quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Afrodite age nos sentidos



É um prazer falar de Afrodite, uma vez que faz bem aos ouvidos e aos olhos. Digo, pelo simples fato de nos referirmos a ela não só como uma deusa louvada na Grécia, mas também na Ásia, no mundo oriental, recheada de simbolismo e encanto. Vale salientar aqui a importância da poesia grega orada, feita para o ouvido e para o olho, antes de qualquer teorização sobre o amor. Mais do que falar Afrodite, é preciso sentir Afrodite no imaginário grego. Esplêndido este detalhe, na medida em que é perceptível na literatura grega, quer nas tragédias ou nas obras filosóficas, sobretudo em Platão e Aristóteles, como também em Homero e Hesíodo, nuances de Afrodite que age na sensibilidade, no corpo, no físico, ao pé do ouvido.
Como não lembrar que foi ela própria, Afrodite, chamar Helena, que encontrou na alta muralha, no meio de uma multidão de Troianas, em plena guerra. A narrativa é feita no alto da passagem da Ilíada, III, 383-447. Afrodite expõe toda sua hábil sedução para atrair Helena até ao leito nupcial e salvar Alexandre da guerra.
No entanto, a lenda da origem de Afrodite, disseminada no Oriente, que diz que os peixes do Eufrates tinham encontrado um ovo grande nas águas do rio e carregaram esse ovo até a praia, onde uma pomba chegou e quebrou o ovo, e dentro estava Afrodite. Daí, mesmo em cultura ocidental, Afrodite vir representada junto às águas ou aos pássaros. Por isso, sua associação do amor a cenários naturais.
Da tradição grega, herdamos a visão de Afrodite já no Olimpo como filha de Zeus junto a Eros. “Mas dos órgãos sexuais do Céu surgiu também uma outra deusa, que não pertence mais a Eris, mas sim, pelo contrário, a Eros, não mais à discórdia e ao conflito, mas ao amor(proximidade das duas palavras, em grego, parece indicar também uma proximidade nos fatos: muito facilmente se passa do amor ao ódio, de Eros a Eris): trata-se de Afrodite, a deusa da beleza e, justamente, do amor. Você se lembra que o sangue do sexo de Urano caiu na terra, mas o sexo, propriamente, Cronos jogou longe, por cima do ombro, e ele foi se perder no mar. E boiou! Flutuou na água, no meio da espuma branca – espuma que, em grego, se diz, afros, a qual, misturando-se à outra espuma que saía do sexo de Urano, gerou uma sublimíssima jovem: Afrodite, a mais bela de todas as divindades. É a deusa da doçura, do carinho, dos sorrisos trocados pelos apaixonados, mas também a da sexualidade brutal e da duplicidade do que se diz quando se quer seduzir o outro, querendo agradar, palavras que no mínimo são sempre fiéis à verdade, a duplicidade serve para atrair afetos,(…). Afrodite é tudo isso: a sedução e a mentira, o charme e a vaidade, o amor e o ciúme que dele nasce, a ternura, mas também as crises de raiva e de ódio geradas pelas paixões contrariadas. No que, mais uma vez, Eros nunca está muito longe de Eris, o amor sempre na vizinhança da disputa. Se dermos ouvido a Hesíodo, quando ela sai das águas, em Chipre, está sempre acompanhada por duas outras divindades menores que lhe servem, de certa maneira, de 'acompanhantes', companheiros e confidentes: Eros, justamente, mas dessa vez se trata de Eros número 2, o pequeno personagem de que falei ainda a pouco e frequentemente será representado, mas bem posteriormente a Hesíodo, como um menino bochechudo, armado com um arco e flechas. E, ao lado de Eros, há Imeros, o desejo, que sempre abre caminho para o amor propriamente dito...”(FERRY, Luc. A sabedoria dos mitos gregos. Aprender a viver II. Trad. de Jorge Bastos. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009, p. 54-55).
Afrodite é impressionante pelo páthos que ela provoca nos corpos, devido ao seu deleite físico. O que seria de nós sem o prazer, o cheiro e a visão do amor que emana do poder afrodisíaco da bela Afrodite em todos os seres? Pascal, filósofo francês, acreditava que é impossível fazer alguma coisa de grande sem paixão. É isso que Afrodite estimula nos seres, nas pessoas, o desejo incessante de seduzir o outro. Talvez seja ela a maior responsável por acordar o amor em nós, despertando-nos do sono dos sentidos.


Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva
Especialista em Metafísica, Licenciado em Filosofia, Bacharel em Teologia e Pós-graduando em Estudos Clássicos pela UnB em parceria com Archai Unesco.




2 comentários:

Ezequiel Domingues dos Santos disse...

Olá jackislandy, eu cliquei no link "Filosofia Clássica 1- Os pré-socráticos" a não carrega a tela, você tirou ela do blog?

Ezequiel

Jackislandy e Silmara disse...

Oi Ezequiel, é um prazer recebê-lo aqui no meu blog. Espero que tenha gostado e o visite sempre que puder. Olhe, já solucionei o problema de baixar os arquivos. É que tive que atualizá-lo no Shared. Agora pode ficar à vontade e baixar o arquivo de seu interesse.

Att,
Jackislandy

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Afrodite age nos sentidos



É um prazer falar de Afrodite, uma vez que faz bem aos ouvidos e aos olhos. Digo, pelo simples fato de nos referirmos a ela não só como uma deusa louvada na Grécia, mas também na Ásia, no mundo oriental, recheada de simbolismo e encanto. Vale salientar aqui a importância da poesia grega orada, feita para o ouvido e para o olho, antes de qualquer teorização sobre o amor. Mais do que falar Afrodite, é preciso sentir Afrodite no imaginário grego. Esplêndido este detalhe, na medida em que é perceptível na literatura grega, quer nas tragédias ou nas obras filosóficas, sobretudo em Platão e Aristóteles, como também em Homero e Hesíodo, nuances de Afrodite que age na sensibilidade, no corpo, no físico, ao pé do ouvido.
Como não lembrar que foi ela própria, Afrodite, chamar Helena, que encontrou na alta muralha, no meio de uma multidão de Troianas, em plena guerra. A narrativa é feita no alto da passagem da Ilíada, III, 383-447. Afrodite expõe toda sua hábil sedução para atrair Helena até ao leito nupcial e salvar Alexandre da guerra.
No entanto, a lenda da origem de Afrodite, disseminada no Oriente, que diz que os peixes do Eufrates tinham encontrado um ovo grande nas águas do rio e carregaram esse ovo até a praia, onde uma pomba chegou e quebrou o ovo, e dentro estava Afrodite. Daí, mesmo em cultura ocidental, Afrodite vir representada junto às águas ou aos pássaros. Por isso, sua associação do amor a cenários naturais.
Da tradição grega, herdamos a visão de Afrodite já no Olimpo como filha de Zeus junto a Eros. “Mas dos órgãos sexuais do Céu surgiu também uma outra deusa, que não pertence mais a Eris, mas sim, pelo contrário, a Eros, não mais à discórdia e ao conflito, mas ao amor(proximidade das duas palavras, em grego, parece indicar também uma proximidade nos fatos: muito facilmente se passa do amor ao ódio, de Eros a Eris): trata-se de Afrodite, a deusa da beleza e, justamente, do amor. Você se lembra que o sangue do sexo de Urano caiu na terra, mas o sexo, propriamente, Cronos jogou longe, por cima do ombro, e ele foi se perder no mar. E boiou! Flutuou na água, no meio da espuma branca – espuma que, em grego, se diz, afros, a qual, misturando-se à outra espuma que saía do sexo de Urano, gerou uma sublimíssima jovem: Afrodite, a mais bela de todas as divindades. É a deusa da doçura, do carinho, dos sorrisos trocados pelos apaixonados, mas também a da sexualidade brutal e da duplicidade do que se diz quando se quer seduzir o outro, querendo agradar, palavras que no mínimo são sempre fiéis à verdade, a duplicidade serve para atrair afetos,(…). Afrodite é tudo isso: a sedução e a mentira, o charme e a vaidade, o amor e o ciúme que dele nasce, a ternura, mas também as crises de raiva e de ódio geradas pelas paixões contrariadas. No que, mais uma vez, Eros nunca está muito longe de Eris, o amor sempre na vizinhança da disputa. Se dermos ouvido a Hesíodo, quando ela sai das águas, em Chipre, está sempre acompanhada por duas outras divindades menores que lhe servem, de certa maneira, de 'acompanhantes', companheiros e confidentes: Eros, justamente, mas dessa vez se trata de Eros número 2, o pequeno personagem de que falei ainda a pouco e frequentemente será representado, mas bem posteriormente a Hesíodo, como um menino bochechudo, armado com um arco e flechas. E, ao lado de Eros, há Imeros, o desejo, que sempre abre caminho para o amor propriamente dito...”(FERRY, Luc. A sabedoria dos mitos gregos. Aprender a viver II. Trad. de Jorge Bastos. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009, p. 54-55).
Afrodite é impressionante pelo páthos que ela provoca nos corpos, devido ao seu deleite físico. O que seria de nós sem o prazer, o cheiro e a visão do amor que emana do poder afrodisíaco da bela Afrodite em todos os seres? Pascal, filósofo francês, acreditava que é impossível fazer alguma coisa de grande sem paixão. É isso que Afrodite estimula nos seres, nas pessoas, o desejo incessante de seduzir o outro. Talvez seja ela a maior responsável por acordar o amor em nós, despertando-nos do sono dos sentidos.


Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva
Especialista em Metafísica, Licenciado em Filosofia, Bacharel em Teologia e Pós-graduando em Estudos Clássicos pela UnB em parceria com Archai Unesco.




2 comentários:

Ezequiel Domingues dos Santos disse...

Olá jackislandy, eu cliquei no link "Filosofia Clássica 1- Os pré-socráticos" a não carrega a tela, você tirou ela do blog?

Ezequiel

Jackislandy e Silmara disse...

Oi Ezequiel, é um prazer recebê-lo aqui no meu blog. Espero que tenha gostado e o visite sempre que puder. Olhe, já solucionei o problema de baixar os arquivos. É que tive que atualizá-lo no Shared. Agora pode ficar à vontade e baixar o arquivo de seu interesse.

Att,
Jackislandy

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