quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Para onde estão indo nossos impostos?


IMAGINE

Imagine

Imagine que não há paraíso

É fácil se você tentar

Nenhum inferno abaixo de nós

Acima de nós apenas o céu

Imagine todas as pessoas

Vivendo para o hoje


Imagine não existir países

Não é difícil de fazê-lo

Nada pelo que lutar ou morrer

E nenhuma religião também

Imagine todas as pessoas

Vivendo a vida em paz


Você pode dizer

Que eu sou um sonhador

Mas eu não sou o único

Eu tenho a esperança de que um dia

você se juntará a nós

E o mundo será como um só


Imagine não existir posses

Me pergunto se você consegue

Sem necessidade de ganância ou fome

Uma irmandade de humana

Imagine todas as pessoas

Compartilhando todo o mundo


Você pode dizer

Que eu sou um sonhador

Mas eu não sou o único

Eu tenho a esperança de que um dia

Você se juntará a nós

E o mundo viverá como um só


John Lennon

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

MEC divulga valor do novo piso Piso Nacional de Professores em R$ 1.451

O Ministério da Educação divulgou na tarde desta segunda-feira (27) que o piso salarial nacional dos professores será reajustado em 22,22% e seu valor passa a ser de R$ 1.451,00 como remuneração mínima do professor de nível médio e jornada de 40 horas semanais. A decisão é retroativa para 1º de janeiro deste ano.
Segundo o MEC, a correção reflete a variação ocorrida no valor anual mínimo por aluno definido nacionalmente no Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) de 2011, em relação ao valor de 2010. O piso aplicado em 2011 foi de R$ 1.187, e em 2010, de R$ 1.024.
A aplicação do piso é obrigatória para estados e municípios de acordo com a lei federal número 11.738, de 16 de junho de 2008. Estados e municípios podem alegar não ter verba para o pagamento deste valor e, com isso, acessar recursos federais para complementar a folha de pagamento. No entanto, desde 2008, nenhum estado ou município recebeu os recursos porque, segundo o MEC, não conseguiu comprovar a falta de verbas para esse fim.

Fonte: www.g1.globo.com

sábado, 25 de fevereiro de 2012

A mosca de Atenas ou Carnaval que passou em Boletim "o dia d" de SC


Esta semana, o site dia d reflexões, em seu boletim semanal, edita mais um texto de minha autoria que se repercute em muitos blogs e sites de caráter filosófico e educacional. Muito obrigado aos que trabalham nesse importante espaço virtual de multiplicação de ideias e valores.

Inteiramente grato, Jackislandy.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Você acha que PROFESSOR brasileiro ganha bem? Veja o gráfico

"Mais um ano letivo começou e permanece o impasse em torno da Lei do Piso Nacional do Magistério. Pela legislação aprovada em 2008, o valor mínimo a ser pago a um professor da rede pública com jornada de 40 horas semanais deveria ser reajustado anualmente em janeiro, mas muitos governos estaduais e prefeituras ainda não fizeram a correção.
Apesar de o texto da lei deixar claro que o reajuste deve ser calculado com base no crescimento dos valores do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), governadores e prefeitos justificam que vão esperar o Ministério da Educação (MEC) se pronunciar oficialmente sobre o patamar definido para 2012. De acordo com o MEC, o valor será divulgado em breve e estados e municípios que ainda não reajustaram o piso deverão pagar os valores devidos aos professores retroativos a janeiro.
O texto da legislação determina que a atualização do piso deverá ser calculada utilizando o mesmo percentual de crescimento do valor mínimo anual por aluno do Fundeb. As previsões para 2012 apontam que o aumento no fundo deverá ser em torno de 21% em comparação a 2011. O MEC espera a consolidação dos dados do Tesouro Nacional para fechar um número exato, mas em anos anteriores não houve grandes variações entre as estimativas e os dados consolidados."(Texto de http://www.robsonpiresxerife.com/)

"Que é economia é essa que causa retrocesso em Educação? Só num país que é campeão em corrupção política, onde vivem brincando com dinheiro público! Dinheiro público, pessoal, é pra se investir em Educação. Essa história de Tablet é uma tremenda piada. Tão subestimando a inteligência do brasileiro!"(Eu)
"NOSSA ECONOMIA VAI BEM, NOSSA EDUCAÇÃO VAI MAL, E O PROBLEMA NÃO É DE PEDAGOGIA,... É DE POLÍTICA SALARIAL DO PROFESSOR. SEM QUE O MAGISTÉRIO ATRAIA AS MELHORES PESSOAS E AS MAIS MOTIVADAS, NÃO HÁ MELHORIA DA EDUCAÇÃO. O RESTO É CONVERSA FIADA, MENTIRA, ESPELHINHO E TABLET"Por: Paulo Ghiraldelli Jr.
 

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Aprender é o mais importante! Vejam o vídeo e pensem...





Fonte: http://recantodaspalavras.com.br/2012/02/04/aprender-e-o-mais-importante-um-video/

Estudo recente revela o panorama trágico da educação brasileira

Especialistas reuniram-se, em São Paulo, para apresentação de dados sobre a qualidade do ensino no país
No Brasil, 3,8 milhões de crianças e adolescentes com idades entre quatro e 17 anos anos estão fora da escola. Este é o principal dado revelado pelo relatório anual De olho nas metas 2011, realizado pelo Movimento Todos Pela Educação. A pesquisa foi apresentada em São Paulo e também revelou que, no cenário atual, nenhuma das cinco metas para a educação no Brasil estabelecidas pelo movimento, e que devem ser atingidas até 2022, não seriam cumpridas. “O grande alerta que fazemos é que se as autoridades públicas não criarem uma política educacional forte não iremos atingir nenhuma das metas”, reforçou Priscila Cruz, diretora-executiva do movimento.

As cinco metas estabelecem que toda criança e jovem de quatro a 17 anos devem estar na escola; alfabetização plena até os 8 anos; os alunos devem estar com aprendizado adequado à sua série; ensino médio concluído até os 19 anos e investimentos destinados à Educação ampliados e bem geridos.

Com relação à primeira meta, o estudo apontou que, proporcionalmente, a região com o maior atendimento é a sudeste, com 92,7% de estudantes no ensino básico. No entanto, em números absolutos, esta também é a região que apresenta o maior número de indivíduos fora da escola, totalizando 607 mil crianças e jovens.

Outro dado importante é que o acesso à educação no país é menor nos anos iniciais e finais, para crianças com idades entre quatro e cinco anos e 15 a 17, respectivamente. Já na faixa etária de 6 a 14 anos, o resultado é positivo: 96,7% frequentam a escola.

O estudo indica que a solução para o problema dos anos iniciais e finais seria combater a evasão e o atraso escolar e não apenas criar novas vagas. Tufi Machado Soares, professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e um dos analistas da pesquisa, argumentou que o atraso escolar desestimula o aluno, pois quanto maior é sua defasagem menores são suas chances de concluir os estudos. “É preciso ter a convicção de que a reprovação representa um grande fracasso, tanto para o aluno quanto para o sistema. Seria necessário reduzir ao máximo as reprovações, com alternativas de recuperação dos alunos ao longo de todos os anos de estudo”, afirmou.

Ele defende que organizar os anos escolares dentro de ciclos e ampliar a recuperação são duas formas de evitar a reprovação. “Acho que a reprovação deveria ser proibida para crianças com até 8 anos, até mesmo além disso. Não faz sentido reprovar o aluno nesta fase em que ele está aprendendo a ler e a escrever”, avaliou Soares.

Brasil gasta pouco em
comparação com outros países
A qualidade da Educação brasileira ainda está longe do que é almejado, assim como os investimentos nessa área. Com relação aos gastos, o estudo revelou que o Brasil ainda destina pouca verba para a Educação, principalmente para o ensino básico. Conforme os dados da organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) de 2011, o investimento por aluno no país foi de US$2,4, valor inferior em comparação com a média dos países da OCDE, que foi de US$8,9. Enquanto isso, são investidos no ensino superior no país cerca de U$14.

“Ficou evidente que no Brasil os investimentos por aluno do ensino superior é bem maior do que no ensino básico. Ainda precisamos avançar”, alertou o analista Amaury Gremaud, professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (Fea-RP).

Uma das novidades do relatório são os dados divulgados pela Prova ABC, que foi realizada pela primeira vez, através de uma parceria com a Fundação Cesgranrio, o Instituto Paulo Montenegro/Ibope e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). A avaliação foi feita em 2011 e contou com a participação de 6 mil alunos do 4° ano do ensino fundamental, de todas as capitais, com a participação de 250 escolas das redes privada e particular.

Foram avaluados conhecimentos em leitura, escrita e Matemática. Os melhores resultados foram obtidos nas regiões sudeste, sul e centro-oeste. Os resultados nacionais apontaram que 56,1% dos avaliados tiveram bom desempenho em leitura e 53,3% em escrita. Já em Matemática, o desempenho foi insatisfatório, sendo que apenas 42,8% atingiram o conhecimento esperado.

O baixo resultado dos alunos nesta disciplina é um dado que preocupa os especialistas. “Os alunos que não adquirem os conhecimentos básicos da Matemática próprios para a faixa etária deles ficam atrasados para os próximos anos. Isso terá reflexo no ensino fundamental e no ensino médio”, apontou Nilma Fontanive, articulista da pesquisa e consultora da Fundação Cesgranrio.

Metas do Todos Pela Educação até 2022
Meta 1: Toda criança e jovem de 4 a 17 anos na escola
Meta 2: Toda criança plenamente alfabetizada até os 8 anos
Meta 3: Todo aluno com aprendizado adequado à sua série
Meta 4: Todo aluno com o ensino médio concluído até os 19 anos
Meta 5: investimento em educação ampliado e bem gerido
 

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

domingo, 19 de fevereiro de 2012

O ensaio filosófico


Quem for capaz de ter uma visão do conjunto é dialético; quem não o for, não é”(Platão, República, 537c).

“O ensaio pensa em fragmentos”(Adorno, O ensaio como forma).



À primeira vista, a palavra “ensaio” pode soar a algo que não tem validade, não tem importância, a exemplo de um ensaio para um show, para uma música, para uma peça. Qualquer ensaio está relativamente condicionado ao que não é, pelo menos ainda. Popularmente a palavra ensaio aparece muitas vezes carregado desse sentido, o que não nos impede de ir mais longe ou de ir até Montaigne para mostrar a pertinência de um ensaio filosófico. O estilo ensaístico persegue todo aquele que se arrisca a escrever livremente sobre um determinado aspecto da realidade, embarcando na aventura de trazer para si e sobre si quaisquer pensamentos, como que recortando, fragmentando a realidade para si.
Já no século passado, ninguém talvez soube dizer tão bem quanto Foucault o que é um ensaio. “O ensaio – que é necessário entender como experiênica modificadora de si no jogo da verdade, e não como apropriação simplificadora de outrem para fins de comunicação – é o corpo vivo da filosofia, se, pelo menos, ela for ainda hoje o que era outrora, ou seja, uma 'ascese', um exercício de si, no pensamento”(FOUCAULT, Michel. História da Sexualidade. Vol 2. O uso dos prazeres. Rio de Janeiro: Ed. Graal, 1984. p. 13).
Fiz uso da citação acima para mostrar o quanto a palavra “ensaio” está banalizada, bem como a Filosofia e demais áreas de saberes. Isso se deve ao fato de conspirarmos a favor de uma cultura da fragmentação que nos envolve a todos e que nos fez perder a noção de totalidade, de metafísica, de conjunto, de complexidade. Vivemos e, diga-se de passagem, gostamos do que é simplório e vulgar. Gostamos e aplaudimos as vulgaridades. Ostentamos um mundo de vulgaridades na linguagem, no estilo literário, na política, nos saberes. Vivemos, agora, exaltando as mais frívolas atitudes de simplificação do olhar. Os objetos de estudo são analisados periférica e superficialmente sem nenhuma dosagem sequer de Filosofia.
A atividade filosófica não pode ser, é claro, um jogo puramente exclusivo da profundidade e da obscuridade das ideias que não chegam ao público e que permanecem apenas dentro das academias como propriedade exclusiva dos “intelectuais”, todavia, a filosofia é uma reflexão sobre os saberes disponíveis, uma espécie de ensaio sobre a vida. Não sem convicção, Comte-Sponville despertou para o seguinte: “Não podemos, sem filosofar, pensar nossa vida e viver nosso pensamento: já que isso é a própria filosofia”(COMTE-SPONVILLE, André. Apresentação da Filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 2002. p. 12).
O estilo de se escrever em forma de “ensaios” levou o filósofo renascentista Michel de Montaigne a píncaros altíssimos de análise da vida em diferentes aspectos. Ele captura particularidades variadas da sua realidade e de outros autores num tom incrivelmente reflexivo e individual que lhe é muito peculiar. O “Da Educação das crianças” que lhe coube um ensaio à parte. Diz ele: “Tudo se submeterá ao exame da criança e nada se lhe enfiará na cabeça por simples autoridade e crédito. Que nenhum princípio, de Aristóteles, dos estóicos ou dos epicuristas, seja seu princípio. Apresentem-se-lhe todos em sua diversidade e que ele escolha se puder. E se não o puder fique na dúvida, pois só os loucos têm certeza absoluta em sua opinião”(MONTAIGNE, M. Ensaios. São Paulo: Ed. Abril, 1972, p. 81-82). Aqui, ele admite opiniões duvidosas na educação das crianças a fim de atingir a maturidade filosófica, até porque as crianças não são dotadas só de razão, mas de imaginação, de vida, de sentidos e etc. Não é só a ciência, tampouco a dialética, que constituem uma boa educação. A filosofia é um ensaio que extrapola toda e qualquer tentativa de sistematização do saber, por isso ser importante para a educação das crianças. Com o ensaio, admite-se e estimula a dúvida; desperta na criança o hábito da reflexão. Vejam mais o que Montaigne nos diz sobre “os meios e os fins”, “Da tristeza”, “Da covardia”, “Do medo”, “De como filosofar é aprender a morrer”, “a força da imaginação”, “De como julgar a morte”, enfim...
Os ensaios filosóficos ou literários são reflexões muito pessoais por cima, por baixo, por dentro e pelos lados da realidade. É levar o texto a suportar, ao máximo, a fragmentação e amplidão das opiniões, das ideias. São textos fragmentados, mas que não se diluem, nem se perdem no obscurantismo das ideias filosóficas, mas ganham toda uma consistência pelo conjunto da obra. O saudoso escritor e filósofo paraense Benedito Nunes, por exemplo, ganhou um prêmio pela Academia brasileira de Letras pelo conjunto da obra. Escreveu muitos ensaios filosóficos em sua vida. Reuniu todos e vejam o que deu, uma harmonia maravilhosa entre literatura e filosofia. Maravilhoso! O ensaio ganha consistência também porque é escrito, muitas vezes, por quem realmente conhece a vida e suas dificuldades. O escrever do ensaísta é um escrever com autoridade de quem diz o que viveu. O reflexo de sua tinta é a sombra de sua vida, isso é muito importante num ensaio.

Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva
Especialista em Metafísica, Licenciado em Filosofia, Bacharel em Teologia

Folia com dinheiro público!

Se fala abertamente sobre folia. Não há escrúpulo, nesses dias de carnaval, em tocar nessa palavra, aliás, não há escrúpulo em nada, quanto mais em se lambuzar com dinheiro do povo. É o que acontece na maior parte do Brasil quando o assunto é carnaval. 
Essa festa, que não é do povão, é das elites está jogando pelo ralo um dinheiro que poderia servir de investimento para áreas tão urgentes do município, como é a da saúde e a da educação, sem falar em saneamento, pois é o setor de mais necessidade em muitas cidades do país. 
Fazer o quê quando se vê ostentar aqui e lá fora a fama que o país tem de "país do futebol, do samba e das pros(...)". Com isso, a nossa honra está desabando pelo falso clichê de sermos conhecidos pelo "país do carnaval". 
A corrupção é uma das maiores do mundo. Os níveis de educação e igualdade social um dos mais baixos do mundo. A economia é só lero, lero... 6ª economia só no nome, mas na prática há muito por fazer.

Eu!

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Sem meias palavras, jornalista fala a verdade sobre o carnaval

O vídeo da jornalista paraibana Rachel Sheherazade, agora como âncora do SBT Brasil, está ganhando cada vez mais repercussão nas redes sociais, onde aparece expondo a realidade do carnaval sem muitas fantasias.
Sheherazade, de forma muito corajosa, expõe suas observações sobre o que habita por trás dessa festa cultural, trazendo o assunto à reflexão.


A FICHA LIMPA É UMA LEI CONSTITUCIONAL

O projeto Ficha Limpa é uma campanha da sociedade civil brasileira com o objetivo de melhorar o perfil dos candidatos e candidatas a cargos eletivos do país. Para isso, foi elaborado um Projeto de Lei de Iniciativa Popular sobre a vida pregressa dos candidatos com o objetivo de tornar mais rígidos os critérios de quem não pode se candidatar - critérios de inelegibilidades.

A iniciativa popular é um instrumento previsto em nossa Constituição que permite que um projeto de lei seja apresentado ao Congresso Nacional desde que, entre outras condições, apresente as assinaturas de 1% de todos os eleitores do Brasil.

O projeto Ficha Limpa circulou por todo o país, e foram coletadas mais de 1,3 milhões de assinaturas em seu favor – o que corresponde a 1% dos eleitores brasileiros. No dia 29 de setembro de 2009 foi entregue ao Congresso Nacional junto às assinaturas coletadas.

O MCCE, a ABRACCI e cidadãos de todo o país acompanharam a votação do projeto de lei na Câmara dos Deputados e no Senado e, no dia 4 de junho de 2010, foi sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Lei Complementar nº. 135/2010, que prevê a lei da Ficha Limpa.

Clique aqui para acessar a íntegra dessa lei complementar. A aprovação do Ficha Limpa foi possível com mobilização e a pressão popular. É, portanto, uma vitória de todos!

A Articulação Brasileira contra a Corrupção e a Impunidade (ABRACCI) é uma rede de 78 entidades com a missão de “contribuir para a construção de uma cultura de não corrupção e impunidade no Brasil por meio do estímulo e da articulação de ações de instituições e iniciativas com vistas a uma sociedade justa, democrática e solidária”.

O Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) é composto por 46 entidades cuja atuação se estende por todo o país. Com sede em Brasília (DF), acompanha de perto a atuação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e mantém contato com os responsáveis pela adoção de medidas que favoreçam a lisura do processo eleitoral em todo o Brasil. O MCCE é uma das entidades fundadoras da ABRACCI.

Consulte se o seu candidato está ou não com a FICHA LIMPA em

"Por 7 votos a 4, o  STF decidiu, na quinta-feira, que a Lei da Ficha Limpa é constitucional, ao instituir novas causas de inelegibilidade destinadas a “proteger a probidade administrativa e a moralidade para o exercício do mandato, considerada a vida pregressa do candidato”. 
A diretora da Secretaria Executiva do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), Jovita Rosa, também considera a decisão do Supremo como uma vitória para a sociedade. “A nossa forma de proposição deu certo e isso significa que quando a sociedade se mobiliza, ela consegue modificar uma realidade”.
Segundo ela, o movimento está escrevendo um projeto de lei de iniciativa popular para a reforma política. “Já estamos recolhendo as assinaturas. Vemos que pessoas usam o voto do eleitor e quando chegam [ao poder], defendem quem financiou suas campanhas”.
Os procuradores da República também se manifestaram a favor da decisão do STF. A Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), disse em nota, que a vitória da Lei da Ficha Limpa é a comprovação de que o Brasil é, de fato, um Estado Democrático de Direito e que um país sem corrupção é possível".

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Será que palavras morrem?

Nei Alberto Pies

“As pessoas escrevem a partir de uma necessidade de comunicação e de comunhão com os outros, para denunciar aquilo que machucava e compartilhar o que traz alegria. As pessoas escrevem contra sua própria solidão e a solidão dos demais porque supõem que a literatura transmite conhecimentos, age sobre a linguagem e a conduta de quem a recebe, e nos ajuda a nos conhecermos melhor, para nos salvarmos juntos. Em realidade, a gente escreve para as pessoas com cuja sorte ou má sorte se sente identificado: os que comem mal, os que dormem pouco, os rebeldes e humilhados desta terra; que em geral nem sabem ler” 
 (Eduardo Galeano, In: Vozes e crônicas. São Paulo: Global/Versus, 1978)

A 14ª Jornada Nacional de Literatura, que aconteceu em Passo Fundo, RS, é um evento grandioso, de relevância cultural e literária, que corrobora com a convicção de que palavras só adquirem sentido quando colocadas em movimento. A Jornada Nacional de Literatura e a Jornadinha fazem parte de um enorme esforço de um grupo de pessoas que, por suas crenças e ideários, re-afirmam o papel da literatura em nosso momento histórico. 

Na condição de participante/expectador deste grande evento literário gostaria de referir a necessidade que temos de justificar a importância e o uso das palavras. Vivemos num momento histórico em que tudo parece ser passível de coisificação e preço, inclusive as obras da criação humana. Perdemos a noção do conceito de valor, atributo que só poderia ser conferido a quem cria e transforma mundo e humanidade: o próprio ser humano. E a literatura, por ser obra da criação humana, não tem preço, mas tem valor. Por isso mesmo ela deveria ser um produto cultural disponível e acessível a todos, independente de sua condição social, econômica ou cultural. Deveria ser amplamente divulgada e apreciada como parte da nossa constituição de sujeitos sociais, de nossa cidadania e de nossa democracia.

Eduardo Galeano, em seu texto Em defesa da palavra, profetiza que a escrita não possui razões para justificar-se solitariamente. A escrita, na sua visão, “só pode ser útil quando coincide de alguma maneira com a necessidade coletiva de conquista de identidade”. Dito de outra forma, o escritor afirma seu desejo de ajudar muitas pessoas a tomarem consciência do que são. Ele está falando da função social que a literatura exerce sobre a vida de uma comunidade, a vida de uma nação. “Que bela tarefa a de anunciar o mundo dos justos e dos livres! Que função mais digna, essa de dizer não ao sistema da fome e das cadeias – visíveis ou invisíveis!”

As palavras morrem se não as colocarmos em movimento. E não serão os mais modernos meios de comunicação e entretenimento que tornarão mais disponíveis as obras literárias, criando a tão almejada cultura da leitura. As palavras escritas, contadas e recontadas, sobreviverão se formos capazes de viver o espírito literário da criação, da imaginação e da projeção de um mundo mais humanizado, mais solidário, mais cheio de alegria e mais vazio de tristeza e decepção. A literatura anuncia um mundo novo, criando ferramentas e habilidades capazes de nos fazer mudar a realidade que, de tão nua e crua, parece nem sempre permitir a busca de soluções.

Por mais individualizados e egocêntricos que possamos ser, desejamos participar dos movimentos desencadeados pela arte e pela criação humanas. Seja nas relações interpessoais, nos eventos culturais, nos grupos sociais dos quais fazemos parte, estamos sempre arrumando formas e jeitos de nos comunicar, de fazer as palavras circularem sentidos e impressões de nossa vida individual ou coletiva. Mesmo quando esta busca é individual, o processo envolve os outros, como no relato que segue: “Triste, tuitou "Sinto-me só!”. Setenta milhões retuitaram e novecentos mil responderam "Eu também!"(Cem toques cravados, Edson Rossatto)

Dá para pensar um mundo sem a literatura? Dá para ser feliz sem brincar com as palavras? Se não dá, deixemo-nos contagiar pelos movimentos que emergem da vida e das nossas palavras.
http://boletimodiad.blogspot.com/2012/02/sera-que-palavras-morrem.html

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

UM ALERTA SOBRE DROGAS E MÁS COMPANHIAS


Caros jovens, abaixo segue a história de uma carta de alguém muito jovem que acabou perdendo a vida por causa das drogas, em consequência das más companhias. Faça uma análise na sua vida e observe com quem você tem andado. Se seus amigos não são cristãos, ou se comportam de uma maneira que desagrada a Deus, isso significa que você precisa cortar essas amizades e fazer novos amigos. Lembre-se: a igreja ainda é o lugar mais seguro para se desfrutar boas amizades(Pv 4.18).
Influenciado por seus “amigos”, começou a usar drogas. As drogas afetaram severamente a sua saúde, levando-o ao hospital. Bastante debilitado ele escreveu uma carta para o seu pai, relatando sua triste experiência. Veja um trecho da carta escrita por ele antes da sua morte.
“Sinto muito, meu pai, acho que esse diálogo é o último que tenho com o senhor...
O tóxico me matou, meu pai. Travei conhecimento com meu assassino aos 15 ou 16 anos de idade. É horrível, não pai?
Sabe como nós conhecemos isso? Por meio de um cidadão elegantemente vestido, bem elegante mesmo e bem falante, que nos apresentou ao nosso futuro assassino: o tóxico. Eu tentei, mas tentei mesmo recusar, mas o cidadão mexeu com meu brio, dizendo que eu não era homem. Não preciso dizer mais nada, não é? Ingressei no mundo do tóxico.
No começo foram as tonturas, depois as alucinações e a seguir a escuridão. Não fazia nada sem que o tóxico estivesse presente. Depois veio a falta de ar, o medo, as alucinações, e, em seguida, a euforia novamente. Sabe, pai, a gente, quando começa, acha tudo ridículo. Hoje, neste hospital, eu reconheço que Deus é o ser mais importante no mundo. Eu sei que sem a ajuda d'Ele não estaria escrevendo o que estou...
Pai, eu só tenho 19 anos e sei que não tenho a menor chance de viver; é muito tarde para mim. Para o senhor, tenho o último pedido a fazer: diga a todos os jovens que o senhor conhece e mostre-lhes esta carta. Diga-lhes que, em cada porta de escola, em cada cursinho, em cada faculdade, em qualquer lugar, há sempre um homem elegantemente vestido, bem falante, que irá mostrar-lhes o seu futuro assassino, o destruidor de suas vidas que os levará à loucura e à morte como eu.
Por favor, faça isso, meu pai, antes que seja tarde demais também para eles...
Adeus meu pai”

Depois desta carta, ele morreu. Este é um caso verídico. Aquele jovem morreu no hospital em 23 de maio, na cidade de São Paulo.

Carta transcrita por Jackislandy Meira de M. Silva da Revista da Escola Dominical de Adolescentes “Conselhos para o dia a dia”, editora CPAD.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Física Quântica: indicada para casos crônicos de falta de humildade



Quando se pensa e se faz o trabalho como obra poética em vez de sofrimento contumaz, sempre vem à mente a questão do “trabalho digno”, isto é, aqueles ou aquelas que se consideram superiores como seres humanos apenas porque têm um emprego socialmente mais valorizado.
Aliás, é sempre nesses casos que entra em cena o famoso “sabe com quem você está falando?”
Um dia procurei representar uma possível resposta científica a essa arrogante pergunta, e, de forma sintética, registrei essa representação em um livro meu chamado A escola e o conhecimento (Cortez); agora, de forma mais extensa e coloquial, aqui vai este relato, partindo do nosso lugar maior, o universo, até chegar a nós.
Hoje, em física quântica, não se fala mais um universo, mas em multiverso. A suposição de que exista um único universo não tem mais lugar na Física. A ciência fala em multiverso e que estamos em um dos universos possíveis. Este tem provavelmente o formato cilíndrico, em função da curvatura do espaço, portanto, ele é finito e tem porta de saída, que são os buracos negros, por onde ele vai minando e se esvaziando. Até 2002, era quase certo que o nosso universo fosse cilíndrico, hoje já há alguma suspeita de que talvez não. Mas a teoria ainda não foi derrubada em sua totalidade. Supõe-se que este universo possível em que estamos apareceu há 15 bilhões de anos. Alguns falam em 13 bilhões, outros em 18, mas a hipótese menos implausível no momento é que estamos num universo que apareceu há 15 bilhões de anos, resultante de uma grande explosão, que o cientista inglês Fred Hoyle apelidou de gozação de big-bang, e esse nome pegou.
Qual é a lógica? Há 15 bilhões de anos, é como se se pegasse uma mola e fosse apertando, apertando, apertando até o limite, e se amarrasse com uma cordinha. Imagine o que tem ali de matéria concentrada e energia retida! Supostamente, nesse período, todo o universo estava num único ponto adensado, como uma mola apertada e, então, alguém, alguma força – Deus, não sei, aqui a discussão é de outra natureza – cortou a cordinha. E aí, essa mola, o nosso universo está em expansão até hoje. E haverá um momento em que ele chegará ao máximo de elasticidade e irá encolher outra vez. A ciência já calculou que o encolhimento acontecerá em 12 bilhões de anos. Fique tranqüilo, até lá você já estará aposentado pelas novas regras.
Você pode cogitar algo que a Física tem como teoria: ele vai encolher e se expandir outra vez. Talvez haja uma lei do universo em que o movimento da vida é expansão e encolhimento. Como é o nosso pulmão, como bate o nosso coração, com sístole e diástole. Como é o movimento do nosso sexo, que expande e encolhe, seja o masculino, seja o feminino. Parece que existe uma lógica nisso, que os orientais, especialmente os chineses e indianos, capturaram em suas religiões, aquela coisa do inspirar e expirar. Parece haver uma lógica nisso, a ciência tem isso como hipótese.
Assim, há 15 bilhões de anos, houve uma grande explosão atômica, que gerou uma aceleração inacreditável de matéria e liberação de energia. Essa matéria se agregou formando o que nós, humanos, chamamos de estrelas e elas se juntaram, formando o que chamamos de galáxias (do grego galaktos, leite). A ciência calcula que existam em nosso universo aproximadamente 200 bilhões de galáxias. Uma delas é a nossa, a Via Láctea, que é “leite”, em latim. Aliás, nem é uma galáxia tão grande; calcula-se que ela tenha cerca de 100 bilhões de estrelas. Portanto, estamos em uma galáxia, que é uma entre 200 bilhões de galáxias, num dos universos possíveis e que vai desaparecer.
Nessa nossa galáxia, repleta de estrelas, uma delas é o que agora chamam de estrela-anã, o Sol. Em volta dessa estrelinha giram algumas massas planetárias sem luz própria, nove ao todo, talvez oito (pela polêmica classificação em debate). A terceira delas, a partir do Sol, é a Terra. O que é a Terra?
A Terra é um planetinha que gira em torno de uma estrelinha, que é uma entre 100 bilhões de estrelas que compõem uma galáxia, que é uma entre outras 200 bilhões de galáxias num dos universos possíveis e que vai desaparecer. Veja como nós somos importantes….
Aliás, veja como nós temos razão de nos termos considerado na história o centro do universo. Tem gente que é tão humilde que acha que Deus fez tudo isso só para nós existirmos aqui. Isso é que é um Deus que entende da relação custo-benefício. Tem indivíduo que acha coisa pior, que Deus fez tudo isso só para esta pessoa existir. Com o dinheiro que carrega, com a cor da pele que tem, com a escola que freqüentou, com o sotaque que usa, com a religião que pratica.
Nesse lugarzinho tem uma coisa chamada vida. A ciência calcula que em nosso planeta haja mais de trinta milhões de espécies de vida, mas até agora só classificou por volta de três milhões de espécies. Uma delas é a nossa: homo sapiens. Que é uma entre três milhões de espécies já classificadas, que vive num planetinha que gira em torno de uma estrelinha, que é uma entre 100 bilhões de estrelas que compõem uma galáxia, que é uma entre outras 200 bilhões de galáxias num dos universos possíveis e que vai desaparecer.
Essa espécie tem, em 2007, aproximadamente 6,4 bilhões de indivíduos.
Um deles é você.
Você é um entre 6,4 bilhões de indivíduos, pertencente a uma única espécie, entre outras três milhões de espécies classificadas, que vive num planetinha, que gira em torno de uma estrelinha, que é uma entre 100 bilhões de estrelas que compõem uma galáxia, que é uma entre outras 200 bilhões de galáxias num dos universos possíveis e que vai desaparecer.
Quem és tu? Tu é o vice-treco do sub-troço!
É por isso que todas às vezes na vida que alguém me pergunta: “Você sabe com quem está falando?”, eu respondo: “Você tem tempo?”
 
Por Mário Sérgio Cortella.


segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

O filósofo prefeito


Não precisa ser nenhum “expert” em gestão pública para saber que governar uma cidade é, com dúvidas, um desafio. Digo “com dúvidas” porque nem sempre se entra numa prefeitura com tanto ímpeto assim. Se para alguns é um desafio, e aí se percebe uma certa preocupação com a coletividade, em fazer mais pelo bem comum, um bem que compete mais a todos do que a uma parte. Para outros, é uma ciranda de roda(brincadeira), onde o centro das atenções está voltado para o umbigo de quem administra e de suas ambições, relativamente mesquinhas. E, para um filósofo, como seria administrar? Tiraria o umbigo ou faria de conta que ele não existe?
O umbigo aqui representa interesses particulares, ambição no seu mais alto grau. Na época de Michel de Montaigne, por volta da segunda métade do séc. XVI, administrar não era um ofício dos mais encantadores, mas esse filósofo foi prefeito por duas vezes na cidade de Bordeaux, na França. Ligado às campanhas militares entre os nobres, não abria mão de escrever. Aceitou ser prefeito, mas com uma condição, não abdicar de seus escritos por hipótese alguma. Isso o fazia primeiro filósofo, depois prefeito. Certamente, herdeiro de algumas convicções da burguesia francesa, portou-se muito mais como um aristocrata no poder do que como um democrata populista afeito aos camponeses e aos pobres das províncias.
Ora, estamos no contexto do avanço do humanismo racionalista, em pleno Renascimento, com as roupas sujas da Idade Média. A política ainda estava se aperfeiçoando. Teorias políticas como as de Hobbes, Maquiavel, Tocqueville, Marx e outros ainda estavam em germe. Montaigne se destacou justamente por desafiar, com suas dúvidas pertinentes, um humanismo dogmático que pretendia imputar ao homem um poder ilimitado e centralizador. Como bom renascentista, Montaigne cultivou bom humor, imaginação, e um determinado tipo de realismo ao discutir questões do cotidiano humano.
Porém, o que marca talvez o seu humanismo, embora cético e limitado, é a humildade, pois coloca o homem como um grão de areia comparado às infinitas espécies de seres que existem sobre a terra. Via o homem em relação aos outros animais, não mais nem menos do que eles, a não ser pela filosofia e pela religião. É possível encontrar inúmeras referências de animais nos “Ensaios” de Montaigne, algumas até com uma preciosidade em detalhes, o que endossa a tese de que não somos seres tão perfeitos assim, uma vez que somos falhos e passíveis a cometer tolices, sobretudo na esfera pública(Cf. Ghiraldelli Jr. A Aventura da Filosofia. Vol 1. São Paulo: Manole, 2010, p. 103-113).
É óbvio que não tenho a pretensão de colocar Montaigne como um prefeito de referência para o universo dos prefeitos de hoje. As cidades estão cheias de problemas de urbanização; não são mais províncias, pelo menos no estilo de vida; poluição; desemprego; superpopulação; transportes públicos sucateados; estradas e rodovias esburacadas. A industrialização chegou, a tecnologia também; a servidão diminuiu com o ganho de liberdade; a democracia abriu as portas à participação popular no poder central; as guerras militares praticamente diminuíram, o terror surgiu como a maior das armas de guerra, depois da bomba atômica. O capitalismo transformou o trabalho feudal de sobrevivência humana em trabalho industrial que visa concorrência, exploração e acúmulo de bens(riqueza).
Com isso, não pensem que Montaigne foi superado. Não. Montaigne apenas foi modificado. O homem se transformou desde Montaigne até aqui e continua a se transformar. O fato é que problemas como a corrupção que já existia na época de Montaigne estão mais visíveis. A história não mente quanto à burguesia absolutista na França nesse período e logo depois o clima de insatisfação popular que eclodiu com uma tremenda revolução em 1789, fazendo surgir a tão sonhada República e a emancipação dos direitos humanos.
Todavia, algo de Michel de Montaigne os prefeitos deviam herdar, a sua humildade e o seu zelo para com a coisa pública. Diferentemente de Luís XIV que reinou a França de 1643 a 1715 e que ficou conhecido pela frase: “C'était c'est moi” - “O estado sou eu”, Montaigne advertia em seusEnsaios” que em cada cidade devia haver um lugar onde as pessoas pudessem ir até lá a fim de resolver seus problemas e satisfazer suas necessidades, este lugar era a prefeitura, imagino eu, de modo a abrigar os que não tem casa, salários, roupas e comida. Este era um conselho de seu pai que preenche as lacunas de uma administração, lamenta Montaigne por não ter seguido tal conselho a risca. Já naquela época, o pai de Montaigne orientava o filho que para administrar uma casa era necessário registrar as transações financeiras, inscrever as contas, exigir que o secretário anote todas as informações num diário, enfim...(Cf. MONTAIGNE. Col. Os Pensadores. São Paulo: Abril, 1972, p. 113-114).
Além do mais, ser prefeito do quilate de Montaigne significa admitir erros, incoerências e duvidar das certezas. Jamais pensou que governava sozinho, muito menos para um grupo. Ele governava com humildade e com muita naturalidade. Sua responsabilidade com as dívidas era de impressionar, basta conferir o que diz acerca das orientações do pai em relação às contas da família, avalie então o que seu pai não diria a respeito das contas públicas!
Cidadão, como estão as contas de seu município? 
 
Prof. Jackislandy Meira de M. Silva
Especialista em Metafísica, Licenciado em Filosofia, Bacharel em Teologia

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Primeiro Workshop Sax de Florânia será realizado no dia 09


O Maestro da Banda Filarmônica Juventude Floraniense, Damião Celestino (Dãozinho) juntamente com o Cantor e saxofonista Ângelo Torres, realizarão na próxima quinta-feira dia 09 de fevereiro, o I Workshop Sax Florânia.

O Workshop terá inicio às 14hs e encerramento às 17h30min, na Casa de Cultura Florânia. As pessoas que desejarem participar deverão reservar a sua vaga entrando em contato com o Maestro Dãozinho pelo fone (84) 9957 6688, ou pelo endereço eletrônico E-mail: celestino-araujo@hotmail.com.

Ainda no dia 09 de fevereiro, às 19h30min, no Castelo de Franklin o cantor saxofonista Ângelo Torres fará o lançamento do seu 8º CD, intitulado de "Essencial". 

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Mec entregará tablets só para professores, e não para alunos como foi anunciado

 
Depois de muitas indefinições, a proposta do Ministério da Educação (MEC) de disponibilizar tablets — computadores portáteis semelhantes a uma prancheta — nas redes públicas de ensino começa a sair do papel. Mas com mudanças. À frente da pasta há cerca de uma semana, Aloizio Mercadante anunciou na quinta-feira (2) que os professores — em vez dos alunos, como era esperado — receberão o equipamento.
O projeto Educação Digital será implementado inicialmente nas 58.700 escolas públicas brasileiras com banda larga e localizadas em áreas urbanas. A meta do MEC é entregar os equipamentos até o fim deste ano aos docentes do ensino médio.
Segundo o ministro, o programa foi formulado e finalizado na sua gestão, apesar de já estar em discussão há mais de um ano na Esplanada. “Eu tenho estudado isso há anos. Inclusive, quando estava no Ministério de Ciência e Tecnologia já estávamos prevendo essa compra.”
Mercadante afirmou que o MEC vai assumir integralmente a compra de 600 mil tablets. O orçamento deste ano da pasta prevê um gasto de cerca de 180 milhões de reais com as pranchetas.


quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Para onde estão indo nossos impostos?


IMAGINE

Imagine

Imagine que não há paraíso

É fácil se você tentar

Nenhum inferno abaixo de nós

Acima de nós apenas o céu

Imagine todas as pessoas

Vivendo para o hoje


Imagine não existir países

Não é difícil de fazê-lo

Nada pelo que lutar ou morrer

E nenhuma religião também

Imagine todas as pessoas

Vivendo a vida em paz


Você pode dizer

Que eu sou um sonhador

Mas eu não sou o único

Eu tenho a esperança de que um dia

você se juntará a nós

E o mundo será como um só


Imagine não existir posses

Me pergunto se você consegue

Sem necessidade de ganância ou fome

Uma irmandade de humana

Imagine todas as pessoas

Compartilhando todo o mundo


Você pode dizer

Que eu sou um sonhador

Mas eu não sou o único

Eu tenho a esperança de que um dia

Você se juntará a nós

E o mundo viverá como um só


John Lennon

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

MEC divulga valor do novo piso Piso Nacional de Professores em R$ 1.451

O Ministério da Educação divulgou na tarde desta segunda-feira (27) que o piso salarial nacional dos professores será reajustado em 22,22% e seu valor passa a ser de R$ 1.451,00 como remuneração mínima do professor de nível médio e jornada de 40 horas semanais. A decisão é retroativa para 1º de janeiro deste ano.
Segundo o MEC, a correção reflete a variação ocorrida no valor anual mínimo por aluno definido nacionalmente no Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) de 2011, em relação ao valor de 2010. O piso aplicado em 2011 foi de R$ 1.187, e em 2010, de R$ 1.024.
A aplicação do piso é obrigatória para estados e municípios de acordo com a lei federal número 11.738, de 16 de junho de 2008. Estados e municípios podem alegar não ter verba para o pagamento deste valor e, com isso, acessar recursos federais para complementar a folha de pagamento. No entanto, desde 2008, nenhum estado ou município recebeu os recursos porque, segundo o MEC, não conseguiu comprovar a falta de verbas para esse fim.

Fonte: www.g1.globo.com

sábado, 25 de fevereiro de 2012

A mosca de Atenas ou Carnaval que passou em Boletim "o dia d" de SC


Esta semana, o site dia d reflexões, em seu boletim semanal, edita mais um texto de minha autoria que se repercute em muitos blogs e sites de caráter filosófico e educacional. Muito obrigado aos que trabalham nesse importante espaço virtual de multiplicação de ideias e valores.

Inteiramente grato, Jackislandy.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Você acha que PROFESSOR brasileiro ganha bem? Veja o gráfico

"Mais um ano letivo começou e permanece o impasse em torno da Lei do Piso Nacional do Magistério. Pela legislação aprovada em 2008, o valor mínimo a ser pago a um professor da rede pública com jornada de 40 horas semanais deveria ser reajustado anualmente em janeiro, mas muitos governos estaduais e prefeituras ainda não fizeram a correção.
Apesar de o texto da lei deixar claro que o reajuste deve ser calculado com base no crescimento dos valores do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), governadores e prefeitos justificam que vão esperar o Ministério da Educação (MEC) se pronunciar oficialmente sobre o patamar definido para 2012. De acordo com o MEC, o valor será divulgado em breve e estados e municípios que ainda não reajustaram o piso deverão pagar os valores devidos aos professores retroativos a janeiro.
O texto da legislação determina que a atualização do piso deverá ser calculada utilizando o mesmo percentual de crescimento do valor mínimo anual por aluno do Fundeb. As previsões para 2012 apontam que o aumento no fundo deverá ser em torno de 21% em comparação a 2011. O MEC espera a consolidação dos dados do Tesouro Nacional para fechar um número exato, mas em anos anteriores não houve grandes variações entre as estimativas e os dados consolidados."(Texto de http://www.robsonpiresxerife.com/)

"Que é economia é essa que causa retrocesso em Educação? Só num país que é campeão em corrupção política, onde vivem brincando com dinheiro público! Dinheiro público, pessoal, é pra se investir em Educação. Essa história de Tablet é uma tremenda piada. Tão subestimando a inteligência do brasileiro!"(Eu)
"NOSSA ECONOMIA VAI BEM, NOSSA EDUCAÇÃO VAI MAL, E O PROBLEMA NÃO É DE PEDAGOGIA,... É DE POLÍTICA SALARIAL DO PROFESSOR. SEM QUE O MAGISTÉRIO ATRAIA AS MELHORES PESSOAS E AS MAIS MOTIVADAS, NÃO HÁ MELHORIA DA EDUCAÇÃO. O RESTO É CONVERSA FIADA, MENTIRA, ESPELHINHO E TABLET"Por: Paulo Ghiraldelli Jr.
 

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Aprender é o mais importante! Vejam o vídeo e pensem...





Fonte: http://recantodaspalavras.com.br/2012/02/04/aprender-e-o-mais-importante-um-video/

Estudo recente revela o panorama trágico da educação brasileira

Especialistas reuniram-se, em São Paulo, para apresentação de dados sobre a qualidade do ensino no país
No Brasil, 3,8 milhões de crianças e adolescentes com idades entre quatro e 17 anos anos estão fora da escola. Este é o principal dado revelado pelo relatório anual De olho nas metas 2011, realizado pelo Movimento Todos Pela Educação. A pesquisa foi apresentada em São Paulo e também revelou que, no cenário atual, nenhuma das cinco metas para a educação no Brasil estabelecidas pelo movimento, e que devem ser atingidas até 2022, não seriam cumpridas. “O grande alerta que fazemos é que se as autoridades públicas não criarem uma política educacional forte não iremos atingir nenhuma das metas”, reforçou Priscila Cruz, diretora-executiva do movimento.

As cinco metas estabelecem que toda criança e jovem de quatro a 17 anos devem estar na escola; alfabetização plena até os 8 anos; os alunos devem estar com aprendizado adequado à sua série; ensino médio concluído até os 19 anos e investimentos destinados à Educação ampliados e bem geridos.

Com relação à primeira meta, o estudo apontou que, proporcionalmente, a região com o maior atendimento é a sudeste, com 92,7% de estudantes no ensino básico. No entanto, em números absolutos, esta também é a região que apresenta o maior número de indivíduos fora da escola, totalizando 607 mil crianças e jovens.

Outro dado importante é que o acesso à educação no país é menor nos anos iniciais e finais, para crianças com idades entre quatro e cinco anos e 15 a 17, respectivamente. Já na faixa etária de 6 a 14 anos, o resultado é positivo: 96,7% frequentam a escola.

O estudo indica que a solução para o problema dos anos iniciais e finais seria combater a evasão e o atraso escolar e não apenas criar novas vagas. Tufi Machado Soares, professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e um dos analistas da pesquisa, argumentou que o atraso escolar desestimula o aluno, pois quanto maior é sua defasagem menores são suas chances de concluir os estudos. “É preciso ter a convicção de que a reprovação representa um grande fracasso, tanto para o aluno quanto para o sistema. Seria necessário reduzir ao máximo as reprovações, com alternativas de recuperação dos alunos ao longo de todos os anos de estudo”, afirmou.

Ele defende que organizar os anos escolares dentro de ciclos e ampliar a recuperação são duas formas de evitar a reprovação. “Acho que a reprovação deveria ser proibida para crianças com até 8 anos, até mesmo além disso. Não faz sentido reprovar o aluno nesta fase em que ele está aprendendo a ler e a escrever”, avaliou Soares.

Brasil gasta pouco em
comparação com outros países
A qualidade da Educação brasileira ainda está longe do que é almejado, assim como os investimentos nessa área. Com relação aos gastos, o estudo revelou que o Brasil ainda destina pouca verba para a Educação, principalmente para o ensino básico. Conforme os dados da organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) de 2011, o investimento por aluno no país foi de US$2,4, valor inferior em comparação com a média dos países da OCDE, que foi de US$8,9. Enquanto isso, são investidos no ensino superior no país cerca de U$14.

“Ficou evidente que no Brasil os investimentos por aluno do ensino superior é bem maior do que no ensino básico. Ainda precisamos avançar”, alertou o analista Amaury Gremaud, professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (Fea-RP).

Uma das novidades do relatório são os dados divulgados pela Prova ABC, que foi realizada pela primeira vez, através de uma parceria com a Fundação Cesgranrio, o Instituto Paulo Montenegro/Ibope e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). A avaliação foi feita em 2011 e contou com a participação de 6 mil alunos do 4° ano do ensino fundamental, de todas as capitais, com a participação de 250 escolas das redes privada e particular.

Foram avaluados conhecimentos em leitura, escrita e Matemática. Os melhores resultados foram obtidos nas regiões sudeste, sul e centro-oeste. Os resultados nacionais apontaram que 56,1% dos avaliados tiveram bom desempenho em leitura e 53,3% em escrita. Já em Matemática, o desempenho foi insatisfatório, sendo que apenas 42,8% atingiram o conhecimento esperado.

O baixo resultado dos alunos nesta disciplina é um dado que preocupa os especialistas. “Os alunos que não adquirem os conhecimentos básicos da Matemática próprios para a faixa etária deles ficam atrasados para os próximos anos. Isso terá reflexo no ensino fundamental e no ensino médio”, apontou Nilma Fontanive, articulista da pesquisa e consultora da Fundação Cesgranrio.

Metas do Todos Pela Educação até 2022
Meta 1: Toda criança e jovem de 4 a 17 anos na escola
Meta 2: Toda criança plenamente alfabetizada até os 8 anos
Meta 3: Todo aluno com aprendizado adequado à sua série
Meta 4: Todo aluno com o ensino médio concluído até os 19 anos
Meta 5: investimento em educação ampliado e bem gerido
 

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

domingo, 19 de fevereiro de 2012

O ensaio filosófico


Quem for capaz de ter uma visão do conjunto é dialético; quem não o for, não é”(Platão, República, 537c).

“O ensaio pensa em fragmentos”(Adorno, O ensaio como forma).



À primeira vista, a palavra “ensaio” pode soar a algo que não tem validade, não tem importância, a exemplo de um ensaio para um show, para uma música, para uma peça. Qualquer ensaio está relativamente condicionado ao que não é, pelo menos ainda. Popularmente a palavra ensaio aparece muitas vezes carregado desse sentido, o que não nos impede de ir mais longe ou de ir até Montaigne para mostrar a pertinência de um ensaio filosófico. O estilo ensaístico persegue todo aquele que se arrisca a escrever livremente sobre um determinado aspecto da realidade, embarcando na aventura de trazer para si e sobre si quaisquer pensamentos, como que recortando, fragmentando a realidade para si.
Já no século passado, ninguém talvez soube dizer tão bem quanto Foucault o que é um ensaio. “O ensaio – que é necessário entender como experiênica modificadora de si no jogo da verdade, e não como apropriação simplificadora de outrem para fins de comunicação – é o corpo vivo da filosofia, se, pelo menos, ela for ainda hoje o que era outrora, ou seja, uma 'ascese', um exercício de si, no pensamento”(FOUCAULT, Michel. História da Sexualidade. Vol 2. O uso dos prazeres. Rio de Janeiro: Ed. Graal, 1984. p. 13).
Fiz uso da citação acima para mostrar o quanto a palavra “ensaio” está banalizada, bem como a Filosofia e demais áreas de saberes. Isso se deve ao fato de conspirarmos a favor de uma cultura da fragmentação que nos envolve a todos e que nos fez perder a noção de totalidade, de metafísica, de conjunto, de complexidade. Vivemos e, diga-se de passagem, gostamos do que é simplório e vulgar. Gostamos e aplaudimos as vulgaridades. Ostentamos um mundo de vulgaridades na linguagem, no estilo literário, na política, nos saberes. Vivemos, agora, exaltando as mais frívolas atitudes de simplificação do olhar. Os objetos de estudo são analisados periférica e superficialmente sem nenhuma dosagem sequer de Filosofia.
A atividade filosófica não pode ser, é claro, um jogo puramente exclusivo da profundidade e da obscuridade das ideias que não chegam ao público e que permanecem apenas dentro das academias como propriedade exclusiva dos “intelectuais”, todavia, a filosofia é uma reflexão sobre os saberes disponíveis, uma espécie de ensaio sobre a vida. Não sem convicção, Comte-Sponville despertou para o seguinte: “Não podemos, sem filosofar, pensar nossa vida e viver nosso pensamento: já que isso é a própria filosofia”(COMTE-SPONVILLE, André. Apresentação da Filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 2002. p. 12).
O estilo de se escrever em forma de “ensaios” levou o filósofo renascentista Michel de Montaigne a píncaros altíssimos de análise da vida em diferentes aspectos. Ele captura particularidades variadas da sua realidade e de outros autores num tom incrivelmente reflexivo e individual que lhe é muito peculiar. O “Da Educação das crianças” que lhe coube um ensaio à parte. Diz ele: “Tudo se submeterá ao exame da criança e nada se lhe enfiará na cabeça por simples autoridade e crédito. Que nenhum princípio, de Aristóteles, dos estóicos ou dos epicuristas, seja seu princípio. Apresentem-se-lhe todos em sua diversidade e que ele escolha se puder. E se não o puder fique na dúvida, pois só os loucos têm certeza absoluta em sua opinião”(MONTAIGNE, M. Ensaios. São Paulo: Ed. Abril, 1972, p. 81-82). Aqui, ele admite opiniões duvidosas na educação das crianças a fim de atingir a maturidade filosófica, até porque as crianças não são dotadas só de razão, mas de imaginação, de vida, de sentidos e etc. Não é só a ciência, tampouco a dialética, que constituem uma boa educação. A filosofia é um ensaio que extrapola toda e qualquer tentativa de sistematização do saber, por isso ser importante para a educação das crianças. Com o ensaio, admite-se e estimula a dúvida; desperta na criança o hábito da reflexão. Vejam mais o que Montaigne nos diz sobre “os meios e os fins”, “Da tristeza”, “Da covardia”, “Do medo”, “De como filosofar é aprender a morrer”, “a força da imaginação”, “De como julgar a morte”, enfim...
Os ensaios filosóficos ou literários são reflexões muito pessoais por cima, por baixo, por dentro e pelos lados da realidade. É levar o texto a suportar, ao máximo, a fragmentação e amplidão das opiniões, das ideias. São textos fragmentados, mas que não se diluem, nem se perdem no obscurantismo das ideias filosóficas, mas ganham toda uma consistência pelo conjunto da obra. O saudoso escritor e filósofo paraense Benedito Nunes, por exemplo, ganhou um prêmio pela Academia brasileira de Letras pelo conjunto da obra. Escreveu muitos ensaios filosóficos em sua vida. Reuniu todos e vejam o que deu, uma harmonia maravilhosa entre literatura e filosofia. Maravilhoso! O ensaio ganha consistência também porque é escrito, muitas vezes, por quem realmente conhece a vida e suas dificuldades. O escrever do ensaísta é um escrever com autoridade de quem diz o que viveu. O reflexo de sua tinta é a sombra de sua vida, isso é muito importante num ensaio.

Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva
Especialista em Metafísica, Licenciado em Filosofia, Bacharel em Teologia

Folia com dinheiro público!

Se fala abertamente sobre folia. Não há escrúpulo, nesses dias de carnaval, em tocar nessa palavra, aliás, não há escrúpulo em nada, quanto mais em se lambuzar com dinheiro do povo. É o que acontece na maior parte do Brasil quando o assunto é carnaval. 
Essa festa, que não é do povão, é das elites está jogando pelo ralo um dinheiro que poderia servir de investimento para áreas tão urgentes do município, como é a da saúde e a da educação, sem falar em saneamento, pois é o setor de mais necessidade em muitas cidades do país. 
Fazer o quê quando se vê ostentar aqui e lá fora a fama que o país tem de "país do futebol, do samba e das pros(...)". Com isso, a nossa honra está desabando pelo falso clichê de sermos conhecidos pelo "país do carnaval". 
A corrupção é uma das maiores do mundo. Os níveis de educação e igualdade social um dos mais baixos do mundo. A economia é só lero, lero... 6ª economia só no nome, mas na prática há muito por fazer.

Eu!

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Sem meias palavras, jornalista fala a verdade sobre o carnaval

O vídeo da jornalista paraibana Rachel Sheherazade, agora como âncora do SBT Brasil, está ganhando cada vez mais repercussão nas redes sociais, onde aparece expondo a realidade do carnaval sem muitas fantasias.
Sheherazade, de forma muito corajosa, expõe suas observações sobre o que habita por trás dessa festa cultural, trazendo o assunto à reflexão.


A FICHA LIMPA É UMA LEI CONSTITUCIONAL

O projeto Ficha Limpa é uma campanha da sociedade civil brasileira com o objetivo de melhorar o perfil dos candidatos e candidatas a cargos eletivos do país. Para isso, foi elaborado um Projeto de Lei de Iniciativa Popular sobre a vida pregressa dos candidatos com o objetivo de tornar mais rígidos os critérios de quem não pode se candidatar - critérios de inelegibilidades.

A iniciativa popular é um instrumento previsto em nossa Constituição que permite que um projeto de lei seja apresentado ao Congresso Nacional desde que, entre outras condições, apresente as assinaturas de 1% de todos os eleitores do Brasil.

O projeto Ficha Limpa circulou por todo o país, e foram coletadas mais de 1,3 milhões de assinaturas em seu favor – o que corresponde a 1% dos eleitores brasileiros. No dia 29 de setembro de 2009 foi entregue ao Congresso Nacional junto às assinaturas coletadas.

O MCCE, a ABRACCI e cidadãos de todo o país acompanharam a votação do projeto de lei na Câmara dos Deputados e no Senado e, no dia 4 de junho de 2010, foi sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Lei Complementar nº. 135/2010, que prevê a lei da Ficha Limpa.

Clique aqui para acessar a íntegra dessa lei complementar. A aprovação do Ficha Limpa foi possível com mobilização e a pressão popular. É, portanto, uma vitória de todos!

A Articulação Brasileira contra a Corrupção e a Impunidade (ABRACCI) é uma rede de 78 entidades com a missão de “contribuir para a construção de uma cultura de não corrupção e impunidade no Brasil por meio do estímulo e da articulação de ações de instituições e iniciativas com vistas a uma sociedade justa, democrática e solidária”.

O Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) é composto por 46 entidades cuja atuação se estende por todo o país. Com sede em Brasília (DF), acompanha de perto a atuação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e mantém contato com os responsáveis pela adoção de medidas que favoreçam a lisura do processo eleitoral em todo o Brasil. O MCCE é uma das entidades fundadoras da ABRACCI.

Consulte se o seu candidato está ou não com a FICHA LIMPA em

"Por 7 votos a 4, o  STF decidiu, na quinta-feira, que a Lei da Ficha Limpa é constitucional, ao instituir novas causas de inelegibilidade destinadas a “proteger a probidade administrativa e a moralidade para o exercício do mandato, considerada a vida pregressa do candidato”. 
A diretora da Secretaria Executiva do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), Jovita Rosa, também considera a decisão do Supremo como uma vitória para a sociedade. “A nossa forma de proposição deu certo e isso significa que quando a sociedade se mobiliza, ela consegue modificar uma realidade”.
Segundo ela, o movimento está escrevendo um projeto de lei de iniciativa popular para a reforma política. “Já estamos recolhendo as assinaturas. Vemos que pessoas usam o voto do eleitor e quando chegam [ao poder], defendem quem financiou suas campanhas”.
Os procuradores da República também se manifestaram a favor da decisão do STF. A Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), disse em nota, que a vitória da Lei da Ficha Limpa é a comprovação de que o Brasil é, de fato, um Estado Democrático de Direito e que um país sem corrupção é possível".

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Será que palavras morrem?

Nei Alberto Pies

“As pessoas escrevem a partir de uma necessidade de comunicação e de comunhão com os outros, para denunciar aquilo que machucava e compartilhar o que traz alegria. As pessoas escrevem contra sua própria solidão e a solidão dos demais porque supõem que a literatura transmite conhecimentos, age sobre a linguagem e a conduta de quem a recebe, e nos ajuda a nos conhecermos melhor, para nos salvarmos juntos. Em realidade, a gente escreve para as pessoas com cuja sorte ou má sorte se sente identificado: os que comem mal, os que dormem pouco, os rebeldes e humilhados desta terra; que em geral nem sabem ler” 
 (Eduardo Galeano, In: Vozes e crônicas. São Paulo: Global/Versus, 1978)

A 14ª Jornada Nacional de Literatura, que aconteceu em Passo Fundo, RS, é um evento grandioso, de relevância cultural e literária, que corrobora com a convicção de que palavras só adquirem sentido quando colocadas em movimento. A Jornada Nacional de Literatura e a Jornadinha fazem parte de um enorme esforço de um grupo de pessoas que, por suas crenças e ideários, re-afirmam o papel da literatura em nosso momento histórico. 

Na condição de participante/expectador deste grande evento literário gostaria de referir a necessidade que temos de justificar a importância e o uso das palavras. Vivemos num momento histórico em que tudo parece ser passível de coisificação e preço, inclusive as obras da criação humana. Perdemos a noção do conceito de valor, atributo que só poderia ser conferido a quem cria e transforma mundo e humanidade: o próprio ser humano. E a literatura, por ser obra da criação humana, não tem preço, mas tem valor. Por isso mesmo ela deveria ser um produto cultural disponível e acessível a todos, independente de sua condição social, econômica ou cultural. Deveria ser amplamente divulgada e apreciada como parte da nossa constituição de sujeitos sociais, de nossa cidadania e de nossa democracia.

Eduardo Galeano, em seu texto Em defesa da palavra, profetiza que a escrita não possui razões para justificar-se solitariamente. A escrita, na sua visão, “só pode ser útil quando coincide de alguma maneira com a necessidade coletiva de conquista de identidade”. Dito de outra forma, o escritor afirma seu desejo de ajudar muitas pessoas a tomarem consciência do que são. Ele está falando da função social que a literatura exerce sobre a vida de uma comunidade, a vida de uma nação. “Que bela tarefa a de anunciar o mundo dos justos e dos livres! Que função mais digna, essa de dizer não ao sistema da fome e das cadeias – visíveis ou invisíveis!”

As palavras morrem se não as colocarmos em movimento. E não serão os mais modernos meios de comunicação e entretenimento que tornarão mais disponíveis as obras literárias, criando a tão almejada cultura da leitura. As palavras escritas, contadas e recontadas, sobreviverão se formos capazes de viver o espírito literário da criação, da imaginação e da projeção de um mundo mais humanizado, mais solidário, mais cheio de alegria e mais vazio de tristeza e decepção. A literatura anuncia um mundo novo, criando ferramentas e habilidades capazes de nos fazer mudar a realidade que, de tão nua e crua, parece nem sempre permitir a busca de soluções.

Por mais individualizados e egocêntricos que possamos ser, desejamos participar dos movimentos desencadeados pela arte e pela criação humanas. Seja nas relações interpessoais, nos eventos culturais, nos grupos sociais dos quais fazemos parte, estamos sempre arrumando formas e jeitos de nos comunicar, de fazer as palavras circularem sentidos e impressões de nossa vida individual ou coletiva. Mesmo quando esta busca é individual, o processo envolve os outros, como no relato que segue: “Triste, tuitou "Sinto-me só!”. Setenta milhões retuitaram e novecentos mil responderam "Eu também!"(Cem toques cravados, Edson Rossatto)

Dá para pensar um mundo sem a literatura? Dá para ser feliz sem brincar com as palavras? Se não dá, deixemo-nos contagiar pelos movimentos que emergem da vida e das nossas palavras.
http://boletimodiad.blogspot.com/2012/02/sera-que-palavras-morrem.html

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

UM ALERTA SOBRE DROGAS E MÁS COMPANHIAS


Caros jovens, abaixo segue a história de uma carta de alguém muito jovem que acabou perdendo a vida por causa das drogas, em consequência das más companhias. Faça uma análise na sua vida e observe com quem você tem andado. Se seus amigos não são cristãos, ou se comportam de uma maneira que desagrada a Deus, isso significa que você precisa cortar essas amizades e fazer novos amigos. Lembre-se: a igreja ainda é o lugar mais seguro para se desfrutar boas amizades(Pv 4.18).
Influenciado por seus “amigos”, começou a usar drogas. As drogas afetaram severamente a sua saúde, levando-o ao hospital. Bastante debilitado ele escreveu uma carta para o seu pai, relatando sua triste experiência. Veja um trecho da carta escrita por ele antes da sua morte.
“Sinto muito, meu pai, acho que esse diálogo é o último que tenho com o senhor...
O tóxico me matou, meu pai. Travei conhecimento com meu assassino aos 15 ou 16 anos de idade. É horrível, não pai?
Sabe como nós conhecemos isso? Por meio de um cidadão elegantemente vestido, bem elegante mesmo e bem falante, que nos apresentou ao nosso futuro assassino: o tóxico. Eu tentei, mas tentei mesmo recusar, mas o cidadão mexeu com meu brio, dizendo que eu não era homem. Não preciso dizer mais nada, não é? Ingressei no mundo do tóxico.
No começo foram as tonturas, depois as alucinações e a seguir a escuridão. Não fazia nada sem que o tóxico estivesse presente. Depois veio a falta de ar, o medo, as alucinações, e, em seguida, a euforia novamente. Sabe, pai, a gente, quando começa, acha tudo ridículo. Hoje, neste hospital, eu reconheço que Deus é o ser mais importante no mundo. Eu sei que sem a ajuda d'Ele não estaria escrevendo o que estou...
Pai, eu só tenho 19 anos e sei que não tenho a menor chance de viver; é muito tarde para mim. Para o senhor, tenho o último pedido a fazer: diga a todos os jovens que o senhor conhece e mostre-lhes esta carta. Diga-lhes que, em cada porta de escola, em cada cursinho, em cada faculdade, em qualquer lugar, há sempre um homem elegantemente vestido, bem falante, que irá mostrar-lhes o seu futuro assassino, o destruidor de suas vidas que os levará à loucura e à morte como eu.
Por favor, faça isso, meu pai, antes que seja tarde demais também para eles...
Adeus meu pai”

Depois desta carta, ele morreu. Este é um caso verídico. Aquele jovem morreu no hospital em 23 de maio, na cidade de São Paulo.

Carta transcrita por Jackislandy Meira de M. Silva da Revista da Escola Dominical de Adolescentes “Conselhos para o dia a dia”, editora CPAD.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Física Quântica: indicada para casos crônicos de falta de humildade



Quando se pensa e se faz o trabalho como obra poética em vez de sofrimento contumaz, sempre vem à mente a questão do “trabalho digno”, isto é, aqueles ou aquelas que se consideram superiores como seres humanos apenas porque têm um emprego socialmente mais valorizado.
Aliás, é sempre nesses casos que entra em cena o famoso “sabe com quem você está falando?”
Um dia procurei representar uma possível resposta científica a essa arrogante pergunta, e, de forma sintética, registrei essa representação em um livro meu chamado A escola e o conhecimento (Cortez); agora, de forma mais extensa e coloquial, aqui vai este relato, partindo do nosso lugar maior, o universo, até chegar a nós.
Hoje, em física quântica, não se fala mais um universo, mas em multiverso. A suposição de que exista um único universo não tem mais lugar na Física. A ciência fala em multiverso e que estamos em um dos universos possíveis. Este tem provavelmente o formato cilíndrico, em função da curvatura do espaço, portanto, ele é finito e tem porta de saída, que são os buracos negros, por onde ele vai minando e se esvaziando. Até 2002, era quase certo que o nosso universo fosse cilíndrico, hoje já há alguma suspeita de que talvez não. Mas a teoria ainda não foi derrubada em sua totalidade. Supõe-se que este universo possível em que estamos apareceu há 15 bilhões de anos. Alguns falam em 13 bilhões, outros em 18, mas a hipótese menos implausível no momento é que estamos num universo que apareceu há 15 bilhões de anos, resultante de uma grande explosão, que o cientista inglês Fred Hoyle apelidou de gozação de big-bang, e esse nome pegou.
Qual é a lógica? Há 15 bilhões de anos, é como se se pegasse uma mola e fosse apertando, apertando, apertando até o limite, e se amarrasse com uma cordinha. Imagine o que tem ali de matéria concentrada e energia retida! Supostamente, nesse período, todo o universo estava num único ponto adensado, como uma mola apertada e, então, alguém, alguma força – Deus, não sei, aqui a discussão é de outra natureza – cortou a cordinha. E aí, essa mola, o nosso universo está em expansão até hoje. E haverá um momento em que ele chegará ao máximo de elasticidade e irá encolher outra vez. A ciência já calculou que o encolhimento acontecerá em 12 bilhões de anos. Fique tranqüilo, até lá você já estará aposentado pelas novas regras.
Você pode cogitar algo que a Física tem como teoria: ele vai encolher e se expandir outra vez. Talvez haja uma lei do universo em que o movimento da vida é expansão e encolhimento. Como é o nosso pulmão, como bate o nosso coração, com sístole e diástole. Como é o movimento do nosso sexo, que expande e encolhe, seja o masculino, seja o feminino. Parece que existe uma lógica nisso, que os orientais, especialmente os chineses e indianos, capturaram em suas religiões, aquela coisa do inspirar e expirar. Parece haver uma lógica nisso, a ciência tem isso como hipótese.
Assim, há 15 bilhões de anos, houve uma grande explosão atômica, que gerou uma aceleração inacreditável de matéria e liberação de energia. Essa matéria se agregou formando o que nós, humanos, chamamos de estrelas e elas se juntaram, formando o que chamamos de galáxias (do grego galaktos, leite). A ciência calcula que existam em nosso universo aproximadamente 200 bilhões de galáxias. Uma delas é a nossa, a Via Láctea, que é “leite”, em latim. Aliás, nem é uma galáxia tão grande; calcula-se que ela tenha cerca de 100 bilhões de estrelas. Portanto, estamos em uma galáxia, que é uma entre 200 bilhões de galáxias, num dos universos possíveis e que vai desaparecer.
Nessa nossa galáxia, repleta de estrelas, uma delas é o que agora chamam de estrela-anã, o Sol. Em volta dessa estrelinha giram algumas massas planetárias sem luz própria, nove ao todo, talvez oito (pela polêmica classificação em debate). A terceira delas, a partir do Sol, é a Terra. O que é a Terra?
A Terra é um planetinha que gira em torno de uma estrelinha, que é uma entre 100 bilhões de estrelas que compõem uma galáxia, que é uma entre outras 200 bilhões de galáxias num dos universos possíveis e que vai desaparecer. Veja como nós somos importantes….
Aliás, veja como nós temos razão de nos termos considerado na história o centro do universo. Tem gente que é tão humilde que acha que Deus fez tudo isso só para nós existirmos aqui. Isso é que é um Deus que entende da relação custo-benefício. Tem indivíduo que acha coisa pior, que Deus fez tudo isso só para esta pessoa existir. Com o dinheiro que carrega, com a cor da pele que tem, com a escola que freqüentou, com o sotaque que usa, com a religião que pratica.
Nesse lugarzinho tem uma coisa chamada vida. A ciência calcula que em nosso planeta haja mais de trinta milhões de espécies de vida, mas até agora só classificou por volta de três milhões de espécies. Uma delas é a nossa: homo sapiens. Que é uma entre três milhões de espécies já classificadas, que vive num planetinha que gira em torno de uma estrelinha, que é uma entre 100 bilhões de estrelas que compõem uma galáxia, que é uma entre outras 200 bilhões de galáxias num dos universos possíveis e que vai desaparecer.
Essa espécie tem, em 2007, aproximadamente 6,4 bilhões de indivíduos.
Um deles é você.
Você é um entre 6,4 bilhões de indivíduos, pertencente a uma única espécie, entre outras três milhões de espécies classificadas, que vive num planetinha, que gira em torno de uma estrelinha, que é uma entre 100 bilhões de estrelas que compõem uma galáxia, que é uma entre outras 200 bilhões de galáxias num dos universos possíveis e que vai desaparecer.
Quem és tu? Tu é o vice-treco do sub-troço!
É por isso que todas às vezes na vida que alguém me pergunta: “Você sabe com quem está falando?”, eu respondo: “Você tem tempo?”
 
Por Mário Sérgio Cortella.


segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

O filósofo prefeito


Não precisa ser nenhum “expert” em gestão pública para saber que governar uma cidade é, com dúvidas, um desafio. Digo “com dúvidas” porque nem sempre se entra numa prefeitura com tanto ímpeto assim. Se para alguns é um desafio, e aí se percebe uma certa preocupação com a coletividade, em fazer mais pelo bem comum, um bem que compete mais a todos do que a uma parte. Para outros, é uma ciranda de roda(brincadeira), onde o centro das atenções está voltado para o umbigo de quem administra e de suas ambições, relativamente mesquinhas. E, para um filósofo, como seria administrar? Tiraria o umbigo ou faria de conta que ele não existe?
O umbigo aqui representa interesses particulares, ambição no seu mais alto grau. Na época de Michel de Montaigne, por volta da segunda métade do séc. XVI, administrar não era um ofício dos mais encantadores, mas esse filósofo foi prefeito por duas vezes na cidade de Bordeaux, na França. Ligado às campanhas militares entre os nobres, não abria mão de escrever. Aceitou ser prefeito, mas com uma condição, não abdicar de seus escritos por hipótese alguma. Isso o fazia primeiro filósofo, depois prefeito. Certamente, herdeiro de algumas convicções da burguesia francesa, portou-se muito mais como um aristocrata no poder do que como um democrata populista afeito aos camponeses e aos pobres das províncias.
Ora, estamos no contexto do avanço do humanismo racionalista, em pleno Renascimento, com as roupas sujas da Idade Média. A política ainda estava se aperfeiçoando. Teorias políticas como as de Hobbes, Maquiavel, Tocqueville, Marx e outros ainda estavam em germe. Montaigne se destacou justamente por desafiar, com suas dúvidas pertinentes, um humanismo dogmático que pretendia imputar ao homem um poder ilimitado e centralizador. Como bom renascentista, Montaigne cultivou bom humor, imaginação, e um determinado tipo de realismo ao discutir questões do cotidiano humano.
Porém, o que marca talvez o seu humanismo, embora cético e limitado, é a humildade, pois coloca o homem como um grão de areia comparado às infinitas espécies de seres que existem sobre a terra. Via o homem em relação aos outros animais, não mais nem menos do que eles, a não ser pela filosofia e pela religião. É possível encontrar inúmeras referências de animais nos “Ensaios” de Montaigne, algumas até com uma preciosidade em detalhes, o que endossa a tese de que não somos seres tão perfeitos assim, uma vez que somos falhos e passíveis a cometer tolices, sobretudo na esfera pública(Cf. Ghiraldelli Jr. A Aventura da Filosofia. Vol 1. São Paulo: Manole, 2010, p. 103-113).
É óbvio que não tenho a pretensão de colocar Montaigne como um prefeito de referência para o universo dos prefeitos de hoje. As cidades estão cheias de problemas de urbanização; não são mais províncias, pelo menos no estilo de vida; poluição; desemprego; superpopulação; transportes públicos sucateados; estradas e rodovias esburacadas. A industrialização chegou, a tecnologia também; a servidão diminuiu com o ganho de liberdade; a democracia abriu as portas à participação popular no poder central; as guerras militares praticamente diminuíram, o terror surgiu como a maior das armas de guerra, depois da bomba atômica. O capitalismo transformou o trabalho feudal de sobrevivência humana em trabalho industrial que visa concorrência, exploração e acúmulo de bens(riqueza).
Com isso, não pensem que Montaigne foi superado. Não. Montaigne apenas foi modificado. O homem se transformou desde Montaigne até aqui e continua a se transformar. O fato é que problemas como a corrupção que já existia na época de Montaigne estão mais visíveis. A história não mente quanto à burguesia absolutista na França nesse período e logo depois o clima de insatisfação popular que eclodiu com uma tremenda revolução em 1789, fazendo surgir a tão sonhada República e a emancipação dos direitos humanos.
Todavia, algo de Michel de Montaigne os prefeitos deviam herdar, a sua humildade e o seu zelo para com a coisa pública. Diferentemente de Luís XIV que reinou a França de 1643 a 1715 e que ficou conhecido pela frase: “C'était c'est moi” - “O estado sou eu”, Montaigne advertia em seusEnsaios” que em cada cidade devia haver um lugar onde as pessoas pudessem ir até lá a fim de resolver seus problemas e satisfazer suas necessidades, este lugar era a prefeitura, imagino eu, de modo a abrigar os que não tem casa, salários, roupas e comida. Este era um conselho de seu pai que preenche as lacunas de uma administração, lamenta Montaigne por não ter seguido tal conselho a risca. Já naquela época, o pai de Montaigne orientava o filho que para administrar uma casa era necessário registrar as transações financeiras, inscrever as contas, exigir que o secretário anote todas as informações num diário, enfim...(Cf. MONTAIGNE. Col. Os Pensadores. São Paulo: Abril, 1972, p. 113-114).
Além do mais, ser prefeito do quilate de Montaigne significa admitir erros, incoerências e duvidar das certezas. Jamais pensou que governava sozinho, muito menos para um grupo. Ele governava com humildade e com muita naturalidade. Sua responsabilidade com as dívidas era de impressionar, basta conferir o que diz acerca das orientações do pai em relação às contas da família, avalie então o que seu pai não diria a respeito das contas públicas!
Cidadão, como estão as contas de seu município? 
 
Prof. Jackislandy Meira de M. Silva
Especialista em Metafísica, Licenciado em Filosofia, Bacharel em Teologia

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Primeiro Workshop Sax de Florânia será realizado no dia 09


O Maestro da Banda Filarmônica Juventude Floraniense, Damião Celestino (Dãozinho) juntamente com o Cantor e saxofonista Ângelo Torres, realizarão na próxima quinta-feira dia 09 de fevereiro, o I Workshop Sax Florânia.

O Workshop terá inicio às 14hs e encerramento às 17h30min, na Casa de Cultura Florânia. As pessoas que desejarem participar deverão reservar a sua vaga entrando em contato com o Maestro Dãozinho pelo fone (84) 9957 6688, ou pelo endereço eletrônico E-mail: celestino-araujo@hotmail.com.

Ainda no dia 09 de fevereiro, às 19h30min, no Castelo de Franklin o cantor saxofonista Ângelo Torres fará o lançamento do seu 8º CD, intitulado de "Essencial". 

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Mec entregará tablets só para professores, e não para alunos como foi anunciado

 
Depois de muitas indefinições, a proposta do Ministério da Educação (MEC) de disponibilizar tablets — computadores portáteis semelhantes a uma prancheta — nas redes públicas de ensino começa a sair do papel. Mas com mudanças. À frente da pasta há cerca de uma semana, Aloizio Mercadante anunciou na quinta-feira (2) que os professores — em vez dos alunos, como era esperado — receberão o equipamento.
O projeto Educação Digital será implementado inicialmente nas 58.700 escolas públicas brasileiras com banda larga e localizadas em áreas urbanas. A meta do MEC é entregar os equipamentos até o fim deste ano aos docentes do ensino médio.
Segundo o ministro, o programa foi formulado e finalizado na sua gestão, apesar de já estar em discussão há mais de um ano na Esplanada. “Eu tenho estudado isso há anos. Inclusive, quando estava no Ministério de Ciência e Tecnologia já estávamos prevendo essa compra.”
Mercadante afirmou que o MEC vai assumir integralmente a compra de 600 mil tablets. O orçamento deste ano da pasta prevê um gasto de cerca de 180 milhões de reais com as pranchetas.


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