quinta-feira, 22 de maio de 2008

KANT E A CRÍTICA DO JUÍZO ESTÉTICO



Cabe-nos aqui, num excurso de três ou mais textos que se seguirão, tentar perceber a filigrana da abrangência filosófico-estética de Kant, que começa distinguindo a base lógica do juízo estético da base lógica dos juízos sobre outras fontes de prazer e da base dos juízos de utilidade e de bondade.
A Filosofia de Kant possibilitará, vias estéticas, uma nova compreensão teórica do belo, atribuindo horizontes para a reformulação do problema das relações entre arte e realidade. Alguns dados a respeito dessa filosofia são indispensáveis para apresentarmos as concepções estéticas que direta ou indiretamente a ela se filiam.




KANT E A CRÍTICA DO JUÍZO ESTÉTICO

A crítica do juízo é talvez a obra que exerceu maior influência no mundo da cultura e imediatamente posterior a Kant.
Na crítica do juízo, elaborada em 1790, Kant se ocupa, em primeiro lugar, do julgamento estético, expressando de maneira lógica muitas das idéias e doutrinas dos estetas ingleses do séc XVIII e modelando-as dentro de um sistema coerente.
O seu escopo principal é estudar como são possíveis juízos estéticos universalmente válidos, mas ela tem também outro escopo, e muito importante: estabelecer uma ligação entre a razão pura e razão prática. Vimos que a crítica da razão pura concluiu que verdadeira ciência só é possível no mundo sensível, fonomênico; a Crítica da razão prática revelou-nos, por outro lado, a assistência no mundo numênico, de um reino de liberdade, subtraído ao determinismo dos fenômenos físicos; logo, não fenomênico. Mas há uma separação entre os dois mundos, e não existe passagem de um lado para o outro.
Assim, “(...) conformando-se ao conhecimento de um objeto possível, a Arte cumpre somente as operações necessárias para realizá-lo, diz-se que ela é a Arte mecânica; se, porém, tem por fim imediato o sentimento do prazer, é a Arte estética. Esta é a Arte aprazível ou bela. Arte é aprazível quando sua finalidade é fazer que o prazer acompanhe as representações enquanto simples sensações; é bela quando o seu fim é conjugar o prazer às representações como forma de conhecimento”(In ABBAGNANO, 2000, p. 82. Cf. Crítica do Juízo, § 44)

Em virtude disso, o conceito de natureza pode, sem dúvida, representar os seus objetos na intuição, não como coisa em si, mas como fenômeno; o conceito de liberdade pode representar o seu objeto como coisa em si, mas não na intuição; conseqüentemente nenhum dos dois pode oferecer um conhecimento teorético do seu objeto ( nenhum do sujeito pensante) como coisa em si.
Ao fim das duas primeiras Críticas, entra-se em contato, mas em contato cego, com o inteligível por meio da lei moral. O inteligível não é intuído nem visto; por outro lado, aquilo que se intui, aquilo que se tem ciência, é apenas sensível, apenas fenômeno, não realidade em si. E, no entanto, afirma Kant, apesar da separação, o mundo inteligível deve exercer influência sobre o sensível, porque a liberdade deve poder atuar no mundo sensível. Como é isto possível?
O intermediário entre a razão, que tem apenas função prática, e o sentimento, a terceira faculdade espiritual do homem, cuja atividade consiste em emitir juízos estéticos.
Portanto, juízo estético é uma intuição do inteligível, do reino dos fins, do Absoluto, de Deus, no sensível, não uma intuição objetiva, mas subjetiva.

Jackislandy Meira de M. Silva, professor e filósofo.

Confira os blogs:
www.umasreflexoes.blogspot.com
www.chegadootempo.blogspot.com

Um comentário:

Tiago Silva disse...

Kant foi especificamente um ótimo filósofo

quinta-feira, 22 de maio de 2008

KANT E A CRÍTICA DO JUÍZO ESTÉTICO



Cabe-nos aqui, num excurso de três ou mais textos que se seguirão, tentar perceber a filigrana da abrangência filosófico-estética de Kant, que começa distinguindo a base lógica do juízo estético da base lógica dos juízos sobre outras fontes de prazer e da base dos juízos de utilidade e de bondade.
A Filosofia de Kant possibilitará, vias estéticas, uma nova compreensão teórica do belo, atribuindo horizontes para a reformulação do problema das relações entre arte e realidade. Alguns dados a respeito dessa filosofia são indispensáveis para apresentarmos as concepções estéticas que direta ou indiretamente a ela se filiam.




KANT E A CRÍTICA DO JUÍZO ESTÉTICO

A crítica do juízo é talvez a obra que exerceu maior influência no mundo da cultura e imediatamente posterior a Kant.
Na crítica do juízo, elaborada em 1790, Kant se ocupa, em primeiro lugar, do julgamento estético, expressando de maneira lógica muitas das idéias e doutrinas dos estetas ingleses do séc XVIII e modelando-as dentro de um sistema coerente.
O seu escopo principal é estudar como são possíveis juízos estéticos universalmente válidos, mas ela tem também outro escopo, e muito importante: estabelecer uma ligação entre a razão pura e razão prática. Vimos que a crítica da razão pura concluiu que verdadeira ciência só é possível no mundo sensível, fonomênico; a Crítica da razão prática revelou-nos, por outro lado, a assistência no mundo numênico, de um reino de liberdade, subtraído ao determinismo dos fenômenos físicos; logo, não fenomênico. Mas há uma separação entre os dois mundos, e não existe passagem de um lado para o outro.
Assim, “(...) conformando-se ao conhecimento de um objeto possível, a Arte cumpre somente as operações necessárias para realizá-lo, diz-se que ela é a Arte mecânica; se, porém, tem por fim imediato o sentimento do prazer, é a Arte estética. Esta é a Arte aprazível ou bela. Arte é aprazível quando sua finalidade é fazer que o prazer acompanhe as representações enquanto simples sensações; é bela quando o seu fim é conjugar o prazer às representações como forma de conhecimento”(In ABBAGNANO, 2000, p. 82. Cf. Crítica do Juízo, § 44)

Em virtude disso, o conceito de natureza pode, sem dúvida, representar os seus objetos na intuição, não como coisa em si, mas como fenômeno; o conceito de liberdade pode representar o seu objeto como coisa em si, mas não na intuição; conseqüentemente nenhum dos dois pode oferecer um conhecimento teorético do seu objeto ( nenhum do sujeito pensante) como coisa em si.
Ao fim das duas primeiras Críticas, entra-se em contato, mas em contato cego, com o inteligível por meio da lei moral. O inteligível não é intuído nem visto; por outro lado, aquilo que se intui, aquilo que se tem ciência, é apenas sensível, apenas fenômeno, não realidade em si. E, no entanto, afirma Kant, apesar da separação, o mundo inteligível deve exercer influência sobre o sensível, porque a liberdade deve poder atuar no mundo sensível. Como é isto possível?
O intermediário entre a razão, que tem apenas função prática, e o sentimento, a terceira faculdade espiritual do homem, cuja atividade consiste em emitir juízos estéticos.
Portanto, juízo estético é uma intuição do inteligível, do reino dos fins, do Absoluto, de Deus, no sensível, não uma intuição objetiva, mas subjetiva.

Jackislandy Meira de M. Silva, professor e filósofo.

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Tiago Silva disse...

Kant foi especificamente um ótimo filósofo

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