja a parte que Nietzsche pode ter tido na elaboração dos conceitos próprios de Heidegger, antes, e depois de Ser e Tempo".
SER E TEMPO
Livraria da Vila (Rua Fradique Coutinho, 915). Tel. (011) 3814-5811. Lançamento e debate terça, 06, às 18h30.
Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,ser-e-tempo-de-martin-heidegger-e-tema-de-debate,955875,0.htm
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
Brasileiros se preparam para o horário de verão
À
meia-noite do dia 16 de Outubro, começa o horário de verão nas regiões
sul, sudeste e centro-oeste do Brasil. A mudança ocorre sempre no
terceiro domingo de outubro e se estende até o terceiro domingo de
fevereiro, dia 26.
A alteração
cronológica visa reduzir o consumo de energia durante a estação mais
quente do ano. No último verão, o gasto de energia caiu 4,4% entre o fim
da tarde e início da noite, horário de pico, de acordo com o Ministério
de Minas e Energia.
quinta-feira, 8 de novembro de 2007
O tempo...

O tempo é muito violento conosco. Digo isso porque com o passar dos segundos, minutos, horas, dias, meses e até anos, a gente envelhece, o cabelo embranquece, a pele enruguece e as dores teimam em querer ficar. Tudo parece passar e nada ficar, a não ser as dores. Mas, por dentro, algo toca muito bem o nosso íntimo, é a felicidade de amar. Amar é participar da grande alegria do outro. O outro que nos deixa muitas lembranças, apesar de toda a distância e de todo contratempo. Sim, talvez envelheceremos, ao menos, a vida concorre para isso. No entanto, sorrimos com a felicidade de viver que ainda transcorre em nossas veias. Nunca perderemos o brilho dos olhos, porque é a expressão de nossa esperança!
Há... O tempo! Este, sim, é motivo de reflexão. Pois, estando inerente às situações de nossas vidas é que ele nos provoca a isso. Agostinho de Hipona que viveu no séc. IV d. C., magnificamente o tratou sob o aspecto subjetivo, destacando mais a sua qualidade do que a sua quantidade: “Se ninguém mo perguntar, eu sei; se o quiser me explicar a quem me fizer a pergunta, já não sei. Porém, atrevo-me a declarar, sem receio de contestação, que, se nada sobreviesse, não haveria tempo futuro, e se agora nada houvesse, não existiria o tempo presente"[1]. Já Aristóteles se deteve mais no aspecto quantitativo ou nas causas aparentes do tempo, o que o levou à famosa definição ligada ao instante, pois seria uma duração segundo um antes e um depois.
Ora, tanto Agostinho quanto Aristóteles mostraram suas preocupações humanas em pensar o tempo, o que não é uma tarefa fácil, pois o tempo a todo instante parece nos escapar. Esta foi uma observação não menos genial de Agostinho nas suas Confissões, quando afirmou que o tempo ao simplesmente existir é que ele, de fato, tende a não mais existir.
Diante dessas reflexões acerca do tempo, podemos pontuar um aspecto, digo, mais intenso do tempo que implica diretamente na tentativa de sermos mais felizes ou um pouco menos infelizes, se assim quiserem. É o aspecto do presente no tempo que, diferentemente do passado e do futuro, parece conter com mais intensidade o conteúdo magnífico de viver, pairando no tempo um sabor de eternidade, tornando-o mais leve e cada vez mais ameno.
Nessa direção, observa um filósofo contemporâneo, André Comte-Sponville[2] que o presente permanece presente, de modo que a única coisa que nos autoriza a afirmar que o tempo é, é que ele não cessa de se manter. É o que Spinoza[3] define como duração: não a soma de um passado e de um futuro, que só tem uma existência imaginária, mas a continuação indefinida de uma existência, em outras palavras, a perduração do presente.
Meus caros, com esse pensamento, passeamos por alguns instantes nos meandros do tempo, compartilhamos alguns minutos de eternidade. Acreditamos que o que segura, o que sustenta o tempo é o presente, ou seja, a eternidade. E eternidade aqui entendida como salvação mesmo, pois não há nada mais absurdo do que esperar a eternidade, uma vez que é preciso estar nela já, viver nela já, experimentando o tempo como presente. Mas, não confundamos presente com imobilidade, inércia. Aí já é uma outra história, um outro pensar...
Jackislandy Meira de M. Silva, professor e filósofo.
Confira os blogs: www.umasreflexoes.blogspot.com
www.chegadootempo.blogspot.com
[1] AGOSTINHO. As Confissões. Os Pensadores. São Paulo, SP: Nova Cultural, 1999, pp. 322.[2] A Felicidade, desesperadamente. São Paulo: Martins fontes, pp. 93.[3] Ética, II, definição 5. Ver também O ser-tempo, pp. 59s.
Há... O tempo! Este, sim, é motivo de reflexão. Pois, estando inerente às situações de nossas vidas é que ele nos provoca a isso. Agostinho de Hipona que viveu no séc. IV d. C., magnificamente o tratou sob o aspecto subjetivo, destacando mais a sua qualidade do que a sua quantidade: “Se ninguém mo perguntar, eu sei; se o quiser me explicar a quem me fizer a pergunta, já não sei. Porém, atrevo-me a declarar, sem receio de contestação, que, se nada sobreviesse, não haveria tempo futuro, e se agora nada houvesse, não existiria o tempo presente"[1]. Já Aristóteles se deteve mais no aspecto quantitativo ou nas causas aparentes do tempo, o que o levou à famosa definição ligada ao instante, pois seria uma duração segundo um antes e um depois.
Ora, tanto Agostinho quanto Aristóteles mostraram suas preocupações humanas em pensar o tempo, o que não é uma tarefa fácil, pois o tempo a todo instante parece nos escapar. Esta foi uma observação não menos genial de Agostinho nas suas Confissões, quando afirmou que o tempo ao simplesmente existir é que ele, de fato, tende a não mais existir.
Diante dessas reflexões acerca do tempo, podemos pontuar um aspecto, digo, mais intenso do tempo que implica diretamente na tentativa de sermos mais felizes ou um pouco menos infelizes, se assim quiserem. É o aspecto do presente no tempo que, diferentemente do passado e do futuro, parece conter com mais intensidade o conteúdo magnífico de viver, pairando no tempo um sabor de eternidade, tornando-o mais leve e cada vez mais ameno.
Nessa direção, observa um filósofo contemporâneo, André Comte-Sponville[2] que o presente permanece presente, de modo que a única coisa que nos autoriza a afirmar que o tempo é, é que ele não cessa de se manter. É o que Spinoza[3] define como duração: não a soma de um passado e de um futuro, que só tem uma existência imaginária, mas a continuação indefinida de uma existência, em outras palavras, a perduração do presente.
Meus caros, com esse pensamento, passeamos por alguns instantes nos meandros do tempo, compartilhamos alguns minutos de eternidade. Acreditamos que o que segura, o que sustenta o tempo é o presente, ou seja, a eternidade. E eternidade aqui entendida como salvação mesmo, pois não há nada mais absurdo do que esperar a eternidade, uma vez que é preciso estar nela já, viver nela já, experimentando o tempo como presente. Mas, não confundamos presente com imobilidade, inércia. Aí já é uma outra história, um outro pensar...
Jackislandy Meira de M. Silva, professor e filósofo.
Confira os blogs: www.umasreflexoes.blogspot.com
www.chegadootempo.blogspot.com
[1] AGOSTINHO. As Confissões. Os Pensadores. São Paulo, SP: Nova Cultural, 1999, pp. 322.[2] A Felicidade, desesperadamente. São Paulo: Martins fontes, pp. 93.[3] Ética, II, definição 5. Ver também O ser-tempo, pp. 59s.
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O filósofo alemão Martin Heidegger
O caderno Sabático, do jornal O Estado de S. Paulo, a Editora Unicamp e a Livraria da Vila promovem nesta terça-feira, 6, o lançamento do livro Ser e Tempo, do filósofo alemão Martin Heidegger (1889- 1976) com um debate do qual participam o tradutor Fausto Castilho, o editor Rinaldo Gama, do Sabático, e o repórter especial Antonio Gonçalves Filho.
O tratado Ser e Tempo, que chega em tradução bilíngue (coedição Editora Unicamp e Vozes), é parte do conjunto das grandes obras filosóficas do século 20. Mesmo inacabado, não impediu Heidegger "que viesse a tratar fora do plano de um tratado, como escrito avulso, muitos dentre os temas que constariam da segunda parte não redigida", como bem explica Fausto Castilho, que foi aluno do próprio Heidegger, de Merleau-Ponty, Piaget e Bachelard.
A obra trata da questão do Dasein. Heidegger pretende repropor a chamada questão-do-ser já formulada pelos gregos. Nessa obra, a interrogação é formulada a partir da análise ontológica de um ente "exemplar", que tem por isso a função de ontologia fundamental. Esse ente exemplar é denominado por Heidegger de Dasein. É, portanto, a velha questão grega, o que é o ser?, que o filósofo crê ter sido feita incorretamente ao longo da história da filosofia. Em sua ontologia, propõe-se a diferenciar ser de ente - levando em conta a questão da temporalidade - para , então , recolocar de forma correta a pergunta radical de Leibniz (1646-1716): "Por que há algo em vez de nada?" A obra traz ainda reflexões sobre a angústia, a morte e a técnica, tendo influenciado o pensamento de filósofos como Jean-Paul Sartre, Hannah Arendt e Paul Ricoeur.
Herdeiro intelectual de Franz Brentano (1838-1917) e Edmund Husserl (1859-1938), que vinham à esteira do renascimento aristotélico promovido por Adolf Trendelemburg(1802-1872), Heidegger, lembra Castilho, "preconiza desde cedo uma interpretação original de Aristóteles em sua tese por muito tempo conhecida como Relatório Natorp, que lhe valeu em 1923 a nomeação como professor extraordinário em Marburgo".
O dilema entre "tecnofilia" e "tecnofobia" e as desilusões quanto ao caráter da ciência como uma panaceia universal haviam sido tratadas pelo aluno de Brentano, Edmund Husserl - por sua vez professor de Heidegger- em Krisis, espécie de manifesto contra a corrosão dos valores pela técnica. Crise, aliás, preconizada por Nietzsche.
Sobre essas influências, Castilho observa que "a de Husserl sobre Heidegger é mais do que ostensiva", não ocorrendo o mesmo no caso de Nietzsche, "já que essa relação direta e mais intensa com ele só acontece tardiamente, entre 1936 e 1940, durante a guerra e no momento preciso em que os nazistas procuram conferir àquele autor a condição de ideólogo preferencial do nazismo." Por sua vez "não é de modo algum clara qual seja a parte que Nietzsche pode ter tido na elaboração dos conceitos próprios de Heidegger, antes, e depois de Ser e Tempo".
SER E TEMPO
Livraria da Vila (Rua Fradique Coutinho, 915). Tel. (011) 3814-5811. Lançamento e debate terça, 06, às 18h30.
Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,ser-e-tempo-de-martin-heidegger-e-tema-de-debate,955875,0.htm
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Brasileiros se preparam para o horário de verão
À
meia-noite do dia 16 de Outubro, começa o horário de verão nas regiões
sul, sudeste e centro-oeste do Brasil. A mudança ocorre sempre no
terceiro domingo de outubro e se estende até o terceiro domingo de
fevereiro, dia 26.
A alteração
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quente do ano. No último verão, o gasto de energia caiu 4,4% entre o fim
da tarde e início da noite, horário de pico, de acordo com o Ministério
de Minas e Energia.
quinta-feira, 8 de novembro de 2007
O tempo...

O tempo é muito violento conosco. Digo isso porque com o passar dos segundos, minutos, horas, dias, meses e até anos, a gente envelhece, o cabelo embranquece, a pele enruguece e as dores teimam em querer ficar. Tudo parece passar e nada ficar, a não ser as dores. Mas, por dentro, algo toca muito bem o nosso íntimo, é a felicidade de amar. Amar é participar da grande alegria do outro. O outro que nos deixa muitas lembranças, apesar de toda a distância e de todo contratempo. Sim, talvez envelheceremos, ao menos, a vida concorre para isso. No entanto, sorrimos com a felicidade de viver que ainda transcorre em nossas veias. Nunca perderemos o brilho dos olhos, porque é a expressão de nossa esperança!
Há... O tempo! Este, sim, é motivo de reflexão. Pois, estando inerente às situações de nossas vidas é que ele nos provoca a isso. Agostinho de Hipona que viveu no séc. IV d. C., magnificamente o tratou sob o aspecto subjetivo, destacando mais a sua qualidade do que a sua quantidade: “Se ninguém mo perguntar, eu sei; se o quiser me explicar a quem me fizer a pergunta, já não sei. Porém, atrevo-me a declarar, sem receio de contestação, que, se nada sobreviesse, não haveria tempo futuro, e se agora nada houvesse, não existiria o tempo presente"[1]. Já Aristóteles se deteve mais no aspecto quantitativo ou nas causas aparentes do tempo, o que o levou à famosa definição ligada ao instante, pois seria uma duração segundo um antes e um depois.
Ora, tanto Agostinho quanto Aristóteles mostraram suas preocupações humanas em pensar o tempo, o que não é uma tarefa fácil, pois o tempo a todo instante parece nos escapar. Esta foi uma observação não menos genial de Agostinho nas suas Confissões, quando afirmou que o tempo ao simplesmente existir é que ele, de fato, tende a não mais existir.
Diante dessas reflexões acerca do tempo, podemos pontuar um aspecto, digo, mais intenso do tempo que implica diretamente na tentativa de sermos mais felizes ou um pouco menos infelizes, se assim quiserem. É o aspecto do presente no tempo que, diferentemente do passado e do futuro, parece conter com mais intensidade o conteúdo magnífico de viver, pairando no tempo um sabor de eternidade, tornando-o mais leve e cada vez mais ameno.
Nessa direção, observa um filósofo contemporâneo, André Comte-Sponville[2] que o presente permanece presente, de modo que a única coisa que nos autoriza a afirmar que o tempo é, é que ele não cessa de se manter. É o que Spinoza[3] define como duração: não a soma de um passado e de um futuro, que só tem uma existência imaginária, mas a continuação indefinida de uma existência, em outras palavras, a perduração do presente.
Meus caros, com esse pensamento, passeamos por alguns instantes nos meandros do tempo, compartilhamos alguns minutos de eternidade. Acreditamos que o que segura, o que sustenta o tempo é o presente, ou seja, a eternidade. E eternidade aqui entendida como salvação mesmo, pois não há nada mais absurdo do que esperar a eternidade, uma vez que é preciso estar nela já, viver nela já, experimentando o tempo como presente. Mas, não confundamos presente com imobilidade, inércia. Aí já é uma outra história, um outro pensar...
Jackislandy Meira de M. Silva, professor e filósofo.
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[1] AGOSTINHO. As Confissões. Os Pensadores. São Paulo, SP: Nova Cultural, 1999, pp. 322.[2] A Felicidade, desesperadamente. São Paulo: Martins fontes, pp. 93.[3] Ética, II, definição 5. Ver também O ser-tempo, pp. 59s.
Há... O tempo! Este, sim, é motivo de reflexão. Pois, estando inerente às situações de nossas vidas é que ele nos provoca a isso. Agostinho de Hipona que viveu no séc. IV d. C., magnificamente o tratou sob o aspecto subjetivo, destacando mais a sua qualidade do que a sua quantidade: “Se ninguém mo perguntar, eu sei; se o quiser me explicar a quem me fizer a pergunta, já não sei. Porém, atrevo-me a declarar, sem receio de contestação, que, se nada sobreviesse, não haveria tempo futuro, e se agora nada houvesse, não existiria o tempo presente"[1]. Já Aristóteles se deteve mais no aspecto quantitativo ou nas causas aparentes do tempo, o que o levou à famosa definição ligada ao instante, pois seria uma duração segundo um antes e um depois.
Ora, tanto Agostinho quanto Aristóteles mostraram suas preocupações humanas em pensar o tempo, o que não é uma tarefa fácil, pois o tempo a todo instante parece nos escapar. Esta foi uma observação não menos genial de Agostinho nas suas Confissões, quando afirmou que o tempo ao simplesmente existir é que ele, de fato, tende a não mais existir.
Diante dessas reflexões acerca do tempo, podemos pontuar um aspecto, digo, mais intenso do tempo que implica diretamente na tentativa de sermos mais felizes ou um pouco menos infelizes, se assim quiserem. É o aspecto do presente no tempo que, diferentemente do passado e do futuro, parece conter com mais intensidade o conteúdo magnífico de viver, pairando no tempo um sabor de eternidade, tornando-o mais leve e cada vez mais ameno.
Nessa direção, observa um filósofo contemporâneo, André Comte-Sponville[2] que o presente permanece presente, de modo que a única coisa que nos autoriza a afirmar que o tempo é, é que ele não cessa de se manter. É o que Spinoza[3] define como duração: não a soma de um passado e de um futuro, que só tem uma existência imaginária, mas a continuação indefinida de uma existência, em outras palavras, a perduração do presente.
Meus caros, com esse pensamento, passeamos por alguns instantes nos meandros do tempo, compartilhamos alguns minutos de eternidade. Acreditamos que o que segura, o que sustenta o tempo é o presente, ou seja, a eternidade. E eternidade aqui entendida como salvação mesmo, pois não há nada mais absurdo do que esperar a eternidade, uma vez que é preciso estar nela já, viver nela já, experimentando o tempo como presente. Mas, não confundamos presente com imobilidade, inércia. Aí já é uma outra história, um outro pensar...
Jackislandy Meira de M. Silva, professor e filósofo.
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[1] AGOSTINHO. As Confissões. Os Pensadores. São Paulo, SP: Nova Cultural, 1999, pp. 322.[2] A Felicidade, desesperadamente. São Paulo: Martins fontes, pp. 93.[3] Ética, II, definição 5. Ver também O ser-tempo, pp. 59s.
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