sexta-feira, 6 de junho de 2014

"Futebol Total" na Copa das copas



A alardeada expressão “futebol total” tomou conta do mundo em 1974 por uma seleção que, embora não fosse campeã naquele momento, ainda assim encantaria o mundo com jogadas traçadas de um lado a outro do campo; passes perfeitos de pé em pé cheios de beleza e risco; blocos de jogadores que se deslocavam fácil e sincronicamente da defesa, passando pelo meio, até o ataque, de modo que nenhum jogador parecia exercer uma posição fixa, mas jogavam em todas as posições e ao mesmo tempo nenhuma. Era um futebol vistoso e dinâmico.
Tal seleção era conhecida como “carrossel holandês” pela forma como rodava a bola e invertia as jogadas, aproveitando todos os espaços do campo de jogo. Aliado ao famosíssimo “tiki-taka”, executado recentemente pelo Barcelona de Cruyff e de Guardiola, como também pela seleção espanhola, o “futebol total” oferece características táticas muito presentes ainda hoje no futebol visto em boa parte do mundo, sobretudo agora na copa do mundo de 2014 aqui no país do futebol, onde acontecerá, ao que todos dizem, a copa das copas.
Ao contrário da seleção espanhola, a brasileira não segue britanicamente o esquema tático “futebol total”, mesmo que se percebam fortes características deste futebol no esquema de jogo proposto pela atual seleção brasileira. Veja que o Brasil tem zagueiros, volantes, laterais, meias e centroavante que não obedecem rigorosamente suas posições específicas em campo, e, no entanto, avançam, marcam ou atacam quando convêm. É muito comum num jogo de futebol atual observar estas características que foram preservadas de um estilo de jogo que rendeu importantes títulos a equipes na Europa e em Copas do Mundo até bem recentemente.
Duas equipes carregam especificamente o jeito de jogar vencedor do “futebol total”, o Barcelona e a seleção espanhola, campeã da última copa do mundo.
É óbvio que no Brasil veremos um desfile de volantes fazendo a festa em suas seleções, uma vez que são eles responsáveis pela maior parte das roubadas de bolas, das ligações entre a zaga, meio e ataque, sem contar a truculência da força física. O que impera na presença desse jeito de jogar, que ainda perdura, é um futebol sistemático, extremamente tático, programático e burocrático. Os grandes “meias” não aparecem mais, os laterais que iam ao fundo e cruzavam artisticamente estão em baixa, os clássicos batedores de falta andam ausentes.
Assistiremos a um futebol de muita tática, pouca técnica; esquemas que priorizam a dura marcação em detrimento do bom drible, da ousadia e da individualidade. Prender individualmente a bola é quase proibido.
A seleção brasileira aprendeu muito nos últimos tempos a compactar mais seus jogadores na movimentação em campo, sobretudo quando se desloca ao ataque e quando se desloca para a defesa. Idas e vindas do ataque para defesa a que se cuidar com a organização, a compactação em blocos. A nova onda agora é a marcação sob pressão, executada hoje pela seleção brasileira no amistoso contra a seleção da Sérvia. Algo que o Brasil vem fazendo constantemente em seus jogos. Uma prática que o levou a conquistar a Copa das Confederações ano passado aqui no Brasil.
Diferente de escolas mais sistemáticas, apegadas a um futebol arrumadinho, matemático, repleto de estratégias como a italiana, espanhola, holandesa, alemã; a escola brasileira, contagiada pelo futebol sul-americano dos uruguaios, argentinos, paraguaios e chilenos, acrescenta um estilo de jogo ao “futebol total” que a faz diferente das outras porque agrega habilidade, criatividade, ousadia, beleza, originalidade e efetividade; não por acaso ganhamos 5 vezes.
Vide imagem do campinho (esquema) da seleção holandesa em 1974. Tática pura com excelentes jogadores.

Prof. Jackislandy Meira de M. Silva
Bel. e Licenciado em Filosofia, Bel. em Teologia, Esp. em Metafísica e em Estudos Clássicos


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sexta-feira, 6 de junho de 2014

"Futebol Total" na Copa das copas



A alardeada expressão “futebol total” tomou conta do mundo em 1974 por uma seleção que, embora não fosse campeã naquele momento, ainda assim encantaria o mundo com jogadas traçadas de um lado a outro do campo; passes perfeitos de pé em pé cheios de beleza e risco; blocos de jogadores que se deslocavam fácil e sincronicamente da defesa, passando pelo meio, até o ataque, de modo que nenhum jogador parecia exercer uma posição fixa, mas jogavam em todas as posições e ao mesmo tempo nenhuma. Era um futebol vistoso e dinâmico.
Tal seleção era conhecida como “carrossel holandês” pela forma como rodava a bola e invertia as jogadas, aproveitando todos os espaços do campo de jogo. Aliado ao famosíssimo “tiki-taka”, executado recentemente pelo Barcelona de Cruyff e de Guardiola, como também pela seleção espanhola, o “futebol total” oferece características táticas muito presentes ainda hoje no futebol visto em boa parte do mundo, sobretudo agora na copa do mundo de 2014 aqui no país do futebol, onde acontecerá, ao que todos dizem, a copa das copas.
Ao contrário da seleção espanhola, a brasileira não segue britanicamente o esquema tático “futebol total”, mesmo que se percebam fortes características deste futebol no esquema de jogo proposto pela atual seleção brasileira. Veja que o Brasil tem zagueiros, volantes, laterais, meias e centroavante que não obedecem rigorosamente suas posições específicas em campo, e, no entanto, avançam, marcam ou atacam quando convêm. É muito comum num jogo de futebol atual observar estas características que foram preservadas de um estilo de jogo que rendeu importantes títulos a equipes na Europa e em Copas do Mundo até bem recentemente.
Duas equipes carregam especificamente o jeito de jogar vencedor do “futebol total”, o Barcelona e a seleção espanhola, campeã da última copa do mundo.
É óbvio que no Brasil veremos um desfile de volantes fazendo a festa em suas seleções, uma vez que são eles responsáveis pela maior parte das roubadas de bolas, das ligações entre a zaga, meio e ataque, sem contar a truculência da força física. O que impera na presença desse jeito de jogar, que ainda perdura, é um futebol sistemático, extremamente tático, programático e burocrático. Os grandes “meias” não aparecem mais, os laterais que iam ao fundo e cruzavam artisticamente estão em baixa, os clássicos batedores de falta andam ausentes.
Assistiremos a um futebol de muita tática, pouca técnica; esquemas que priorizam a dura marcação em detrimento do bom drible, da ousadia e da individualidade. Prender individualmente a bola é quase proibido.
A seleção brasileira aprendeu muito nos últimos tempos a compactar mais seus jogadores na movimentação em campo, sobretudo quando se desloca ao ataque e quando se desloca para a defesa. Idas e vindas do ataque para defesa a que se cuidar com a organização, a compactação em blocos. A nova onda agora é a marcação sob pressão, executada hoje pela seleção brasileira no amistoso contra a seleção da Sérvia. Algo que o Brasil vem fazendo constantemente em seus jogos. Uma prática que o levou a conquistar a Copa das Confederações ano passado aqui no Brasil.
Diferente de escolas mais sistemáticas, apegadas a um futebol arrumadinho, matemático, repleto de estratégias como a italiana, espanhola, holandesa, alemã; a escola brasileira, contagiada pelo futebol sul-americano dos uruguaios, argentinos, paraguaios e chilenos, acrescenta um estilo de jogo ao “futebol total” que a faz diferente das outras porque agrega habilidade, criatividade, ousadia, beleza, originalidade e efetividade; não por acaso ganhamos 5 vezes.
Vide imagem do campinho (esquema) da seleção holandesa em 1974. Tática pura com excelentes jogadores.

Prof. Jackislandy Meira de M. Silva
Bel. e Licenciado em Filosofia, Bel. em Teologia, Esp. em Metafísica e em Estudos Clássicos


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