domingo, 24 de agosto de 2008

A política e suas circunstâncias

A política está mergulhada nas contingências das massas em todos os tempos e lugares da história. Até mesmo na Grécia, na velha Hélade onde tudo começou, o poder era demasiadamente volátil, tão passageiro, artificial, fugaz e abstrato como o é hoje em dia.
Tanto é que se herdava a autoridade política não por lei, não por direito constituído devido à cidadania, não pelo voto direto e participativo, mas por caprichos de alguns e por privilégios de uma pequena parte da população ateniense que detinha o poder nas mãos em detrimento da vontade alheia dos escravos, das mulheres, dos camponeses, dos artesãos e de outros menos favorecidos.
O poder de administrar um “genos”, uma colônia, uma província era o mesmo que assumir uma cooperativa, uma associação de bairro, um grupo de jovens ou o poder de uma família, baseado em muita liderança, domínio público e persuasão. O que não acontecia ao administrar uma Cidade Estado do nível de Atenas, onde o poder era transmitido, passado, transferido de Pai para filho, de Oligarquia para Oligarquia e, diga-se de passagem, geneticamente. Não era algo conquistado a duras penas, infelizmente. No entanto, as circunstâncias eram outras, bastante diferentes das de hoje.
A Idade Média fora marcada pela união entre Igreja e Estado possibilitando a centralização dos interesses políticos, econômicos e sociais por mil anos. Estava nas mãos da Igreja, dos clérigos, dos episcopos e de outras autoridades eclesiásticas a direção tempo/espaço da política Ocidental. Este sim fora um período em que as circunstâncias políticas nada tinham de favoráveis à Democracia e à participação popular na escolha de seus possíveis representantes.
As circunstâncias da modernidade em relação à política estão arraigadas aos valores de suas oligarquias, de suas famílias, de seus “genos”. Estas, por sua vez, sentem-se no “status quo” da arte política, no sentido de somente elas terem condições genéticas para fazer política. Daí, cabe-nos aqui intrigantes perguntas: “Para se fazer política é necessário herdar tais condições?”; “As Oligarquias predominam?”; Os “Maias” e os “Alves” ainda resistem às circunstâncias modernas da política, sobretudo aqui no RN?; “Qual é a Tua, Candidato?”; “És um representante do povo ou de uma família apenas?”.
Na política atual, o candidato que se propõe a um cargo eletivo para servir ao povo, deveria simples e tacitamente justificar sua posição de “candidatus” por ter saído de uma porção da comunidade popular e participativa democraticamente, pois, afinal, é quem o vai ou não eleger.
Os tempos são outros. As circunstâncias também. As relações de poder são brindadas com mentiras e verdades, com interesses escusos e outros mais. Parece-nos que a influência das oligarquias na política brasileira vem dando lugar, aos poucos, à política de alianças, de acordos, de negociações. Umas para o desenvolvimento, outras nem tanto.
Em nosso país, é comum compreendermos a política como “coisa”: leis, plebiscito, partidos, estatísticas, eleições; de modo que atualmente, somos inclinados a vê-la como peça de engrenagem, na fabricação dos “objetos”. Política de mercado. Política de opinião. Política de negócios. Porém, é isso a Política? Um negócio!? Segundo Luiz Inácio Lula da Silva, a política se constitui como a arte da negociação e das convergências. Num certo sentido, sim.
A filósofa Hannah Arendt assim especificou o caráter ou a nossa condição de “zoon politikon”, como um agente da política, caracterizado pelas relações entre os homens na esfera pública. Segundo ela, a compreensão da política é vinculada à questão da liberdade e da espontaneidade. É vista para além das discussões burocráticas e mesquinhas. Antes, passa pela recuperação da idéia de que o livre agir é o agir em público, e público é o espaço original da política.
Jackislandy Meira de M. Silva, professor e filósofo.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Deus, nossa doçura e alegria.

“Esse abraço inefável entre o Pai e a sua Imagem não é sem fruição, sem amor e sem alegria, e esse amor, essa dileção, essa felicidade, na Trindade, é o Espírito Santo. Ele não é gerado; é a doce bem-aventurança do gerador e do gerado que inunda com sua liberalidade e abundância imensa todas as criaturas, segundo sua capacidade”.

Agostinho, De Trinitate, VI, 10, 10.


“a doce maçã que por tantos ramos
o zelo dos mortais vai procurando”.

Dante Alighieri, Purg., XXVII, 115s.


“Deus de Abraão, Deus de Isaac, Deus de Jacó, não dos filósofos nem dos doutos. Certeza. Sentimento. Alegria. Paz. Deus de Jesus Cristo. Teu Deus será meu Deus. Esquecimento do mundo e de tudo exceto Deus. A gente só o encontra pelos caminhos do Evangelho. Grandeza da alma humana. Pai justo, o mundo não te conheceu, mas eu te conheci. Não deva ser separado dele eternamente. Alegria, alegria, lágrimas de alegria”.

Aqui o filósofo Pascal faz uma experiência candente do Deus vivo e procura expressar-se sob a forma de breves exclamações numa folha de papel; esta, por ocasião de sua morte, foi encontrada costurada no interior de seu casaco, sobre o coração.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Uma vez alguém já disse: “Não gosto de política”.

Não poucas vezes, ouvimos, à boca pequena, expressões como essas: “Odeio política”, “Não gosto de política”, “Tenho nojo de política”..., Principalmente em tempos de eleição. A política parece sempre ocupar os extremos do amor e do ódio, do ame-a ou deixe-a, da alegria e da tristeza, do bem e do mal, do calor e do frio, do grito e do silêncio, do conformismo e do ativismo. Assim é a política na boca de milhares de pessoas, ou doce ou amarga ou agridoce.
Para vulgarizarmos um pouco menos e não banalizarmos por demais a palavra política é importante entendermos três acepções sobre ela: a primeira assume uma conotação de governo, autoridade e administração da coisa pública ou do tesouro de todos, sob a forma de Estado; a segunda dá a idéia de atividade realizada por especialistas, profissionais, políticos pertencentes a um certo tipo de organização sociopolítica – os partidos – que disputam o direito de governar, ocupando cargos e postos no Estado; por fim, este último significado advém do anterior porque é o mais popular, no sentido de ser o mais corrente por se tratar de uma visão negativa da política, admitindo colocar sob suspeita as práticas secretas de quem exerce o poder e se beneficia dele.
O calor político é produzido pela oposição dos três sentidos mencionados acima, que na prática se confirma mais ainda. Aflora-se, com isso, um paradoxo na divergência entre o primeiro e o último sentido da palavra política, pois o primeiro se refere a algo geral concernente à sociedade como um todo com suas leis e seus costumes, seus direitos e obrigações, reivindicações, resistências e desobediências, enquanto o último sentido afasta a política de nosso alcance, blindando-a. Daí, muitas interpretações parecem viáveis acerca da política ou de quem administra a coisa pública; que vão desde os casos de corrupção aos casos de transparência e de lisura administrativa.
Costumo colocar num mesmo patamar o atemporal, o misantropo, o apolítico, o a-histórico uma vez que todos eles tentam sublimar os problemas pertinentes à existência. É da natureza da própria existência inserir-nos no mundo dos contrários da política porque somos seres sociais, carregados de história e sujeitos ao tempo e ao espaço. Implicações como essas não nos permitem fugir da nossa condição de seres políticos, tampouco afirmarmos que “não gostamos de política”.
“Não gostar de” significa não desejá-la, não sentir prazer pela política. Não querer bem a política. Muito embora acredite que pelo simples fato de “não gostar” não quer dizer que venha a negá-la. “Não gostar” aqui está muito mais próxima da indiferença e da dissimulação do que da negação, da extinção. Não se trata de negá-la. Se assim for, é até mais suportável tal estranhamento. Do contrário, estaríamos agredindo a nós mesmos enquanto “animais políticos”, no dizer de Aristóteles. Como não estranhar tal repulsa!
Fora justamente a banalização do termo “política” ou o desgaste usual dela desde a Antiguidade que possibilitou a criação de escamas negativas em torno de seu rico significado. Isso diz o essencial da vida social em geral, e da política em particular: que são sempre coletivas e conflituosas. Diria Kant, “Insociável sociabilidade”. Por que os homens são injustos? Por que os homens são corruptos? Por que os homens são maus? Nada disso. Mas porque são egoístas, incapazes de viver sozinhos, pois, “homem algum é uma ilha”, afirmou Thomas Merton.
Engana-se quem pensa que a política é ausência de conflitos e uma bela auréola de paz e harmonia. E para nos livrarmos mais desse preconceito, deixo literalmente uma passagem do Livro “A vida humana” do filósofo francês André Comte-Sponville, 68p.:


“Engana-se quem vê na paz ausência de conflitos, o reino do consenso ou do interesse geral em tudo. Se assim fosse, não teríamos mais necessidade de política: a administração e a técnica bastariam. Estamos longe disso, felizmente(...). É para isso que servem nossas eleições, nossos parlamentos, nossos referendos. Democracia não é ausência de conflitos; é uma maneira de assumi-los e resolvê-los – sem os abolir – sem ser pela violência. Uma eleição vale mais que a guerra civil. Um parlamento, mais que um tirano. Ainda é preciso que haja vários partidos diferentes, que não se oponham apenas sobre insignificâncias(...). A política, diria eu, ao contrário de Clausewitz, é a guerra continuada por outros meios. Equivale a dizer que é um dos mais formidáveis progressos da história da humanidade e a única forma efetiva de paz. Por isso o apolitismo é um erro; o individualismo, um defeito. Ninguém luta sozinho, porque só se luta contra alguém, só se tem chances de ganhar, na escala da sociedade, junto com outros...(...)”.

Agora, portanto, pense bem antes de dizer: “Não gosto de política”.



Jackislandy Meira de M. Silva, professor e filósofo.
Confira os blogs:
www.umasreflexoes.blogspot.com
www.chegadootempo.blogspot.com

domingo, 24 de agosto de 2008

A política e suas circunstâncias

A política está mergulhada nas contingências das massas em todos os tempos e lugares da história. Até mesmo na Grécia, na velha Hélade onde tudo começou, o poder era demasiadamente volátil, tão passageiro, artificial, fugaz e abstrato como o é hoje em dia.
Tanto é que se herdava a autoridade política não por lei, não por direito constituído devido à cidadania, não pelo voto direto e participativo, mas por caprichos de alguns e por privilégios de uma pequena parte da população ateniense que detinha o poder nas mãos em detrimento da vontade alheia dos escravos, das mulheres, dos camponeses, dos artesãos e de outros menos favorecidos.
O poder de administrar um “genos”, uma colônia, uma província era o mesmo que assumir uma cooperativa, uma associação de bairro, um grupo de jovens ou o poder de uma família, baseado em muita liderança, domínio público e persuasão. O que não acontecia ao administrar uma Cidade Estado do nível de Atenas, onde o poder era transmitido, passado, transferido de Pai para filho, de Oligarquia para Oligarquia e, diga-se de passagem, geneticamente. Não era algo conquistado a duras penas, infelizmente. No entanto, as circunstâncias eram outras, bastante diferentes das de hoje.
A Idade Média fora marcada pela união entre Igreja e Estado possibilitando a centralização dos interesses políticos, econômicos e sociais por mil anos. Estava nas mãos da Igreja, dos clérigos, dos episcopos e de outras autoridades eclesiásticas a direção tempo/espaço da política Ocidental. Este sim fora um período em que as circunstâncias políticas nada tinham de favoráveis à Democracia e à participação popular na escolha de seus possíveis representantes.
As circunstâncias da modernidade em relação à política estão arraigadas aos valores de suas oligarquias, de suas famílias, de seus “genos”. Estas, por sua vez, sentem-se no “status quo” da arte política, no sentido de somente elas terem condições genéticas para fazer política. Daí, cabe-nos aqui intrigantes perguntas: “Para se fazer política é necessário herdar tais condições?”; “As Oligarquias predominam?”; Os “Maias” e os “Alves” ainda resistem às circunstâncias modernas da política, sobretudo aqui no RN?; “Qual é a Tua, Candidato?”; “És um representante do povo ou de uma família apenas?”.
Na política atual, o candidato que se propõe a um cargo eletivo para servir ao povo, deveria simples e tacitamente justificar sua posição de “candidatus” por ter saído de uma porção da comunidade popular e participativa democraticamente, pois, afinal, é quem o vai ou não eleger.
Os tempos são outros. As circunstâncias também. As relações de poder são brindadas com mentiras e verdades, com interesses escusos e outros mais. Parece-nos que a influência das oligarquias na política brasileira vem dando lugar, aos poucos, à política de alianças, de acordos, de negociações. Umas para o desenvolvimento, outras nem tanto.
Em nosso país, é comum compreendermos a política como “coisa”: leis, plebiscito, partidos, estatísticas, eleições; de modo que atualmente, somos inclinados a vê-la como peça de engrenagem, na fabricação dos “objetos”. Política de mercado. Política de opinião. Política de negócios. Porém, é isso a Política? Um negócio!? Segundo Luiz Inácio Lula da Silva, a política se constitui como a arte da negociação e das convergências. Num certo sentido, sim.
A filósofa Hannah Arendt assim especificou o caráter ou a nossa condição de “zoon politikon”, como um agente da política, caracterizado pelas relações entre os homens na esfera pública. Segundo ela, a compreensão da política é vinculada à questão da liberdade e da espontaneidade. É vista para além das discussões burocráticas e mesquinhas. Antes, passa pela recuperação da idéia de que o livre agir é o agir em público, e público é o espaço original da política.
Jackislandy Meira de M. Silva, professor e filósofo.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Deus, nossa doçura e alegria.

“Esse abraço inefável entre o Pai e a sua Imagem não é sem fruição, sem amor e sem alegria, e esse amor, essa dileção, essa felicidade, na Trindade, é o Espírito Santo. Ele não é gerado; é a doce bem-aventurança do gerador e do gerado que inunda com sua liberalidade e abundância imensa todas as criaturas, segundo sua capacidade”.

Agostinho, De Trinitate, VI, 10, 10.


“a doce maçã que por tantos ramos
o zelo dos mortais vai procurando”.

Dante Alighieri, Purg., XXVII, 115s.


“Deus de Abraão, Deus de Isaac, Deus de Jacó, não dos filósofos nem dos doutos. Certeza. Sentimento. Alegria. Paz. Deus de Jesus Cristo. Teu Deus será meu Deus. Esquecimento do mundo e de tudo exceto Deus. A gente só o encontra pelos caminhos do Evangelho. Grandeza da alma humana. Pai justo, o mundo não te conheceu, mas eu te conheci. Não deva ser separado dele eternamente. Alegria, alegria, lágrimas de alegria”.

Aqui o filósofo Pascal faz uma experiência candente do Deus vivo e procura expressar-se sob a forma de breves exclamações numa folha de papel; esta, por ocasião de sua morte, foi encontrada costurada no interior de seu casaco, sobre o coração.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Uma vez alguém já disse: “Não gosto de política”.

Não poucas vezes, ouvimos, à boca pequena, expressões como essas: “Odeio política”, “Não gosto de política”, “Tenho nojo de política”..., Principalmente em tempos de eleição. A política parece sempre ocupar os extremos do amor e do ódio, do ame-a ou deixe-a, da alegria e da tristeza, do bem e do mal, do calor e do frio, do grito e do silêncio, do conformismo e do ativismo. Assim é a política na boca de milhares de pessoas, ou doce ou amarga ou agridoce.
Para vulgarizarmos um pouco menos e não banalizarmos por demais a palavra política é importante entendermos três acepções sobre ela: a primeira assume uma conotação de governo, autoridade e administração da coisa pública ou do tesouro de todos, sob a forma de Estado; a segunda dá a idéia de atividade realizada por especialistas, profissionais, políticos pertencentes a um certo tipo de organização sociopolítica – os partidos – que disputam o direito de governar, ocupando cargos e postos no Estado; por fim, este último significado advém do anterior porque é o mais popular, no sentido de ser o mais corrente por se tratar de uma visão negativa da política, admitindo colocar sob suspeita as práticas secretas de quem exerce o poder e se beneficia dele.
O calor político é produzido pela oposição dos três sentidos mencionados acima, que na prática se confirma mais ainda. Aflora-se, com isso, um paradoxo na divergência entre o primeiro e o último sentido da palavra política, pois o primeiro se refere a algo geral concernente à sociedade como um todo com suas leis e seus costumes, seus direitos e obrigações, reivindicações, resistências e desobediências, enquanto o último sentido afasta a política de nosso alcance, blindando-a. Daí, muitas interpretações parecem viáveis acerca da política ou de quem administra a coisa pública; que vão desde os casos de corrupção aos casos de transparência e de lisura administrativa.
Costumo colocar num mesmo patamar o atemporal, o misantropo, o apolítico, o a-histórico uma vez que todos eles tentam sublimar os problemas pertinentes à existência. É da natureza da própria existência inserir-nos no mundo dos contrários da política porque somos seres sociais, carregados de história e sujeitos ao tempo e ao espaço. Implicações como essas não nos permitem fugir da nossa condição de seres políticos, tampouco afirmarmos que “não gostamos de política”.
“Não gostar de” significa não desejá-la, não sentir prazer pela política. Não querer bem a política. Muito embora acredite que pelo simples fato de “não gostar” não quer dizer que venha a negá-la. “Não gostar” aqui está muito mais próxima da indiferença e da dissimulação do que da negação, da extinção. Não se trata de negá-la. Se assim for, é até mais suportável tal estranhamento. Do contrário, estaríamos agredindo a nós mesmos enquanto “animais políticos”, no dizer de Aristóteles. Como não estranhar tal repulsa!
Fora justamente a banalização do termo “política” ou o desgaste usual dela desde a Antiguidade que possibilitou a criação de escamas negativas em torno de seu rico significado. Isso diz o essencial da vida social em geral, e da política em particular: que são sempre coletivas e conflituosas. Diria Kant, “Insociável sociabilidade”. Por que os homens são injustos? Por que os homens são corruptos? Por que os homens são maus? Nada disso. Mas porque são egoístas, incapazes de viver sozinhos, pois, “homem algum é uma ilha”, afirmou Thomas Merton.
Engana-se quem pensa que a política é ausência de conflitos e uma bela auréola de paz e harmonia. E para nos livrarmos mais desse preconceito, deixo literalmente uma passagem do Livro “A vida humana” do filósofo francês André Comte-Sponville, 68p.:


“Engana-se quem vê na paz ausência de conflitos, o reino do consenso ou do interesse geral em tudo. Se assim fosse, não teríamos mais necessidade de política: a administração e a técnica bastariam. Estamos longe disso, felizmente(...). É para isso que servem nossas eleições, nossos parlamentos, nossos referendos. Democracia não é ausência de conflitos; é uma maneira de assumi-los e resolvê-los – sem os abolir – sem ser pela violência. Uma eleição vale mais que a guerra civil. Um parlamento, mais que um tirano. Ainda é preciso que haja vários partidos diferentes, que não se oponham apenas sobre insignificâncias(...). A política, diria eu, ao contrário de Clausewitz, é a guerra continuada por outros meios. Equivale a dizer que é um dos mais formidáveis progressos da história da humanidade e a única forma efetiva de paz. Por isso o apolitismo é um erro; o individualismo, um defeito. Ninguém luta sozinho, porque só se luta contra alguém, só se tem chances de ganhar, na escala da sociedade, junto com outros...(...)”.

Agora, portanto, pense bem antes de dizer: “Não gosto de política”.



Jackislandy Meira de M. Silva, professor e filósofo.
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