quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Neste Natal e Ano Novo, sejamos consumidos pelos afetos, não pelo dinheiro!


Quando nesse país, e em boa parte do mundo, tudo ainda esbarrar em dinheiro, as festas de Natal e fim de ano mais parecerão uma corrida avassaladora “contra” e “para” o consumo. “Contra”, porque relutamos aos gastos exorbitantes que poderão nos deixar endividados o ano vindouro inteirinho. “Para”, na medida em que cedemos aos caprichos dos apelos do coração, uma vez que somos todo sentimento e emoção em tempos como estes – de confraternizações natalinas e Réveillon 2011- de encontrar pessoas amigas de longas datas, até mesmo familiares tomados de saudades.

Somadas a isto são as inúmeras festas de confraternização e troca de presentes que podem afastar ou aproximar as pessoas do inevitável consumo, teimosamente rondando à nossa volta, dependendo, é claro, do poder aquisitivo de cada um, mas que mexe com os brios de uma sociedade altamente capitalista, na qual estamos metidos.

Pois bem, no calor das tantas festas natalinas e no derramar da brancura das espumas volumosas de litros e litros de champanhe, escondem-se os gritos daqueles que passarão quase todo o ano endividados; o soluçar de milhares de famílias divididas que não têm como celebrar o Natal; o clamor de um número infindável de crianças que ainda não sentiram o sabor de ganhar um presente ou uma ceia de Natal, porque não têm dinheiro.

Da criança ao idoso, passando pelo jovem sem perspectiva de vida neste Natal, há a sensação de que é possível, no momento supremo do encontro familiar em volta d'Aquele que se fez e se faz presente por nós, Jesus Cristo, nascer de novo com todos os excluídos da terra. Excluídos por algo tão banal, que um sem-número de pessoas dá valor, o tal do dinheiro. Por causa dele, criamos barreiras, construímos cercas e matamos nosso irmão. É por isso que não reconheço o homem quando simplesmente vejo o consumo desmedido numa época tão maravilhosa como esta. É tempo de celebração, de congraçamento de todas as diferenças, não de consumismo.

Sei que muitos nem verão o alvorecer de um novo ano porque estarão anestesiados pela bebida em demasia, mas, certamente, haverá pessoas que esperarão o Salvador neste Natal e aguardarão entusiasmadas o despontar de um novo ano com os olhos fitos nos que não terão vinho e nem pão, muito menos peru e “fiesta”, regado a fios de ovos, tampouco panetone, mas estarão cheias de ternura e receptivas à partilha, ao abraço, ao sorriso, ao encontro.

Ao contrário de esbanjarmos muito consumo, neste fim de ano, esbanjemos muitos encontros e trocas de abraços. Ao invés de inúmeras trocas de presentes, multipliquemos, neste Natal, as trocas de afetos, os gestos amáveis e ternos. Sejamos consumidos pelos afetos, não pelo dinheiro. Sejamos consumidos de amigos, não consumidos pelas dívidas!

Prof. Jackislandy Meira de M. Silva.

Licenciado em Filosofia pela UERN.

Especialista em Metafísica pela UFRN.

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quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Neste Natal e Ano Novo, sejamos consumidos pelos afetos, não pelo dinheiro!


Quando nesse país, e em boa parte do mundo, tudo ainda esbarrar em dinheiro, as festas de Natal e fim de ano mais parecerão uma corrida avassaladora “contra” e “para” o consumo. “Contra”, porque relutamos aos gastos exorbitantes que poderão nos deixar endividados o ano vindouro inteirinho. “Para”, na medida em que cedemos aos caprichos dos apelos do coração, uma vez que somos todo sentimento e emoção em tempos como estes – de confraternizações natalinas e Réveillon 2011- de encontrar pessoas amigas de longas datas, até mesmo familiares tomados de saudades.

Somadas a isto são as inúmeras festas de confraternização e troca de presentes que podem afastar ou aproximar as pessoas do inevitável consumo, teimosamente rondando à nossa volta, dependendo, é claro, do poder aquisitivo de cada um, mas que mexe com os brios de uma sociedade altamente capitalista, na qual estamos metidos.

Pois bem, no calor das tantas festas natalinas e no derramar da brancura das espumas volumosas de litros e litros de champanhe, escondem-se os gritos daqueles que passarão quase todo o ano endividados; o soluçar de milhares de famílias divididas que não têm como celebrar o Natal; o clamor de um número infindável de crianças que ainda não sentiram o sabor de ganhar um presente ou uma ceia de Natal, porque não têm dinheiro.

Da criança ao idoso, passando pelo jovem sem perspectiva de vida neste Natal, há a sensação de que é possível, no momento supremo do encontro familiar em volta d'Aquele que se fez e se faz presente por nós, Jesus Cristo, nascer de novo com todos os excluídos da terra. Excluídos por algo tão banal, que um sem-número de pessoas dá valor, o tal do dinheiro. Por causa dele, criamos barreiras, construímos cercas e matamos nosso irmão. É por isso que não reconheço o homem quando simplesmente vejo o consumo desmedido numa época tão maravilhosa como esta. É tempo de celebração, de congraçamento de todas as diferenças, não de consumismo.

Sei que muitos nem verão o alvorecer de um novo ano porque estarão anestesiados pela bebida em demasia, mas, certamente, haverá pessoas que esperarão o Salvador neste Natal e aguardarão entusiasmadas o despontar de um novo ano com os olhos fitos nos que não terão vinho e nem pão, muito menos peru e “fiesta”, regado a fios de ovos, tampouco panetone, mas estarão cheias de ternura e receptivas à partilha, ao abraço, ao sorriso, ao encontro.

Ao contrário de esbanjarmos muito consumo, neste fim de ano, esbanjemos muitos encontros e trocas de abraços. Ao invés de inúmeras trocas de presentes, multipliquemos, neste Natal, as trocas de afetos, os gestos amáveis e ternos. Sejamos consumidos pelos afetos, não pelo dinheiro. Sejamos consumidos de amigos, não consumidos pelas dívidas!

Prof. Jackislandy Meira de M. Silva.

Licenciado em Filosofia pela UERN.

Especialista em Metafísica pela UFRN.

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