sábado, 21 de abril de 2012

OS DEZ MANDAMENTOS DO ALUNO DA EaD

Estudante com tablete. Vaso ático de figuras vermelhas. Etrúria (500 a.C.). Pintor: Douris. Antikenmuseen, Berlim.
Estudante com tablete. Vaso ático de figuras vermelhas. Etrúria (500
a.C.). Pintor: Douris. Antikenmuseen, Berlim.
  1. Acesso à Internet: ter endereço eletrônico e acesso satisfatório a internet é pré-requisito para a participação nos cursos a distância.
  2. Habilidade e disposição para operar programas: ter conhecimentos básicos de informática é necessário para poder executar as tarefas.
  3. Vontade para aprender colaborativamente: interagir, ser participativo em EAD conta muitos pontos, pois irá colaborar para o processo ensino-aprendizagem pessoal, dos colegas e dos professores.
  4. Comportamentos compatíveis com a netiqueta: ter um comportamento adequado na comunicação virtual, seguindo as regras da netiqueta.
  5. Organização pessoal: planejar e organizar tudo é fundamental para facilitar a sua revisão e a sua recuperação de materiais.
  6. Vontade para realizar as coisas no tempo correto: ficar atento a todas as suas obrigações e realizá-las no tempo especificado.
  7. Curiosidade e abertura para inovações: aceitar novas idéias e inovar sempre.
  8. Flexibilidade e adaptação: manter-se atento às novidades do curso, adaptando-se ao ritmo e metodologia adotados.
  9. Objetividade em sua comunicação: comunicar-se de forma clara, breve e transparente é ponto-chave na comunicação pela Internet.
  10. Responsabilidade: ter uma postura pró-ativa em relação ao conhecimento e ser responsável por seu próprio aprendizado.
Fonte: Moodle Brasil

Cátedra UNESCO Archai

Caso queria nos conhecer melhor, aqui vão algumas informações sobre a Cátedra UNESCO Archai:

Desde 2001, o Grupo Archai promove investigações, organiza seminários e publicações com o intuito de estabelecer uma metodologia de trabalho e de constituir um espaço interdisciplinar de reflexão filosófica sobre as origens do pensamento ocidental. O objetivo fundamental da pesquisa é compreender, a partir de uma perspectiva cultural, de onde viemos, para que possamos compreender nossos caminhos presentes e desejos futuros. Nesse sentido, visando uma apreensão rigorosa do processo de formação da filosofia, e, de modo mais amplo, do pensamento ocidental, o problema que orienta a pesquisa do Grupo Archai é de ordem histórica, ética e política. Trata-se de reagir ao mal-estar experimentado com uma maneira excessivamente “presentista” de contar a história desse processo de formação, maneira que pensa a filosofia como um saber “estanque”, independente das condições de possibilidade históricas que permitiram a aparição desse tipo de discurso. A proposta de trabalho historiográfico-filosófico do Grupo Archai procura, portanto, lançar um olhar diferente sobre os primórdios do pensamento ocidental, em busca de novos caminhos éticos, políticos, artísticos, culturais e religiosos de interpretação. Esse trabalho dedica-se, em particular, a enraizar o “nascimento da filosofia” na cultura antiga, contrapondo-se às lições de uma historiografia filosófica racionalista que, anacronicamente, projeta sobre o contexto grego valores e procedimentos de uma razão instrumental estranha às múltiplas e tolerantes formas do lógos antigo. A questão é politicamente relevante em virtude da influência que ainda mantém essa “narrativa” das origens do pensamento sobre a compreensão da atual epistême ocidental. De fato, a ciência e as culturas ocidentais servem-se, na tentativa de justificar sua pretensão à verdade absoluta e universal da cultura dos vencedores, de um mito das origens, fundamentado nesta mesma visão presentista e asséptica da filosofia clássica. Mito, aliás, que utiliza a diversidade da cultura ocidental em contraposição e não em diálogo com as outras culturas e visões do mundo que a globalização aproximou de maneira mais forte nos últimos anos. A abordagem interdisciplinar está no âmago da proposta de pesquisa do grupo Archai. A articulação com diversas universidades brasileiras permitiu a realização de nove Seminários Internacionais Archai e resultaram na publicação de livros, números especiais de revistas e material áudio-visual, tanto no Brasil como no exterior. O reconhecimento e o apreço que o Grupo Archai foi obtendo junto à comunidade acadêmica dos estudos do pensamento antigo – que reúne profissionais das áreas de filosofia, letras, história, arqueologia e antropologia – chegou à atenção da UNESCO, que quis reconhecer ao grupo, em 2011 ,o status de Cátedra UNESCO. Este reconhecimento só fez aumentar o grande desafio acadêmico da Cátedra: assumir a interdisciplinaridade como ambiente e método de trabalho. Os Cursos e os Seminários Archai e as atividades da Cátedra desejam consolidar-se, assim, como uma agorá metodológica, em que diferentes perspectivas sobre as origens do pensamento ocidental encontram-se em franco diálogo. Diálogo atento às diferenças, e que nunca cede ao medo de possíveis contaminações, pelo contrário, busca esse contato como uma forma de abertura de novos caminhos para compreender a si e aos outros.
A Cátedra UNESCO Archai conta atualmente com a associação de vários pesquisadores: diversos graduandos e pós-graduandos, cinco pós-doutores e sete docentes. Ela publica um periódico científico, a Revista Archai e, e uma coleção de obras de referência, a Coleção Archai, além de contribuir significativamente com as atividades de diversas sociedades científicas nacionais e internacionais.

Para conhecer mais, consulte nosso site: www.archai.unb.br

PARA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DA FLOR...

Fragmento de cerâmica com detalhe de Flor-de-Lótus

Escolhemos a imagem da flor que podem ver no topo de nossa página de entrada da plataforma digital como marca deste I Curso de Especialização em Estudos Clássicos realizado na modalidade de ensino a distância, pois ela nos pareceu revelar muito de nosso projeto, do que queremos ao propor este curso.
O azulejo pintado – em geral com figuras vermelhas e pretas, como é este caso – era frequentemente utilizado em regiões como a Lídia (atual Turquia meridional) e sul da Itália por falta de pedras nobres como elementos arquitetônicos decorativos. Assim, quase a querer suprir o que faltava em termos de preciosidade do material, a arte procurava superar-se em perícia e inventividade. Além disso, os azulejos, muitas vezes, procuravam aliar a uma função exclusivamente estética, alguma utilidade para a vida cotidiana: não era incomum que estes azulejos servissem como calhas para o dreno da água.
Assim, em sua simplicidade, a flor de lótus em relevo no fragmento do frágil azulejo parece querer recordar o motivo mais profundo deste projeto: aquele de fazer florecer os estudos clássicos em nosso País, com toda a humildade que um projeto deste fôlego nos inspira, mas utilizando-se orgulhosamente para isso não somente dos melhores professores e conteúdos a nossa disposição, mas também da arte didática mais atual e eficaz, aquela do ensino a distância.
Fragilidade e força de vontade, beleza e concretude, antigo e novo, são estas as tensões que movem a equipe de produção deste Curso. Assim nos inspirou a flor de lótus, e com esta palavras queremos simbolicamente doá-la como companheira de viagem para cada um de vocês, para que nos acompanhe ao longo destes próximos 18 meses.
Brasília, Abril de 2012

Gabriele CornelliCoordenador

Créditos da imagem:
Azulejo em argila, Sardi (Lídia), período arcáico (VI séc a.C.). Metropolitan Museum of Art, New York (Gallery 152). A imagem original pode ser acessada na bela página web do MET.

I Curso de Especialização em Estudos Clássicos a Distância do Brasil pela UnB

Após ser selecionado para este curso, tive a oportunidade de assistir online  às palavras de abertura do Coordenador Gabriele Cornelli, um apaixonado em estudos clássicos. Uma atividade que nos faz entrar nas bases culturais do pensamento humano. É uma maravilha estudar os clássicos. Que bom fazer parte desta empreitada. Acredito que esta experiência vai render muitos frutos para minha formação filosófica e cultural.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

O narcisismo no "Face"

Por Luiz Felipe Pondé.

Cuidado! Quem tem muitos amigos no "Face" pode ter uma personalidade narcísica. Personalidade narcísica não é alguém que se ama muito, é alguém muito carente.

Faço parte do que o jornal britânico The Guardian chama de social media sceptics (céticos em relação às mídias sociais) em um artigo dedicado a pesquisas sobre o lado "sombrio" do Facebook (22/3/2012).

Ser um social media sceptic significa não crer nas maravilhas das mídias sociais. Elas não mudam o mundo. Aliás, nem acredito na "história", sou daqueles que suspeitam que a humanidade anda em círculos, somando avanços técnicos que respondem aos pavores míticos atávicos: morte, sofrimento, solidão, insegurança, fome, sexo. Fazemos o que podemos diante da opacidade do mundo e do tempo.


As mídias sociais potencializam o que no humano é repetitivo, banal e angustiante: nossa solidão e falta de afeto. Boas qualidades são raras e normalmente são tão tímidas quanto a exposição pública.

E, como dizia o poeta russo Joseph Brodsky (1940-96), falsos sentimentos são comuns nos seres humanos, e quando se tem um número grande deles juntos, a possibilidade de falsos sentimentos aflorarem cresce exponencialmente.

Em 1979, o historiador americano Christopher Lasch (1932-94) publicava seu best-seller acadêmico "A Cultura do Narcisismo", um livro essencial para pensarmos o comportamento no final de século 20. Ali, o autor identificava o traço narcísico de nossa era: carência, adolescência tardia, incapacidade de assumir a paternidade ou maternidade, pavor do envelhecimento, enfim, uma alma ridiculamente infantil num corpo de adulto.

Não estou aqui a menosprezar os medos humanos. Pelo contrário, o medo é meu irmão gêmeo. Estou a dizer que a cultura do narcisismo se fez hegemônica gerando personalidades que buscam o tempo todo ser amadas, reconhecidas, e que, portanto, são incapazes de ver o "outro", apenas exigindo do mundo um amor incondicional.

Segundo a pesquisa da Universidade de Western Illinois (EUA), discutida pelo periódico britânico, "um senso de merecimento de respeito, desejo de manipulação e de tirar vantagens dos outros" marca esses bebês grandes do mundo contemporâneo, que assumem que seus vômitos são significativos o bastante para serem postados no "Face".

A pesquisa envolveu 294 estudantes da universidade em questão, entre 18 e 65 anos, e seus hábitos no "Face". Além do senso de merecimento e desejo de manipulação mencionados acima, são traços "tóxicos" (como diz o artigo) da personalidade narcísica com muitos amigos no "Face" a obsessão com a autoimagem, amizades superficiais, respostas especialmente agressivas a supostas críticas feitas a ela, vidas guiadas por concepções altamente subjetivas de mundo, vaidade doentia, senso de superioridade moral e tendências exibicionistas grandiosas.

Pessoas com tais traços são mais dadas a buscar reconhecimento social do que a reconhecer os outros.

Segundo o periódico britânico, a assistente social Carol Craig, chefe do Centro para Confiança e Bem-estar (meu Deus, que nome horroroso...), disse que os jovens britânicos estão cada vez mais narcisistas e reconhece que há uma tendência da educação infantil hoje em dia, importada dos EUA para o Reino Unido (no Brasil, estamos na mesma...), a educar as crianças cada vez mais para a autoestima.

Cada vez mais plugados e cada vez mais solitários. Na sociedade contemporânea, a solidão é como uma epidemia fora de controle.

O Facebook é a plataforma ideal para autopromoção delirante e inflação do ego via aceitação de um número gigantesco de "amigos" irreais. O dr. Viv Vignoles, catedrático da Universidade de Sussex, no Reino Unido, afirma que, nos EUA, o narcisismo já era marca da juventude desde os anos 80, muito antes do "Face".

Portanto, a "culpa" não é dele. Ele é apenas uma ferramenta do narcisismo generalizado. Suspeito muito mais dos educadores que resolveram que a autoestima é a principal "matéria" da escola.

A educação não deve ser feita para aumentar nossa autoestima, mas para nos ajudar a enfrentar nossa atormentada humanidade.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

O mito da Medusa


Discutir um pouco sobre a mortalidade da Medusa é, no mínimo intrigante, porque só ela entre as irmãs era mortal. Carregar a marca da mortalidade em sua natureza parece ser paradoxal entre os deuses, uma vez que surge naturalmente o clássico problema: Que te parece pior ou melhor, viver como um deus entre os homens ou como um homem entre os deuses? Parece-me que a questão da mortalidade de Medusa guarda esse problema. Mesmo não participando do mundo dos deuses e de seus privilégios por serem mais poderosos e gozarem da imortalidade, enfim, Medusa tem um poder que é dado a ela, o de assumir com autoridade as medidas apropriadas. Só ela é mortal, mas só ela também é Górgona, pelo menos em tese, pois se serve de um olhar habilidoso, feminino e terrível que petrifica, que mede e que julga. Ela Joga sobre nós o peso da mortalidade, transformando-nos em pó, mas também nos proporciona um alívio através do olhar cortante de morte. A morte também é bela e indica libertação, pois para Sócrates, bem mais tarde, a filosofia é um exercício para a morte. A morte segundo Sócrates, no Fédon, é um misto de prazer e dor. Aqui já estou conjecturando e nessa linha não vejo o que é pior nem o que é melhor, mas vejo a cara da força da vida que precisa de cuidado e de reflexão. A mortalidade não é obstáculo algum para o grego, mas superação de seus limites através dos jogos, das guerras, onde os heróis buscam assemelhar-se aos deuses com as suas conquistas, as glórias e a honra em perpetuar um nome. Talvez, para Medusa, a mortalidade não traga tanto enfado quanto a imortalidade para um deus. Independentemente das narrativas históricas que envolvem a figura de Medusa, o que mais me impressiona nela é sua autonomia frente aos homens e aos deuses, pois era temida. Os que são temidos geralmente sentem-se ameaçados. Sem dúvida, pela história, Medusa tinha todas as qualidades para ser uma grande ameaça que, por sinal, daí possa vir a razão da trama de sua morte. A simbologia que cerca sua morte mereceria todo um estudo, bem mais atenção e renderia belíssimas produções textuais, assim eu penso.
No entanto, um aspecto que envolve a figura da Medusa é o senso de justa medida, bastante divulgado pela expressão grega sophrosyne. Essa noção é bastante comum entre os gregos, mas Medusa é paradoxal em relação ao equilíbrio, à justiça, vejam o verbete: “Só se pode combater a culpabilidade oriunda da exaltação frívola dos desejos pelo esforço em realizar a harmonia, a justa medida, que é, em última análise, exatamente a etimologia de Medusa. Quem olha para a cabeça da Gorgo se petrifica. Não seria por que ela reflete a autoimagem de uma culpabilidade pessoal? O reconhecimento da falta, porém, baseado num justo conhecimento de si mesmo pode se perverter em exasperação doentia, em consciência escrupulosa e paralisante. Em síntese, Medusa simboliza a imagem deformada, que petrifica pelo horror, em lugar de esclarecer com equidade”(In BRANDÃO, Junito. Dicionário Mítico-Etimológico. Vol I. Petrópolis, RJ: Vozes, 1991, p. 471).
Desculpe-me um pouco a divagação nesse tema, mas tentei fazer uma aproximação com a Filosofia a fim de enxergar o lado dramático da morte da Medusa. Fazendo a leitura apressada do mito da Medusa, a Górgona por excelência, que espraia seu olhar de morte por onde passa, podemos concluir que a tragédia de sua morte vem recheada de beleza no momento em que ela é decapitada por Perseu, o sangue jorra da asquerosa Górgona e evidencia seu poder criativo como se apenas a morte desse-lhe de volta o que havia perdido para sua rival Atená, sua beleza e seu orgulho. Portanto, a morte de Medusa é um encontro consigo mesma, com sua beleza e orgulho perdidos.

Prof. Jackislandy Meira de M. Silva
Licenciado em Filosofia, Bacharel em Teologia e Especialista em Metafísica



sábado, 14 de abril de 2012

A cidade de Deus

Encontramos no filósofo a concepção da cidade de Deus. Os cristãos vivem nas cidades temporais, mas com o amor mútuo e o amor em Deus tornam-se os moradores da eterna cidade de Deus. Se considerarmos apenas a aparência, a cidade de Deus é como as demais, porém no significado e na razão de ser esta edificação perpassa em toda parte e todo tempo.

domingo, 8 de abril de 2012

A oração de Nikos Kazantzakis

Sou arco em tuas mãos, Senhor.
Estenda-me, para que eu não perca utilidade.
Não me estendas além da conta, Senhor, posso quebrar,
Estende-me além da conta, Senhor - e daí se eu quebrar?

sábado, 7 de abril de 2012

A "revolução" de Jesus


(Pintura do Cristo na Cruz, 1949, de Samson Flexor)
 

A pessoa de Jesus é crucial para entendermos como se modificou a história após Ele. Você já leu o Evangelho olhando para Jesus? Sentiu o som da sua voz enquanto falava com seus discípulos? Já percebeu a autoridade e o respeito que emanam de sua presença?! Cada palavra sua tem um peso de eternidade. Jesus é especial. Sua presença simplesmente enche os espaços vazios de qualquer ambiente. Se tem alguém que nos coloca de volta no tempo e no espaço de nossa história, esse alguém é Jesus Cristo. Este judeu que modificou a cultura religiosa judaica e que abriu uma fenda entre o céu e a terra para nos salvar integralmente revirou de cabeça para baixo a noção de justiça em todas as culturas em sua volta. Homem algum foi tão bom quanto Ele, por isso sua afirmação como Deus. Ninguém foi tão justo ao ponto de não abrir a boca, mesmo sabendo que iria morrer injustamente, cumprindo uma nova lei, a lei do amor. Uma lei desconcertante e com lógica divina. Viveu eternamente por obediência a esta Lei que poucos ainda conheciam!
A reviravolta que Jesus deu no pensamento cultural de seu tempo é extraordinário. Se admiramos Sócrates pela virada filosófica do cosmos para o humano, por ter chamado à atenção para si mesmo; se vimos Platão, em suas obras, responder às refutações do Mestre como ninguém; se Aristóteles possibilitou à filosofia se expandir ao estágio de ciência; se fomos capazes de nos deslumbrar com as inúmeras conquistas de Alexandre Magno; como reagir à surpreendente forma de Jesus de Nazaré se dirigir ao “status quo” do mundo pagão, legalista e religioso da Grécia, de Roma e de Israel de então, respectivamente? Jesus põe à prova sua ética por questões caducas, pesadas e tradicionais dessas culturas que mais aprisionavam o povo com interesses provincianos do que o libertava dos grilhões da insensatez e da tremenda falta de tolerância.
Jesus entra num mundo intolerante e perverso que não o aceita, isto é, “os seus não o receberam”(Jo 1. 11). Essas culturas não absorvem o seu novo pensamento presente em suas palavras, em seu discurso fino e afiado, muito menos em seu comportamento, acompanhe alguns registros de suas testemunhas nos Evangelhos: E tendo feito um azorrague de cordas, lançou todos fora do templo, bem como os bois e ovelhas; e espalhou o dinheiro dos cambiadores, e derribou as mesas, e disse aos que vendiam pombos: Tirai daqui estes e não façais da casa de meu Pai casa de vendas”(Jo 2. 15-16); “O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado. Assim, o Filho do Homem é Senhor até do sábado”(Mc 2. 27-28); “Não necessitam de médico os sãos, mas os doentes”(Mt 9. 9-13); “Quem não tiver pecado, atire a primeira pedra”(Jo 8. 7); “Filho, perdoados estão os teus pecados”(Mc 2. 5); “O que Deus ajuntou não separe o homem”(Mt 19. 6); “O meu Reino não é deste mundo”(Jo 18. 36); “Aquele que se tornar humilde como esta criança, esse é o maior no Reino dos céus”(Mt 18. 4); “Bem-aventurados os que tem fome e sede de justiça, porque serão fartos”(Mt 5. 6); “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”(Jo 15. 12). O quanto não incomodaram estas e outras palavras!!!
Permitam-me usar um termo dos tempos do Renascimento, cunhado talvez por Nicolau Copérnico quando da sua famosa descoberta da teoria do “heliocentrismo”, derrocando a tão pretensa lei do “geocentrismo”, o termo é “Revolução” bastante desgastado pelas ideologias socialistas do século passado, porém, com um sentido de mudança de posição, de valores, de reviravolta mesmo, é que a “Revolução” do amor cai muito bem em Jesus. Nesse sentido, Jesus foi um grande revolucionário, porque, mergulhado no amor pleno, no “ágape”, mostrou a todos o verdadeiro sentido da koinonia”, da comunhão fraterna entre os irmãos que era o serviço e a partilha do pão. Jesus pregava que todos deviam viver em comunhão.
Vejam que os gregos viviam com sede de vingança, assoberbados pela honra e pela glória, corriam atrás de seus heróis e de seus deuses fascinados por conquistas e guerras. Os romanos não admitiam aliviar a pena de seus criminosos, eram extremamentes obedientes a César. Os judeus, atrelados à Lei mosaica e ao código de Hamurabi do olho por olho, dente por dente, virou às costas ao que era seu, Jesus de Nazaré, da descendência de Davi, do tronco de Jessé, como dizem as Escrituras. No entanto, da boca deste homem, que vivia como um Deus entre nós, brotou uma semente de vida e de esperança para todas as gerações, a semente do amor, do dar a outra face, do não revidar, da cura, do perdão, do hoje estarás comigo no Paraíso”(Lc 23. 43).

Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva
Bacharel em Teologia, Licenciado em Filosofia e Especialista em Metafísica

sábado, 21 de abril de 2012

OS DEZ MANDAMENTOS DO ALUNO DA EaD

Estudante com tablete. Vaso ático de figuras vermelhas. Etrúria (500 a.C.). Pintor: Douris. Antikenmuseen, Berlim.
Estudante com tablete. Vaso ático de figuras vermelhas. Etrúria (500
a.C.). Pintor: Douris. Antikenmuseen, Berlim.
  1. Acesso à Internet: ter endereço eletrônico e acesso satisfatório a internet é pré-requisito para a participação nos cursos a distância.
  2. Habilidade e disposição para operar programas: ter conhecimentos básicos de informática é necessário para poder executar as tarefas.
  3. Vontade para aprender colaborativamente: interagir, ser participativo em EAD conta muitos pontos, pois irá colaborar para o processo ensino-aprendizagem pessoal, dos colegas e dos professores.
  4. Comportamentos compatíveis com a netiqueta: ter um comportamento adequado na comunicação virtual, seguindo as regras da netiqueta.
  5. Organização pessoal: planejar e organizar tudo é fundamental para facilitar a sua revisão e a sua recuperação de materiais.
  6. Vontade para realizar as coisas no tempo correto: ficar atento a todas as suas obrigações e realizá-las no tempo especificado.
  7. Curiosidade e abertura para inovações: aceitar novas idéias e inovar sempre.
  8. Flexibilidade e adaptação: manter-se atento às novidades do curso, adaptando-se ao ritmo e metodologia adotados.
  9. Objetividade em sua comunicação: comunicar-se de forma clara, breve e transparente é ponto-chave na comunicação pela Internet.
  10. Responsabilidade: ter uma postura pró-ativa em relação ao conhecimento e ser responsável por seu próprio aprendizado.
Fonte: Moodle Brasil

Cátedra UNESCO Archai

Caso queria nos conhecer melhor, aqui vão algumas informações sobre a Cátedra UNESCO Archai:

Desde 2001, o Grupo Archai promove investigações, organiza seminários e publicações com o intuito de estabelecer uma metodologia de trabalho e de constituir um espaço interdisciplinar de reflexão filosófica sobre as origens do pensamento ocidental. O objetivo fundamental da pesquisa é compreender, a partir de uma perspectiva cultural, de onde viemos, para que possamos compreender nossos caminhos presentes e desejos futuros. Nesse sentido, visando uma apreensão rigorosa do processo de formação da filosofia, e, de modo mais amplo, do pensamento ocidental, o problema que orienta a pesquisa do Grupo Archai é de ordem histórica, ética e política. Trata-se de reagir ao mal-estar experimentado com uma maneira excessivamente “presentista” de contar a história desse processo de formação, maneira que pensa a filosofia como um saber “estanque”, independente das condições de possibilidade históricas que permitiram a aparição desse tipo de discurso. A proposta de trabalho historiográfico-filosófico do Grupo Archai procura, portanto, lançar um olhar diferente sobre os primórdios do pensamento ocidental, em busca de novos caminhos éticos, políticos, artísticos, culturais e religiosos de interpretação. Esse trabalho dedica-se, em particular, a enraizar o “nascimento da filosofia” na cultura antiga, contrapondo-se às lições de uma historiografia filosófica racionalista que, anacronicamente, projeta sobre o contexto grego valores e procedimentos de uma razão instrumental estranha às múltiplas e tolerantes formas do lógos antigo. A questão é politicamente relevante em virtude da influência que ainda mantém essa “narrativa” das origens do pensamento sobre a compreensão da atual epistême ocidental. De fato, a ciência e as culturas ocidentais servem-se, na tentativa de justificar sua pretensão à verdade absoluta e universal da cultura dos vencedores, de um mito das origens, fundamentado nesta mesma visão presentista e asséptica da filosofia clássica. Mito, aliás, que utiliza a diversidade da cultura ocidental em contraposição e não em diálogo com as outras culturas e visões do mundo que a globalização aproximou de maneira mais forte nos últimos anos. A abordagem interdisciplinar está no âmago da proposta de pesquisa do grupo Archai. A articulação com diversas universidades brasileiras permitiu a realização de nove Seminários Internacionais Archai e resultaram na publicação de livros, números especiais de revistas e material áudio-visual, tanto no Brasil como no exterior. O reconhecimento e o apreço que o Grupo Archai foi obtendo junto à comunidade acadêmica dos estudos do pensamento antigo – que reúne profissionais das áreas de filosofia, letras, história, arqueologia e antropologia – chegou à atenção da UNESCO, que quis reconhecer ao grupo, em 2011 ,o status de Cátedra UNESCO. Este reconhecimento só fez aumentar o grande desafio acadêmico da Cátedra: assumir a interdisciplinaridade como ambiente e método de trabalho. Os Cursos e os Seminários Archai e as atividades da Cátedra desejam consolidar-se, assim, como uma agorá metodológica, em que diferentes perspectivas sobre as origens do pensamento ocidental encontram-se em franco diálogo. Diálogo atento às diferenças, e que nunca cede ao medo de possíveis contaminações, pelo contrário, busca esse contato como uma forma de abertura de novos caminhos para compreender a si e aos outros.
A Cátedra UNESCO Archai conta atualmente com a associação de vários pesquisadores: diversos graduandos e pós-graduandos, cinco pós-doutores e sete docentes. Ela publica um periódico científico, a Revista Archai e, e uma coleção de obras de referência, a Coleção Archai, além de contribuir significativamente com as atividades de diversas sociedades científicas nacionais e internacionais.

Para conhecer mais, consulte nosso site: www.archai.unb.br

PARA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DA FLOR...

Fragmento de cerâmica com detalhe de Flor-de-Lótus

Escolhemos a imagem da flor que podem ver no topo de nossa página de entrada da plataforma digital como marca deste I Curso de Especialização em Estudos Clássicos realizado na modalidade de ensino a distância, pois ela nos pareceu revelar muito de nosso projeto, do que queremos ao propor este curso.
O azulejo pintado – em geral com figuras vermelhas e pretas, como é este caso – era frequentemente utilizado em regiões como a Lídia (atual Turquia meridional) e sul da Itália por falta de pedras nobres como elementos arquitetônicos decorativos. Assim, quase a querer suprir o que faltava em termos de preciosidade do material, a arte procurava superar-se em perícia e inventividade. Além disso, os azulejos, muitas vezes, procuravam aliar a uma função exclusivamente estética, alguma utilidade para a vida cotidiana: não era incomum que estes azulejos servissem como calhas para o dreno da água.
Assim, em sua simplicidade, a flor de lótus em relevo no fragmento do frágil azulejo parece querer recordar o motivo mais profundo deste projeto: aquele de fazer florecer os estudos clássicos em nosso País, com toda a humildade que um projeto deste fôlego nos inspira, mas utilizando-se orgulhosamente para isso não somente dos melhores professores e conteúdos a nossa disposição, mas também da arte didática mais atual e eficaz, aquela do ensino a distância.
Fragilidade e força de vontade, beleza e concretude, antigo e novo, são estas as tensões que movem a equipe de produção deste Curso. Assim nos inspirou a flor de lótus, e com esta palavras queremos simbolicamente doá-la como companheira de viagem para cada um de vocês, para que nos acompanhe ao longo destes próximos 18 meses.
Brasília, Abril de 2012

Gabriele CornelliCoordenador

Créditos da imagem:
Azulejo em argila, Sardi (Lídia), período arcáico (VI séc a.C.). Metropolitan Museum of Art, New York (Gallery 152). A imagem original pode ser acessada na bela página web do MET.

I Curso de Especialização em Estudos Clássicos a Distância do Brasil pela UnB

Após ser selecionado para este curso, tive a oportunidade de assistir online  às palavras de abertura do Coordenador Gabriele Cornelli, um apaixonado em estudos clássicos. Uma atividade que nos faz entrar nas bases culturais do pensamento humano. É uma maravilha estudar os clássicos. Que bom fazer parte desta empreitada. Acredito que esta experiência vai render muitos frutos para minha formação filosófica e cultural.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

O narcisismo no "Face"

Por Luiz Felipe Pondé.

Cuidado! Quem tem muitos amigos no "Face" pode ter uma personalidade narcísica. Personalidade narcísica não é alguém que se ama muito, é alguém muito carente.

Faço parte do que o jornal britânico The Guardian chama de social media sceptics (céticos em relação às mídias sociais) em um artigo dedicado a pesquisas sobre o lado "sombrio" do Facebook (22/3/2012).

Ser um social media sceptic significa não crer nas maravilhas das mídias sociais. Elas não mudam o mundo. Aliás, nem acredito na "história", sou daqueles que suspeitam que a humanidade anda em círculos, somando avanços técnicos que respondem aos pavores míticos atávicos: morte, sofrimento, solidão, insegurança, fome, sexo. Fazemos o que podemos diante da opacidade do mundo e do tempo.


As mídias sociais potencializam o que no humano é repetitivo, banal e angustiante: nossa solidão e falta de afeto. Boas qualidades são raras e normalmente são tão tímidas quanto a exposição pública.

E, como dizia o poeta russo Joseph Brodsky (1940-96), falsos sentimentos são comuns nos seres humanos, e quando se tem um número grande deles juntos, a possibilidade de falsos sentimentos aflorarem cresce exponencialmente.

Em 1979, o historiador americano Christopher Lasch (1932-94) publicava seu best-seller acadêmico "A Cultura do Narcisismo", um livro essencial para pensarmos o comportamento no final de século 20. Ali, o autor identificava o traço narcísico de nossa era: carência, adolescência tardia, incapacidade de assumir a paternidade ou maternidade, pavor do envelhecimento, enfim, uma alma ridiculamente infantil num corpo de adulto.

Não estou aqui a menosprezar os medos humanos. Pelo contrário, o medo é meu irmão gêmeo. Estou a dizer que a cultura do narcisismo se fez hegemônica gerando personalidades que buscam o tempo todo ser amadas, reconhecidas, e que, portanto, são incapazes de ver o "outro", apenas exigindo do mundo um amor incondicional.

Segundo a pesquisa da Universidade de Western Illinois (EUA), discutida pelo periódico britânico, "um senso de merecimento de respeito, desejo de manipulação e de tirar vantagens dos outros" marca esses bebês grandes do mundo contemporâneo, que assumem que seus vômitos são significativos o bastante para serem postados no "Face".

A pesquisa envolveu 294 estudantes da universidade em questão, entre 18 e 65 anos, e seus hábitos no "Face". Além do senso de merecimento e desejo de manipulação mencionados acima, são traços "tóxicos" (como diz o artigo) da personalidade narcísica com muitos amigos no "Face" a obsessão com a autoimagem, amizades superficiais, respostas especialmente agressivas a supostas críticas feitas a ela, vidas guiadas por concepções altamente subjetivas de mundo, vaidade doentia, senso de superioridade moral e tendências exibicionistas grandiosas.

Pessoas com tais traços são mais dadas a buscar reconhecimento social do que a reconhecer os outros.

Segundo o periódico britânico, a assistente social Carol Craig, chefe do Centro para Confiança e Bem-estar (meu Deus, que nome horroroso...), disse que os jovens britânicos estão cada vez mais narcisistas e reconhece que há uma tendência da educação infantil hoje em dia, importada dos EUA para o Reino Unido (no Brasil, estamos na mesma...), a educar as crianças cada vez mais para a autoestima.

Cada vez mais plugados e cada vez mais solitários. Na sociedade contemporânea, a solidão é como uma epidemia fora de controle.

O Facebook é a plataforma ideal para autopromoção delirante e inflação do ego via aceitação de um número gigantesco de "amigos" irreais. O dr. Viv Vignoles, catedrático da Universidade de Sussex, no Reino Unido, afirma que, nos EUA, o narcisismo já era marca da juventude desde os anos 80, muito antes do "Face".

Portanto, a "culpa" não é dele. Ele é apenas uma ferramenta do narcisismo generalizado. Suspeito muito mais dos educadores que resolveram que a autoestima é a principal "matéria" da escola.

A educação não deve ser feita para aumentar nossa autoestima, mas para nos ajudar a enfrentar nossa atormentada humanidade.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

O mito da Medusa


Discutir um pouco sobre a mortalidade da Medusa é, no mínimo intrigante, porque só ela entre as irmãs era mortal. Carregar a marca da mortalidade em sua natureza parece ser paradoxal entre os deuses, uma vez que surge naturalmente o clássico problema: Que te parece pior ou melhor, viver como um deus entre os homens ou como um homem entre os deuses? Parece-me que a questão da mortalidade de Medusa guarda esse problema. Mesmo não participando do mundo dos deuses e de seus privilégios por serem mais poderosos e gozarem da imortalidade, enfim, Medusa tem um poder que é dado a ela, o de assumir com autoridade as medidas apropriadas. Só ela é mortal, mas só ela também é Górgona, pelo menos em tese, pois se serve de um olhar habilidoso, feminino e terrível que petrifica, que mede e que julga. Ela Joga sobre nós o peso da mortalidade, transformando-nos em pó, mas também nos proporciona um alívio através do olhar cortante de morte. A morte também é bela e indica libertação, pois para Sócrates, bem mais tarde, a filosofia é um exercício para a morte. A morte segundo Sócrates, no Fédon, é um misto de prazer e dor. Aqui já estou conjecturando e nessa linha não vejo o que é pior nem o que é melhor, mas vejo a cara da força da vida que precisa de cuidado e de reflexão. A mortalidade não é obstáculo algum para o grego, mas superação de seus limites através dos jogos, das guerras, onde os heróis buscam assemelhar-se aos deuses com as suas conquistas, as glórias e a honra em perpetuar um nome. Talvez, para Medusa, a mortalidade não traga tanto enfado quanto a imortalidade para um deus. Independentemente das narrativas históricas que envolvem a figura de Medusa, o que mais me impressiona nela é sua autonomia frente aos homens e aos deuses, pois era temida. Os que são temidos geralmente sentem-se ameaçados. Sem dúvida, pela história, Medusa tinha todas as qualidades para ser uma grande ameaça que, por sinal, daí possa vir a razão da trama de sua morte. A simbologia que cerca sua morte mereceria todo um estudo, bem mais atenção e renderia belíssimas produções textuais, assim eu penso.
No entanto, um aspecto que envolve a figura da Medusa é o senso de justa medida, bastante divulgado pela expressão grega sophrosyne. Essa noção é bastante comum entre os gregos, mas Medusa é paradoxal em relação ao equilíbrio, à justiça, vejam o verbete: “Só se pode combater a culpabilidade oriunda da exaltação frívola dos desejos pelo esforço em realizar a harmonia, a justa medida, que é, em última análise, exatamente a etimologia de Medusa. Quem olha para a cabeça da Gorgo se petrifica. Não seria por que ela reflete a autoimagem de uma culpabilidade pessoal? O reconhecimento da falta, porém, baseado num justo conhecimento de si mesmo pode se perverter em exasperação doentia, em consciência escrupulosa e paralisante. Em síntese, Medusa simboliza a imagem deformada, que petrifica pelo horror, em lugar de esclarecer com equidade”(In BRANDÃO, Junito. Dicionário Mítico-Etimológico. Vol I. Petrópolis, RJ: Vozes, 1991, p. 471).
Desculpe-me um pouco a divagação nesse tema, mas tentei fazer uma aproximação com a Filosofia a fim de enxergar o lado dramático da morte da Medusa. Fazendo a leitura apressada do mito da Medusa, a Górgona por excelência, que espraia seu olhar de morte por onde passa, podemos concluir que a tragédia de sua morte vem recheada de beleza no momento em que ela é decapitada por Perseu, o sangue jorra da asquerosa Górgona e evidencia seu poder criativo como se apenas a morte desse-lhe de volta o que havia perdido para sua rival Atená, sua beleza e seu orgulho. Portanto, a morte de Medusa é um encontro consigo mesma, com sua beleza e orgulho perdidos.

Prof. Jackislandy Meira de M. Silva
Licenciado em Filosofia, Bacharel em Teologia e Especialista em Metafísica



sábado, 14 de abril de 2012

A cidade de Deus

Encontramos no filósofo a concepção da cidade de Deus. Os cristãos vivem nas cidades temporais, mas com o amor mútuo e o amor em Deus tornam-se os moradores da eterna cidade de Deus. Se considerarmos apenas a aparência, a cidade de Deus é como as demais, porém no significado e na razão de ser esta edificação perpassa em toda parte e todo tempo.

domingo, 8 de abril de 2012

A oração de Nikos Kazantzakis

Sou arco em tuas mãos, Senhor.
Estenda-me, para que eu não perca utilidade.
Não me estendas além da conta, Senhor, posso quebrar,
Estende-me além da conta, Senhor - e daí se eu quebrar?

sábado, 7 de abril de 2012

A "revolução" de Jesus


(Pintura do Cristo na Cruz, 1949, de Samson Flexor)
 

A pessoa de Jesus é crucial para entendermos como se modificou a história após Ele. Você já leu o Evangelho olhando para Jesus? Sentiu o som da sua voz enquanto falava com seus discípulos? Já percebeu a autoridade e o respeito que emanam de sua presença?! Cada palavra sua tem um peso de eternidade. Jesus é especial. Sua presença simplesmente enche os espaços vazios de qualquer ambiente. Se tem alguém que nos coloca de volta no tempo e no espaço de nossa história, esse alguém é Jesus Cristo. Este judeu que modificou a cultura religiosa judaica e que abriu uma fenda entre o céu e a terra para nos salvar integralmente revirou de cabeça para baixo a noção de justiça em todas as culturas em sua volta. Homem algum foi tão bom quanto Ele, por isso sua afirmação como Deus. Ninguém foi tão justo ao ponto de não abrir a boca, mesmo sabendo que iria morrer injustamente, cumprindo uma nova lei, a lei do amor. Uma lei desconcertante e com lógica divina. Viveu eternamente por obediência a esta Lei que poucos ainda conheciam!
A reviravolta que Jesus deu no pensamento cultural de seu tempo é extraordinário. Se admiramos Sócrates pela virada filosófica do cosmos para o humano, por ter chamado à atenção para si mesmo; se vimos Platão, em suas obras, responder às refutações do Mestre como ninguém; se Aristóteles possibilitou à filosofia se expandir ao estágio de ciência; se fomos capazes de nos deslumbrar com as inúmeras conquistas de Alexandre Magno; como reagir à surpreendente forma de Jesus de Nazaré se dirigir ao “status quo” do mundo pagão, legalista e religioso da Grécia, de Roma e de Israel de então, respectivamente? Jesus põe à prova sua ética por questões caducas, pesadas e tradicionais dessas culturas que mais aprisionavam o povo com interesses provincianos do que o libertava dos grilhões da insensatez e da tremenda falta de tolerância.
Jesus entra num mundo intolerante e perverso que não o aceita, isto é, “os seus não o receberam”(Jo 1. 11). Essas culturas não absorvem o seu novo pensamento presente em suas palavras, em seu discurso fino e afiado, muito menos em seu comportamento, acompanhe alguns registros de suas testemunhas nos Evangelhos: E tendo feito um azorrague de cordas, lançou todos fora do templo, bem como os bois e ovelhas; e espalhou o dinheiro dos cambiadores, e derribou as mesas, e disse aos que vendiam pombos: Tirai daqui estes e não façais da casa de meu Pai casa de vendas”(Jo 2. 15-16); “O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado. Assim, o Filho do Homem é Senhor até do sábado”(Mc 2. 27-28); “Não necessitam de médico os sãos, mas os doentes”(Mt 9. 9-13); “Quem não tiver pecado, atire a primeira pedra”(Jo 8. 7); “Filho, perdoados estão os teus pecados”(Mc 2. 5); “O que Deus ajuntou não separe o homem”(Mt 19. 6); “O meu Reino não é deste mundo”(Jo 18. 36); “Aquele que se tornar humilde como esta criança, esse é o maior no Reino dos céus”(Mt 18. 4); “Bem-aventurados os que tem fome e sede de justiça, porque serão fartos”(Mt 5. 6); “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”(Jo 15. 12). O quanto não incomodaram estas e outras palavras!!!
Permitam-me usar um termo dos tempos do Renascimento, cunhado talvez por Nicolau Copérnico quando da sua famosa descoberta da teoria do “heliocentrismo”, derrocando a tão pretensa lei do “geocentrismo”, o termo é “Revolução” bastante desgastado pelas ideologias socialistas do século passado, porém, com um sentido de mudança de posição, de valores, de reviravolta mesmo, é que a “Revolução” do amor cai muito bem em Jesus. Nesse sentido, Jesus foi um grande revolucionário, porque, mergulhado no amor pleno, no “ágape”, mostrou a todos o verdadeiro sentido da koinonia”, da comunhão fraterna entre os irmãos que era o serviço e a partilha do pão. Jesus pregava que todos deviam viver em comunhão.
Vejam que os gregos viviam com sede de vingança, assoberbados pela honra e pela glória, corriam atrás de seus heróis e de seus deuses fascinados por conquistas e guerras. Os romanos não admitiam aliviar a pena de seus criminosos, eram extremamentes obedientes a César. Os judeus, atrelados à Lei mosaica e ao código de Hamurabi do olho por olho, dente por dente, virou às costas ao que era seu, Jesus de Nazaré, da descendência de Davi, do tronco de Jessé, como dizem as Escrituras. No entanto, da boca deste homem, que vivia como um Deus entre nós, brotou uma semente de vida e de esperança para todas as gerações, a semente do amor, do dar a outra face, do não revidar, da cura, do perdão, do hoje estarás comigo no Paraíso”(Lc 23. 43).

Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva
Bacharel em Teologia, Licenciado em Filosofia e Especialista em Metafísica

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