terça-feira, 1 de maio de 2012

O processo de socialização da Educação a distância no Brasil


Pelo texto “Ensaio sobre a Educação a Distância no Brasil” da autora Maria Luiza Belloni, no tocante aos Processos de Socialização, pudemos perceber que é uma tentativa clara e aberta de preparar os jovens indivíduos das novas gerações para o uso dos meios técnicos disponíveis na sociedade. Ora, é cada vez mais comum em nossa sociedade a utilização, mesmo banalizada é claro, dos instrumentos tecnológicos para fins de comunicação e interação social. Já é quase impensável viver em sociedade sem um celular ou um computador plugados à internet. A mediação de máquinas em nossas relações é quase uma necessidade de sobrevivência. É muito notório em nosso meio o uso das máquinas para se relacionar. Sendo assim, é oportuna a observação feita no Ensaio, do ponto de vista da sociologia, “que não há mais como constestar que as diferentes mídias eletrônicas assumem um papel cada vez mais importante no processo de socialização”(BELLONI, Maria Luiza. Ensaio Sobre a Educação a Distância no Brasil in Educação & Sociedade, ano XXIII, nº 78, Abril/2002, p. 118). A partir disso, como negligenciar a evidência desses recursos técnicos tão presentes na sociedade vigente? De um lado, as crianças aprendendo sozinhas porque já possuem afinidade com essas novas teconologias, pois convivem em casa com esse tipo de máquina; escolas particulares equipando ou aparelhando suas instituições com máquinas de última geração, sem pessoal eficaz e capaz para operá-las. Por outro lado, temos as escolas públicas que tentam acelerar os passos lentos no processo de informatização de suas instituições. O pessoal dos Governos Municipal, Estadual e Federal abarrotando as escolas públicas de computadores, data show e outros recursos não oferece, na mesma medida, o acompanhamento de uma capacitação para coordenadores pedagógicos e professores. Falta gerenciamento e muita boa vontade. O resultado disso é que nossas escolas estão, algumas, diga-se de passagem, repletas de aparelhos multimídia, laboratórios de infomática e etc, inutilizados, porque o acelerado processo de midiatização ou informatização das escolas pelo poder público não tem um acompanhamento de capacitação de pessoal considerado.
Tenho a impressão de que, por causa disso, há um sério contraponto nas escolas entre o avanço teconológico muito imediato e o retrocesso dos profissionais da educação que não acompanham este avanço. Daí surge a pergunta que não quer calar: Por que a mesma intimidade que os nossos filhos tem com as máquinas em casa não pode haver nas escolas? Ou por que eles não são educados a usá-los de forma adequada na escola? As escolas públicas deveriam se importar um pouco mais com essa problemática e já ir inserindo mecanismos metodológicos, como a internet, para quebrar um pouco mais o ranço tradicional dos sistemas de ensino. A crítica que a autora faz em relação às escolas públicas e sua interação com as TIC procede: “as crianças aprendem sozinhas(autodidaxia), lidando com máquinas 'inteligentes' e 'interativas', conteúdos, formas e normas que a instituição escolar, despreparada, mal equipada e desprestigiada, nem sempre aprova e raramente desenvolve”(idem).
Com esse panorama, que não é negativo, mas processual e conflitivo, ousamos justificar pelo chamado choque de gerações por que passamos hoje. O mundo não é o mesmo de há 20 anos. Estamos passando por transformações profundas na economia, na moral, na educação, nas relações sociais, enfim. Por incrível que pareça, as TIC interferem em todas as áreas de conhecimento muito mais hoje do que no passado. Os meios tecnológicos de informação e comunicação não tinham grande influência na vida das sociedades, - bastam lembrar da queda das ditaduras de Honduras e Egito, o quanto a sociedade civil do mundo inteiro não participou via internet, influenciando diretamente na queda desses ditadores - tampouco no processo de socialização entre os próprios indivíduos. A TV e o rádio foram ampliados pela presença da internet em grande parte dos lares brasileiros – Coversamos com as vítimas via internet, em tempo real, no momento do Tsunami e terremoto que varreu o nordeste do Japão ano passado. O mais impressionante é não só absorvermos informação, mas interagirmos com ela. Intervirmos na comunicação, interferirmos na velocidade da informação. A meu ver, o problema funda-se aí, na constatação de que não basta copiar ou repetir informações ou multiplicá-las até, mas cogitá-las, reformando e interiorizando todo e qualquer tipo de conteúdo veiculado, dependendo da reflexão crítica, intuitiva, e da criatividade do usuário. Nesse ponto justamente entra o papel maravilhoso da educação presencial e à distância.
Ao invés de negligenciar os recursos técnicos como bem fazem as escolas e academias públicas, devíamos tentar inserir os meios mais sofisticados da tecnologia mundial a serviço das escolas, bem como de uma grande parte da população ainda excluída do acesso ao mundo virtual que presta os mais variados serviços às pessoas, desde a emissão de contracheque, compras até cursos de bom nível educacional.
É óbvio que não dá para ficarmos fora de todos os recursos tecnológicos à nossa disposição. Isso é praticamente impensável, mas cuidemos, como bem demonstra o Ensaio, de não entrarmos no jogo capitalista de consumo exacerbado dos bens tecnológicos, porque isso pode nos anestesiar frente às profundas desigualdades sociais que nos cercam e nos envolvem. Mesmo com todo avanço da ciência e da técnica, o mundo ainda não está livre da fome, da miséria, da pobreza, das doenças, da corrupção. Paira sobre nós ainda um grande atraso cultural e político. É preciso alertar: “Nos países subdesenvolvidos porém industrializados e altamente urbanizados; pobres e atrasados cultural e politicamente, mas com 'bolsões tecnificados' e globalizados; nesses países as contradições e as desigualdades sociais tendem a ser agravadas pelo avanço tecnológico”(idem, p. 119).
Certamente, como nos afirma a autora do Ensaio, na contramão do capitalismo e do neoliberalismo selvagem, eis que surge a entrada da EaD como promotora de uma educação mais econômica e de qualidade, “(...) no qual o uso intensivo das TIC se combina com as técnicas de gestão e marketing, gerando formas inéditas de ensino que podem até resultar, às vezes e com sorte, em efetiva aprendizagem”(idem, p. 121).

Prof. Jackislandy Meira de M. Silva
Bacharel em Teologia, Licenciado em Filosofia e Especialização em Metafísica

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terça-feira, 1 de maio de 2012

O processo de socialização da Educação a distância no Brasil


Pelo texto “Ensaio sobre a Educação a Distância no Brasil” da autora Maria Luiza Belloni, no tocante aos Processos de Socialização, pudemos perceber que é uma tentativa clara e aberta de preparar os jovens indivíduos das novas gerações para o uso dos meios técnicos disponíveis na sociedade. Ora, é cada vez mais comum em nossa sociedade a utilização, mesmo banalizada é claro, dos instrumentos tecnológicos para fins de comunicação e interação social. Já é quase impensável viver em sociedade sem um celular ou um computador plugados à internet. A mediação de máquinas em nossas relações é quase uma necessidade de sobrevivência. É muito notório em nosso meio o uso das máquinas para se relacionar. Sendo assim, é oportuna a observação feita no Ensaio, do ponto de vista da sociologia, “que não há mais como constestar que as diferentes mídias eletrônicas assumem um papel cada vez mais importante no processo de socialização”(BELLONI, Maria Luiza. Ensaio Sobre a Educação a Distância no Brasil in Educação & Sociedade, ano XXIII, nº 78, Abril/2002, p. 118). A partir disso, como negligenciar a evidência desses recursos técnicos tão presentes na sociedade vigente? De um lado, as crianças aprendendo sozinhas porque já possuem afinidade com essas novas teconologias, pois convivem em casa com esse tipo de máquina; escolas particulares equipando ou aparelhando suas instituições com máquinas de última geração, sem pessoal eficaz e capaz para operá-las. Por outro lado, temos as escolas públicas que tentam acelerar os passos lentos no processo de informatização de suas instituições. O pessoal dos Governos Municipal, Estadual e Federal abarrotando as escolas públicas de computadores, data show e outros recursos não oferece, na mesma medida, o acompanhamento de uma capacitação para coordenadores pedagógicos e professores. Falta gerenciamento e muita boa vontade. O resultado disso é que nossas escolas estão, algumas, diga-se de passagem, repletas de aparelhos multimídia, laboratórios de infomática e etc, inutilizados, porque o acelerado processo de midiatização ou informatização das escolas pelo poder público não tem um acompanhamento de capacitação de pessoal considerado.
Tenho a impressão de que, por causa disso, há um sério contraponto nas escolas entre o avanço teconológico muito imediato e o retrocesso dos profissionais da educação que não acompanham este avanço. Daí surge a pergunta que não quer calar: Por que a mesma intimidade que os nossos filhos tem com as máquinas em casa não pode haver nas escolas? Ou por que eles não são educados a usá-los de forma adequada na escola? As escolas públicas deveriam se importar um pouco mais com essa problemática e já ir inserindo mecanismos metodológicos, como a internet, para quebrar um pouco mais o ranço tradicional dos sistemas de ensino. A crítica que a autora faz em relação às escolas públicas e sua interação com as TIC procede: “as crianças aprendem sozinhas(autodidaxia), lidando com máquinas 'inteligentes' e 'interativas', conteúdos, formas e normas que a instituição escolar, despreparada, mal equipada e desprestigiada, nem sempre aprova e raramente desenvolve”(idem).
Com esse panorama, que não é negativo, mas processual e conflitivo, ousamos justificar pelo chamado choque de gerações por que passamos hoje. O mundo não é o mesmo de há 20 anos. Estamos passando por transformações profundas na economia, na moral, na educação, nas relações sociais, enfim. Por incrível que pareça, as TIC interferem em todas as áreas de conhecimento muito mais hoje do que no passado. Os meios tecnológicos de informação e comunicação não tinham grande influência na vida das sociedades, - bastam lembrar da queda das ditaduras de Honduras e Egito, o quanto a sociedade civil do mundo inteiro não participou via internet, influenciando diretamente na queda desses ditadores - tampouco no processo de socialização entre os próprios indivíduos. A TV e o rádio foram ampliados pela presença da internet em grande parte dos lares brasileiros – Coversamos com as vítimas via internet, em tempo real, no momento do Tsunami e terremoto que varreu o nordeste do Japão ano passado. O mais impressionante é não só absorvermos informação, mas interagirmos com ela. Intervirmos na comunicação, interferirmos na velocidade da informação. A meu ver, o problema funda-se aí, na constatação de que não basta copiar ou repetir informações ou multiplicá-las até, mas cogitá-las, reformando e interiorizando todo e qualquer tipo de conteúdo veiculado, dependendo da reflexão crítica, intuitiva, e da criatividade do usuário. Nesse ponto justamente entra o papel maravilhoso da educação presencial e à distância.
Ao invés de negligenciar os recursos técnicos como bem fazem as escolas e academias públicas, devíamos tentar inserir os meios mais sofisticados da tecnologia mundial a serviço das escolas, bem como de uma grande parte da população ainda excluída do acesso ao mundo virtual que presta os mais variados serviços às pessoas, desde a emissão de contracheque, compras até cursos de bom nível educacional.
É óbvio que não dá para ficarmos fora de todos os recursos tecnológicos à nossa disposição. Isso é praticamente impensável, mas cuidemos, como bem demonstra o Ensaio, de não entrarmos no jogo capitalista de consumo exacerbado dos bens tecnológicos, porque isso pode nos anestesiar frente às profundas desigualdades sociais que nos cercam e nos envolvem. Mesmo com todo avanço da ciência e da técnica, o mundo ainda não está livre da fome, da miséria, da pobreza, das doenças, da corrupção. Paira sobre nós ainda um grande atraso cultural e político. É preciso alertar: “Nos países subdesenvolvidos porém industrializados e altamente urbanizados; pobres e atrasados cultural e politicamente, mas com 'bolsões tecnificados' e globalizados; nesses países as contradições e as desigualdades sociais tendem a ser agravadas pelo avanço tecnológico”(idem, p. 119).
Certamente, como nos afirma a autora do Ensaio, na contramão do capitalismo e do neoliberalismo selvagem, eis que surge a entrada da EaD como promotora de uma educação mais econômica e de qualidade, “(...) no qual o uso intensivo das TIC se combina com as técnicas de gestão e marketing, gerando formas inéditas de ensino que podem até resultar, às vezes e com sorte, em efetiva aprendizagem”(idem, p. 121).

Prof. Jackislandy Meira de M. Silva
Bacharel em Teologia, Licenciado em Filosofia e Especialização em Metafísica

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