quinta-feira, 26 de junho de 2008

Umas palavras sobre a modernidade...

Entender a “aporia” dos tempos modernos, como diria Parmênides de Eléia, a dificuldade de conciliar o mundo dos sentidos com o mundo da razão, torna-se, a meu ver, ainda mais “aporético”, isto é, problemático e complexo.
Há que se pressupor alguns expoentes capitais ou substanciais, a fim de lermos as condições atuais por que passa a cultura. Um deles é Nietzsche quando da declaração da morte de Deus; o outro é Heidegger que reconstruiu toda a Filosofia a partir da língua e cultura alemãs. Ainda há Adorno acerca do conceito de Esclarecimento e da dialética do esclarecimento.
Para Kant, o esclarecimento é um Projeto da Modernidade. O primeiro pressuposto do esclarecimento para este pensador seria a doutrina calvinista e o espírito de emancipação do indivíduo que foi recuperado por Max Weber.
Víamos que na Idade Clássica o homem estava preso aos ditames da “polis” e notadamente de um regime democrático. Ao passo que na Idade Média, o medievo vivia enclausurado no conceito de religião e na obediência a Deus. Uma vez que na idade Moderna, as pessoas sentem-se presas a si mesmas ou a nada, inaugurando a emancipação do indivíduo.
É próprio do calvinista acreditar que a salvação se materializa na riqueza, desenvolvendo assim uma doutrina protestante cuja visão se atém na autonomia econômica.
Isso posto, tanto Weber quanto Nietzsche, Adorno e Foucault estabeleceram visões de autonomia, ainda que admitam no bojo do esclarecimento calvinista apenas um ideal porque experimentou uma nova forma de barbárie.
Todavia, o próprio Kant, fruto do iluminismo, tem uma visão otimista e progressista desse indivíduo empreendedor, afirmando que é o desenvolvimento científico e experimental. Não havia, segundo Kant, no séc. XIV, uma certa compreensão entre fé e ciência. O que Nostradamos fazia era uma química rudimentar da época. Rudimentos científicos, mas intensifica-se somente no séc. XVI. O véu da Teologia cai principalmente com Descartes.
Para Kant, a visão de Esclarecimento estava ligada a vencer o medo e a opressão, como também as superstições. É ideal e conceitual mais do que prático. Já o homem do séc. XIX é um homem livre dos medos e das superstições. Livre dos medos é a liberdade diante da insegurança e do futuro. Livre das superstições é a liberdade para com a Tradição religiosa, filosófica e política.
Como conseqüência disso, a modernidade se viu marcada por dois PROJETOS contraditórios: O homem que busca divinizar-se, não deixando de ser o que é; Depois, a tentativa de resolver os problemas da realidade, ou seja, de mudar a realidade, admitindo a aparição de uma questão: Para quê? Uma verdadeira “aporia” dentro da modernidade.
Jackislandy Meira de M. Silva, professor e filósofo.
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sexta-feira, 20 de junho de 2008

Parabéns pelo seu aniversário. Mãe você merece!!!

Esta é uma pessoa abençoada por Deus. Minha mãezona por aqui! Que beleza. Na verdade, na verdade, essa é uma mulher de toda especial. Deus a fez assim mesmo alegre por natureza. Obrigado, Senhor, por presentear-me uma Mãe assim, com qualidades que saltam aos olhos e que dispensam quaisquer palavras. Um beijo, abraços e muitas, muitas, muitas risadas como essas. Bendito seja Deus!!!!!!!!!!!!!!!!!!! De seu filhão, Jackislandy Meira de Medeiros Silva.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Duas histórias, dois desfechos.

Nesse final de semana, meados de junho, pude vislumbrar duas extraordinárias ilustrações ou analogias que me reportam aos princípios vitais da minha existência cristã.
Um certo homem bastante preocupado e triste carregava água em dois vasos de barro, um cheio e outro trincado, para dentro do Palácio do Rei, quando de repente, o jardineiro, que estava na porta de entrada do Palácio, assim o interrogou:
- Você não está feliz servindo ao Rei?
- Claro que sim.
- Mas não aparenta.
- É que sempre um dos vasos nunca chega cheio, mas só pela metade, pois está trincado.
- Sabia que todos os dias lanço sementes no jardim junto à entrada do Palácio?!
- Não.
- Ora, todas as vezes que passa por aqui, um de seus vasos escorre água pelo jardim aguando a terra com as sementes. O resultado foi um jardim florido e belo devido à água do vaso trincado.
O homem ficou por um instante espantado e maravilhado com o que acabara de ouvir daquele jardineiro, quando percebeu o valor de um vaso trincado.
O vaso de barro trincado simboliza cada um de nós, seres humanos, pecadores, cristãos, evangélicos, católicos, enfim, todos que aqui nunca desistiram de seus projetos e ideais, pois sentem a necessidade de avançar sempre para se reconstruir como vasos de barro nas mãos de Deus. “Trincados” pelos desafios e intempéries que a vida os proporcionou.
A outra metáfora, - como diria o poeta chileno Pablo Neruda, “metáforas, metáforas, metáforas, ai de nós se não fossem elas” – diz respeito a um senhor idoso que orava todos os dias regularmente numa Escola cristã dos EUA passando pelos armários dos alunos, um a um, da mencionada Escola, com a Bíblia nas mãos. Essa história é fruto de um filme “Desafiando Gigantes” a que assisti há poucos dias.
Houve um período de grandes dificuldades na vida do treinador de um time de futebol americano que o levou a buscar a Deus com muita intensidade conforme as circunstâncias exigiam dele. De fato, aquele jovem treinador não tinha muita escolha diante das adversidades pelas quais vinha passando, e logo procurou o Senhor Jesus começando a orar e a clamar a Deus por ajuda e conforto. Por providência divina, acontece que os dois se encontraram, o senhor idoso e o treinador, e estabeleceram uma calorosa conversa no corredor da Escola:
- O senhor realmente crê que Deus possa mudar minha vida?
- creio.
- O senhor crê que tudo é possível para Deus?
- creio.
- Por que, então, oro, oro e não vejo sinais na minha vida desse Deus?
- Olha, é preciso confiar. São como dois agricultores. Um pede chuva, clama, pede chuva novamente, pede chuva o tempo todo, mas não vai para o campo plantar e jogar a semente. O outro, além de pedir e orar, sai para plantar e a chuva vem e ele colhe porque aprendeu a confiar.
A diferença está na confiança. O primeiro ora a Deus, mas não sai para plantar, não confia. O segundo ora a Deus e sai para plantar quer chova ou não. Aqui está o ponto, é preciso confiar, ter fé. Abandonar-se as ações de Deus independentemente do que você pensa.
Portanto, honre a Deus que está com você, meu irmão, minha irmã. Confie N’Ele que, pois, Ele agirá.

Jackislandy Meira de Medeiros Silva, Professor e Filósofo.
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segunda-feira, 16 de junho de 2008

As belas-artes.


Esse texto pretende, por hora, encerrar uma série de reflexões acerca da arte atrelada a Filosofia de Kant.
Conforme a doutrina kantiana, as belas-artes têm a finalidade da bela representação das coisas, servindo-se dos mesmos princípios gerais do juízo estético. A partir de se constituírem como objeto de contemplação é que esteticamente podem ser julgadas.
Como o belo, as artes devem aparentar a livre finalidade da Natureza. Suas representações, embora resultando de uma elaboração, que não prescinde de técnica, requerem à espontaneidade que a imaginação instila nas representações das coisas. Uma obra será artística se nos impressiona como se fosse um produto da Natureza, do mesmo modo que a beleza natural aparenta o aspecto de haver sido artisticamente trabalhada.
Sendo assim, a beleza artística não pode estar condicionado a normas ou à regras objetivas, uma vez que é o mesmo juízo estético transferido para o domínio da Arte. Isto não quer dizer que a arte não tenha princípios reguladores no tocante à sua atividade, mas tais princípios existem confundidos com as disposições inatas que condicionam a faculdade produtiva do artista: o talento próprio para a arte, que se chama gênio.
Nesse horizonte de Kant há em germe a figura romântica do artista genial, que seria uma espécie de ser “exceção”, podendo elevar-se, segundo Schelling e Schopenhauer, por intermédio da Arte, ao conhecimento dos segredos da Natureza. A sua imaginação estaria ligada, por uma articulação originária de profunda, ao princípio insondável das coisas.
As belas-artes são, pois, para Kant, as artes do gênio, que hão de parecer livres do constrangimento exterior das regras. No entanto, a beleza possui, nesse domínio, função similar à que desempenha em relação ao conjunto das coisas.

Jackislandy Meira de M. Silva, professor e filósofo.
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sábado, 7 de junho de 2008

KANT E O BELO

Como vimos na edição anterior, os juízos estéticos são elementos evidentes por si só. Porém, diante da existência do juízo estético, colocam-se dois problemas: o de estabelecer o que seja propriamente o belo que nele se manifesta; e o de remontar ao fundamento que o torna possível.
Kant, de fato, divide a beleza em duas espécies: “a beleza livre, que não depende de nenhum conceito de perfeição ou uso; e a beleza dependente, que depende desses conceitos. Conseqüentemente, os juízos estéticos estão relacionados com a primeira espécie de beleza” (ARANHA, p. 366).
O belo obviamente não pode ser uma propriedade objetiva das coisas, como o belo ontológico, mas sim algo que nasce da relação entre o sujeito e o objeto. Além disso, é aquela propriedade que nasce da relação dos objetos comparados com o nosso sentimento de prazer e que nós atribuímos aos próprios objetos.
A imagem do objeto referida ao sentimento de prazer, comparada a este e por este avaliada dá lugar ao juízo de gosto, assim definido: “O juízo de gosto ou estético é universalizável: o seu objeto provoca a adesão de outros sujeitos conscientes, na medida em que o prazer desinteressado não é uma satisfação confinada ao que particulariza como indivíduo, mas depende da capacidade de sentir e de pensar, comum a todos os homens” (Benedito Nunes. Introdução à Filosofia da Arte, Editora Ática, São Paulo, 2002, p. 49).
Daí, o belo caracterizar-se como objeto de “prazer sem interesse”. Falar de prazer sem interesse significa falar de prazer que não está ligado ao grosseiro prazer dos sentidos, nem ao útil econômico e ao bem moral.
Belo, para Kant, é aquilo que agrada universalmente, sem conceito. O prazer do bem é universal, porque vale para todos os homens e, portanto, se distingue dos gostos individuais; entretanto, essa universalidade não é de caráter conceitual ou cognoscitivo. Trata-se, portanto, de uma universalidade “subjetiva”, no sentido de que vale para cada sujeito.
Todavia, bela é a forma da finalidade do objeto percebida sem objetivo. Diante do belo da natureza, nós percebemos como que a presença de um desígnio intencional pelo qual o objeto belo se nos configura como obra de arte. Ao contrário, diante de uma obra de arte, que segue um desígnio intencional, nós sentimos que ela é verdadeiramente bela quando aquela intencionalidade se oblitera e o objeto parece uma criação espontânea da natureza.
Uma vez que reunidas as duas qualidades, parecidas em contraste, mas não convergentes, podemos dizer que no belo, da natureza ou da arte, é preciso que exista e não exista fim, ou seja, exista como se não existisse, isto é, que a intencionalidade e a espontaneidade estejam fundidas de tal maneira que a natureza pareça arte e a arte pareça natureza.
Portanto, o belo é aquilo que é reconhecido, sem conceito, como objeto de prazer necessário. Trata-se, obviamente, não de uma necessidade lógica, mas sim subjetiva, no sentido de que se trata de algo que se impõe a todos os homens.

Jackislandy Meira de M. Silva, professor e filósofo.
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sábado, 31 de maio de 2008

Uma cidadania merecida pela vida.


Mais uma vez a Câmara dos Vereadores de nossa cidade eleva graciosamente alguns filhos seus à cidadania que, de algum modo, já se sentiam parte desta família chamada Florânia. Uma noite, certamente, que passará para história, na qual a Cidade de Florânia homenageou merecidamente diversas pessoas, donas de suas vidas marcadas pelo trabalho e por uma história cheia de desafios como a maioria dos que aqui moram construindo rumos diferentes.
Na minha fala, quando tive a oportunidade de proferi-la, agradeci, sobretudo a Deus de quem depende exclusivamente a minha vida. Depois fui grato à Sra. Vereadora Márcia Rejane, autora da proposição delegada a mim, por conferir-me generosamente o título de cidadão floraniense. Muito embora, saiba que, por natureza, como diria o filósofo francês Jean Paul Sartre, “Pour la force des choses” – “Pela força das coisas” – pela força das circunstâncias e pela Providência divina fui trazido para cá há quase cinco anos, onde acabei me enamorando e casando com uma filha desta cidade, Silmara Rejane, com quem pretendo conviver pelo resto da minha vida. Não pude deixar de mencionar, de fato, os meus pais que moram em Jardim de Piranhas por serem os responsáveis diretos pela educação proporcionada a mim. Lembrava, ainda, de um personagem bíblico, Paulo de Tarso, mais precisamente no livro de Atos dos Apóstolos, que teve a sua cidadania comprada em virtude do orgulho dos pais quererem vê-lo cheio de glória, honra e fama admitido no exército romano, como acontece ainda hoje em alguns países do mundo. Fazer parte de um exército ou ainda pertencer a uma infantaria militar era questão de honra, de orgulho, de “status” para uma família. Foi o que aconteceu com Paulo no início de sua juventude, tornando-se soldado romano e, mais tarde, sendo responsável pela morte de muitos cristãos, inclusive, o mártir Estevão.
No entanto, a nossa cidadania não é comprada por algumas moedas de prata, mas merecida por uma vida pautada na hombridade, no altruísmo e na prestação de serviços visando apenas o bem de Florânia. Indiscutivelmente, a vida de cada um foi a grande responsável por nos conduzir até a câmara dos vereadores, fazendo-nos valer a cidadania. O bom e verdadeiro exercício dela nos deram a honra da proposição, pois se assim não fosse poucos de nós teríamos sido agraciados.
Graças a Deus e ao povo desta terra, tão caro aos olhos de nosso Senhor, pela honra e pela felicidade distribuídas a mim e a todos quantos tiveram a graça de serem elevados oficialmente a cidadão floraniense. Diante disso, muitíssimo obrigado CONTERRÂNEOS.
Jackislandy Meira de M. Silva, professor e filósofo.

terça-feira, 27 de maio de 2008

“Entre a vida e a morte” de olho em “Entre lobos”




Na noite de 25 de maio deste ano, com a presença de várias autoridades de nossa cidade, dentre elas o Sr. Prefeito Flávio José e o Presidente da câmara Arlindo Delgado, assim como outros vereadores, diretores e professores das Escolas, ficamos todos perplexos e – pedindo licença da expressão celebrada pelo filme “Agonia e Êxtase de Michelangelo” – extasiados pela brilhante, não menos emocionada apresentação teatral de jovens e populares de Florânia, enchendo-nos de orgulho e encanto, devido ao realismo e beleza com que conduziram o tema “Entre a vida e a morte” sob a direção do nosso mais novo cineasta, J.Júnior.
Assim que entramos no Ginásio de Esportes do Município, de cara nos deparamos, surpresos, pela originalidade do cenário do espetáculo, construído pelos próprios jovens atores. Reproduzia quase fielmente as características da nossa caatinga, pois é nela que se desdobra toda a trama da apresentação, de modo a promover o sertão com inúmeros detalhes, sua paisagem, sua cultura, sua gente, sua luta, sua morte, sua vida...
Do início ao fim, mesclam-se vida e morte no texto, na luz, no figurino, sobretudo, na representação magistral dos atores, cujo desfecho salta aos olhos dos espectadores presentes, um misto silencioso de liberdade da vida em meio a religiosidade popular que se encerra numa oração, “Salve Regina”.
O floraniense fora premiado, em plena noite de domingo, por um belíssimo espetáculo que mais enalteceu a vida destemida do sertanejo “cabra da peste”; do que a diminuiu frente à dura lida ou realidade envolvida pela morte tão bem simbolizada na vegetação árida, na casa de taipa coberta com palhas de coqueiro, nas mulheres trabalhadoras e nas crianças humildes com poucas condições de vida.
Todavia, não podemos deixar de salientar que o interesse dessa apresentação, além de nos presentear, era todo voltado para recepcionar a equipe de cineastas do Rio Grande do Norte – Diretor: Edson Soares. Fotografia: Jean Carlo. Produção: Carlos Frederic e Jean Custo. Ator: Ignácio – e proporcionar-lhes observar, avaliar e selecionar alguns atores de nossa cidade que farão parte de uma longa metragem, denominada “Entre lobos”, tendo como Empresas co-produtoras Interfilmes e Nucnatal. A equipe, que começará seus trabalhos de filmagens já na segunda semana de junho aqui em Florânia, esteve conosco desde sábado, sentindo o calor e a ternura do acolhimento por demais agradável do nosso povo.
Texto: Jackislandy Meira de Medeiros Silva, Professor de Filosofia.

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quinta-feira, 26 de junho de 2008

Umas palavras sobre a modernidade...

Entender a “aporia” dos tempos modernos, como diria Parmênides de Eléia, a dificuldade de conciliar o mundo dos sentidos com o mundo da razão, torna-se, a meu ver, ainda mais “aporético”, isto é, problemático e complexo.
Há que se pressupor alguns expoentes capitais ou substanciais, a fim de lermos as condições atuais por que passa a cultura. Um deles é Nietzsche quando da declaração da morte de Deus; o outro é Heidegger que reconstruiu toda a Filosofia a partir da língua e cultura alemãs. Ainda há Adorno acerca do conceito de Esclarecimento e da dialética do esclarecimento.
Para Kant, o esclarecimento é um Projeto da Modernidade. O primeiro pressuposto do esclarecimento para este pensador seria a doutrina calvinista e o espírito de emancipação do indivíduo que foi recuperado por Max Weber.
Víamos que na Idade Clássica o homem estava preso aos ditames da “polis” e notadamente de um regime democrático. Ao passo que na Idade Média, o medievo vivia enclausurado no conceito de religião e na obediência a Deus. Uma vez que na idade Moderna, as pessoas sentem-se presas a si mesmas ou a nada, inaugurando a emancipação do indivíduo.
É próprio do calvinista acreditar que a salvação se materializa na riqueza, desenvolvendo assim uma doutrina protestante cuja visão se atém na autonomia econômica.
Isso posto, tanto Weber quanto Nietzsche, Adorno e Foucault estabeleceram visões de autonomia, ainda que admitam no bojo do esclarecimento calvinista apenas um ideal porque experimentou uma nova forma de barbárie.
Todavia, o próprio Kant, fruto do iluminismo, tem uma visão otimista e progressista desse indivíduo empreendedor, afirmando que é o desenvolvimento científico e experimental. Não havia, segundo Kant, no séc. XIV, uma certa compreensão entre fé e ciência. O que Nostradamos fazia era uma química rudimentar da época. Rudimentos científicos, mas intensifica-se somente no séc. XVI. O véu da Teologia cai principalmente com Descartes.
Para Kant, a visão de Esclarecimento estava ligada a vencer o medo e a opressão, como também as superstições. É ideal e conceitual mais do que prático. Já o homem do séc. XIX é um homem livre dos medos e das superstições. Livre dos medos é a liberdade diante da insegurança e do futuro. Livre das superstições é a liberdade para com a Tradição religiosa, filosófica e política.
Como conseqüência disso, a modernidade se viu marcada por dois PROJETOS contraditórios: O homem que busca divinizar-se, não deixando de ser o que é; Depois, a tentativa de resolver os problemas da realidade, ou seja, de mudar a realidade, admitindo a aparição de uma questão: Para quê? Uma verdadeira “aporia” dentro da modernidade.
Jackislandy Meira de M. Silva, professor e filósofo.
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sexta-feira, 20 de junho de 2008

Parabéns pelo seu aniversário. Mãe você merece!!!

Esta é uma pessoa abençoada por Deus. Minha mãezona por aqui! Que beleza. Na verdade, na verdade, essa é uma mulher de toda especial. Deus a fez assim mesmo alegre por natureza. Obrigado, Senhor, por presentear-me uma Mãe assim, com qualidades que saltam aos olhos e que dispensam quaisquer palavras. Um beijo, abraços e muitas, muitas, muitas risadas como essas. Bendito seja Deus!!!!!!!!!!!!!!!!!!! De seu filhão, Jackislandy Meira de Medeiros Silva.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Duas histórias, dois desfechos.

Nesse final de semana, meados de junho, pude vislumbrar duas extraordinárias ilustrações ou analogias que me reportam aos princípios vitais da minha existência cristã.
Um certo homem bastante preocupado e triste carregava água em dois vasos de barro, um cheio e outro trincado, para dentro do Palácio do Rei, quando de repente, o jardineiro, que estava na porta de entrada do Palácio, assim o interrogou:
- Você não está feliz servindo ao Rei?
- Claro que sim.
- Mas não aparenta.
- É que sempre um dos vasos nunca chega cheio, mas só pela metade, pois está trincado.
- Sabia que todos os dias lanço sementes no jardim junto à entrada do Palácio?!
- Não.
- Ora, todas as vezes que passa por aqui, um de seus vasos escorre água pelo jardim aguando a terra com as sementes. O resultado foi um jardim florido e belo devido à água do vaso trincado.
O homem ficou por um instante espantado e maravilhado com o que acabara de ouvir daquele jardineiro, quando percebeu o valor de um vaso trincado.
O vaso de barro trincado simboliza cada um de nós, seres humanos, pecadores, cristãos, evangélicos, católicos, enfim, todos que aqui nunca desistiram de seus projetos e ideais, pois sentem a necessidade de avançar sempre para se reconstruir como vasos de barro nas mãos de Deus. “Trincados” pelos desafios e intempéries que a vida os proporcionou.
A outra metáfora, - como diria o poeta chileno Pablo Neruda, “metáforas, metáforas, metáforas, ai de nós se não fossem elas” – diz respeito a um senhor idoso que orava todos os dias regularmente numa Escola cristã dos EUA passando pelos armários dos alunos, um a um, da mencionada Escola, com a Bíblia nas mãos. Essa história é fruto de um filme “Desafiando Gigantes” a que assisti há poucos dias.
Houve um período de grandes dificuldades na vida do treinador de um time de futebol americano que o levou a buscar a Deus com muita intensidade conforme as circunstâncias exigiam dele. De fato, aquele jovem treinador não tinha muita escolha diante das adversidades pelas quais vinha passando, e logo procurou o Senhor Jesus começando a orar e a clamar a Deus por ajuda e conforto. Por providência divina, acontece que os dois se encontraram, o senhor idoso e o treinador, e estabeleceram uma calorosa conversa no corredor da Escola:
- O senhor realmente crê que Deus possa mudar minha vida?
- creio.
- O senhor crê que tudo é possível para Deus?
- creio.
- Por que, então, oro, oro e não vejo sinais na minha vida desse Deus?
- Olha, é preciso confiar. São como dois agricultores. Um pede chuva, clama, pede chuva novamente, pede chuva o tempo todo, mas não vai para o campo plantar e jogar a semente. O outro, além de pedir e orar, sai para plantar e a chuva vem e ele colhe porque aprendeu a confiar.
A diferença está na confiança. O primeiro ora a Deus, mas não sai para plantar, não confia. O segundo ora a Deus e sai para plantar quer chova ou não. Aqui está o ponto, é preciso confiar, ter fé. Abandonar-se as ações de Deus independentemente do que você pensa.
Portanto, honre a Deus que está com você, meu irmão, minha irmã. Confie N’Ele que, pois, Ele agirá.

Jackislandy Meira de Medeiros Silva, Professor e Filósofo.
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segunda-feira, 16 de junho de 2008

As belas-artes.


Esse texto pretende, por hora, encerrar uma série de reflexões acerca da arte atrelada a Filosofia de Kant.
Conforme a doutrina kantiana, as belas-artes têm a finalidade da bela representação das coisas, servindo-se dos mesmos princípios gerais do juízo estético. A partir de se constituírem como objeto de contemplação é que esteticamente podem ser julgadas.
Como o belo, as artes devem aparentar a livre finalidade da Natureza. Suas representações, embora resultando de uma elaboração, que não prescinde de técnica, requerem à espontaneidade que a imaginação instila nas representações das coisas. Uma obra será artística se nos impressiona como se fosse um produto da Natureza, do mesmo modo que a beleza natural aparenta o aspecto de haver sido artisticamente trabalhada.
Sendo assim, a beleza artística não pode estar condicionado a normas ou à regras objetivas, uma vez que é o mesmo juízo estético transferido para o domínio da Arte. Isto não quer dizer que a arte não tenha princípios reguladores no tocante à sua atividade, mas tais princípios existem confundidos com as disposições inatas que condicionam a faculdade produtiva do artista: o talento próprio para a arte, que se chama gênio.
Nesse horizonte de Kant há em germe a figura romântica do artista genial, que seria uma espécie de ser “exceção”, podendo elevar-se, segundo Schelling e Schopenhauer, por intermédio da Arte, ao conhecimento dos segredos da Natureza. A sua imaginação estaria ligada, por uma articulação originária de profunda, ao princípio insondável das coisas.
As belas-artes são, pois, para Kant, as artes do gênio, que hão de parecer livres do constrangimento exterior das regras. No entanto, a beleza possui, nesse domínio, função similar à que desempenha em relação ao conjunto das coisas.

Jackislandy Meira de M. Silva, professor e filósofo.
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sábado, 7 de junho de 2008

KANT E O BELO

Como vimos na edição anterior, os juízos estéticos são elementos evidentes por si só. Porém, diante da existência do juízo estético, colocam-se dois problemas: o de estabelecer o que seja propriamente o belo que nele se manifesta; e o de remontar ao fundamento que o torna possível.
Kant, de fato, divide a beleza em duas espécies: “a beleza livre, que não depende de nenhum conceito de perfeição ou uso; e a beleza dependente, que depende desses conceitos. Conseqüentemente, os juízos estéticos estão relacionados com a primeira espécie de beleza” (ARANHA, p. 366).
O belo obviamente não pode ser uma propriedade objetiva das coisas, como o belo ontológico, mas sim algo que nasce da relação entre o sujeito e o objeto. Além disso, é aquela propriedade que nasce da relação dos objetos comparados com o nosso sentimento de prazer e que nós atribuímos aos próprios objetos.
A imagem do objeto referida ao sentimento de prazer, comparada a este e por este avaliada dá lugar ao juízo de gosto, assim definido: “O juízo de gosto ou estético é universalizável: o seu objeto provoca a adesão de outros sujeitos conscientes, na medida em que o prazer desinteressado não é uma satisfação confinada ao que particulariza como indivíduo, mas depende da capacidade de sentir e de pensar, comum a todos os homens” (Benedito Nunes. Introdução à Filosofia da Arte, Editora Ática, São Paulo, 2002, p. 49).
Daí, o belo caracterizar-se como objeto de “prazer sem interesse”. Falar de prazer sem interesse significa falar de prazer que não está ligado ao grosseiro prazer dos sentidos, nem ao útil econômico e ao bem moral.
Belo, para Kant, é aquilo que agrada universalmente, sem conceito. O prazer do bem é universal, porque vale para todos os homens e, portanto, se distingue dos gostos individuais; entretanto, essa universalidade não é de caráter conceitual ou cognoscitivo. Trata-se, portanto, de uma universalidade “subjetiva”, no sentido de que vale para cada sujeito.
Todavia, bela é a forma da finalidade do objeto percebida sem objetivo. Diante do belo da natureza, nós percebemos como que a presença de um desígnio intencional pelo qual o objeto belo se nos configura como obra de arte. Ao contrário, diante de uma obra de arte, que segue um desígnio intencional, nós sentimos que ela é verdadeiramente bela quando aquela intencionalidade se oblitera e o objeto parece uma criação espontânea da natureza.
Uma vez que reunidas as duas qualidades, parecidas em contraste, mas não convergentes, podemos dizer que no belo, da natureza ou da arte, é preciso que exista e não exista fim, ou seja, exista como se não existisse, isto é, que a intencionalidade e a espontaneidade estejam fundidas de tal maneira que a natureza pareça arte e a arte pareça natureza.
Portanto, o belo é aquilo que é reconhecido, sem conceito, como objeto de prazer necessário. Trata-se, obviamente, não de uma necessidade lógica, mas sim subjetiva, no sentido de que se trata de algo que se impõe a todos os homens.

Jackislandy Meira de M. Silva, professor e filósofo.
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sábado, 31 de maio de 2008

Uma cidadania merecida pela vida.


Mais uma vez a Câmara dos Vereadores de nossa cidade eleva graciosamente alguns filhos seus à cidadania que, de algum modo, já se sentiam parte desta família chamada Florânia. Uma noite, certamente, que passará para história, na qual a Cidade de Florânia homenageou merecidamente diversas pessoas, donas de suas vidas marcadas pelo trabalho e por uma história cheia de desafios como a maioria dos que aqui moram construindo rumos diferentes.
Na minha fala, quando tive a oportunidade de proferi-la, agradeci, sobretudo a Deus de quem depende exclusivamente a minha vida. Depois fui grato à Sra. Vereadora Márcia Rejane, autora da proposição delegada a mim, por conferir-me generosamente o título de cidadão floraniense. Muito embora, saiba que, por natureza, como diria o filósofo francês Jean Paul Sartre, “Pour la force des choses” – “Pela força das coisas” – pela força das circunstâncias e pela Providência divina fui trazido para cá há quase cinco anos, onde acabei me enamorando e casando com uma filha desta cidade, Silmara Rejane, com quem pretendo conviver pelo resto da minha vida. Não pude deixar de mencionar, de fato, os meus pais que moram em Jardim de Piranhas por serem os responsáveis diretos pela educação proporcionada a mim. Lembrava, ainda, de um personagem bíblico, Paulo de Tarso, mais precisamente no livro de Atos dos Apóstolos, que teve a sua cidadania comprada em virtude do orgulho dos pais quererem vê-lo cheio de glória, honra e fama admitido no exército romano, como acontece ainda hoje em alguns países do mundo. Fazer parte de um exército ou ainda pertencer a uma infantaria militar era questão de honra, de orgulho, de “status” para uma família. Foi o que aconteceu com Paulo no início de sua juventude, tornando-se soldado romano e, mais tarde, sendo responsável pela morte de muitos cristãos, inclusive, o mártir Estevão.
No entanto, a nossa cidadania não é comprada por algumas moedas de prata, mas merecida por uma vida pautada na hombridade, no altruísmo e na prestação de serviços visando apenas o bem de Florânia. Indiscutivelmente, a vida de cada um foi a grande responsável por nos conduzir até a câmara dos vereadores, fazendo-nos valer a cidadania. O bom e verdadeiro exercício dela nos deram a honra da proposição, pois se assim não fosse poucos de nós teríamos sido agraciados.
Graças a Deus e ao povo desta terra, tão caro aos olhos de nosso Senhor, pela honra e pela felicidade distribuídas a mim e a todos quantos tiveram a graça de serem elevados oficialmente a cidadão floraniense. Diante disso, muitíssimo obrigado CONTERRÂNEOS.
Jackislandy Meira de M. Silva, professor e filósofo.

terça-feira, 27 de maio de 2008

“Entre a vida e a morte” de olho em “Entre lobos”




Na noite de 25 de maio deste ano, com a presença de várias autoridades de nossa cidade, dentre elas o Sr. Prefeito Flávio José e o Presidente da câmara Arlindo Delgado, assim como outros vereadores, diretores e professores das Escolas, ficamos todos perplexos e – pedindo licença da expressão celebrada pelo filme “Agonia e Êxtase de Michelangelo” – extasiados pela brilhante, não menos emocionada apresentação teatral de jovens e populares de Florânia, enchendo-nos de orgulho e encanto, devido ao realismo e beleza com que conduziram o tema “Entre a vida e a morte” sob a direção do nosso mais novo cineasta, J.Júnior.
Assim que entramos no Ginásio de Esportes do Município, de cara nos deparamos, surpresos, pela originalidade do cenário do espetáculo, construído pelos próprios jovens atores. Reproduzia quase fielmente as características da nossa caatinga, pois é nela que se desdobra toda a trama da apresentação, de modo a promover o sertão com inúmeros detalhes, sua paisagem, sua cultura, sua gente, sua luta, sua morte, sua vida...
Do início ao fim, mesclam-se vida e morte no texto, na luz, no figurino, sobretudo, na representação magistral dos atores, cujo desfecho salta aos olhos dos espectadores presentes, um misto silencioso de liberdade da vida em meio a religiosidade popular que se encerra numa oração, “Salve Regina”.
O floraniense fora premiado, em plena noite de domingo, por um belíssimo espetáculo que mais enalteceu a vida destemida do sertanejo “cabra da peste”; do que a diminuiu frente à dura lida ou realidade envolvida pela morte tão bem simbolizada na vegetação árida, na casa de taipa coberta com palhas de coqueiro, nas mulheres trabalhadoras e nas crianças humildes com poucas condições de vida.
Todavia, não podemos deixar de salientar que o interesse dessa apresentação, além de nos presentear, era todo voltado para recepcionar a equipe de cineastas do Rio Grande do Norte – Diretor: Edson Soares. Fotografia: Jean Carlo. Produção: Carlos Frederic e Jean Custo. Ator: Ignácio – e proporcionar-lhes observar, avaliar e selecionar alguns atores de nossa cidade que farão parte de uma longa metragem, denominada “Entre lobos”, tendo como Empresas co-produtoras Interfilmes e Nucnatal. A equipe, que começará seus trabalhos de filmagens já na segunda semana de junho aqui em Florânia, esteve conosco desde sábado, sentindo o calor e a ternura do acolhimento por demais agradável do nosso povo.
Texto: Jackislandy Meira de Medeiros Silva, Professor de Filosofia.

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