domingo, 27 de fevereiro de 2011

Morre Benedito Nunes, um dos maiores filósofos e críticos literários do Brasil.


Um filósofo cuja obra é irretocável não só pela beleza literária que havia nelas, mas pelo rigor crítico com que lia grandes mestres da literatura e da filosofia, como Heidegger, Clarice Lispector e muitos outros... Dele eu li Col. Passo a passo Heidegger, Ser e Tempo, li também Crivo de Papel , Filosofia da Arte e alguns artigos seus imprescindíveis para o aprimoramento do pensar filosófico.

"Uma tarefa própria ao pensamento filosófico é justamente defender-se desse círculo das coisas prementes da época. Defender-se da urgência das soluções imediatistas. Defender-se dos sistemas de aplicação demasiadamente funcional. Ou seja, o pensamento filosófico tem que defender o espaço de liberdade, no sentido próprio da palavra, para o homem pensar a si mesmo, pensar a sua circunstância, pensar-se independentemente das tarefas. Essa é a grande problemática também do Heidegger, que deixou aberta a questão da moral. Perguntavam “porque que o senhor nunca escreveu uma ética, onde está sua ética?” Eu acho que não era da perspectiva dele escrever uma ética. Existe um capitulo na introdução de “Ser e Tempo” que eu acho muito interessante que é o capitulo Destruição da história e da
ontologia. Esta destruição da história e da ontologia atingiu muitas coisas,principalmente a formação da ética. Qual é a ontologia da ética? Não pode haver uma ontologia da ética porque se houver uma ontologia da ética existe uma forma de ser. E a ética fica nessa oscilação entre os mores romano e o éthos grego. O éthos grego é sempre a necessidade de ultrapassar os mores, e fazer algo para que o homem seja o que ele é. Mas o que o homem é, isso ele pode saber só na medida em que haja aí um problema da ação, de onde deriva Hannah Arendt. Ela foi um dos poucos pensadores que colocou, de uma maneira corajosa, o problema da ação. Essa talvez seja a grande falta do Heidegger, mas foi estimulada por essa filosofia que a Hannah Arendt chegou a esse ponto. Quais são as condições da ação num mundo como o de hoje, completamente cercado pela propaganda, pela mídia, pelas invenções tecnológicas. Um mundo que parece voltar a certas formas primitivas
de conduta. Como essas agremiações religiosas, pessoas que se matam entre si, outras que se emasculam..."(Benedito Nunes numa certa entrevista).

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domingo, 27 de fevereiro de 2011

Morre Benedito Nunes, um dos maiores filósofos e críticos literários do Brasil.


Um filósofo cuja obra é irretocável não só pela beleza literária que havia nelas, mas pelo rigor crítico com que lia grandes mestres da literatura e da filosofia, como Heidegger, Clarice Lispector e muitos outros... Dele eu li Col. Passo a passo Heidegger, Ser e Tempo, li também Crivo de Papel , Filosofia da Arte e alguns artigos seus imprescindíveis para o aprimoramento do pensar filosófico.

"Uma tarefa própria ao pensamento filosófico é justamente defender-se desse círculo das coisas prementes da época. Defender-se da urgência das soluções imediatistas. Defender-se dos sistemas de aplicação demasiadamente funcional. Ou seja, o pensamento filosófico tem que defender o espaço de liberdade, no sentido próprio da palavra, para o homem pensar a si mesmo, pensar a sua circunstância, pensar-se independentemente das tarefas. Essa é a grande problemática também do Heidegger, que deixou aberta a questão da moral. Perguntavam “porque que o senhor nunca escreveu uma ética, onde está sua ética?” Eu acho que não era da perspectiva dele escrever uma ética. Existe um capitulo na introdução de “Ser e Tempo” que eu acho muito interessante que é o capitulo Destruição da história e da
ontologia. Esta destruição da história e da ontologia atingiu muitas coisas,principalmente a formação da ética. Qual é a ontologia da ética? Não pode haver uma ontologia da ética porque se houver uma ontologia da ética existe uma forma de ser. E a ética fica nessa oscilação entre os mores romano e o éthos grego. O éthos grego é sempre a necessidade de ultrapassar os mores, e fazer algo para que o homem seja o que ele é. Mas o que o homem é, isso ele pode saber só na medida em que haja aí um problema da ação, de onde deriva Hannah Arendt. Ela foi um dos poucos pensadores que colocou, de uma maneira corajosa, o problema da ação. Essa talvez seja a grande falta do Heidegger, mas foi estimulada por essa filosofia que a Hannah Arendt chegou a esse ponto. Quais são as condições da ação num mundo como o de hoje, completamente cercado pela propaganda, pela mídia, pelas invenções tecnológicas. Um mundo que parece voltar a certas formas primitivas
de conduta. Como essas agremiações religiosas, pessoas que se matam entre si, outras que se emasculam..."(Benedito Nunes numa certa entrevista).

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