sábado, 2 de abril de 2011

Qual a sua opinião?...



Nesses dias dei-me conta de que estava a pensar sobre o quanto é importante uma boa formação de opiniões, até mesmo para convivermos melhor em sociedade, expressar com mais objetividade nossas ideias, ajudar outros a formarem as suas, dirimir equívocos, afastar incoerências. Paira sobre nós um certo relaxamento em relação a isso. A nossa malemolência em lidar com o assunto é absurda.
Vejam que alguns de nós passam anos a fio dentro de uma Universidade ou de uma Escola tentando construir algo, uma carreira talvez, um arcabouço de informações, uma base a mais para crescer na vida, enfim, mas quando somos consultados simplesmente não temos o que dizer. No entanto, quer entremos ou não numa Universidade, o certo é que muitos de nós, senão todos, passamos a vida toda e não conseguimos sequer formar, tampouco viver de nossas opiniões, o que mostra o quanto não somos senhores de nós mesmos. Num ponto, Heidegger estava certo: “A maioria dos homens não pensa por si mesmo; não julga com a própria cabeça; não decide por conta própria: pensa, julga, decide conforme ou vem dizer dos outros”. Creio que está na hora de aprender a pensar com a própria cabeça. Ser cabeça bem feita e não cabeça cheia, no dizer de Montaigne, uma recorrente no pensamento de Edgar Morin.
Absortos a uma cultura capitalista democrática de interesses meramente econômicos que, de quando em quando, abandona seus ideais democráticos e dá lugar as ditaduras mais toscas e aberrantes como aquelas vistas recentemente em cadeia internacional com proporções violentas na Tunísia, no Egito e agora, no Iêmen, tal como na Líbia, nos sentimos seriamente vulneráveis quanto à solidez de algumas opiniões enraizadas na ética, na tolerância e no amor. A ditadura é a prova cabal de que “o controle da expressão leva à morte da expressão”(Márcia Tiburi). Se com expressão a democracia é o que é, o que dizer então sem ela!
Tão logo nascemos, de imediato nossos pais descarregam sobre nós os mais belos pensamentos, os mais velhos conselhos de respeito e de bons costumes, fruto de uma tradição herdada por nossos avós ou pela família inteirinha. O certo é que nem sempre se percebe a tradução de velhos ensinamentos em vida. Refiro-me a velhos não por serem menos ou mais importantes do que os novos, mas porque afirmam uma tradição distante de nós. Não é por serem velhos ou antigos que não prestam, mas por não virem acompanhados de ação, de vida, de autenticidade. É aquela história, dar conselhos é razoavelmente maravilhoso, mas vivê-los, aí são outros quinhentos. Não é em vão que o corriqueiro ditado popular teima em vigorar: “As palavras passam, mas os exemplos arrastam”. Quantas vezes não ouvimos de nossos pais: “Meu filho, cuidado com as companhias, com a bebida, com as drogas, ….” No entanto, quantos pais ou familiares não têm os mesmos cuidados, o mesmo zelo, acabando por errar muito mais.
Para a maior parte de nós, pouco importa o que acontece embaixo de nossos narizes ou em volta de nós. Na verdade, damos mais interesse para o que há dentro de nós, da subjetividade, do nosso eu arranhado, nossos recalques, culpas e ressentimentos. A atmosfera que nos arrebata não é a que está fora, mas a que está dentro de nós. Respondemos muito, mas muito mais aos estímulos da nossa subjetividade e nos distraímos, voluntariamente ou não, para o que responde o outro, para o que pensa o outro, para o que precisa o outro, para o que sente o outro... Vamos destruindo aos poucos toda uma construção ou desconstrução de valores dada às formas da nossa mais inata causalidade. Segundo Kant, há, em nós, uma intuição inata de ver ou perceber as coisas. É, portanto, esta dimensão que a Escola, a Universidade, os pais, os amigos e familiares, a sociedade e mesmo nós, cada um de nós, deve dinamizar para melhor formar opiniões que visem ao diálogo e à desconstrução de preconceitos. Resgatando, assim, a luminosidade de novas pessoas, o fulgor de novos sujeitos que deem também importância ao que está fora, perto e longe, a alteridade, o altruísmo, a caridade, o apreço pelo diferente.
Na minha opinião, a sociedade não pode ficar órfã de homens e mulheres adeptos de uma boa leitura; afeitos à música; dedicados à família; focados no trabalho; zelosos à cidadania; fiéis ao cristianismo; compromissados com a verdade; fazedores da justiça; eleitores da honestidade e não da força econômica; sabedores e cumpridores da ética; protagonistas do amanhã; formadores de si mesmos. Qual a sua opinião? Por que não tenta começar a expressá-la agora mesmo?

Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva
Licenciado em Filosofia pela UERN e Especialista em Metafísica pela UFRN

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sábado, 2 de abril de 2011

Qual a sua opinião?...



Nesses dias dei-me conta de que estava a pensar sobre o quanto é importante uma boa formação de opiniões, até mesmo para convivermos melhor em sociedade, expressar com mais objetividade nossas ideias, ajudar outros a formarem as suas, dirimir equívocos, afastar incoerências. Paira sobre nós um certo relaxamento em relação a isso. A nossa malemolência em lidar com o assunto é absurda.
Vejam que alguns de nós passam anos a fio dentro de uma Universidade ou de uma Escola tentando construir algo, uma carreira talvez, um arcabouço de informações, uma base a mais para crescer na vida, enfim, mas quando somos consultados simplesmente não temos o que dizer. No entanto, quer entremos ou não numa Universidade, o certo é que muitos de nós, senão todos, passamos a vida toda e não conseguimos sequer formar, tampouco viver de nossas opiniões, o que mostra o quanto não somos senhores de nós mesmos. Num ponto, Heidegger estava certo: “A maioria dos homens não pensa por si mesmo; não julga com a própria cabeça; não decide por conta própria: pensa, julga, decide conforme ou vem dizer dos outros”. Creio que está na hora de aprender a pensar com a própria cabeça. Ser cabeça bem feita e não cabeça cheia, no dizer de Montaigne, uma recorrente no pensamento de Edgar Morin.
Absortos a uma cultura capitalista democrática de interesses meramente econômicos que, de quando em quando, abandona seus ideais democráticos e dá lugar as ditaduras mais toscas e aberrantes como aquelas vistas recentemente em cadeia internacional com proporções violentas na Tunísia, no Egito e agora, no Iêmen, tal como na Líbia, nos sentimos seriamente vulneráveis quanto à solidez de algumas opiniões enraizadas na ética, na tolerância e no amor. A ditadura é a prova cabal de que “o controle da expressão leva à morte da expressão”(Márcia Tiburi). Se com expressão a democracia é o que é, o que dizer então sem ela!
Tão logo nascemos, de imediato nossos pais descarregam sobre nós os mais belos pensamentos, os mais velhos conselhos de respeito e de bons costumes, fruto de uma tradição herdada por nossos avós ou pela família inteirinha. O certo é que nem sempre se percebe a tradução de velhos ensinamentos em vida. Refiro-me a velhos não por serem menos ou mais importantes do que os novos, mas porque afirmam uma tradição distante de nós. Não é por serem velhos ou antigos que não prestam, mas por não virem acompanhados de ação, de vida, de autenticidade. É aquela história, dar conselhos é razoavelmente maravilhoso, mas vivê-los, aí são outros quinhentos. Não é em vão que o corriqueiro ditado popular teima em vigorar: “As palavras passam, mas os exemplos arrastam”. Quantas vezes não ouvimos de nossos pais: “Meu filho, cuidado com as companhias, com a bebida, com as drogas, ….” No entanto, quantos pais ou familiares não têm os mesmos cuidados, o mesmo zelo, acabando por errar muito mais.
Para a maior parte de nós, pouco importa o que acontece embaixo de nossos narizes ou em volta de nós. Na verdade, damos mais interesse para o que há dentro de nós, da subjetividade, do nosso eu arranhado, nossos recalques, culpas e ressentimentos. A atmosfera que nos arrebata não é a que está fora, mas a que está dentro de nós. Respondemos muito, mas muito mais aos estímulos da nossa subjetividade e nos distraímos, voluntariamente ou não, para o que responde o outro, para o que pensa o outro, para o que precisa o outro, para o que sente o outro... Vamos destruindo aos poucos toda uma construção ou desconstrução de valores dada às formas da nossa mais inata causalidade. Segundo Kant, há, em nós, uma intuição inata de ver ou perceber as coisas. É, portanto, esta dimensão que a Escola, a Universidade, os pais, os amigos e familiares, a sociedade e mesmo nós, cada um de nós, deve dinamizar para melhor formar opiniões que visem ao diálogo e à desconstrução de preconceitos. Resgatando, assim, a luminosidade de novas pessoas, o fulgor de novos sujeitos que deem também importância ao que está fora, perto e longe, a alteridade, o altruísmo, a caridade, o apreço pelo diferente.
Na minha opinião, a sociedade não pode ficar órfã de homens e mulheres adeptos de uma boa leitura; afeitos à música; dedicados à família; focados no trabalho; zelosos à cidadania; fiéis ao cristianismo; compromissados com a verdade; fazedores da justiça; eleitores da honestidade e não da força econômica; sabedores e cumpridores da ética; protagonistas do amanhã; formadores de si mesmos. Qual a sua opinião? Por que não tenta começar a expressá-la agora mesmo?

Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva
Licenciado em Filosofia pela UERN e Especialista em Metafísica pela UFRN

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