segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Poesia de Pessoa está viva em cada esquina de Lisboa



Pedro Bassan mostra, numa viagem de bonde pelas ruas de Lisboa, os locais preferidos do poeta Fernando Pessoa.

Uma placa diz que um dos maiores poetas da língua portuguesa, Fernando Pessoa, nasceu no 4º andar de um prédio em Lisboa e a casa dele foi a cidade inteira. Pessoa andou pelas ruas da região até 1935. Mas quem disse que poeta morre? As palavras estão vivas em cada esquina e a Lisboa de Fernando Pessoa ainda existe.

Para passear por ela, basta entrar num bonde. São os mesmos que percorrem a cidade até hoje. Não são do mesmo modelo, não. São os mesmos, mesmo. Parece até que Fernando Pessoa vai estar sentado ao nosso lado.

As cabines mantêm o mesmo aspecto desde que foram construídas, em 1901. Já o sistema mecânico é moderno, foi todo reformado nos anos 90. Nos bondes de Lisboa, é possível viajar no tempo, com a sensação de total segurança.

Eles se encaixam em cada cantinho de Lisboa e levam 20 milhões de passageiros por ano. É impressionante o fôlego do ‘velhinho’ de 110 anos. Os bondes não foram mantidos só pelo romantismo, não.

É que até hoje é impossível encontrar outro veículo que enfrente curvas com o mesmo equilíbrio. São 45 bondes na ativa. Parece muito mais. Pintam a cidade de amarelo e andam carregados de poesia. Será que não foi dentro de um bonde que pessoa teve a inspiração para alguns de seus versos?

Por exemplo: “Às vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido”. Ou então, em outro poema, a vontade de trocar as próprias palavras por esse barulho: rugindo, rangendo, ciciando, estrugindo, ferreando. “Ah, poder exprimir-me todo como um motor se exprime. Ser completo como uma máquina”.

Em Lisboa, os bondes são chamados de elétricos. É um monumento nacional de Portugal no centro de Lisboa e é ele que nos leva para o centro do mundo de Fernando Pessoa. O bairro Alto, o Chiado, são cartões postais da cidade, os lugares de que ele mais gostava.

No local, ninguém está sozinho. Porque mesmo os mais solitários têm sempre a companhia do poeta. Numa mesa, basta imaginar um pouquinho para ouvir o Fernando, nosso amigão, declamando os próprios versos: “Tudo vale a pena se a alma não é pequena. “Para viajar basta existir”.

“Tenho em mim todos os sonhos do mundo. Sonhar é muito mais prático que viver”. Só que, sonhando, sonhando, a gente corre o risco de perder o bonde. Adeus, Pessoa. É hora de descer da poesia para a vida real.

http://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2011/11/poesia-de-fernando-pessoa-esta-viva-em-cada-esquina-de-lisboa.html

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segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Poesia de Pessoa está viva em cada esquina de Lisboa



Pedro Bassan mostra, numa viagem de bonde pelas ruas de Lisboa, os locais preferidos do poeta Fernando Pessoa.

Uma placa diz que um dos maiores poetas da língua portuguesa, Fernando Pessoa, nasceu no 4º andar de um prédio em Lisboa e a casa dele foi a cidade inteira. Pessoa andou pelas ruas da região até 1935. Mas quem disse que poeta morre? As palavras estão vivas em cada esquina e a Lisboa de Fernando Pessoa ainda existe.

Para passear por ela, basta entrar num bonde. São os mesmos que percorrem a cidade até hoje. Não são do mesmo modelo, não. São os mesmos, mesmo. Parece até que Fernando Pessoa vai estar sentado ao nosso lado.

As cabines mantêm o mesmo aspecto desde que foram construídas, em 1901. Já o sistema mecânico é moderno, foi todo reformado nos anos 90. Nos bondes de Lisboa, é possível viajar no tempo, com a sensação de total segurança.

Eles se encaixam em cada cantinho de Lisboa e levam 20 milhões de passageiros por ano. É impressionante o fôlego do ‘velhinho’ de 110 anos. Os bondes não foram mantidos só pelo romantismo, não.

É que até hoje é impossível encontrar outro veículo que enfrente curvas com o mesmo equilíbrio. São 45 bondes na ativa. Parece muito mais. Pintam a cidade de amarelo e andam carregados de poesia. Será que não foi dentro de um bonde que pessoa teve a inspiração para alguns de seus versos?

Por exemplo: “Às vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido”. Ou então, em outro poema, a vontade de trocar as próprias palavras por esse barulho: rugindo, rangendo, ciciando, estrugindo, ferreando. “Ah, poder exprimir-me todo como um motor se exprime. Ser completo como uma máquina”.

Em Lisboa, os bondes são chamados de elétricos. É um monumento nacional de Portugal no centro de Lisboa e é ele que nos leva para o centro do mundo de Fernando Pessoa. O bairro Alto, o Chiado, são cartões postais da cidade, os lugares de que ele mais gostava.

No local, ninguém está sozinho. Porque mesmo os mais solitários têm sempre a companhia do poeta. Numa mesa, basta imaginar um pouquinho para ouvir o Fernando, nosso amigão, declamando os próprios versos: “Tudo vale a pena se a alma não é pequena. “Para viajar basta existir”.

“Tenho em mim todos os sonhos do mundo. Sonhar é muito mais prático que viver”. Só que, sonhando, sonhando, a gente corre o risco de perder o bonde. Adeus, Pessoa. É hora de descer da poesia para a vida real.

http://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2011/11/poesia-de-fernando-pessoa-esta-viva-em-cada-esquina-de-lisboa.html

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