quarta-feira, 5 de junho de 2013

Arrebatamentos do amor



(Fonte da imagem: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Gustav_Klimt_016.jpg)

Se tem algo que nos tira do lugar comum é o amor. O amor é uma espécie de sentimento bom que imuniza o ser humano das ameaças do mundo. O amor parece criar em torno de nós um campo de força impenetrável a ponto de nos proporcionar coragem, proteção, calor e liberdade.
Não dá pra vivenciar do amor só aquela parte romântica, sedutora, explosiva e prazerosa dos tempos de boemia. O amor exige muito mais do que boemia; reclama paciência em períodos turbulentos; pede presença nos momentos de ausência; apela pra justiça quando não há saída; espraia vida em lugar de morte; entrega humildade em vez de arrogância; apresenta concórdia ao invés de discórdia.
Pelo visto, o amor nos oferece uma vida pautada no risco porque nos chama a uma escolha, a algum tipo de seleção. Geralmente o amor é tão arrebatador que logo somos impulsionados a decisão. Amor é decisão pura, muito embora não se apresente assim. É preciso subverter a ideia de que o amor é só estabilidade igual a um filme meloso, tudo perfeitinho e cheio de fantasias. Não é bem assim, pois o amor é também instável, trágico e dramático, doentio. Como não lembrar de Tristão e Isolda, Romeu e Julieta, enfim.
O amor cheira a cumplicidade, nutre-se de instabilidade, senão o amor esfria, perde seu efeito criativo, deixa de mover-se, de dirigir-se a quem ama, produzindo em seu interior aquilo que lhe é mais desprezível, a indiferença.
Quem ama não é indiferente! Quem ama dirige-se a quem ama, vai ao seu encontro e participa de seu amor, tornando-se voluntarioso. Talvez, por ser assim, muitos não saibam dizer o que é o amor, vendo-se representados na música “Lenha” de Zeca Baleiro: “Eu não sei dizer/ O que quer dizer/ O que vou dizer/ Eu amo você/ Mas não sei o quê/ Isso quer dizer”.
Por isso, fiz questão de mostrar o quanto o amor nos tira do lugar comum, da zona de conforto e da quietude, na medida em que nem sequer nos reconhecemos mais. Nesse sentido, ouso afirmar que o amor pode ser visto como uma espécie de violência, de arrebatamento. Um arrebatamento que nos tira do chão. Violência aqui não significa guerra, talvez uma luta, porém uma tomada de posição frente ao que se quer conquistar por causa deste amor. Repare que o amor está o tempo todo nos arrebatando para um outro lugar. É desse arrebatamento que vive o amor. Só ele nos faz mudar de lugar.

Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva
Bel. em Teologia, Licenciado em Filosofia, Esp. em Metafísica e Pós-graduando em Estudos Clássicos pela UnB/Archai/Unesco.

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quarta-feira, 5 de junho de 2013

Arrebatamentos do amor



(Fonte da imagem: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Gustav_Klimt_016.jpg)

Se tem algo que nos tira do lugar comum é o amor. O amor é uma espécie de sentimento bom que imuniza o ser humano das ameaças do mundo. O amor parece criar em torno de nós um campo de força impenetrável a ponto de nos proporcionar coragem, proteção, calor e liberdade.
Não dá pra vivenciar do amor só aquela parte romântica, sedutora, explosiva e prazerosa dos tempos de boemia. O amor exige muito mais do que boemia; reclama paciência em períodos turbulentos; pede presença nos momentos de ausência; apela pra justiça quando não há saída; espraia vida em lugar de morte; entrega humildade em vez de arrogância; apresenta concórdia ao invés de discórdia.
Pelo visto, o amor nos oferece uma vida pautada no risco porque nos chama a uma escolha, a algum tipo de seleção. Geralmente o amor é tão arrebatador que logo somos impulsionados a decisão. Amor é decisão pura, muito embora não se apresente assim. É preciso subverter a ideia de que o amor é só estabilidade igual a um filme meloso, tudo perfeitinho e cheio de fantasias. Não é bem assim, pois o amor é também instável, trágico e dramático, doentio. Como não lembrar de Tristão e Isolda, Romeu e Julieta, enfim.
O amor cheira a cumplicidade, nutre-se de instabilidade, senão o amor esfria, perde seu efeito criativo, deixa de mover-se, de dirigir-se a quem ama, produzindo em seu interior aquilo que lhe é mais desprezível, a indiferença.
Quem ama não é indiferente! Quem ama dirige-se a quem ama, vai ao seu encontro e participa de seu amor, tornando-se voluntarioso. Talvez, por ser assim, muitos não saibam dizer o que é o amor, vendo-se representados na música “Lenha” de Zeca Baleiro: “Eu não sei dizer/ O que quer dizer/ O que vou dizer/ Eu amo você/ Mas não sei o quê/ Isso quer dizer”.
Por isso, fiz questão de mostrar o quanto o amor nos tira do lugar comum, da zona de conforto e da quietude, na medida em que nem sequer nos reconhecemos mais. Nesse sentido, ouso afirmar que o amor pode ser visto como uma espécie de violência, de arrebatamento. Um arrebatamento que nos tira do chão. Violência aqui não significa guerra, talvez uma luta, porém uma tomada de posição frente ao que se quer conquistar por causa deste amor. Repare que o amor está o tempo todo nos arrebatando para um outro lugar. É desse arrebatamento que vive o amor. Só ele nos faz mudar de lugar.

Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva
Bel. em Teologia, Licenciado em Filosofia, Esp. em Metafísica e Pós-graduando em Estudos Clássicos pela UnB/Archai/Unesco.

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