sábado, 29 de dezembro de 2012

O valioso exercício do diálogo


(Fonte da imagem: www.blogdacompetencia.blogspot.com.br)

Embalados pela experiência cortante do fim: o encerramento do calendário Maia para o dia vinte e um de dezembro deste ano como expectativa de final dos tempos; o Natal que nos lança culturalmente para dentro da mensagem transformadora de Jesus, segundo a qual é preciso morrer para viver; e agora a possibilidade de atravessarmos a linha cada vez mais tênue que divide um ano do outro; em meio a isso, temos a impressão de que muita coisa ainda está por dizer, muita coisa precisa ser discutida e digerida com incansável diálogo.

Ano após ano, a cada experiência de metamorfose, para não dizer revolução, somos como que balançados pelo encontro com o diferente, pelo diálogo com o outro. Os macedônios, vistos como bárbaros por não falar o grego, estavam fora do mundo civilizado até a subida de Felipe II ao poder, e depois pelo vasto Império de seu filho Alexandre que diluiu a famosa separação que existia entre gregos e bárbaros. A partir daí, o mundo começa a se globalizar e a tomar outra forma, onde o diálogo passa a ser fundamental para o desaparecimento das fronteiras étnicas. E isso se deve, obviamente, à política e à filosofia tão próprias ao mundo grego.

Por elas, o diálogo ganha corpo e se torna uma alternativa eficaz para cessar as guerras e introduzir no mundo a paz. Com o diálogo, temos a certeza de que não precisamos nos matar para resolver nossos problemas, diferenças ou adversidades. Somente o diálogo nos permite saber até onde podemos recuar ou avançar na relação de negociação com outros povos, culturas e etnias.

Se a Grécia mudou muito em contato cultural com o Oriente durante anos, herdando o alfabeto e outros modos de viver, o que dizer então da chegada da filosofia, quando alguns conversadores apareceram em algum lugar às margens do Mar Mediterrâneo. "Uns quinhentos anos antes da era cristã aconteceu na Magna Grécia a melhor coisa registrada na história universal: a descoberta do diálogo. A fé, a certeza, os dogmas, os anátemas, as preces, as proibições, as ordens, os tabus, as tiranias, as guerras e as glórias assediavam o orbe; alguns gregos contraíram, nunca sabemos como, o singular costume de conversar. Duvidaram, persuadiram, discordaram, mudaram de opinião, adiaram. Quiçá foram ajudados por sua mitologia, que era, como o shinto, um conjunto de fábulas imprecisas e de cosmogonias variáveis. Essas dispersas conjecturas foram a primeira raiz do que hoje chamamos, não sem pompa, de metafísica. Sem esses poucos gregos conversadores, a cultura ocidental é inconcebível" (BORGES, J. L. Sobre a filosofia e outros diálogos. Trad. John Lionel. SP: Hedra, 1985, p. 27).

Vejam o quanto o diálogo é importante! O diálogo com outras culturas cria um intercâmbio de troca de informações que esfria os rumores da violência, da ira e da vingança; destrói preconceitos; cessam os medos; prospera a paz; humaniza as relações e o mundo fica mais civilizado. O que um documento de pedra das longínquas comunidades maias, ramificadas em países das Américas do Norte e Central, foi capaz de fazer ultimamente, gerando um clima de repercussão internacional de que o mundo finalmente ia acabar, é a prova mais sensacional daquilo que o diálogo pode proporcionar, sobretudo hoje no mundo informatizado e globalizado. A sensação de fim do mundo tomou conta de todos pelo simples fato de termos acesso à cultura e aos materiais de estudos daquele povo.

Numa sociedade caolha como a nossa, para não dizer cega, de ações públicas impositoras sem diálogo com o povo, em que impera a égide da tecnologia e da informação acelerada em massa, dificilmente encontramos espaços para o valioso exercício do diálogo. Valores individuais e mesquinhos também nos impedem de praticar esta atividade tão importante para o aprendizado. Depois que Platão inventou o diálogo, de lá para cá, passando por Jesus Cristo, o diálogo tem sido a forma mais autêntica de nos aproximarmos uns dos outros e de nos libertarmos da ignorância, além de nos abrirmos para a promoção da paz.

Se Platão ajudou a educar a Grécia pelo diálogo, Jesus salvou muita gente em Israel também pelo diálogo.

Contudo, são nesses momentos de confraternização natalina e ano novo que, a cada ano, temos a oportunidade graciosa de nos encontrarmos uns com os outros para retomarmos a experiência única e maravilhosa do diálogo. Portanto, nesses dias de reunião familiar, não economize tempo para conversar, tampouco palavras para expressar o que pensa e o que sente em relação a tudo.

Bons diálogos e um excelente fim de ano a todos!


Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva

Licenciado em Filosofia, Bel. em Teologia, Esp. em Metafísica e Pós-graduando em Estudos Clássicos pela UnB/Archai/Unesco.

Páginas eletrônicas: www.umasreflexoes.blogspot.com.br



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sábado, 29 de dezembro de 2012

O valioso exercício do diálogo


(Fonte da imagem: www.blogdacompetencia.blogspot.com.br)

Embalados pela experiência cortante do fim: o encerramento do calendário Maia para o dia vinte e um de dezembro deste ano como expectativa de final dos tempos; o Natal que nos lança culturalmente para dentro da mensagem transformadora de Jesus, segundo a qual é preciso morrer para viver; e agora a possibilidade de atravessarmos a linha cada vez mais tênue que divide um ano do outro; em meio a isso, temos a impressão de que muita coisa ainda está por dizer, muita coisa precisa ser discutida e digerida com incansável diálogo.

Ano após ano, a cada experiência de metamorfose, para não dizer revolução, somos como que balançados pelo encontro com o diferente, pelo diálogo com o outro. Os macedônios, vistos como bárbaros por não falar o grego, estavam fora do mundo civilizado até a subida de Felipe II ao poder, e depois pelo vasto Império de seu filho Alexandre que diluiu a famosa separação que existia entre gregos e bárbaros. A partir daí, o mundo começa a se globalizar e a tomar outra forma, onde o diálogo passa a ser fundamental para o desaparecimento das fronteiras étnicas. E isso se deve, obviamente, à política e à filosofia tão próprias ao mundo grego.

Por elas, o diálogo ganha corpo e se torna uma alternativa eficaz para cessar as guerras e introduzir no mundo a paz. Com o diálogo, temos a certeza de que não precisamos nos matar para resolver nossos problemas, diferenças ou adversidades. Somente o diálogo nos permite saber até onde podemos recuar ou avançar na relação de negociação com outros povos, culturas e etnias.

Se a Grécia mudou muito em contato cultural com o Oriente durante anos, herdando o alfabeto e outros modos de viver, o que dizer então da chegada da filosofia, quando alguns conversadores apareceram em algum lugar às margens do Mar Mediterrâneo. "Uns quinhentos anos antes da era cristã aconteceu na Magna Grécia a melhor coisa registrada na história universal: a descoberta do diálogo. A fé, a certeza, os dogmas, os anátemas, as preces, as proibições, as ordens, os tabus, as tiranias, as guerras e as glórias assediavam o orbe; alguns gregos contraíram, nunca sabemos como, o singular costume de conversar. Duvidaram, persuadiram, discordaram, mudaram de opinião, adiaram. Quiçá foram ajudados por sua mitologia, que era, como o shinto, um conjunto de fábulas imprecisas e de cosmogonias variáveis. Essas dispersas conjecturas foram a primeira raiz do que hoje chamamos, não sem pompa, de metafísica. Sem esses poucos gregos conversadores, a cultura ocidental é inconcebível" (BORGES, J. L. Sobre a filosofia e outros diálogos. Trad. John Lionel. SP: Hedra, 1985, p. 27).

Vejam o quanto o diálogo é importante! O diálogo com outras culturas cria um intercâmbio de troca de informações que esfria os rumores da violência, da ira e da vingança; destrói preconceitos; cessam os medos; prospera a paz; humaniza as relações e o mundo fica mais civilizado. O que um documento de pedra das longínquas comunidades maias, ramificadas em países das Américas do Norte e Central, foi capaz de fazer ultimamente, gerando um clima de repercussão internacional de que o mundo finalmente ia acabar, é a prova mais sensacional daquilo que o diálogo pode proporcionar, sobretudo hoje no mundo informatizado e globalizado. A sensação de fim do mundo tomou conta de todos pelo simples fato de termos acesso à cultura e aos materiais de estudos daquele povo.

Numa sociedade caolha como a nossa, para não dizer cega, de ações públicas impositoras sem diálogo com o povo, em que impera a égide da tecnologia e da informação acelerada em massa, dificilmente encontramos espaços para o valioso exercício do diálogo. Valores individuais e mesquinhos também nos impedem de praticar esta atividade tão importante para o aprendizado. Depois que Platão inventou o diálogo, de lá para cá, passando por Jesus Cristo, o diálogo tem sido a forma mais autêntica de nos aproximarmos uns dos outros e de nos libertarmos da ignorância, além de nos abrirmos para a promoção da paz.

Se Platão ajudou a educar a Grécia pelo diálogo, Jesus salvou muita gente em Israel também pelo diálogo.

Contudo, são nesses momentos de confraternização natalina e ano novo que, a cada ano, temos a oportunidade graciosa de nos encontrarmos uns com os outros para retomarmos a experiência única e maravilhosa do diálogo. Portanto, nesses dias de reunião familiar, não economize tempo para conversar, tampouco palavras para expressar o que pensa e o que sente em relação a tudo.

Bons diálogos e um excelente fim de ano a todos!


Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva

Licenciado em Filosofia, Bel. em Teologia, Esp. em Metafísica e Pós-graduando em Estudos Clássicos pela UnB/Archai/Unesco.

Páginas eletrônicas: www.umasreflexoes.blogspot.com.br



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