domingo, 31 de março de 2013

Páscoa: Ressuscita-me

Música de Aline Barros

Mestre, eu preciso de um milagre
Transforma minha vida, meu estado
Faz tempo que eu não vejo a luz do dia
Estão tentando sepultar minha alegria
Tentando ver meus sonhos cancelados
Lázaro ouviu a Sua voz
Quando aquela pedra removeu
Depois de quatro dias ele reviveu
Mestre, não há outro que possa fazer
Aquilo que só o Teu nome tem todo poder
Eu preciso tanto de um milagre

Remove a minha pedra
Me chama pelo nome
Muda a minha história
Ressuscita os meus sonhos
Transforma a minha vida
Me faz um milagre
Me toca nessa hora
Me chama para fora
Ressuscita-me

Mestre, eu preciso de um milagre
Transforma minha vida, meu estado
Faz tempo que eu não vejo a luz do dia
Estão tentando sepultar minha alegria
Tentando ver meus sonhos cancelados
Lázaro ouviu a Sua voz
Quando aquela pedra removeu
Depois de quatro dias ele reviveu
Mestre, não há outro que possa fazer
Aquilo que só o Teu nome tem todo poder
Eu preciso tanto de um milagre

Tu És a própria vida
A força que há em mim
Tu És o Filho de Deus
Que me ergue pra vencer
Senhor de tudo em mim
Já ouço a Tua voz
Me chamando pra viver
Uma história de poder

quarta-feira, 27 de março de 2013

Santas refeições

(foto: arquivo pessoal, bacalhoada de minha esposa)

           A cultura judaico-cristã é intensamente presente no interior da cultura brasileira. Agora, sobretudo, quando celebramos a páscoa, a simbologia que envolve os elementos daquele dia cruento – para os judeus, a libertação do Egito, a travessia apressada pelo mar vermelho com os cavalos e cavaleiros em seus calcanhares; para os cristãos, o drama da dor, do sofrimento, paixão, morte e ressurreição de Jesus de Nazaré – parece dialogar profundamente com o dia a dia do cidadão brasileiro nas mais diferentes regiões, com os modos e peculiaridades de cada lugar.
            Para começar, é feriado nacional. Todos param e estabelece-se, quer queiramos ou não, uma ruptura no calendário de nossas rotinas. Abrimos o tempo profano (cronos) para dialogar com o sagrado (kairos) em nossas vidas. O curioso é que muita gente inverte a ordem das coisas e acaba suspendendo o sagrado em função do profano dando margem a inúmeros excessos.
            Em meio à memória da paixão, morte e ressurreição de Cristo, o que nos chama atenção é a variedade culinária que se espalha pelo vasto território brasileiro nestes dias de preparação que antecedem a grande festa da páscoa para nós cristãos. A semana santa que culmina com a Ressurreição de Jesus no domingo se reveste de uma “santa comensalidade”. Em cada canto do país, por causa da influência da cultura judaico-cristã, é muito comum a criação de variados pratos alimentares que substituem tradicionalmente nossos rotineiros hábitos alimentares, o forte costume de todos os dias.
            Engraçado que a carne de boi, a famosa carne vermelha é substituída pelo peixe dos rios ou dos mares. É costume inserirmos nas refeições o tão recomendado bacalhau; que pode ser incrementado de muitos modos, cozido, como torta ao forno, bolinhos de bacalhau e etc. A quinta-feira do tríduo sagrado é dia reservado para o aguardado arroz doce. Refeições como estas, principalmente no interior do nordeste, são muito comuns e fáceis de ver e de se fazer, basta vontade e muito amor. Não podemos esquecer as suculentas umbuzadas feitas por nossos avós. O vinho ou suco de uvas é também acrescentado à mesa.
            As famílias se reúnem em volta de uma mesa mais farta neste período do ano, pois os costumes são mais fortes do que o bolso. Apesar dos ingredientes necessários para uma boa ceia pascal serem um pouco caros, mesmo assim o cidadão brasileiro faz questão de comer bacalhau, ova de peixe e outras iguarias tão tradicionais na semana santa. Ainda assim, não podemos nos dar ao luxo de esquecer o ovo da páscoa com bastante chocolate para afastarmos as tristes lembranças do sofrimento de Cristo e nos fixarmos somente em sua glória, em sua vitória, visto que o consumo de chocolate aumenta o nível do hormônio responsável pela sensação de bem-estar, de alegria, a “serotonina”, bem como o hormônio da “feniletilamina”, conhecido como o hormônio da paixão.
            Na verdade, conviver com todas estas guloseimas da semana santa e ter que praticar algum tipo de abstinência ou mortificação é um desafio e tanto, uma vez que os diferentes banquetes se sucedem um após outro deixando sabores inesquecíveis de quero mais. O querer mais em relação à comida e à bebida nos induz aos excessos, a comportamentos desmedidos, distanciando-nos do sentido do evangelho: “Não só de pão vive o homem”(Mt 4.4). Talvez, aí esteja a razão desta semana, compreender nossos paradoxos, contradições e ambiguidades. Figuras trágicas como as de Pedro e Judas parecem ser chaves nesta leitura. Negação e traição não faziam parte dos ingredientes. Ou faziam?
            Contudo, os banquetes da época de Jesus eram, certamente, mais sóbrios, modestos, regados a vinho ou suco de uvas. Os elementos da ceia pascal dos judeus estavam muito além do pão ázimo e do vinho, mas acrescia-se de carneiro assado, inteiro num espeto, geralmente um cabrito; “Harósset”, uma mistura de maçãs picadas, nozes cortadas, canela, passas, que serve como sobremesa; Ervas amargas, rabanete, chicória, “marór”; Ervas verdes, agrião, alface, aipo; Salmoura. Atualmente inclui-se no cardápio um ovo cozido, em memória da destruição do Templo, porém, é um elemento posterior à época de Jesus.
            Embora longe do modelo histórico de ceia pascal vivido por Jesus de Nazaré, é importante que não deixemos de adicionar ingredientes invisíveis ou pelo menos esquecidos às nossas guloseimas: a partilha e o amor. Após a sua morte, os seus discípulos e as comunidades cristãs colocavam tudo em comum e viviam como irmãos.
 

Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva
Bel. em Teologia, Licenciado em Filosofia, Esp. em Metafísica e Pós-graduando em Estudos Clássicos pela UnB/Archai/Unesco.

 

 

terça-feira, 26 de março de 2013

A volta de Sartre ao cenário francês

Para biógrafa de Sartre, filósofo volta a ser debatido por intelectuais franceses



MARCELO BORTOLOTI para a Folha de SP

Mais de 30 anos após a morte de Jean-Paul Sartre (1905-1980), ninguém ainda é capaz de arriscar de que forma sua obra entrará para a posteridade. O filósofo francês continua despertando paixões, e sendo louvado ou execrado conforme a orientação política do seu leitor.
Passagem de Sartre pelo Brasil teve muita imprensa e pouca filosofia
Gil compara gostar de Sartre a gostar de Lula
Sua biógrafa, a franco-argelina Annie Cohen-Solal, autora de "Sartre, 1905-1980" (LP&M), começa a enxergar uma retomada de estudos mais isentos --ou mais acadêmicos-- a seu respeito.
Esta semana ela entregou à editora Gallimard os originais de "Une Renaissance Sartrienne" ("Um Renascimento Sartreano", em tradução livre), no qual aponta a volta do autor aos círculos universitários da França, de onde ele havia sido banido.

Zélia Gattai/Fundação Casa de Jorge Amado
Jean-Paul Sartre em Ouro Preto (MG), em 1960, fotografado pela escritora Zélia Gattai
Jean-Paul Sartre em Ouro Preto (MG), em 1960, fotografado pela escritora Zélia Gattai
Cohen-Solal é uma defensora aguerrida do filósofo, e ela própria é parte deste movimento. Em junho, ela organiza na École Normale Supérieure, universidade parisiense onde Sartre estudou, um ciclo de debates sobre ele.
Há exatos 70 anos, Sartre publicou "O Ser e o Nada", um marco na filosofia do século 20. A obra deu popularidade ao existencialismo, doutrina segundo a qual a existência precede a essência, e portanto o homem se constrói pelos seus próprios atos.
Difundindo suas teses em livros de filosofia (como "O Imaginário"), mas também em obras de dramaturgia e romance (como "A Idade da Razão"), Sartre tornou-se uma celebridade mundial.
Mas sua imagem começou a ser maculada no final da década de 1950. Seu livro "Crítica da Razão Dialética", lançado em 1960, foi recebido com muita desconfiança por tentar unir o existencialismo a ideias marxistas.
A partir daí, adotando posições políticas cada vez mais radicais como a adesão incondicional ao regime de Mao Tsé-tung, na China, sua produção foi acusada de estar à serviço de uma ideologia comunista.
Annie Cohen-Solal fala à Folha da condenação que Sartre experimentou na França e defende seu legado.
*
Folha - Seu livro defende que as ideias de Sartre continuam vivas?
Annie Cohen-Solal - Não. Eu apenas descrevo a situação na França hoje. Depois de três décadas de uma crítica brutal contra Sartre na imprensa, e com muito poucas pesquisas acadêmicas sobre ele, surpreendentemente para mim, as coisas estão mudando. Toda uma geração de jovens estudantes está agora olhando para sua obra com uma perspectiva diferente.
Por quê?
Quando Sartre morreu, em 1980, recebeu tantas homenagens que parecia estarmos enterrando um segundo Victor Hugo. Em seguida, seu trabalho embarcou em uma aventura estranha, cheia de felicidade ou infortúnios, dependendo do país e de acordo com os tempos.
Enquanto na França passou a ser divertido criticar detalhes insignificantes da sua vida, as homenagens da Europa, África, Ásia e nas duas Américas concordavam que a mensagem de Sartre era uma ferramenta de referência para descriptografar o nosso tempo. Agora, estudantes franceses começaram a perceber esta relevância, especialmente na École Normale Supérieure, onde estamos discutindo a criação de uma cadeira Sartre.
Qual é seu legado mais importante?
Ele foi o intelectual global que deu poder aos enfraquecidos. O apoio dele aos excluídos, como judeus, africanos colonizados, homossexuais, mulheres e trabalhadores, ajudou a reverter a relação de poder. Hoje, muitas pessoas estão fazendo pesquisa sobre sua obra na África.
Por que recebeu tantas críticas na França?
Sartre foi educado em uma família protestante. Recebeu educação em casa até os dez anos, e foi muito influenciado por esses valores, que expressou em toda a sua vida.
Esse espírito protestante o levou a enfrentar tabus da memória coletiva francesa, como a colaboração com os nazistas, a tortura, a colonização etc. E sua atitude chocou muitas pessoas em um país de tradição católica.
Sua adesão radical ao comunismo afetou essa imagem?
Ele nunca foi um membro de carteirinha do Partido Comunista Francês, apenas um companheiro fortuito entre 1952 e 1956.
Ele apoiou os comunistas quando manifestações do partido estavam sendo injustamente sufocadas pela polícia francesa, mas se afastou deles quando os russos reprimiram a insurreição húngara e quando os tanques soviéticos invadiram Budapeste. Sartre terminou sua vida como um maoista, tornando-se mais e mais radical.
Sua participação política deve ser esquecida?
Eu não colocaria dessa forma. Acho que a trajetória e a obra de Sartre são um todo. E pessoas muito à direita não iriam se interessar por seu trabalho de qualquer modo.
Por que Sartre não saiu de moda no Brasil?
Eu digo que o Brasil é um dos países mais sartreanos em que já estive. E acredito que isso se deva, em parte, ao fato de Sartre ter passado três meses no país no verão de 1960. Na época, ele lutava ao lado dos revolucionários argelinos pela independência da colonização francesa, e suas ideias tiveram grande repercussão no país.

segunda-feira, 25 de março de 2013

ÍTACA

Odisseu (Ulisses) amarrado ao mastro de sua embarcação para se salvar das Sirenes na Odisséia de Homero, o grande poema épico Grego. Mosaico Romano do século III AD, Tunísia.

Se partires um dia rumo à Ítaca
Faz votos de que o caminho seja longo
repleto de aventuras, repleto de saber.
Nem lestrigões, nem ciclopes,
nem o colérico Posídon te intimidem!
Eles no teu caminho jamais encontrarás
Se altivo for teu pensamento
Se sutil emoção o teu corpo e o teu espírito tocar
Nem lestrigões, nem ciclopes
Nem o bravio Posídon hás de ver
Se tu mesmo não os levares dentro da alma
Se tua alma não os puser dentro de ti.
Faz votos de que o caminho seja longo.
Numerosas serão as manhãs de verão
Nas quais com que prazer, com que alegria
Tu hás de entrar pela primeira vez um porto
Para correr as lojas dos fenícios
e belas mercancias adquirir.
Madrepérolas, corais, âmbares, ébanos
E perfumes sensuais de toda espécie
Quanto houver de aromas deleitosos.
A muitas cidades do Egito peregrinas
Para aprender, para aprender dos doutos.
Tem todo o tempo ítaca na mente.
Estás predestinado a ali chegar.
Mas, não apresses a viagem nunca.
Melhor muitos anos levares de jornada
E fundeares na ilha velho enfim.
Rico de quanto ganhaste no caminho
Sem esperar riquezas que Ítaca te desse.
Uma bela viagem deu-te Ítaca.
Sem ela não te ponhas a caminho.
Mais do que isso não lhe cumpre dar-te.
Ítaca não te iludiu
Se a achas pobre.
Tu te tornaste sábio, um homem de experiência.
E, agora, sabes o que significam Ítacas.



Constantino Kabvafis (1863-1933)
in: O Quarteto de Alexandria - trad. José Paulo Paz.

domingo, 24 de março de 2013

E ERA FESTA DA PÁSCOA...

"Estacou na caminhada para ver um tipógrafo distribuindo preciso tipos. Lê primeiro ao revés. Faz a coisa rápido. Exige alguma prática isso. MangiD KcirtaP. Pobre Papai e seu hagadá, lendo com seu dedo para trás para mim. Pessah. No ano próximo em Jerusalém. Oh, meu Deus! Toda essa longa história sobre como saímos da Terra do Egito e entramos na casa da servidão alleluia. Shema Israel Adonai Elohenu. Não, isso é a outra. Então, os doze irmãos, filhos de Jacob. E então o carneiro e o gato e o cão e o bastão e a água e o açougueiro e então o anjo da morte mata o açougueiro que mata o boi e o cão mata o gato. Soa um pouco boboca até que se entre bem na coisa. Justiça é o que significa, mas é um comer cada um o outro. É o que é a vida enfim. Com que rapidez ele executa a tarefa. A prática é a mãe da perfeição. Parece que vê com os dedos"(James Joyce em seu Ulisses).

Vejamos uma ilustração de Joyce por Bob Cato. (Cover of Joyce Images):


Receita de miojo no ENEM vira piada...


sábado, 16 de março de 2013

PROEMI - Ferramentas filosóficas: Oralidade, interpretação textual e tecnologias

Inscreva-se já! Você que é estudante da Escola Estadual Teônia Amaral, as inscrições para inúmeras oficinas do Programa do Ensino Médio Inovador, que funcionarão no contraturno da Escola, estarão abertas a partir desta terça-feira, dia 19/03 e vão até 22/03.
O Prof. Jackislandy Meira estará oferecendo a oficina de FERRAMENTAS FILOSÓFICAS: ORALIDADE, INTERPRETAÇÃO TEXTUAL E TECNOLOGIAS. O estudante interessado é só procurar o Professor ou a direção da Escola para se inscrever.
Conheça o Projeto do Professor Jackislandy Meira de Medeiros Silva e venha participar:


PROEMI – PROGRAMA DO ENSINO MÉDIO INOVADOR
ESCOLA ESTADUAL TEÔNIA AMARAL – ANO 2013
FLORÂNIA – RN


FERRAMENTAS FILOSÓFICAS: ORALIDADE, INTERPRETAÇÃO TEXTUAL E TECNOLOGIAS.

Oficinas:
    1) Com a fala também se aprende;
             Objetivo geral: 
 
Desenvolver no estudante a possiblidade de aprender com seus argumentos por meio de diálogos dramáticos, debates, mesa-redonda, seminários, conversações, entrevistas e demais exposições.

Objetivos específicos:

O estudante poderá aprimorar sua extensão vocal, impostação e colocação da voz. Alcançará maior fluidez na linguagem quando precisar comunicar ou divulgar o seu trabalho. Terá oportunidade de educar a sua fala, bem como dominá-la mais, trabalhá-la e torná-la ainda mais eficaz nos trabalhos escolares e em outras apresentações de interesse individual e coletivo. Será interessante também, gerar no estudante um apelo auditivo; saber ouvir; viver o que o outro está ouvindo e sentindo. A possibilidade de, com a leitura e com a audição da fala do outro, imprimir certa comoção na turma ou nos colegas.

    2) A descoberta das ideias no texto
             Objetivo geral:

Conduzir o estudante por diversos tecidos textuais, de modo que estabeleça comparações, releituras a partir de sua visão de mundo, de sua vida.

Objetivos específicos:

O estudante manterá contato mais direto com o texto escrito, no caso aqui o texto ou fragmentos ou diálogos filosóficos para fazer uma relação com a dimensão oral vista anteriormente. Importante notar que a interpretação surgirá aos poucos como apoio para o entendimento do conteúdo daquilo que se fala, do contrário, seria praticamente difícil imprimir sentimento, vida e emoção ao que se está falando ou dialogando.

         3) Uso de ferramentas tecnológicas: e-mails, internet, blogs, portfólio virtual, ebooks, vídeos...

Objetivo geral:

Subverter a ordem tecnológica do puro entretenimento para uma nova ordem inteligente do uso dessas ferramentas em que o estudante informe-se, aprenda e reflita conteúdos veiculados em rede.

Objetivos específicos: 
 
A tecnologia será muito mais uma via de mediação para a desenvoltura da fala e da interpretação do texto filosófico do que simplesmente um mecanismo de entretenimento de alienação e controle. O estudante descobrirá o quanto ele está no controle das tecnologias e não o contrário. O estudante, depois que adquirir habilidade do uso da fala e uma razoável compreensão do que está sendo dito, poderá se comunicar com mais segurança e confiança. E para inteirá-lo ao mundo da comunicação rápida e virtual, será oferecido a ele aulas de criação de e-mails, blogs e navegação na internet, de modo que estas ferramentas auxilie à sua aprendizagem, amplie sua socialização e atue numa constante troca de conteúdos em tempo real para a vida toda.


Autor: Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva

Fotos no Facebook

domingo, 31 de março de 2013

Páscoa: Ressuscita-me

Música de Aline Barros

Mestre, eu preciso de um milagre
Transforma minha vida, meu estado
Faz tempo que eu não vejo a luz do dia
Estão tentando sepultar minha alegria
Tentando ver meus sonhos cancelados
Lázaro ouviu a Sua voz
Quando aquela pedra removeu
Depois de quatro dias ele reviveu
Mestre, não há outro que possa fazer
Aquilo que só o Teu nome tem todo poder
Eu preciso tanto de um milagre

Remove a minha pedra
Me chama pelo nome
Muda a minha história
Ressuscita os meus sonhos
Transforma a minha vida
Me faz um milagre
Me toca nessa hora
Me chama para fora
Ressuscita-me

Mestre, eu preciso de um milagre
Transforma minha vida, meu estado
Faz tempo que eu não vejo a luz do dia
Estão tentando sepultar minha alegria
Tentando ver meus sonhos cancelados
Lázaro ouviu a Sua voz
Quando aquela pedra removeu
Depois de quatro dias ele reviveu
Mestre, não há outro que possa fazer
Aquilo que só o Teu nome tem todo poder
Eu preciso tanto de um milagre

Tu És a própria vida
A força que há em mim
Tu És o Filho de Deus
Que me ergue pra vencer
Senhor de tudo em mim
Já ouço a Tua voz
Me chamando pra viver
Uma história de poder

quarta-feira, 27 de março de 2013

Santas refeições

(foto: arquivo pessoal, bacalhoada de minha esposa)

           A cultura judaico-cristã é intensamente presente no interior da cultura brasileira. Agora, sobretudo, quando celebramos a páscoa, a simbologia que envolve os elementos daquele dia cruento – para os judeus, a libertação do Egito, a travessia apressada pelo mar vermelho com os cavalos e cavaleiros em seus calcanhares; para os cristãos, o drama da dor, do sofrimento, paixão, morte e ressurreição de Jesus de Nazaré – parece dialogar profundamente com o dia a dia do cidadão brasileiro nas mais diferentes regiões, com os modos e peculiaridades de cada lugar.
            Para começar, é feriado nacional. Todos param e estabelece-se, quer queiramos ou não, uma ruptura no calendário de nossas rotinas. Abrimos o tempo profano (cronos) para dialogar com o sagrado (kairos) em nossas vidas. O curioso é que muita gente inverte a ordem das coisas e acaba suspendendo o sagrado em função do profano dando margem a inúmeros excessos.
            Em meio à memória da paixão, morte e ressurreição de Cristo, o que nos chama atenção é a variedade culinária que se espalha pelo vasto território brasileiro nestes dias de preparação que antecedem a grande festa da páscoa para nós cristãos. A semana santa que culmina com a Ressurreição de Jesus no domingo se reveste de uma “santa comensalidade”. Em cada canto do país, por causa da influência da cultura judaico-cristã, é muito comum a criação de variados pratos alimentares que substituem tradicionalmente nossos rotineiros hábitos alimentares, o forte costume de todos os dias.
            Engraçado que a carne de boi, a famosa carne vermelha é substituída pelo peixe dos rios ou dos mares. É costume inserirmos nas refeições o tão recomendado bacalhau; que pode ser incrementado de muitos modos, cozido, como torta ao forno, bolinhos de bacalhau e etc. A quinta-feira do tríduo sagrado é dia reservado para o aguardado arroz doce. Refeições como estas, principalmente no interior do nordeste, são muito comuns e fáceis de ver e de se fazer, basta vontade e muito amor. Não podemos esquecer as suculentas umbuzadas feitas por nossos avós. O vinho ou suco de uvas é também acrescentado à mesa.
            As famílias se reúnem em volta de uma mesa mais farta neste período do ano, pois os costumes são mais fortes do que o bolso. Apesar dos ingredientes necessários para uma boa ceia pascal serem um pouco caros, mesmo assim o cidadão brasileiro faz questão de comer bacalhau, ova de peixe e outras iguarias tão tradicionais na semana santa. Ainda assim, não podemos nos dar ao luxo de esquecer o ovo da páscoa com bastante chocolate para afastarmos as tristes lembranças do sofrimento de Cristo e nos fixarmos somente em sua glória, em sua vitória, visto que o consumo de chocolate aumenta o nível do hormônio responsável pela sensação de bem-estar, de alegria, a “serotonina”, bem como o hormônio da “feniletilamina”, conhecido como o hormônio da paixão.
            Na verdade, conviver com todas estas guloseimas da semana santa e ter que praticar algum tipo de abstinência ou mortificação é um desafio e tanto, uma vez que os diferentes banquetes se sucedem um após outro deixando sabores inesquecíveis de quero mais. O querer mais em relação à comida e à bebida nos induz aos excessos, a comportamentos desmedidos, distanciando-nos do sentido do evangelho: “Não só de pão vive o homem”(Mt 4.4). Talvez, aí esteja a razão desta semana, compreender nossos paradoxos, contradições e ambiguidades. Figuras trágicas como as de Pedro e Judas parecem ser chaves nesta leitura. Negação e traição não faziam parte dos ingredientes. Ou faziam?
            Contudo, os banquetes da época de Jesus eram, certamente, mais sóbrios, modestos, regados a vinho ou suco de uvas. Os elementos da ceia pascal dos judeus estavam muito além do pão ázimo e do vinho, mas acrescia-se de carneiro assado, inteiro num espeto, geralmente um cabrito; “Harósset”, uma mistura de maçãs picadas, nozes cortadas, canela, passas, que serve como sobremesa; Ervas amargas, rabanete, chicória, “marór”; Ervas verdes, agrião, alface, aipo; Salmoura. Atualmente inclui-se no cardápio um ovo cozido, em memória da destruição do Templo, porém, é um elemento posterior à época de Jesus.
            Embora longe do modelo histórico de ceia pascal vivido por Jesus de Nazaré, é importante que não deixemos de adicionar ingredientes invisíveis ou pelo menos esquecidos às nossas guloseimas: a partilha e o amor. Após a sua morte, os seus discípulos e as comunidades cristãs colocavam tudo em comum e viviam como irmãos.
 

Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva
Bel. em Teologia, Licenciado em Filosofia, Esp. em Metafísica e Pós-graduando em Estudos Clássicos pela UnB/Archai/Unesco.

 

 

terça-feira, 26 de março de 2013

A volta de Sartre ao cenário francês

Para biógrafa de Sartre, filósofo volta a ser debatido por intelectuais franceses



MARCELO BORTOLOTI para a Folha de SP

Mais de 30 anos após a morte de Jean-Paul Sartre (1905-1980), ninguém ainda é capaz de arriscar de que forma sua obra entrará para a posteridade. O filósofo francês continua despertando paixões, e sendo louvado ou execrado conforme a orientação política do seu leitor.
Passagem de Sartre pelo Brasil teve muita imprensa e pouca filosofia
Gil compara gostar de Sartre a gostar de Lula
Sua biógrafa, a franco-argelina Annie Cohen-Solal, autora de "Sartre, 1905-1980" (LP&M), começa a enxergar uma retomada de estudos mais isentos --ou mais acadêmicos-- a seu respeito.
Esta semana ela entregou à editora Gallimard os originais de "Une Renaissance Sartrienne" ("Um Renascimento Sartreano", em tradução livre), no qual aponta a volta do autor aos círculos universitários da França, de onde ele havia sido banido.

Zélia Gattai/Fundação Casa de Jorge Amado
Jean-Paul Sartre em Ouro Preto (MG), em 1960, fotografado pela escritora Zélia Gattai
Jean-Paul Sartre em Ouro Preto (MG), em 1960, fotografado pela escritora Zélia Gattai
Cohen-Solal é uma defensora aguerrida do filósofo, e ela própria é parte deste movimento. Em junho, ela organiza na École Normale Supérieure, universidade parisiense onde Sartre estudou, um ciclo de debates sobre ele.
Há exatos 70 anos, Sartre publicou "O Ser e o Nada", um marco na filosofia do século 20. A obra deu popularidade ao existencialismo, doutrina segundo a qual a existência precede a essência, e portanto o homem se constrói pelos seus próprios atos.
Difundindo suas teses em livros de filosofia (como "O Imaginário"), mas também em obras de dramaturgia e romance (como "A Idade da Razão"), Sartre tornou-se uma celebridade mundial.
Mas sua imagem começou a ser maculada no final da década de 1950. Seu livro "Crítica da Razão Dialética", lançado em 1960, foi recebido com muita desconfiança por tentar unir o existencialismo a ideias marxistas.
A partir daí, adotando posições políticas cada vez mais radicais como a adesão incondicional ao regime de Mao Tsé-tung, na China, sua produção foi acusada de estar à serviço de uma ideologia comunista.
Annie Cohen-Solal fala à Folha da condenação que Sartre experimentou na França e defende seu legado.
*
Folha - Seu livro defende que as ideias de Sartre continuam vivas?
Annie Cohen-Solal - Não. Eu apenas descrevo a situação na França hoje. Depois de três décadas de uma crítica brutal contra Sartre na imprensa, e com muito poucas pesquisas acadêmicas sobre ele, surpreendentemente para mim, as coisas estão mudando. Toda uma geração de jovens estudantes está agora olhando para sua obra com uma perspectiva diferente.
Por quê?
Quando Sartre morreu, em 1980, recebeu tantas homenagens que parecia estarmos enterrando um segundo Victor Hugo. Em seguida, seu trabalho embarcou em uma aventura estranha, cheia de felicidade ou infortúnios, dependendo do país e de acordo com os tempos.
Enquanto na França passou a ser divertido criticar detalhes insignificantes da sua vida, as homenagens da Europa, África, Ásia e nas duas Américas concordavam que a mensagem de Sartre era uma ferramenta de referência para descriptografar o nosso tempo. Agora, estudantes franceses começaram a perceber esta relevância, especialmente na École Normale Supérieure, onde estamos discutindo a criação de uma cadeira Sartre.
Qual é seu legado mais importante?
Ele foi o intelectual global que deu poder aos enfraquecidos. O apoio dele aos excluídos, como judeus, africanos colonizados, homossexuais, mulheres e trabalhadores, ajudou a reverter a relação de poder. Hoje, muitas pessoas estão fazendo pesquisa sobre sua obra na África.
Por que recebeu tantas críticas na França?
Sartre foi educado em uma família protestante. Recebeu educação em casa até os dez anos, e foi muito influenciado por esses valores, que expressou em toda a sua vida.
Esse espírito protestante o levou a enfrentar tabus da memória coletiva francesa, como a colaboração com os nazistas, a tortura, a colonização etc. E sua atitude chocou muitas pessoas em um país de tradição católica.
Sua adesão radical ao comunismo afetou essa imagem?
Ele nunca foi um membro de carteirinha do Partido Comunista Francês, apenas um companheiro fortuito entre 1952 e 1956.
Ele apoiou os comunistas quando manifestações do partido estavam sendo injustamente sufocadas pela polícia francesa, mas se afastou deles quando os russos reprimiram a insurreição húngara e quando os tanques soviéticos invadiram Budapeste. Sartre terminou sua vida como um maoista, tornando-se mais e mais radical.
Sua participação política deve ser esquecida?
Eu não colocaria dessa forma. Acho que a trajetória e a obra de Sartre são um todo. E pessoas muito à direita não iriam se interessar por seu trabalho de qualquer modo.
Por que Sartre não saiu de moda no Brasil?
Eu digo que o Brasil é um dos países mais sartreanos em que já estive. E acredito que isso se deva, em parte, ao fato de Sartre ter passado três meses no país no verão de 1960. Na época, ele lutava ao lado dos revolucionários argelinos pela independência da colonização francesa, e suas ideias tiveram grande repercussão no país.

segunda-feira, 25 de março de 2013

ÍTACA

Odisseu (Ulisses) amarrado ao mastro de sua embarcação para se salvar das Sirenes na Odisséia de Homero, o grande poema épico Grego. Mosaico Romano do século III AD, Tunísia.

Se partires um dia rumo à Ítaca
Faz votos de que o caminho seja longo
repleto de aventuras, repleto de saber.
Nem lestrigões, nem ciclopes,
nem o colérico Posídon te intimidem!
Eles no teu caminho jamais encontrarás
Se altivo for teu pensamento
Se sutil emoção o teu corpo e o teu espírito tocar
Nem lestrigões, nem ciclopes
Nem o bravio Posídon hás de ver
Se tu mesmo não os levares dentro da alma
Se tua alma não os puser dentro de ti.
Faz votos de que o caminho seja longo.
Numerosas serão as manhãs de verão
Nas quais com que prazer, com que alegria
Tu hás de entrar pela primeira vez um porto
Para correr as lojas dos fenícios
e belas mercancias adquirir.
Madrepérolas, corais, âmbares, ébanos
E perfumes sensuais de toda espécie
Quanto houver de aromas deleitosos.
A muitas cidades do Egito peregrinas
Para aprender, para aprender dos doutos.
Tem todo o tempo ítaca na mente.
Estás predestinado a ali chegar.
Mas, não apresses a viagem nunca.
Melhor muitos anos levares de jornada
E fundeares na ilha velho enfim.
Rico de quanto ganhaste no caminho
Sem esperar riquezas que Ítaca te desse.
Uma bela viagem deu-te Ítaca.
Sem ela não te ponhas a caminho.
Mais do que isso não lhe cumpre dar-te.
Ítaca não te iludiu
Se a achas pobre.
Tu te tornaste sábio, um homem de experiência.
E, agora, sabes o que significam Ítacas.



Constantino Kabvafis (1863-1933)
in: O Quarteto de Alexandria - trad. José Paulo Paz.

domingo, 24 de março de 2013

E ERA FESTA DA PÁSCOA...

"Estacou na caminhada para ver um tipógrafo distribuindo preciso tipos. Lê primeiro ao revés. Faz a coisa rápido. Exige alguma prática isso. MangiD KcirtaP. Pobre Papai e seu hagadá, lendo com seu dedo para trás para mim. Pessah. No ano próximo em Jerusalém. Oh, meu Deus! Toda essa longa história sobre como saímos da Terra do Egito e entramos na casa da servidão alleluia. Shema Israel Adonai Elohenu. Não, isso é a outra. Então, os doze irmãos, filhos de Jacob. E então o carneiro e o gato e o cão e o bastão e a água e o açougueiro e então o anjo da morte mata o açougueiro que mata o boi e o cão mata o gato. Soa um pouco boboca até que se entre bem na coisa. Justiça é o que significa, mas é um comer cada um o outro. É o que é a vida enfim. Com que rapidez ele executa a tarefa. A prática é a mãe da perfeição. Parece que vê com os dedos"(James Joyce em seu Ulisses).

Vejamos uma ilustração de Joyce por Bob Cato. (Cover of Joyce Images):


Receita de miojo no ENEM vira piada...


sábado, 16 de março de 2013

PROEMI - Ferramentas filosóficas: Oralidade, interpretação textual e tecnologias

Inscreva-se já! Você que é estudante da Escola Estadual Teônia Amaral, as inscrições para inúmeras oficinas do Programa do Ensino Médio Inovador, que funcionarão no contraturno da Escola, estarão abertas a partir desta terça-feira, dia 19/03 e vão até 22/03.
O Prof. Jackislandy Meira estará oferecendo a oficina de FERRAMENTAS FILOSÓFICAS: ORALIDADE, INTERPRETAÇÃO TEXTUAL E TECNOLOGIAS. O estudante interessado é só procurar o Professor ou a direção da Escola para se inscrever.
Conheça o Projeto do Professor Jackislandy Meira de Medeiros Silva e venha participar:


PROEMI – PROGRAMA DO ENSINO MÉDIO INOVADOR
ESCOLA ESTADUAL TEÔNIA AMARAL – ANO 2013
FLORÂNIA – RN


FERRAMENTAS FILOSÓFICAS: ORALIDADE, INTERPRETAÇÃO TEXTUAL E TECNOLOGIAS.

Oficinas:
    1) Com a fala também se aprende;
             Objetivo geral: 
 
Desenvolver no estudante a possiblidade de aprender com seus argumentos por meio de diálogos dramáticos, debates, mesa-redonda, seminários, conversações, entrevistas e demais exposições.

Objetivos específicos:

O estudante poderá aprimorar sua extensão vocal, impostação e colocação da voz. Alcançará maior fluidez na linguagem quando precisar comunicar ou divulgar o seu trabalho. Terá oportunidade de educar a sua fala, bem como dominá-la mais, trabalhá-la e torná-la ainda mais eficaz nos trabalhos escolares e em outras apresentações de interesse individual e coletivo. Será interessante também, gerar no estudante um apelo auditivo; saber ouvir; viver o que o outro está ouvindo e sentindo. A possibilidade de, com a leitura e com a audição da fala do outro, imprimir certa comoção na turma ou nos colegas.

    2) A descoberta das ideias no texto
             Objetivo geral:

Conduzir o estudante por diversos tecidos textuais, de modo que estabeleça comparações, releituras a partir de sua visão de mundo, de sua vida.

Objetivos específicos:

O estudante manterá contato mais direto com o texto escrito, no caso aqui o texto ou fragmentos ou diálogos filosóficos para fazer uma relação com a dimensão oral vista anteriormente. Importante notar que a interpretação surgirá aos poucos como apoio para o entendimento do conteúdo daquilo que se fala, do contrário, seria praticamente difícil imprimir sentimento, vida e emoção ao que se está falando ou dialogando.

         3) Uso de ferramentas tecnológicas: e-mails, internet, blogs, portfólio virtual, ebooks, vídeos...

Objetivo geral:

Subverter a ordem tecnológica do puro entretenimento para uma nova ordem inteligente do uso dessas ferramentas em que o estudante informe-se, aprenda e reflita conteúdos veiculados em rede.

Objetivos específicos: 
 
A tecnologia será muito mais uma via de mediação para a desenvoltura da fala e da interpretação do texto filosófico do que simplesmente um mecanismo de entretenimento de alienação e controle. O estudante descobrirá o quanto ele está no controle das tecnologias e não o contrário. O estudante, depois que adquirir habilidade do uso da fala e uma razoável compreensão do que está sendo dito, poderá se comunicar com mais segurança e confiança. E para inteirá-lo ao mundo da comunicação rápida e virtual, será oferecido a ele aulas de criação de e-mails, blogs e navegação na internet, de modo que estas ferramentas auxilie à sua aprendizagem, amplie sua socialização e atue numa constante troca de conteúdos em tempo real para a vida toda.


Autor: Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva

Atividade no Facebook

Mais vistas: