quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Estudo recente revela o panorama trágico da educação brasileira

Especialistas reuniram-se, em São Paulo, para apresentação de dados sobre a qualidade do ensino no país
No Brasil, 3,8 milhões de crianças e adolescentes com idades entre quatro e 17 anos anos estão fora da escola. Este é o principal dado revelado pelo relatório anual De olho nas metas 2011, realizado pelo Movimento Todos Pela Educação. A pesquisa foi apresentada em São Paulo e também revelou que, no cenário atual, nenhuma das cinco metas para a educação no Brasil estabelecidas pelo movimento, e que devem ser atingidas até 2022, não seriam cumpridas. “O grande alerta que fazemos é que se as autoridades públicas não criarem uma política educacional forte não iremos atingir nenhuma das metas”, reforçou Priscila Cruz, diretora-executiva do movimento.

As cinco metas estabelecem que toda criança e jovem de quatro a 17 anos devem estar na escola; alfabetização plena até os 8 anos; os alunos devem estar com aprendizado adequado à sua série; ensino médio concluído até os 19 anos e investimentos destinados à Educação ampliados e bem geridos.

Com relação à primeira meta, o estudo apontou que, proporcionalmente, a região com o maior atendimento é a sudeste, com 92,7% de estudantes no ensino básico. No entanto, em números absolutos, esta também é a região que apresenta o maior número de indivíduos fora da escola, totalizando 607 mil crianças e jovens.

Outro dado importante é que o acesso à educação no país é menor nos anos iniciais e finais, para crianças com idades entre quatro e cinco anos e 15 a 17, respectivamente. Já na faixa etária de 6 a 14 anos, o resultado é positivo: 96,7% frequentam a escola.

O estudo indica que a solução para o problema dos anos iniciais e finais seria combater a evasão e o atraso escolar e não apenas criar novas vagas. Tufi Machado Soares, professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e um dos analistas da pesquisa, argumentou que o atraso escolar desestimula o aluno, pois quanto maior é sua defasagem menores são suas chances de concluir os estudos. “É preciso ter a convicção de que a reprovação representa um grande fracasso, tanto para o aluno quanto para o sistema. Seria necessário reduzir ao máximo as reprovações, com alternativas de recuperação dos alunos ao longo de todos os anos de estudo”, afirmou.

Ele defende que organizar os anos escolares dentro de ciclos e ampliar a recuperação são duas formas de evitar a reprovação. “Acho que a reprovação deveria ser proibida para crianças com até 8 anos, até mesmo além disso. Não faz sentido reprovar o aluno nesta fase em que ele está aprendendo a ler e a escrever”, avaliou Soares.

Brasil gasta pouco em
comparação com outros países
A qualidade da Educação brasileira ainda está longe do que é almejado, assim como os investimentos nessa área. Com relação aos gastos, o estudo revelou que o Brasil ainda destina pouca verba para a Educação, principalmente para o ensino básico. Conforme os dados da organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) de 2011, o investimento por aluno no país foi de US$2,4, valor inferior em comparação com a média dos países da OCDE, que foi de US$8,9. Enquanto isso, são investidos no ensino superior no país cerca de U$14.

“Ficou evidente que no Brasil os investimentos por aluno do ensino superior é bem maior do que no ensino básico. Ainda precisamos avançar”, alertou o analista Amaury Gremaud, professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (Fea-RP).

Uma das novidades do relatório são os dados divulgados pela Prova ABC, que foi realizada pela primeira vez, através de uma parceria com a Fundação Cesgranrio, o Instituto Paulo Montenegro/Ibope e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). A avaliação foi feita em 2011 e contou com a participação de 6 mil alunos do 4° ano do ensino fundamental, de todas as capitais, com a participação de 250 escolas das redes privada e particular.

Foram avaluados conhecimentos em leitura, escrita e Matemática. Os melhores resultados foram obtidos nas regiões sudeste, sul e centro-oeste. Os resultados nacionais apontaram que 56,1% dos avaliados tiveram bom desempenho em leitura e 53,3% em escrita. Já em Matemática, o desempenho foi insatisfatório, sendo que apenas 42,8% atingiram o conhecimento esperado.

O baixo resultado dos alunos nesta disciplina é um dado que preocupa os especialistas. “Os alunos que não adquirem os conhecimentos básicos da Matemática próprios para a faixa etária deles ficam atrasados para os próximos anos. Isso terá reflexo no ensino fundamental e no ensino médio”, apontou Nilma Fontanive, articulista da pesquisa e consultora da Fundação Cesgranrio.

Metas do Todos Pela Educação até 2022
Meta 1: Toda criança e jovem de 4 a 17 anos na escola
Meta 2: Toda criança plenamente alfabetizada até os 8 anos
Meta 3: Todo aluno com aprendizado adequado à sua série
Meta 4: Todo aluno com o ensino médio concluído até os 19 anos
Meta 5: investimento em educação ampliado e bem gerido
 

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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Estudo recente revela o panorama trágico da educação brasileira

Especialistas reuniram-se, em São Paulo, para apresentação de dados sobre a qualidade do ensino no país
No Brasil, 3,8 milhões de crianças e adolescentes com idades entre quatro e 17 anos anos estão fora da escola. Este é o principal dado revelado pelo relatório anual De olho nas metas 2011, realizado pelo Movimento Todos Pela Educação. A pesquisa foi apresentada em São Paulo e também revelou que, no cenário atual, nenhuma das cinco metas para a educação no Brasil estabelecidas pelo movimento, e que devem ser atingidas até 2022, não seriam cumpridas. “O grande alerta que fazemos é que se as autoridades públicas não criarem uma política educacional forte não iremos atingir nenhuma das metas”, reforçou Priscila Cruz, diretora-executiva do movimento.

As cinco metas estabelecem que toda criança e jovem de quatro a 17 anos devem estar na escola; alfabetização plena até os 8 anos; os alunos devem estar com aprendizado adequado à sua série; ensino médio concluído até os 19 anos e investimentos destinados à Educação ampliados e bem geridos.

Com relação à primeira meta, o estudo apontou que, proporcionalmente, a região com o maior atendimento é a sudeste, com 92,7% de estudantes no ensino básico. No entanto, em números absolutos, esta também é a região que apresenta o maior número de indivíduos fora da escola, totalizando 607 mil crianças e jovens.

Outro dado importante é que o acesso à educação no país é menor nos anos iniciais e finais, para crianças com idades entre quatro e cinco anos e 15 a 17, respectivamente. Já na faixa etária de 6 a 14 anos, o resultado é positivo: 96,7% frequentam a escola.

O estudo indica que a solução para o problema dos anos iniciais e finais seria combater a evasão e o atraso escolar e não apenas criar novas vagas. Tufi Machado Soares, professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e um dos analistas da pesquisa, argumentou que o atraso escolar desestimula o aluno, pois quanto maior é sua defasagem menores são suas chances de concluir os estudos. “É preciso ter a convicção de que a reprovação representa um grande fracasso, tanto para o aluno quanto para o sistema. Seria necessário reduzir ao máximo as reprovações, com alternativas de recuperação dos alunos ao longo de todos os anos de estudo”, afirmou.

Ele defende que organizar os anos escolares dentro de ciclos e ampliar a recuperação são duas formas de evitar a reprovação. “Acho que a reprovação deveria ser proibida para crianças com até 8 anos, até mesmo além disso. Não faz sentido reprovar o aluno nesta fase em que ele está aprendendo a ler e a escrever”, avaliou Soares.

Brasil gasta pouco em
comparação com outros países
A qualidade da Educação brasileira ainda está longe do que é almejado, assim como os investimentos nessa área. Com relação aos gastos, o estudo revelou que o Brasil ainda destina pouca verba para a Educação, principalmente para o ensino básico. Conforme os dados da organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) de 2011, o investimento por aluno no país foi de US$2,4, valor inferior em comparação com a média dos países da OCDE, que foi de US$8,9. Enquanto isso, são investidos no ensino superior no país cerca de U$14.

“Ficou evidente que no Brasil os investimentos por aluno do ensino superior é bem maior do que no ensino básico. Ainda precisamos avançar”, alertou o analista Amaury Gremaud, professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (Fea-RP).

Uma das novidades do relatório são os dados divulgados pela Prova ABC, que foi realizada pela primeira vez, através de uma parceria com a Fundação Cesgranrio, o Instituto Paulo Montenegro/Ibope e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). A avaliação foi feita em 2011 e contou com a participação de 6 mil alunos do 4° ano do ensino fundamental, de todas as capitais, com a participação de 250 escolas das redes privada e particular.

Foram avaluados conhecimentos em leitura, escrita e Matemática. Os melhores resultados foram obtidos nas regiões sudeste, sul e centro-oeste. Os resultados nacionais apontaram que 56,1% dos avaliados tiveram bom desempenho em leitura e 53,3% em escrita. Já em Matemática, o desempenho foi insatisfatório, sendo que apenas 42,8% atingiram o conhecimento esperado.

O baixo resultado dos alunos nesta disciplina é um dado que preocupa os especialistas. “Os alunos que não adquirem os conhecimentos básicos da Matemática próprios para a faixa etária deles ficam atrasados para os próximos anos. Isso terá reflexo no ensino fundamental e no ensino médio”, apontou Nilma Fontanive, articulista da pesquisa e consultora da Fundação Cesgranrio.

Metas do Todos Pela Educação até 2022
Meta 1: Toda criança e jovem de 4 a 17 anos na escola
Meta 2: Toda criança plenamente alfabetizada até os 8 anos
Meta 3: Todo aluno com aprendizado adequado à sua série
Meta 4: Todo aluno com o ensino médio concluído até os 19 anos
Meta 5: investimento em educação ampliado e bem gerido
 

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