terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Platão e a cidade justa

O quanto é agradável revisitar trechos da filosofia política de Platão que transparecem a preocupação deste filósofo com o governo de seu tempo. Suas palavras na boca dos personagens Glauco e Sócrates mais parecem um tom em uníssono de que a cidade precisa de governo justo. Vejamos algumas passagens do Livro VII da República de Platão:

"... que nem os ignorantes e desconhecedores da verdade, nem os que permitimos passar toda a vida nos estudos podem ser bons governantes: os primeiros, por carecerem de um ideal com que relacionem todos os seus atos, assim públicos como particulares; os outros, por não se resolverem nunca a exercer essas atividades, visto já se imaginarem na ilha dos bem-aventurados..."

"... se encontrares para os que têm de ser dirigentes uma vida melhor do que o ofício de governar, conseguirás que a cidade seja bem administrada, porque somente uma cidade nessas condições é que pode ser comandada por cidadãos verdadeiramente ricos; não ricos em outro, sem dúvida, mas no que devem ser ricos bem-aventurados: em vida virtuosa e sábia. Onde os famintos e mendigos se ocupam dos negócios públicos em proveito próprio, com a esperança de fazer mão baixa no que houver de bom... Assim não é possível. Sempre que a conquista do poder se transforma num prédio encarniçado, a guerra doméstica e intestina acarreta a destruição tanto dos dirigentes como na cidade..."

"... Sendo assim, não devem ambicionar o mando os amigos do poder, para não terem de lutar com os seus concorrentes..."

"... E não é certo, continuei, que, com relação à verdade, devemos também considerar estropiada a alma que odeia, de fato, a mentira voluntária, sem a admitir em si própria nem conseguir dominar-se quando se manifesta nos outros, mas tolera facilmente a involuntária, e longe de mostrar-se indignada consigo mesma quando é apanhada em alguma falsidade, apraz-se de chafurdar-se na ignorância, como faz na lama o porco?..."

"... Porque o homem livre, lhe disse, não deve aprender nada como escravo. Os trabalhos corpóreos podem ser impostos sem maior prejuízo para o corpo, porém na alma não cala nenhum conhecimento adquirido à força..."

"... Por isso, meu caro, nunca ensines nada às crianças por meios violentos, mas à guisa de brinquedo, é como melhor poderás observar as aptidões de cada um..."

"... E já não seria uma medida preventiva de grande relevância não deixá-los provar muitos moços da Dialética?
      Segundo creio, de maravilha poderá ter-te escapado como procedem os adolescentes, quando pela primeira vez lhe sentem o gosto: usam-na à guisa de brinquedo, para rebater a tudo e a todos, e imitando os que os confundem com seus argumentos, põem empenho, por sua vez, em cofundir os outros, comprazendo-se, à maneira de cachorrinhos, em puxar e rasgar os que deles se aproximam..." 

Não há como passar pela leitura atenta de Platão sem antes considerar o caráter da cidade justa, habitada por cidadãos justos, mesmo estando distante de nós muitos séculos, porém é útil prender o olhar nesses trechos que remontam à cidade justa.
Prof. Jackislandy Meira de M. Silva


 

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terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Platão e a cidade justa

O quanto é agradável revisitar trechos da filosofia política de Platão que transparecem a preocupação deste filósofo com o governo de seu tempo. Suas palavras na boca dos personagens Glauco e Sócrates mais parecem um tom em uníssono de que a cidade precisa de governo justo. Vejamos algumas passagens do Livro VII da República de Platão:

"... que nem os ignorantes e desconhecedores da verdade, nem os que permitimos passar toda a vida nos estudos podem ser bons governantes: os primeiros, por carecerem de um ideal com que relacionem todos os seus atos, assim públicos como particulares; os outros, por não se resolverem nunca a exercer essas atividades, visto já se imaginarem na ilha dos bem-aventurados..."

"... se encontrares para os que têm de ser dirigentes uma vida melhor do que o ofício de governar, conseguirás que a cidade seja bem administrada, porque somente uma cidade nessas condições é que pode ser comandada por cidadãos verdadeiramente ricos; não ricos em outro, sem dúvida, mas no que devem ser ricos bem-aventurados: em vida virtuosa e sábia. Onde os famintos e mendigos se ocupam dos negócios públicos em proveito próprio, com a esperança de fazer mão baixa no que houver de bom... Assim não é possível. Sempre que a conquista do poder se transforma num prédio encarniçado, a guerra doméstica e intestina acarreta a destruição tanto dos dirigentes como na cidade..."

"... Sendo assim, não devem ambicionar o mando os amigos do poder, para não terem de lutar com os seus concorrentes..."

"... E não é certo, continuei, que, com relação à verdade, devemos também considerar estropiada a alma que odeia, de fato, a mentira voluntária, sem a admitir em si própria nem conseguir dominar-se quando se manifesta nos outros, mas tolera facilmente a involuntária, e longe de mostrar-se indignada consigo mesma quando é apanhada em alguma falsidade, apraz-se de chafurdar-se na ignorância, como faz na lama o porco?..."

"... Porque o homem livre, lhe disse, não deve aprender nada como escravo. Os trabalhos corpóreos podem ser impostos sem maior prejuízo para o corpo, porém na alma não cala nenhum conhecimento adquirido à força..."

"... Por isso, meu caro, nunca ensines nada às crianças por meios violentos, mas à guisa de brinquedo, é como melhor poderás observar as aptidões de cada um..."

"... E já não seria uma medida preventiva de grande relevância não deixá-los provar muitos moços da Dialética?
      Segundo creio, de maravilha poderá ter-te escapado como procedem os adolescentes, quando pela primeira vez lhe sentem o gosto: usam-na à guisa de brinquedo, para rebater a tudo e a todos, e imitando os que os confundem com seus argumentos, põem empenho, por sua vez, em cofundir os outros, comprazendo-se, à maneira de cachorrinhos, em puxar e rasgar os que deles se aproximam..." 

Não há como passar pela leitura atenta de Platão sem antes considerar o caráter da cidade justa, habitada por cidadãos justos, mesmo estando distante de nós muitos séculos, porém é útil prender o olhar nesses trechos que remontam à cidade justa.
Prof. Jackislandy Meira de M. Silva


 

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