sábado, 22 de março de 2014

M. Blanchot: Uma voz vinda de outro lugar...

 
(imagem da wikipédia: Dafne, a Sibila délfica, afresco de Michelangelo)

"A linguagem em que fala a origem é essencialmente profética. Isso não significa que dite os acontecimentos futuros; quer dizer que não se apoia em algo que já existe, nem numa verdade em curso nem na única linguagem já falada ou verificada. Ela anuncia, porque começa. Indica o futuro, porque ainda não fala: linguagem do futuro, pelo fato de ser ela mesma uma espécie de linguagem futura, que sempre se antecipa, não tendo sentido e legitimidade senão adiante de si mesma - ou seja, fundamentalmente injustificada. E tal é a sabedoria desarrazoada da Sibila, que se faz ouvir durante mil anos, porque jamais é ouvida agora, e essa linguagem que abre a duração, que dilacera e que começa, sem sorriso, nem adorno, nem maquiagem, nudez da palavra primeira: 'A Sibila, que, com a boca espumando, pronuncia palavra sem atrativo, sem adorno nem maquiagem, faz retinir seus oráculos durante mil anos, pois é o deus que a inspira'"


(BANCHOT, Maurice. Uma voz vinda de outro lugar. Trad. de Adriana Lisboa. Rio de Janeiro: Rocco, 2011. p. 50-60).

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sábado, 22 de março de 2014

M. Blanchot: Uma voz vinda de outro lugar...

 
(imagem da wikipédia: Dafne, a Sibila délfica, afresco de Michelangelo)

"A linguagem em que fala a origem é essencialmente profética. Isso não significa que dite os acontecimentos futuros; quer dizer que não se apoia em algo que já existe, nem numa verdade em curso nem na única linguagem já falada ou verificada. Ela anuncia, porque começa. Indica o futuro, porque ainda não fala: linguagem do futuro, pelo fato de ser ela mesma uma espécie de linguagem futura, que sempre se antecipa, não tendo sentido e legitimidade senão adiante de si mesma - ou seja, fundamentalmente injustificada. E tal é a sabedoria desarrazoada da Sibila, que se faz ouvir durante mil anos, porque jamais é ouvida agora, e essa linguagem que abre a duração, que dilacera e que começa, sem sorriso, nem adorno, nem maquiagem, nudez da palavra primeira: 'A Sibila, que, com a boca espumando, pronuncia palavra sem atrativo, sem adorno nem maquiagem, faz retinir seus oráculos durante mil anos, pois é o deus que a inspira'"


(BANCHOT, Maurice. Uma voz vinda de outro lugar. Trad. de Adriana Lisboa. Rio de Janeiro: Rocco, 2011. p. 50-60).

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