sexta-feira, 25 de abril de 2008

Especulações acerca do mito



(a imagem ao lado nos reporta às narrativas dos trabalhos e os dias de Hesíodo – a caixa de Pandora – presente para todos os deuses)


“O mito é o nada que é tudo” (Fernando Pessoa).
O momento em que vivemos está sendo chamado por demais de Século do conhecimento. Só que nos esquecemos de discernir bem o que é, de fato, conhecimento, uma vez que conhecer, do latim cognoscere, significa trabalhar com nous, com a inteligência a ponto de estabelecer a diferença de uma coisa da outra. Ter noção de alguma coisa. Não é apenas assimilar ou ler informações rapidamente, onde a razão parece mais demente com o entra e sai de dados, de informações, do que com o refletir das causas em torno da realidade. O conhecimento tem que estar na direção da busca pelo saber, na medida do possível atrelado à Filosofia, em comunhão com a cogitação do pensamento, numa espécie de jogo do pensamento.
O modo como as coisas vieram a ser o que são ou como fora dado o ser ainda permanece sob suspenso na linha do conhecimento. Os limites da razão não nos deixam desvendar como, no fundo, são as coisas, pois nos diz Heidegger que nunca chegaremos a conhecer o que são as coisas, no máximo, chegaremos a dizer a sua aparência, jamais saberemos a sua essência. Para Wittgenstein, também não podemos mais ser filósofos porque não conseguimos mais trabalhar os conceitos de totalidade e essência. Esses conceitos não vão nos ajudar mais em nosso mundo. Daí o mundo ser caótico e desesperado.
No entanto, ousamos a denominar este tempo, de tempo do conhecimento. Onde estão as culturas que fundamentaram a linguagem e a escrita? Que lugar elas ocupam na dimensão do nosso conhecimento? Tivemos a petulância de tatuar as coisas, de imprimir-lhes significados, mas não lhes damos o devido valor. Os nossos ancestrais, no seu estado de natureza, como diria Rousseau, eram peritos em botânica, ecologia, geometria, agricultura, artes, enfim... Mas não foram honrados como gente do conhecimento. Souberam como ninguém a explorar racionalmente a natureza e a cantar as suas conquistas, glórias e paixões através do mito.
Anterior a qualquer tentativa de convenção categórica racional, o mito vem a ser a forma mais acabada de expressão humana sobre a vida, aquém e além dela. O que há de mais interessante é o fato de, com o mito, abraçarmos o que a razão, o logos não pode alcançar.
O vôo que se tem com a narrativa mitológica é extraordinário. Saborear o dizer de alguma coisa sem qualquer motivo de racionalização deve inserir-nos na dimensão do mistério, do sagrado, do religioso.
Platão nos oferece, depois de avançar nos níveis de conhecimento, uma maneira de descobrir também a verdade, a beleza e a idéia, o mito.
No pensar de Platão, não há uma separação entre mito e logos, no máximo pode haver uma distinção, o que não favorece a um e a outro.
Se o logos tende a explicar o surgimento de todas as coisas, isto não quer dizer que seja maior ou melhor que o mito, até porque este surge como tentativa de explicar a morte, o nascimento, a vida, os conflitos... O mito pretende muito mais do que podemos alcançar. O mito é sugestivo e um estímulo para o conhecer, pois não é um sistema pronto ou acabado, sem nada a acrescentar. O mito é responsável por provocar perguntas novas a respeito de tudo que nos cerca.
Em virtude disso, o pensador contemporâneo Edgar Morin afirma que “o mistério do mito invade o que o considera do exterior, enquanto, do interior, o mito é vivido não como mito, mas como verdade”.

Jackislandy Meira de M. Silva, professor e filósofo.
Confira os blogs:
www.umasreflexoes.blogspot.com
www.chegadootempo.blogspot.com

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Perplexidades de hoje



Há tempo que me não percebia assim, instigado pelo novo, pelo imponderável, pelos átrios da vida, causando-me estranheza e, ainda, decepcionado pelos fatos que corroem de horror e de violência nossa humanidade, salpicando aqui e ali seus estilhaços de destruição.
É por demais emblemático o momento em que me encontro situado. Marcado por bruscas inovações, mas por assaltos de medo e de violência a todo instante. Como professor, convenço-me, senão lanço-me, custe o que custar, para a meta dos pensamentos meus, apesar do peso histórico amargurar um enorme pessimismo político e social.
Pensamentos dirigidos ao famoso “Fundeb” que anda a passos lentos pelo país, teimando em não vigorar, - muito embora continue a torcer por ele, pois acho fantástica sua postura em valorizar o profissional da Educação - assim como as Promoções vertical e horizontal do Plano de Cargos e Salários aprovado pelo governo do Estado do Rio Grande do Norte que ainda não estão atendendo suas exigências. Quando seremos, de fato, beneficiados por tão nobre ofício que desempenhamos? Pensamentos dirigidos à vontade de galgar ainda mais nos estudos filosóficos com a oportunidade da execução de um Mestrado. Pensamentos quanto à realização dos Projetos assumidos no âmbito municipal junto à estrutura do poder instituído pela secretaria de Educação de Florânia. São metas a cumprir, interesses voltados para o dinamismo do desenvolvimento social sustentado.
Falando nisso, em desenvolvimento sustentado, o avanço das tecnologias e as descobertas recentes da ciência no campo da engenharia genética – células tronco – não se coadunam com retrocesso social por que passa o mundo. Falta arroz! Falta a comida básica na mesa de miríades de milhares de pessoas que, por sinal, morrem de fome na África e em outros países. Armas são fabricadas em grande quantidade, enquanto filas inteiras de homens, mulheres e crianças famintos se amontoam pelo mundo a fora em busca do arroz e do pãozinho francês que, diga-se de passagem, tornou-se raro na mesa dos brasileiros pelo seu alto custo.
Essas angústias, talvez, devam ser o contraponto dos sonhos, das idéias, das perspectivas, das boas intenções. Se, de um lado, os investimentos econômicos descambam rumo à indústria do biodiesel a todo vapor, por outro, imbricam em lugares “desconhecidos” que atende apenas aos interesses fortuitos de alguns empresários e banqueiros brasileiros. Com isso, é lamentável assistir aos descasos sociais presentes na imprensa, dando sinais de que o mundo passa por uma crise irreparável de alimentos provando, dessa forma, que a filhinha mais nova do capitalismo, o neoliberalismo é o germe da sua própria destruição quando valores econômicos não são capazes de salvar vidas acometidas por um simples mosquito(Aedis Aegypti) da dengue. Só no Rio Grande do Norte, mais de dez pessoas foram levadas a óbito, sem contar outros Estados brasileiros, como o do Rio de Janeiro, que só este ano quase 100 mortes foram registradas por motivo de dengue, na sua maioria crianças e adolescentes. O Rio de Janeiro, atualmente, é o que mais sofre, no contexto nacional, com essa epidemia lastimosa.
Somam-se a isso, os EUA procurando culpados por sua tão grave crise econômica que, mesmo assim, tentaram por a culpa no Brasil e em países europeus, mas não adiantou. Por ano, pra termos uma idéia, só nos EUA a produção de milho para o biodisel aumentou de 15% para 90%, enquanto isso a população reclama de falta de alimentos. O sórdido caso de violência brutal do pai e da madrasta para com a criança Isabella, com evidências capitais de que ambos( pai e madrasta) mataram a menina. O caso ainda permanece sob investigação na espera de um desfecho. Um verdadeiro e irreparável horror!!!
Fatos como esses me fazem lembrar do filósofo francês Rousseau que nos convida a voltar para nosso estado de natureza, estado de homens primitivos. Mas aqui está o ponto: Voltar ao nosso estado original para nos humanizar ou para nos brutalizar? Pois, se for para nos brutalizar, creio que não, a proposta de Rousseau vem muitíssimo a calhar.

Jackislandy Meira de M. Silva, professor e filósofo.
Confiraosblogs:
www.umasreflexoes.blogspot.com

segunda-feira, 7 de abril de 2008

A Indústria Cultural III

Desse modo, a Indústria Cultural não vincula propriamente uma ideologia: Ela própria é ideologia, a ideologia da aceitação dos fins estabelecidos por “outros”, isto é, pelo sistema.
Quando se fala em Indústria Cultural, é importante destacar que ela é fruto de uma sociedade capitalista industrializada, onde até mesmo a cultura é vista como produto a ser comercializado. Mas o que é Indústria Cultural? Podemos dizer que é tudo o que é produzido pelo sistema industrializado de produção cultural(TV, rádio, jornal, revistas, internet, ....) elaborado de forma a influenciar, aumentar o consumo, transformar hábitos, educar, informar, pretendendo-se ainda, em alguns casos, ser capaz de atingir a sociedade como um todo.
Assim, cada vez mais, a máquina da Indústria Cultural, ao preferir a eficácia dos seus produtos, determina o consumo dos memos e exclui tudo o que é novo, tudo o que ela configura como risco. A identidade do domínio que a Indústria Cultural exerce sobre os indivíduos, aquilo que ela oferece de continuamente novo não é mais do que a representação, sob formas diferentes, de algo que é sempre igual; a mudança oculta um esqueleto, no qual muda tão pouco como no conceito de lucro, desde que este adquiriu o predomínio sobre a cultura.
Com seus produtos, a Indústria Cultural pratica o reforço das normas sociais, repetidas vezes até a exaustão, sem discussão. Ela fabrica seus produtos com a finalidade de: a) serem trocados por moedas; b) promover a deturpação e degradação do gosto popular; c) obter uma atiude sempre passiva do consumidor simplificando ao máximo seus produtos. Eles são construídos propositadamente para um consumo descontraído, não comprometedor. Segundo Adorno(1944), cada um desses produtos reflete o mecanismo econômico que domina o tempo do trabalho e o tempo do lazer.
O consumo desses produtos pode levar à alienação/revelação, entendido como um processo no qual o indivíduo é levado a não meditar sobre si mesmo e sobre a totalidade do meio social a seu redor, transformando-o com isso em mero joguete e, afinal, em simples produto para alimentar o sistema que o envolve.
Os conteúdos veiculados pela indústria cultural são objetos de análise de muitos estudiosos, que dizem que os produtos da Indústria Cultural serão bons ou maus, alienantes ou reveladores, conforme a mensagem por eles vinculada. Com efeito, a mensagem oculta pode ser mais importante do que a que se vê, já que aquela escapa ao controle da consciência, não será impedida. Sendo assim, não está impedida pelas resistências psicológicas aos consumos e penetra provavelmente no inconsciente dos espectadores.
Neste momento, vale destacar a importância do fascinante mundo publicitário para a afirmação, manuntenção e sobrevivência da Indústria Cultural. Este é um outro mundo que nos é mostrado dentro de cada anúncio, onde produtos são sedimentos e a morte não existe. É parecido com a vida e, no entanto, completamente diferente, posto que é sempre bem sucedido. Nele não habitam a dor, a miséria, a angústia e onde existem seres vivos, mas, paradoxalmente, dele se ausente a fragilidade humana. Um mundo nem enganoso nem verdadeiro, simplesmente um mundo “mágico”.
A função manifesta da publicidade é aquela de vender um produto, aumentar o consumo e abrir mercados. Se compararmos ao fenômeno do consumo de anúncios e o de produtos, podemos perceber que o volume de consumo implicado no primeiro é infinitamente superior ao do segundo. Em cada anúncio vende-se estilo de vida, sensações, visões de mundo, relações humanas, sistemas de classificação, hierarquia, etc..., em quantidades significativamente maiores que geladeiras, roupas ou cigarros.
No entanto, a recepção e apropriação dos produtos da mídia são processos sociais complexos em que indivíduos – interagindo com outros e também com os personagens retratados nos programas dão sentido às mensagens de uma forma ativa, as adotam com atitudes diversas e as usam diferentemente nos cursos de sua vidas. Simplesmente não é possível inferir, das características das mensagens da mídia consideradas em si mesmas, os variados aspectos dos processos de recepção.
Os programas feitos pelo sistema de televisão comercial inevitalmente veicularão valores do consumismo, tanto nos programas em si quanto na propaganda, que constitui a base financeira do sistema. O modo de recepção pela TV é coletivizante, ao contrário do que ocorre no processo de leitura, experiência individual por excelência. De fato, a TV não permite um ponto de vista exatamente privado sobre as coisas. Nem permite, à primeira vista, o não-envolvimento com o assunto abordado: por exemplo, uma coisa é ler no jornal que foram fuzilados quinze revolucionários e outra bem diferente é ver na tela da TV, em nossa casa, pessoas vivas também traz sob o impacto das balas estraçalhantes, enquanto os membros do pelotão de fuzilamento gritam de satisfação.

Jackislandy Meira de M. Silva, professor e filósofo.
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sexta-feira, 25 de abril de 2008

Especulações acerca do mito



(a imagem ao lado nos reporta às narrativas dos trabalhos e os dias de Hesíodo – a caixa de Pandora – presente para todos os deuses)


“O mito é o nada que é tudo” (Fernando Pessoa).
O momento em que vivemos está sendo chamado por demais de Século do conhecimento. Só que nos esquecemos de discernir bem o que é, de fato, conhecimento, uma vez que conhecer, do latim cognoscere, significa trabalhar com nous, com a inteligência a ponto de estabelecer a diferença de uma coisa da outra. Ter noção de alguma coisa. Não é apenas assimilar ou ler informações rapidamente, onde a razão parece mais demente com o entra e sai de dados, de informações, do que com o refletir das causas em torno da realidade. O conhecimento tem que estar na direção da busca pelo saber, na medida do possível atrelado à Filosofia, em comunhão com a cogitação do pensamento, numa espécie de jogo do pensamento.
O modo como as coisas vieram a ser o que são ou como fora dado o ser ainda permanece sob suspenso na linha do conhecimento. Os limites da razão não nos deixam desvendar como, no fundo, são as coisas, pois nos diz Heidegger que nunca chegaremos a conhecer o que são as coisas, no máximo, chegaremos a dizer a sua aparência, jamais saberemos a sua essência. Para Wittgenstein, também não podemos mais ser filósofos porque não conseguimos mais trabalhar os conceitos de totalidade e essência. Esses conceitos não vão nos ajudar mais em nosso mundo. Daí o mundo ser caótico e desesperado.
No entanto, ousamos a denominar este tempo, de tempo do conhecimento. Onde estão as culturas que fundamentaram a linguagem e a escrita? Que lugar elas ocupam na dimensão do nosso conhecimento? Tivemos a petulância de tatuar as coisas, de imprimir-lhes significados, mas não lhes damos o devido valor. Os nossos ancestrais, no seu estado de natureza, como diria Rousseau, eram peritos em botânica, ecologia, geometria, agricultura, artes, enfim... Mas não foram honrados como gente do conhecimento. Souberam como ninguém a explorar racionalmente a natureza e a cantar as suas conquistas, glórias e paixões através do mito.
Anterior a qualquer tentativa de convenção categórica racional, o mito vem a ser a forma mais acabada de expressão humana sobre a vida, aquém e além dela. O que há de mais interessante é o fato de, com o mito, abraçarmos o que a razão, o logos não pode alcançar.
O vôo que se tem com a narrativa mitológica é extraordinário. Saborear o dizer de alguma coisa sem qualquer motivo de racionalização deve inserir-nos na dimensão do mistério, do sagrado, do religioso.
Platão nos oferece, depois de avançar nos níveis de conhecimento, uma maneira de descobrir também a verdade, a beleza e a idéia, o mito.
No pensar de Platão, não há uma separação entre mito e logos, no máximo pode haver uma distinção, o que não favorece a um e a outro.
Se o logos tende a explicar o surgimento de todas as coisas, isto não quer dizer que seja maior ou melhor que o mito, até porque este surge como tentativa de explicar a morte, o nascimento, a vida, os conflitos... O mito pretende muito mais do que podemos alcançar. O mito é sugestivo e um estímulo para o conhecer, pois não é um sistema pronto ou acabado, sem nada a acrescentar. O mito é responsável por provocar perguntas novas a respeito de tudo que nos cerca.
Em virtude disso, o pensador contemporâneo Edgar Morin afirma que “o mistério do mito invade o que o considera do exterior, enquanto, do interior, o mito é vivido não como mito, mas como verdade”.

Jackislandy Meira de M. Silva, professor e filósofo.
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quinta-feira, 17 de abril de 2008

Perplexidades de hoje



Há tempo que me não percebia assim, instigado pelo novo, pelo imponderável, pelos átrios da vida, causando-me estranheza e, ainda, decepcionado pelos fatos que corroem de horror e de violência nossa humanidade, salpicando aqui e ali seus estilhaços de destruição.
É por demais emblemático o momento em que me encontro situado. Marcado por bruscas inovações, mas por assaltos de medo e de violência a todo instante. Como professor, convenço-me, senão lanço-me, custe o que custar, para a meta dos pensamentos meus, apesar do peso histórico amargurar um enorme pessimismo político e social.
Pensamentos dirigidos ao famoso “Fundeb” que anda a passos lentos pelo país, teimando em não vigorar, - muito embora continue a torcer por ele, pois acho fantástica sua postura em valorizar o profissional da Educação - assim como as Promoções vertical e horizontal do Plano de Cargos e Salários aprovado pelo governo do Estado do Rio Grande do Norte que ainda não estão atendendo suas exigências. Quando seremos, de fato, beneficiados por tão nobre ofício que desempenhamos? Pensamentos dirigidos à vontade de galgar ainda mais nos estudos filosóficos com a oportunidade da execução de um Mestrado. Pensamentos quanto à realização dos Projetos assumidos no âmbito municipal junto à estrutura do poder instituído pela secretaria de Educação de Florânia. São metas a cumprir, interesses voltados para o dinamismo do desenvolvimento social sustentado.
Falando nisso, em desenvolvimento sustentado, o avanço das tecnologias e as descobertas recentes da ciência no campo da engenharia genética – células tronco – não se coadunam com retrocesso social por que passa o mundo. Falta arroz! Falta a comida básica na mesa de miríades de milhares de pessoas que, por sinal, morrem de fome na África e em outros países. Armas são fabricadas em grande quantidade, enquanto filas inteiras de homens, mulheres e crianças famintos se amontoam pelo mundo a fora em busca do arroz e do pãozinho francês que, diga-se de passagem, tornou-se raro na mesa dos brasileiros pelo seu alto custo.
Essas angústias, talvez, devam ser o contraponto dos sonhos, das idéias, das perspectivas, das boas intenções. Se, de um lado, os investimentos econômicos descambam rumo à indústria do biodiesel a todo vapor, por outro, imbricam em lugares “desconhecidos” que atende apenas aos interesses fortuitos de alguns empresários e banqueiros brasileiros. Com isso, é lamentável assistir aos descasos sociais presentes na imprensa, dando sinais de que o mundo passa por uma crise irreparável de alimentos provando, dessa forma, que a filhinha mais nova do capitalismo, o neoliberalismo é o germe da sua própria destruição quando valores econômicos não são capazes de salvar vidas acometidas por um simples mosquito(Aedis Aegypti) da dengue. Só no Rio Grande do Norte, mais de dez pessoas foram levadas a óbito, sem contar outros Estados brasileiros, como o do Rio de Janeiro, que só este ano quase 100 mortes foram registradas por motivo de dengue, na sua maioria crianças e adolescentes. O Rio de Janeiro, atualmente, é o que mais sofre, no contexto nacional, com essa epidemia lastimosa.
Somam-se a isso, os EUA procurando culpados por sua tão grave crise econômica que, mesmo assim, tentaram por a culpa no Brasil e em países europeus, mas não adiantou. Por ano, pra termos uma idéia, só nos EUA a produção de milho para o biodisel aumentou de 15% para 90%, enquanto isso a população reclama de falta de alimentos. O sórdido caso de violência brutal do pai e da madrasta para com a criança Isabella, com evidências capitais de que ambos( pai e madrasta) mataram a menina. O caso ainda permanece sob investigação na espera de um desfecho. Um verdadeiro e irreparável horror!!!
Fatos como esses me fazem lembrar do filósofo francês Rousseau que nos convida a voltar para nosso estado de natureza, estado de homens primitivos. Mas aqui está o ponto: Voltar ao nosso estado original para nos humanizar ou para nos brutalizar? Pois, se for para nos brutalizar, creio que não, a proposta de Rousseau vem muitíssimo a calhar.

Jackislandy Meira de M. Silva, professor e filósofo.
Confiraosblogs:
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segunda-feira, 7 de abril de 2008

A Indústria Cultural III

Desse modo, a Indústria Cultural não vincula propriamente uma ideologia: Ela própria é ideologia, a ideologia da aceitação dos fins estabelecidos por “outros”, isto é, pelo sistema.
Quando se fala em Indústria Cultural, é importante destacar que ela é fruto de uma sociedade capitalista industrializada, onde até mesmo a cultura é vista como produto a ser comercializado. Mas o que é Indústria Cultural? Podemos dizer que é tudo o que é produzido pelo sistema industrializado de produção cultural(TV, rádio, jornal, revistas, internet, ....) elaborado de forma a influenciar, aumentar o consumo, transformar hábitos, educar, informar, pretendendo-se ainda, em alguns casos, ser capaz de atingir a sociedade como um todo.
Assim, cada vez mais, a máquina da Indústria Cultural, ao preferir a eficácia dos seus produtos, determina o consumo dos memos e exclui tudo o que é novo, tudo o que ela configura como risco. A identidade do domínio que a Indústria Cultural exerce sobre os indivíduos, aquilo que ela oferece de continuamente novo não é mais do que a representação, sob formas diferentes, de algo que é sempre igual; a mudança oculta um esqueleto, no qual muda tão pouco como no conceito de lucro, desde que este adquiriu o predomínio sobre a cultura.
Com seus produtos, a Indústria Cultural pratica o reforço das normas sociais, repetidas vezes até a exaustão, sem discussão. Ela fabrica seus produtos com a finalidade de: a) serem trocados por moedas; b) promover a deturpação e degradação do gosto popular; c) obter uma atiude sempre passiva do consumidor simplificando ao máximo seus produtos. Eles são construídos propositadamente para um consumo descontraído, não comprometedor. Segundo Adorno(1944), cada um desses produtos reflete o mecanismo econômico que domina o tempo do trabalho e o tempo do lazer.
O consumo desses produtos pode levar à alienação/revelação, entendido como um processo no qual o indivíduo é levado a não meditar sobre si mesmo e sobre a totalidade do meio social a seu redor, transformando-o com isso em mero joguete e, afinal, em simples produto para alimentar o sistema que o envolve.
Os conteúdos veiculados pela indústria cultural são objetos de análise de muitos estudiosos, que dizem que os produtos da Indústria Cultural serão bons ou maus, alienantes ou reveladores, conforme a mensagem por eles vinculada. Com efeito, a mensagem oculta pode ser mais importante do que a que se vê, já que aquela escapa ao controle da consciência, não será impedida. Sendo assim, não está impedida pelas resistências psicológicas aos consumos e penetra provavelmente no inconsciente dos espectadores.
Neste momento, vale destacar a importância do fascinante mundo publicitário para a afirmação, manuntenção e sobrevivência da Indústria Cultural. Este é um outro mundo que nos é mostrado dentro de cada anúncio, onde produtos são sedimentos e a morte não existe. É parecido com a vida e, no entanto, completamente diferente, posto que é sempre bem sucedido. Nele não habitam a dor, a miséria, a angústia e onde existem seres vivos, mas, paradoxalmente, dele se ausente a fragilidade humana. Um mundo nem enganoso nem verdadeiro, simplesmente um mundo “mágico”.
A função manifesta da publicidade é aquela de vender um produto, aumentar o consumo e abrir mercados. Se compararmos ao fenômeno do consumo de anúncios e o de produtos, podemos perceber que o volume de consumo implicado no primeiro é infinitamente superior ao do segundo. Em cada anúncio vende-se estilo de vida, sensações, visões de mundo, relações humanas, sistemas de classificação, hierarquia, etc..., em quantidades significativamente maiores que geladeiras, roupas ou cigarros.
No entanto, a recepção e apropriação dos produtos da mídia são processos sociais complexos em que indivíduos – interagindo com outros e também com os personagens retratados nos programas dão sentido às mensagens de uma forma ativa, as adotam com atitudes diversas e as usam diferentemente nos cursos de sua vidas. Simplesmente não é possível inferir, das características das mensagens da mídia consideradas em si mesmas, os variados aspectos dos processos de recepção.
Os programas feitos pelo sistema de televisão comercial inevitalmente veicularão valores do consumismo, tanto nos programas em si quanto na propaganda, que constitui a base financeira do sistema. O modo de recepção pela TV é coletivizante, ao contrário do que ocorre no processo de leitura, experiência individual por excelência. De fato, a TV não permite um ponto de vista exatamente privado sobre as coisas. Nem permite, à primeira vista, o não-envolvimento com o assunto abordado: por exemplo, uma coisa é ler no jornal que foram fuzilados quinze revolucionários e outra bem diferente é ver na tela da TV, em nossa casa, pessoas vivas também traz sob o impacto das balas estraçalhantes, enquanto os membros do pelotão de fuzilamento gritam de satisfação.

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