sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Filosofia para Crianças: Valores e contravalores

Há valores situados fora do tempo e do espaço, como a paz, a justiça, a generosidade, o diálogo, a sinceridade, etc. Já nos diálogos de Platão vamos descobrir a discussão destes mesmos valores, o que vem corroborar a afirmação que principia este parágrafo.
Descobrir, incorporar e realizar estes valores positivos deve ser, pois, uma das tarefas básicas da filosofia para crianças e adolescentes.
Devemos começar pensando: “Quais os critérios para se viver em sociedade?”
Veremos que temos:
- o sentimento de crítica que nos permite analisar a realidade;
- o sentimento de alteridade que nos permite sair de nós mesmos para estabelecer relações com o outro;
- o conhecimento e o respeito pêlos direitos humanos, que nos traz harmonia;
- o compromisso pessoal e o espírito de responsabilidade para que os outros critérios não caiam no vazio.
O que é um valor?
Algo que estimamos, a convicção de que alguma coisa é boa ou ruim (contravalor). A organização destas convicções vai se fazer em nós, através dos valores dos pais, dos educadores, da religião e da so­ciedade, durante o nosso processo de desenvolvimento.
De onde vêm os valores?
 A filosofia vai contribuir para que estes valores já estabelecidos se­jam passados pelo crivo da razão e   ajuda-nos a definir, com clareza, os objetivos de vida e assumir, livremente, valores autênticos que evidentemente  ajudarão a aceitar e amar como é, facilitando uma relação equilibrada com o outro, com a vida e com o mundo.

Fonte: Do livro Filosofia para Crianças e Adolescentes.  Autora: Maria Luis S. Teles. Ed Vozes

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

13 curiosidades sobre Emmanuel Lévinas

Levinas - 13
Levinas solicitou que se colocasse uma faixa ao redor do livro Da Existência ao Existente com a seguinte sentença: “onde não se trata de angústia”.

Ele deixa a angústia do nada e parte para o horror do há da existência. Ou seja, o abandono do medo da morte em direção ao demais de si mesmo.
Levinas - 12
Levinas encontrou Sartre três vezes. Segundo Simone de Beauvoir, Sartre teria especialmente apreciado Teoria da Intuição na Fenomenologia de Husserl. Levinas teve grande admiração por Sartre. O filósofo teve contato com O Ser e o Nada logo que saiu do cativeiro.
Levinas - 11
Antes da guerra, o filósofo solicitou a nacionalidade francesa e a obteve. Terminou sua tese. Neste período, casou. Levinas prestou serviço militar em Paris no Regimento de Infantaria.
Levinas - 10
O filósofo rapidamente foi feito prisioneiro de guerra. Foi levado para a Alemanha, declarado judeu, passou para o campo de prisioneiros onde trabalhava de dia na floresta. A pé, atravessando o vilarejo diariamente para o trabalho, Levinas descreve que o olhar das pessoas, olhar de condenação, "dizia tudo".
Levinas - 9
Levinas conheceu Husserl já muito velho. A mulher de Husserl estudava francês com Levinas que se dirigia à casa do velho filósofo para este fim. De Heidegger, Levinas teve a impressão de um autoritarismo austero. Tinha um grande respeito, admiração, por Heidegger, mas nunca esqueceu suas relações com Hitler.
Levinas - 8
O filósofo dizia que era difícil dialogar pessoalmente com Husserl em uma aula, questionar Husserl. Qualquer pergunta parecia ser respondida com uma conferência, com textos prontos.
Levinas - 7
Levinas chega à fenomenologia na França, ao conhecer por intermédio de uma amiga Husserl. Ao ler As Investigações Lógicas, o filósofo entendeu que estava diante de uma nova possibilidade de passar de uma idéia para outra, além dos aspectos induditos, dedutivos, intuitivos.
Levinas - 6
Desde seus primeiros estudos na França, a partir de 1924, Levinas nutriu uma sólida admiração pelo pensamento de Bergson. Idéias como a do infinito em cada pessoa, a excelência do bem, a duração, temporalidade, vários elementos impressionaram o filósofo.
Levinas - 5
Levinas chegou à Filosofia inicialmente pelas leituras dos autores russos. Os textos de autores judeus também o conduziram neste caminho. Por fim, quando sua família se muda para a França, onde vários professores de Filosofia lhe chamam a atenção, e o caso Dreyfus é discutido sob a ética em toda a Europa.
Levinas - 4
Quando o tzar abdica, em 1917, Levinas era muito mo?e não compreendia o alcance do ato. Em julho de 1920 sua família aproveita uma oportunidade e retorna imediatamente ?itu?a, onde as chances para uma família israelita seriam melhores.
Levinas - 3
Desde os 6 anos de idade Lévinas teve aulas habituais de hebraico. Quando chega ao liceu, em Kharkov, tinha 11 anos e somente havia conhecido aulas particulares até então. Era muito raro judeus poderem cursar as melhores escolas e a família Lévinas comemorou o fato.
Lévinas - 2
Era comum que a geração dos pais do fil?o iniciasse os jovens pelo hebraico. Mas tal geração compreendia que o caminho a seguir pelos jovens deveria passar pela cultura russa, pela línguua russa. Assim, era usual que nas famílias de origem judaica os pais falassem russo com os filhos.
Lévinas - 1
O filósofo afirmava ter poucas recordações de sua infância. Lembra que o pai tinha uma livraria em Kovno, Lituânia. Tinha cerca de 8 anos quando começou a guerra em 1914. Havia uma forte cultura judaica na região, muitas sinagogas, diversos lugares onde estudar.


Fonte: www.filosofia.com.br

Charges de Gary Larson

Gary Larson(1950) é cartunista norte-americano. Autor de FAR SIDE, onde mostra situações surreais. Nosso blog o homenageia com quatro desenhos seus.
Fonte: www.filosofia.com.br 

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Reajuste: governo anuncia elevação do salário mínimo de R$ 622,73 para o próximo ano

 
O governo anunciou ao Congresso Nacional a elevação do valor do salário mínimo para R$ 622,73 a partir de 1º de janeiro de 2012. A previsão era R$ 619,21, com a revisão aumentou R$ 3,52. O reajuste consta da atualização dos parâmetros econômicos utilizados na proposta orçamentária de 2012. O anúncio foi enviado em ofício do Ministério do Planejamento.
O projeto orçamentário encaminhado ao Congresso, em agosto passado, foi feito com previsão do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de 5,7%. Com a atualização que elevou a inflação para 6,3%, também haverá a elevação do reajuste do salário mínimo, que era 13,62% para 14,26% em relação ao atual valor que é R$ 545,00.
A política de recuperação do salário mínimo prevê reajuste com base na inflação de 2011 mais a taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2010, que foi de 7,5%. Com a projeção de aumento do INPC haverá também aumento nos benefícios assistenciais e previdenciários para os que recebem acima de um salário mínimo. A previsão de reajuste para esses casos subiu de 5,7% para 6,3%.

 * Informações da Agência Brasil

Crime ao meio ambiente

Quem vai pagar a conta? Quem vai arcar com o prejuízo? Novamente a humanidade.

O erro de Foucault

por Luiz Felipe Pondé para Folha

Você sabia que o pensador da nova esquerda Michel Foucault foi um forte simpatizante da revolução fanática iraniana de 1979? Sim, foi sim, apesar de seu séquito na academia gostar de esconder esse "erro de Foucault" a sete chaves.

Fico impressionado quando intelectuais defendem o Irã dizendo que o Estado xiita não é um horror.

O guru Foucault ainda teve a desculpa de que, quando teve seu "orgasmo xiita", após suas visitas ao Irã por duas vezes em 1978, e ao aiatolá Khomeini exilado em Paris também em 1978, ainda não dava tempo para ver no que ia dar aquilo.

Desculpa esfarrapada de qualquer jeito. Como o "gênio" contra os "aparelhos da repressão" não sentiu o cheiro de carne queimada no Irã de então? Acho que ele errou porque no fundo amava o "Eros xiita".

Mas como bem disse meu colega J. P. Coutinho em sua coluna alguns dias atrás nesta Folha, citando por sua vez um colunista de língua inglesa, às vezes é melhor dar o destino de um país na mão do primeiro nome que acharmos na lista telefônica do que nas mãos do corpo docente de algum departamento de ciências humanas. E por quê?

Porque muitos dos nossos colegas acadêmicos são uns irresponsáveis que ficam fazendo a cabeça de seus alunos no sentido de acreditarem cegamente nas bobagens que autores (como Foucault) escrevem em suas alcovas.

No recente caso da USP, como em tantos outros, o fenômeno se repete. O modo como muito desses "estudantes" (muitos deles nem são estudantes de fato, são profissionais de bagunçar o cotidiano da universidade e mais nada) agem, nos faz pensar no tipo de fé "foucaultiana" numa "espiritualidade política contra as tecnologias da repressão".

E onde Foucault encontrou sua inspiração para esse nome chique para fanatismo chamado "espiritualidade política"?

Leiam o excelente volume "Foucault e a Revolução Iraniana", de Janet Afary e Kevin B. Anderson, publicado pela É Realizações, e vocês verão como a revolução xiita do Irã e seu fascínio pelo martírio e pela irracionalidade foram importantes no "último Foucault".

As ciências humanas (das quais faço parte) se caracterizam por sua quase inutilidade prática e, portanto, quase impossibilidade de verificação de resultados.

Esse vazio de critérios de aplicação garante outro tipo de vazio: o vazio de responsabilidade pelo que é passado aos alunos.

Muitos docentes simplesmente "lavam o cérebro" dos alunos usando os "dois caras" que leram no doutorado e que assumem ter descoberto o que é o homem, o mundo, e como reformá-los. Duvide de todo professor que quer reformar o mundo a partir de seu doutorado.

Não é por acaso que alunos e docentes de ciências humanas aderem tão facilmente a manifestações vazias, como a recente da USP, ou a quaisquer outras, como a dos desocupados de Wall Street ou de São Paulo.

Essa crítica ao vazio prático das ciências humanas já foi feita mesmo por sociólogos peso pesado, em momentos distintos, como Edmund Burke, Robert Nisbet e Norbert Elias.

Essa crítica não quer dizer que devemos acabar com as ciências humanas, mas sim que devemos ficar atentos a equívocos causados por essa sua peculiar carência: sua inutilidade prática e, por isso mesmo, como decorrência dessa, um tipo específico de cegueira teórica. Nesse caso, refiro-me ao seu constante equívoco quanto à realidade.

Trocando em miúdos: as ciências humanas e seus "atores sociais" viajam na maionese em meio a seus delírios em sala de aula, tecendo julgamentos (que julgam científicos e racionais) sem nenhuma responsabilidade.

Proponho que da próxima vez que "os indignados sem causa" ocuparem a faculdade de filosofia da USP (ou "FeFeLeCHe", nome horrível!) que sejam trancados lá até que descubram que não são donos do mundo e que a USP (sou um egresso da faculdade de filosofia da USP) não é o quintal de seus delírios.

Agem com a USP não muito diferente da falsa aristocracia política de Brasília: "sequestram" o público a serviço de seus pequenos interesses.

No caso desses "xiitas das ciências humanas", seus pequenos delírios de grande "espiritualidade política".

ELEIÇÃO PARA DIRETOR DA ESCOLA SILVINO BEZERRA DE FLORÂNIA É FRAUDADA

A Escola Estadual Cel. Silvino Bezerra da cidade de Florânia realizou as eleições para diretor, vice e coordenador financeiro quinta-feira passada, dia 17 de novembro de 2011, na qual concorreram a Sra. Professora Daguia Nobre que obteve 261 votos e José Porfírio que obteve 260 votos. As fraudes atingiram os segmentos dos Professores, dos Servidores e dos Pais. Na listagem dos professores que era de 24 assinaturas apareceram 25 votos, sendo 01 a mais. Na listagem dos servidores, que era de 17 assinaturas, assinaram 16 e apareceram 19 votos. Enquanto que, no segmento dos pais, assinaram 233 pais, tendo sido apurado de votos válidos 226 mais 02 votos brancos e nulos, perfazendo-se assim 228 votos. Pergunta-se: Onde estão os outros cinco votos dos pais? E os quatro votos que apareceram no segmento dos professores e servidores vieram de onde? Veja o quadro abaixo e comprove. Estas e outras fraudes já estão sendo investigadas pelas autoridades competentes. Obs: Não publicamos a listagem dos votantes para preservar a integridade das pessoas que votaram.


segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Uma dose de filosofia na saga “Crepúsculo”


Um triângulo amoroso, que arrancou suspiros na famosa saga “Crepúsculo”, desenrolando-se em mais duas fases “Lua Nova” e “Eclipse”, vem agora atraindo multidões do mundo inteiro para as próximas revelações que darão rumo ao futuro de Bella nas telas de cinema. Revelações estas, claro, para quem ainda não leu a última parte dessa saga, “Amanhecer”.
Um vampiro, uma humana e um lobo. Três naturezas diferentes. Três ordens de pensamentos diversos. Três mundos muito distantes, mas que se aproximam e se encontram pelo amor. Um amor que altera a ordem das coisas e para o qual não há regras. Três visões de mundo completamente diferentes. Poderíamos dizer: Três filosofias. Edward demole a figura clássica de um vampiro feio, exótico e insociável e constrói a figura de um vampiro belo, bom e amável. Mesmo carregando a imortalidade na pele fria, Edward aparenta ser bastante reservado aos humanos, sem presas afiadas e sem ostentar maldade. Não manisfesta qualquer atitude suspeita de que, afinal, é um vampiro, pois Bella só soube que Edward era um vampiro depois de o conhecer. O comportamento de aproximação e distanciamento que havia na amizade entre os dois levou Bella a desconfiar de que se tratava de alguém muito diferente. No entanto, já era tarde demais, os dois já estavam envolvidos.
Nesse movimento curioso de aparecimento e desaparecimento de Edward, alguém muito especial entra na vida de Bella, Jacob. De visão aguçada, audição potente, olfato incomparável e demais sentidos tão próprios a um lobo; comprometido com sua alcateia, fiel aos tratos feitos no passado com os vampiros “cullen” de que nem lobos e nem vampiros poderiam ameaçar os humanos, Jacob não tinha medo de manifestar o seu amor por Bella, muito menos de desafiar os “cullen” para conseguir este tão maravilhoso amor. Ao contrário de Edward, Jacob era moreno, quente e cheio de vida, não de morte. Jacob cheirava à vida, não à morte. Embora muito bonito, esbelto e galã, Edward era pálido e temia a si mesmo por causa do sangue dos humanos. Sua natureza gostava de sangue. Talvez, por isso, se entenda o motivo dos desaparecimentos de Edward de quando em vez. Se a contradição que existia entre o ser vampiro de Edward e a humanidade de Bella era uma ameaça para a realização deste amor; a natureza de lobo de Jacob e a de Bella não implicava em tanto.
Com quem, de fato, Bella vai ficar? Isso todos nós já sabemos. Edward, de acordo com a última parte da saga “Amanhecer”, é o dono de seu coração, porém Jacob tenta mudar esse destino. Jacob se arrisca por isso. Não desiste de Bella, está sempre em sua companhia, principalmente nos impasses entre ela e Edward. Jacob luta por ela, tenta beijá-la, mas ela reluta, até que quase ao final de “Eclipse” tudo ocorre por atração, desejo e naturalmente:
“Pode me beijar, Jacob?
    • Está blefando.
    • Beije-me, Jacob. Beije-me e depois volte.(...)
    E então, com clareza, senti a fissura em meu coração se estilhaçar como a menor parte que se separava do todo. Os lábios de Jacob ainda estavam nos meus. Abri os olhos e ele me fitava, admirado e exaltado.
    • Tenho de ir – sussurrou ele.
    • Não. - Ele sorriu satisfeito com minha resposta.
    • Não vou demorar – prometeu ele. - Mas primeiro uma coisa...
    Ele me beijou de novo, e não havia mais motivos para resistir. Que sentido teria?
    Dessa vez foi diferente. As mãos dele eram suaves em meu rosto e seus lábios quentes eram gentis, inesperadamente hesitantes. Foi breve e muito, muito doce”(pág. 377-378)
O amor de Bella por Edward e vice-versa é a fonte de inspiração de toda a trama, mas Jacob entra em cena sempre que a dúvida toma conta da cabeça dos dois. A dúvida de Edward aparece quando se dá conta da sua natureza de vampiro. Condenado à imortalidade e ao frio, ao sangue, ao mesmo tempo que a amava se sentia uma ameaça para ela. Por outro lado, não querendo condená-la a perder a sua alma, se ausentava de sua presença. Aí, abre-se um espaço para o lobo, Jacob. Vampiros e lobos são inimigos por natureza, mas que se uniam por um amor, Bella.
Vejam que estranho e ao mesmo tempo admirável: Os três tinham todas as razões, todos os motivos para se odiarem e se evitarem o tempo todo, mas uma linda e fantástica história de amor os envolviam em ambientes peculiares com interesses comuns e únicos. As três vidas estavam como que comprometidas em torno de um nome, de um sentido, de uma força extraordinária, amor. Um amor que é mais forte do que a morte e do que a imortalidade. Em toda a saga, diga-se de passagem, a morte é apenas um detalhe. Não sem razão, a autora da saga, Stephenie Meyer, escreve de próprio punho no prólogo de “Amanhecer” que está agora nos cinemas: “Pode-se correr de alguém de que se tenha medo; pode-se tentar lutar com alguém que se odeie. Todas as minhas reações eram preparadas para aqueles tipos de assassinos, os monstros, os inimigos. Mas quando se ama aquele que vai matá-la, não restam alternativas. Como se pode correr, como se pode lutar, quando essa atitude magoaria o amado? Se a vida é tudo o que você tem para dar ao amado, como não dá-la? Quando ele é alguém que você ama de verdade”(pág. 13).
O mais interessante é que, por esse amor, ambos são capazes de não serem capazes, ambos são dotados de um poder que ultrapassa a barreira do tempo e do espaço. Jacob também a ama tanto quanto Edward. Bella ama misteriosamente os dois, só que ama mais a Edward. Queiramos ou não, na minha opinião, os três são merecedores desse amor, porém, nem um dos três consegue conter ou dominar esse amor, uma vez que em toda a história o amor é soberano.

Prof. Jackislandy Meira de M. Silva
Bacharel em Teologia, Licenciatura em Filosofia, Especialista em Metafísica

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Ficha limpa e judiciário: uma vergonha

É uma vergonha! Onde está a nossa conivência e consciência para com a justiça em nosso país? É por isso que os políticos corruptos deitam e rolam em "berço esplêndido".

A aurora do pensamento ocidental – José Arthur Giannotti

Seguindo a tradição dos povos indo-germânicos, para os quais o Uno configura o múltiplo, desenvolve-se na Grécia (séc. VII a. C.) uma produção de livros a serem discutidos por todos os cidadãos, que procuram responder à questão “o que é?”. São as formas separáveis (Ideias) dirá Platão, são as formas inseparáveis, portanto energizadas nelas mesmas, dirá Aristóteles. E assim se desenha o campo em que a batalha pela metafísica se dará.
Palestra da série Filosofia e saber de José Arthur Giannotti.
Outras palestras desta série acontecem no dia 24 de novembro e 2 de dezembro.
Transmissão ao vivo a partir das 18h em www.cpflcultura.com.br/aovivo.
Data: 18 de novembro
Horário: 19h
Classificação etária: 14 anos
Programação gratuita e por ordem de chegada a partir das 18h. A cpfl cultura em Campinas fica na rua Jorge Figueiredo Corrêa, 1632 – Chácara Primavera. Mais informações pelo telefone (19) 3756-8000.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Ontologia leviana dos seios

por Luiz Felipe Pondé para Folha

Hoje acordei um tanto leviano. Em dias assim, falo a sério de filosofia. O niilista respira identificando em toda parte a morte da metafísica. Pra quem não sabe, a metafísica é a "ciência" segundo a qual existiria um mundo de formas eternas e plenas, invisível aos olhos, mas visível ao "espírito".

Engraçado como muita gente combate a artificialização da beleza do corpo em nome de uma beleza "natural". O que essa gente não entende é que se a metafísica morreu, a existência de uma natureza "natural" também morreu, porque tudo neste mundo da matéria é impermanente, vago, impreciso, e, acima de tudo, dolorido.

Com a morte de Deus (símbolo máximo da morte da metafísica), o corpo velho é apenas um corpo feio e decadente. Se Deus não existe, toda beleza artificial é permitida. Logo, viva o silicone.

Mas não quero falar de Deus, quero falar de seios.

A vida pode ser miserável e pequena. Triste constatação. Mas miserável pode ser apenas a constatação de que anatomia é destino, como dizia Freud. O corpo, essa massa mortal que perde a forma com o tempo, é nosso lar, uma casa em que habitamos e que nos abandona, deixando-nos a herança do pó.

"A Pele em que Habito", título do novo e maravilhoso filme de Almodóvar, define nosso destino. Mas não vou falar do filme, pois é aquele tipo de filme de que quanto menos se fala, melhor, porque quando se fala dele, corre-se o risco de falar demais.

O freudiano, agostiniano e dostoievskiano Nelson Rodrigues, o maior filósofo brasileiro, escreveu um livro chamado "Asfalto Selvagem, Engraçadinha, Seus Pecados e Seus Amores", no qual a heroína Engraçadinha, segundo ele, seria infeliz porque tinha seios belos demais.

O mundo não perdoa a (a falta de) beleza, seja ela visível ou invisível. Por um seio bonito, mata-se e morre-se. No mínimo paga-se caro.

Acho que o SUS deveria pagar cirurgias plásticas para mulheres pobres colocarem silicone nos seios. Por que não? Travestis gozam de cirurgias de mudança de sexo, por que nossas mulheres não deveriam ter o direito de ficarem mais belas?

Ontologia é a disciplina da filosofia que estuda as essências das coisas e dos seres vivos. A ontologia diz o que você é. A ontologia da mulher passa pelos seios, pelas pernas e pela doçura, assim como a do homem pela potência e pelo dinheiro. O resto é mentira.

Tanta tinta corre no mundo em nome da política e da economia, e, ainda assim, os seios podem decidir a vida e o amor verdadeiro. Diante deles, a alma desfalece em desejo. Como disseram filósofos no passado, se o nariz de Cleópatra fosse diferente, a história do Ocidente teria sido outra.

Fala-se muito que devemos dar valor à alma, ao que se tem "dentro de si", ao que se "é", e não ao que se "tem", mas, o dia a dia, aquele mesmo em que acordamos atordoados pela constante constatação de nossas carências e impotências, parece dizer o contrário. O futuro pode sim ser julgado pela beleza dos seios.

Isso pode ser um indicativo da solidão do mundo no qual só a matéria existe. O niilismo, assim como o Demônio, o maior de todos os humanistas, respeita a angústia das feias.

Este fato, como todo fato obscenamente verdadeiro, pede silêncio de nossa parte. Mas eu, que peco constantemente em nome do vício, confesso: as pessoas quase sempre fazem tudo pelo que podem ter e não pelo que podem ser. E, muitas vezes, o "ser" é decorrente do "ter". E não falo de grana, falo de seios.

Fosse Platão um admirador do sexo frágil, abriria seu diálogo "O Banquete" (sobre o amor) pela ontologia dos seios da mulher.

Sendo assim, a indústria da beleza deveria receber maior atenção da filosofia e não apenas suas pedras de desprezo.

Colocar silicone pode ser um pedido discreto de amor. Uma forma tímida de buscar o olhar negado. Com o tempo, a forma dos seios abandona o mundo, ficando presa no mundo miserável do passado. Não se pode pegar com a mão ou com a boca a lembrança dos seios perdidos, apenas a forma dos seios reconstituídos.

A beleza artificial é uma batalha discreta contra o vazio do corpo e da alma.


segunda-feira, 14 de novembro de 2011

A Rede Globo se abre para o EVANGELHO

Tudo confirmado para o especial de fim de ano que a Rede Globo vai promover focado no público evangélico: o Festival Promessas. Pouco a pouco, a emissora vai percebendo o potencial do segmento chamado gospel, principalmente na música, tendo já investido em famosos talentos como Davi Sacer, Diante do Trono e Ludmila Ferber com gravação de seus CDs.
Agora chega a vez de realizar um programa específico para esse público. Talvez, não apenas valendo-se da possibilidade de grande audiência, mas também por tentar recuperar a credibilidade da emissora diante de muitos evangélicos que têm rejeitado conteúdo, nível e propostas de muitas programações da Globo.
Serginho Groisman será o apresentador do Festival Promessas e a direção de núcleo ficará por conta de Luiz Gleiser. O show de música está marcado para o dia 10 de dezembro, na Praia do Flamengo, no Rio de Janeiro, e deve ir ao ar no dia 18 (domingo), abrindo a programação especial de fim de ano. Nove artistas e grupos importantes da música gospel nacional se apresentarão. Isso é que é força gospel.

http://www.verdadegospel.com/serginho-groisman-vai-apresentar-especial-gospel-da-globo/

De corrupção e faxina

Prof. Nei Alberto Pies
Ativista de Direitos Humanos

“A política não é a arte do que é possível fazer, mas sim de tornar possível o que é necessário fazer”.
 (Augusto Boal, dramaturgo brasileiro)

Nem a faxina e nem a corrupção são invenções femininas. A corrupção é um evento de natureza essencialmente humana, que decorre como fruto das oportunidades, elaboradas ou fortuitas, do caráter dos oportunistas ou dos interesses escusos ou mal intencionados. Jamais acabaremos com a tão disseminada “praga” da corrupção que corrompe os espaços da esfera pública e privada. O que podemos fazer é “torná-la cada vez mais difícil de ser praticada”, como pensa a nossa presidenta da República Dilma Rousseff. 

Quem cunhou o termo “faxina” para denominar os esforços que governo, parlamentares e organizações da sociedade estão empenhando pelo controle da corrupção o fez sem considerar o significado do próprio conceito e sem pensar nas conseqüências nele implicadas. A verdadeira faxina é praticada todos os dias, nas nossas ruas e casas, por milhares de mulheres e homens no Brasil que, de forma digna, fazem deste ofício o sustento e alento de suas vidas. Estes, sim, “faxinam” os nossos lixos e restos.

É difícil falar de faxina sem recorrermos a uma casa. Ocorre que existem implícitas em toda faxina diferentes modos de conceber a arrumação como a limpeza de uma casa. Há quem prefira casas esterilizadas, semelhantes a um centro cirúrgico ou cenário de novela. Há outros, no entanto, que preferem casas que promovam a vida e a festa, muito antes da arrumação. Carlos Drummond de Andrade, em seu poema “A casa arrumada” afirma que:
“casa com vida é aquela em que os livros saem das prateleiras e os enfeites brincam de trocar de lugar. Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha. Sofá sem mancha? Tapete sem fio puxado? Mesa sem marca de copo? Tá na cara que é casa em festa”.
Faxinar pressupõe, por isso mesmo, “limpar o ambiente” com a certeza de que o mesmo logo mais estará sujo. E não é isto que se deve fazer para combater a corrupção.

O fato é que, no nosso jeito brasileiro, em cada momento histórico, vamos fabricando expressões lingüísticas para deixar tudo como está ou para zombar de quem está fazendo alguma coisa. Sempre arrumamos formas de não assumir nossa responsabilidade individual diante dos problemas enfrentados por todos. Fica muito mais fácil e cômodo ignorarmos a “corrupção nossa de cada dia”, aquela que enxergamos e da qual temos conhecimento, focando como se a mesma se concentrasse na Capital Federal, Brasília. É sempre menos comprometedor faxinar do que combater.

 No Brasil, não vivemos a cultura da radicalidade. Pela radicalidade, buscaríamos as soluções para nossos problemas a partir da raiz de sua existência.  Radicalidade é a nossa predisposição para a mudança efetiva e comprometida das realidades. Mas será que temos alguma predisposição para mudar o curso das coisas que movem a nossa vida social? A quem interessa combater a corrupção?

A corrupção gera-se em contextos circunstanciais, quando há oportunidades reais para que alguém, a partir de sua posição ou poder, apodere-se injustamente de algo que não lhe pertence. Não há como deter controle absoluto sobre as condutas pessoais e nem sobre a corrupção, mas há muito para fazer para resgatarmos valores como a ética, a justiça, a responsabilidade social, o zelo e a consideração pelas coisas públicas, a dignidade humana, o valor da política. Estes, sim, podem constituir uma nação mais cidadã e mais livre. São o verdadeiro antídoto para combater a corrupção.

Poesia de Pessoa está viva em cada esquina de Lisboa



Pedro Bassan mostra, numa viagem de bonde pelas ruas de Lisboa, os locais preferidos do poeta Fernando Pessoa.

Uma placa diz que um dos maiores poetas da língua portuguesa, Fernando Pessoa, nasceu no 4º andar de um prédio em Lisboa e a casa dele foi a cidade inteira. Pessoa andou pelas ruas da região até 1935. Mas quem disse que poeta morre? As palavras estão vivas em cada esquina e a Lisboa de Fernando Pessoa ainda existe.

Para passear por ela, basta entrar num bonde. São os mesmos que percorrem a cidade até hoje. Não são do mesmo modelo, não. São os mesmos, mesmo. Parece até que Fernando Pessoa vai estar sentado ao nosso lado.

As cabines mantêm o mesmo aspecto desde que foram construídas, em 1901. Já o sistema mecânico é moderno, foi todo reformado nos anos 90. Nos bondes de Lisboa, é possível viajar no tempo, com a sensação de total segurança.

Eles se encaixam em cada cantinho de Lisboa e levam 20 milhões de passageiros por ano. É impressionante o fôlego do ‘velhinho’ de 110 anos. Os bondes não foram mantidos só pelo romantismo, não.

É que até hoje é impossível encontrar outro veículo que enfrente curvas com o mesmo equilíbrio. São 45 bondes na ativa. Parece muito mais. Pintam a cidade de amarelo e andam carregados de poesia. Será que não foi dentro de um bonde que pessoa teve a inspiração para alguns de seus versos?

Por exemplo: “Às vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido”. Ou então, em outro poema, a vontade de trocar as próprias palavras por esse barulho: rugindo, rangendo, ciciando, estrugindo, ferreando. “Ah, poder exprimir-me todo como um motor se exprime. Ser completo como uma máquina”.

Em Lisboa, os bondes são chamados de elétricos. É um monumento nacional de Portugal no centro de Lisboa e é ele que nos leva para o centro do mundo de Fernando Pessoa. O bairro Alto, o Chiado, são cartões postais da cidade, os lugares de que ele mais gostava.

No local, ninguém está sozinho. Porque mesmo os mais solitários têm sempre a companhia do poeta. Numa mesa, basta imaginar um pouquinho para ouvir o Fernando, nosso amigão, declamando os próprios versos: “Tudo vale a pena se a alma não é pequena. “Para viajar basta existir”.

“Tenho em mim todos os sonhos do mundo. Sonhar é muito mais prático que viver”. Só que, sonhando, sonhando, a gente corre o risco de perder o bonde. Adeus, Pessoa. É hora de descer da poesia para a vida real.

http://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2011/11/poesia-de-fernando-pessoa-esta-viva-em-cada-esquina-de-lisboa.html

domingo, 13 de novembro de 2011

Série “Brasil sem Cigarro”


18-cigarrosCom o objetivo de sensibilizar as pessoas que querem parar de fumar fornecendo informações e dicas para auxiliá-las nesse processo de cessação, a TV Globo exibirá de 13 de novembro a 11 de dezembro a série – "Brasil sem Cigarro", com apresentação do Dr. Dráuzio Varella, exibida no programa Fantástico. Para isso, a empresa solicitou parceria para a divulgação do programa nos estados. O programa será veiculado nos moldes da série exibida anteriormente - Medida Certa – com grandes eventos em algumas cidades e um reality show do acompanhamento de fumantes que querem parar de fumar;
Os eventos presenciais do quadro Brasil sem Cigarro serão em 10 Estados, sendo 2 Estados por final de semana (um no sábado e outro no domingo), para veiculação durante a série no programa Fantástico.
É importantíssimo que, mesmo as cidades que não foram contempladas com os eventos presenciais, e, principalmente as listadas (onde ocorrerão os eventos) estejam preparadas para um possível aumento de demanda para as unidades de tratamento do fumante.
Listagem das cidades e datas. Acreditamos que esta listagem seja a final, porém quaisquer alterações de datas e locais serão informados.
12/11 – Porto Alegre
13/11 – Rio de Janeiro
19/11 –Fortaleza
20/11 –Brasília
26/11- Manaus
27/11 – Goiânia
03/12- Belém
04/12-Belo Horizonte
10/12- Recife
11/12- São Paulo

Acesse: http://fantastico.globo.com/platb/brasil-sem-cigarro.
Enquanto a série Brasil Sem cigarro não começa, o Doutor Drauzio Varella sugere duas providências imediatas para quem quer parar de fumar. Ele explica que largar o cigarro é uma prova de resistência e força de vontade e que apesar de não ser fácil, muita gente já conseguiu.
Drauzio alerta que é preciso se preparar para largar o vício. "Corte pela metade o número de cigarros que você fuma. Cortar pela metade é completamente possível. Você pode fazer isso sem sofrer", incentiva o doutor.
A segunda dica é cortar o cigarro da manhã, logo depois do café: "Só acenda o primeiro cigarro duas horas depois do café. Dá pra aguentar, passa depressa".

NOTA: Se você conhece alguma pessoa que deseja parar de fumar e tem essa dificuldade indique esta série que começará dia 6 de novembro no programa Fantástico - Rede Globo. Lembre-se, a série será abordado por um especialista, um médico conceituado e que já passou por este vício durante 19 anos e conseguiu largar.


sexta-feira, 11 de novembro de 2011

A mentira...


          
            Às vezes me pego a pensar livremente, de um modo estranhamente natural e instintivo, sobre o dado da mentira. A mentira tem várias faces. Tal qual moeda, certamente, tem uma cara e uma coroa. Na política então... Há mais cara do que coroa.
            Quando ela mostra sua cara é terrível, pois vem quase sempre carregada ou a serviço de quem amamos. É bem por isso que a Bíblia trata a mentira, lá em Jo. 8. 44, de filha do diabo. Se Satanás, na inspiração bíblica, é o pai da mentira é porque algo de muito nefasto, mal e perverso tem a ver com a mentira. A mentira atrapalha vidas de casais, possivelmente quando uma das partes se utiliza dela para esconder uma traição ou uma verdade que implica dor e sofrimento a ambos. A mentira separa velhos amigos e é a causa de conflitos entre pais e filhos. A mentira joga com o engano para nos oferecer o reino das ilusões imediatas. Uma mentira está sempre puxando outra e alimentando a desconfiança de muita gente. Ninguém confia no mentiroso!
            Sinto muito aqui ser tão pragmático, mas é o que ocorre quando achamos que podemos enganar as pessoas a vida toda com nossas mentiras. O mentiroso está sempre na linha da falsidade, uma vez que se esconde num “mundinho” só seu. Quase sempre o mentiroso é egoísta e não tolera a verdade. É capaz até de falar a verdade para os outros, mas não suporta a sua verdade. É óbvio que a mentira em si não existe, só passa a existir quando a praticamos, é por isso que as ações incoerentes nos denunciam assustadoramente. Da mesma forma que a honestidade enquanto tal não existe, mas a partir do momento em que tomamos ações honestas, justas e bondosas, aí sim somos honestos, uma vez que praticamos a honestidade. Assim, é preciso praticar a mentira para ser, de fato, mentiroso. Negando a mentira, não significa dizer que sejamos verdadeiros, mas negando a prática da mentira, não a praticando, é que, sem dúvida, somos verdadeiros. Essa é a cara da mentira.
            Mentir tornou-se uma constante no mundo da política, haja vista a pauta de planos e de estratégias que os políticos, na sua imensa maioria, têm de cumprir. Estratégias estas, claro, tendo em vista as eleições, os votos, e nada mais. Para conquistá-los, a mentira entra em jogo voluntariamente fazendo qualquer negócio. Ao contrário de muitos de nós que mentem involuntariamente, – até pensando em amenizar a dose da verdade para os outros, e talvez esteja aqui a outra face da moeda, a coroa – o político mente caprichosa e ardilosamente, uma vez que vive mais dela do que ela dele. Explico. O político se serve mais da mentira para atingir seus objetivos, do que a maior parte das pessoas, que são pegas de surpresa por ela, são usadas por ela, quando não gostariam.
            Todavia, não sem razão, disse Platão sobre a mentira no diálogo Hípias Menor, algo assim: “Os mentirosos são capazes, e inteligentes, e conhecedores, e sábios naquilo em que mentem...”(PLATÃO. Sobre a inspiração e Sobre a mentira. Porto Alegre, RS: L&PM, 2008, p. 64). É óbvio que o mentiroso ignorante também se engana e acaba falando a verdade. Portanto, é próprio do homem mentir e falar a verdade, quer voluntária ou involuntariamente. Nesse diálogo que ora cito, vem considerada a possibilidade humana de agir com consciência de modo vergonhoso ou não, aí entra a mentira, pois quem mente é versátil e multiforme. Aqui está, sem dúvida, a coroa da mentira, na sua linguagem em parecer-se criativamente com a verdade. O modo de falar a mentira como se fosse verdade, com persuasão, é uma de suas curiosas artimanhas. O sofista era muito habilidoso nesse aspecto. Daí, a mentira ser tão importante para a política.
            À deriva de um olhar bíblico-cristão, a mentira vem relativizada, sobretudo, na esfera política, na esfera filosófica até certo ponto, como também no campo da linguagem, da arte e da ética numa visão “extramoral”. Nietzsche foi um exemplo claro de tratar a mentira num sentido artístico, poético e filosófico além dos padrões culturais em que vivia e no qual se sentia aprisionado, talvez por isso seu espírito livre esteja tão presente em sua obra. “Ora, o homem esquece sem dúvida que é assim que se passa com ele: mente, pois, da maneira designada, inconscientemente e segundo hábitos seculares e justamente por essa inconsciência, justamente por esse esquecimento, chega ao sentimento da verdade(...) O que é a verdade, portanto? Um batalhão móvel de metáforas, metonímias, antropomorfismos, enfim, uma soma de relações humanas, que foram enfatizadas poética e retoricamente, transpostas, enfeitadas, e que, após longo uso, parecem a um povo sólidas, canônicas e obrigatórias: as verdades são ilusões, das quais se esqueceu que o são, metáforas que se tornaram gastas e sem força sensível, moedas que perderam sua efígie e agora só entram em consideração como metal, não mais como moedas”(NIETZSCHE, F. Col. Os Pensadores. São Paulo: Ed. Abril. 1999. p. 46-49).
            Joguemos, pois, a moeda para cima e esperemos cair. Se for cara, bastante cuidado com a mentira, ela poderá arruinar sua honra e sua fama. Se for coroa, prudência, a mentira poderá ser um sinal de que não é hora de falar a verdade, porém mais cedo ou mais tarde, a verdade aparecerá com toda a sua força e mais viva do que nunca. De qualquer modo, tenhamos muito cuidado com a moeda da mentira por mais sedutora que ela seja!
Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva
Licenciado em Filosofia, Bacharel em Teologia e Especialista em Metafísica

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Chama-se Brasil o nome deste país

Que país é esse? E ainda temos que aguentar o uso escancarado de dinheiro público, dinheiro de nossos impostos, em construção de obras para a copa, inclusive em contruções gigantescas com gastos absurdos que não trarão retornos para a população.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Geração Capitão Planeta

por Luiz Felipe Pondé para Folha

Você se lembra do desenho "Capitão Planeta"? Nele um grupo de jovens de várias etnias (brancos, negros, amarelos, vermelhos, enfim, todas as "cores do arco-íris") defendia o planeta.

Acho que "Capitão Planeta" deveria ser o patrono dos "novos jovens" que invadiram Wall Street , o Viaduto do Chá e a USP. Estes, então, são ridículos, se acham acima da lei e não querem polícia no campus. Como ficam as alunas violentadas? Devem pedir ajuda para o fantasma de Foucault?

Muito professor-cheerleader é culpado por isso quando fala de "jovens que lutam por um mundo melhor".

Este "mundo melhor" é o que eles têm na cabeça e que implica sempre eliminar quem não concorda com eles (o movimento estudantil sempre foi extremamente autoritário).

E não existe "o jovem", jovens são múltiplos e muitos não concordam com os baderneiros que invadiram a Faculdade de Filosofia da USP.

Quando você tem 12 anos, um desenho como esse "emociona". Depois dos 18 anos, se você ainda acredita "no mundo do Capitão Planeta", é porque não fez os passos naturais do amadurecimento mental.

A diferença entre eles e a última geração revolucionária de fato (Fidel Castro e Che Guevara) é que enquanto "los hermanos" de Cuba, enfrentaram inimigos à bala, essa moçadinha, que acha que "todas as diferenças podem conviver lado a lado" (até a primeira briga de ciúme entre dois caras pela menina mais gostosa do grupo, aliás, coisa rara nesse meio), ao primeiro tiro correria para casa para brincar com o seu iPad.

A mídia ideológica, cansada do marasmo desde maio de 1968 (aquela "revolução francesa" dos estudantes entediados que acabou numa noite gostosa de queijos e vinhos), abraçou esses "movimentos" como um novo "partido mundial dos jovens".

Engraçado como gente (os "jovens") que não paga suas contas (papai as paga ou alguma instituição) acha que pode "resolver" o mundo.

Para provar a piada, basta lembrar que Wall Street é um reduto do Partido Democrata americano, logo, do Obama, o "Messias avatar" dessa moçada, fato que a maioria desses "invasores" do templo capitalista não sabe.

Esta "invasão" de Wall Street foi uma modinha das grandes cidades da costa americana, assim como seus desfiles de moda, seus chefs de cozinha étnica e seu gosto por clássicos da literatura somali, sem os quais o mundo não seria a mesma coisa...

A "invasão" marca o descontentamento de desempregados e a irritação com os ganhos dos bancos nos últimos anos em meio à crise.

No caso dos EUA, ninguém deu ouvidos a eles na "América profunda". A mídia tentou fazer deles representantes da América porque a maior parte da mídia é "Capitão Planeta".

Um objeto fetiche desses caras é a Primavera Árabe. Assim como o restante desses movimentos dos últimos meses, todos diferentes entre si, o árabe pode ter diferenças importantes internas ao próprio mundo árabe.

Peguemos a "secular" Tunísia como exemplo. Berço da "Primavera Árabe", conforme muitos previram, ela deu a primeira vitória das urnas a um partido islâmico (como queríamos demonstrar... Aliás, ao contrário do que a geração de intelectuais "Capitão Planeta" dizia sobre "não haver risco de os islamitas ganharem as eleições"). Islamita é o nome técnico para fundamentalismo islâmico político e/ou "militar".

Apesar de o partido em questão, Nahda, jurar que abandonará suas propostas fundamentalistas (ele era ilegal durante a ditadura "secular" da Tunísia justamente por ser fanático), veremos se suas juras serão verdadeiras.

Especialistas esperam que esses islamitas, quando chegarem ao poder, usem como modelo o partido islâmico moderado da Turquia.

Na Turquia, índices como a presença de mulheres nos quadros funcionais do governo diminuíram significativamente nos anos em que o islamismo moderado turco tem estado no poder. Isso significa uma "islamização" da máquina administrativa. Islamitas tratam as mulheres como animais de estimação.

Ocidentais que não conhecem o Oriente Médio pensam que a maioria da população lá é do tipo "paz, amor e viva a diferença". Pura ignorância.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Música mescla café e filosofia

Letra da musica Couleur Café:

J’aime ta couleur café
Tes cheveux café
Ta gorge café
J’aime quand pour moi tu danses
Alors j’entends murmurer
Tous tes bracelets
Jolis bracelets
À tes pieds ils se balancent
Couleur
Café
Que j’aime ta couleur
Café
C’est quand même fou l’effet
L’effet que ça fait
De te voir rouler
Ainsi des yeux et des hanches
Si tu fais comme le café
Rien qu’à m’énerver
Rien qu’à m’exciter
Ce soir la nuit sera blanche
Couleur
Café
Que j’aime ta couleur
Café
L’amour sans philosopher
C’est comm’ le café
Très vite passé
Mais que veux-tu que j’y fasse
On en a marr’ de café
Et c’est terminé
Pour tout oublier
On attend que ça se tasse
Couleur
Café
Que j’aime ta couleur
Café

Belo cotejo da poesia musical. Como amo a cor do café! O amor sem filosofia é como o café, passa muito rápido... Como amo a cor do café. A cor do café. Café. Filosofia.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Brasil é o 84º do ranking de desenvolvimento humano


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Foto: Divulgação
O IDH 2011 do Brasil é 0,718, colocando o país no grupo de nações com desenvolvimento humano elevado



















O Brasil é o 84° colocado no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) 2011, divulgado hoje (2) pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). A lista tem 187 países e o índice varia de 0 a 1, sendo que quanto mais próximo de 1 o resultado, melhor o desempenho. O IDH 2011 do Brasil é 0,718, colocando o país no grupo de nações com desenvolvimento humano elevado. O índice brasileiro está acima da média global (0,682).
Na comparação com 2010, o Brasil subiu uma posição. A Noruega manteve a liderança no ranking, com IDH de 0,943. Em seguida estão a Austrália (0,929) e os Países Baixos (0,910) no grupo de países com desenvolvimento muito elevado. Nas últimas posições, com os piores índices, estão o Burundi (0,316), Níger (0,295) e a República Democrática do Congo (0,286), todos na África Subsaariana.
O IDH considera três dimensões fundamentais para o desenvolvimento humano: o conhecimento, medido por indicadores de educação; a saúde, medida pela longevidade; e o padrão de vida digno, medido pela renda.
Em 2011, para o Brasil, foram registrados 73,5 anos de expectativa de vida, 13,8 anos esperados de escolaridade (para crianças no início da vida escolar) e 7,2 anos de escolaridade média (considerando adultos com mais de 25 anos). A Renda Nacional Bruta (RNB) per capita dos brasileiros em 2011 considerada no cálculo do Pnud foi US$ 10.162.
Desde a criação do IDH, em 1980, o Brasil registra evolução no índice. Em três décadas, a expectativa de vida do brasileiro aumentou em 11 anos, a média de escolaridade subiu 4,6 anos, mas a expectativa de anos de escolaridade caiu 0,4 ano. No período, a RNB per capita subiu cerca de 40%.
“As dimensões sociais, de educação e saúde foram as que mais causaram impacto no IDH do Brasil e fizeram com que o país ganhasse posições”, avaliou o economista do Relatório de Desenvolvimento Humano brasileiro, Rogério Borges de Oliveira. Entre 2006 e 2011, o Brasil subiu três posições no ranking do IDH, segundo o Pnud.
Apesar dos avanços, o IDH 2011 do Brasil está abaixo da média da América Latina (0,731). O desempenho brasileiro está atrás do Chile (0,805), da Argentina (0,797), do Uruguai (0,783), de Cuba (0,776), do México (0,770), do Panamá (0,768), do Peru (0,725) e do Equador (0,720).
Em relação aos outros países que compõem o Brics (grupo formado pelo Brasil, a Rússia, China, Índia e a África do Sul), o IDH brasileiro é o segundo melhor, atrás da Rússia. “É interessante colocar esses países em um mesmo grupo de comparação pelo tamanho continental, pelas populações enormes, pela importância política, por serem economias emergentes e por terem políticas similares em alguns pontos”, explicou Oliveira.
Além do índice principal, o Pnud também divulgou o IDH ajustado à desigualdade (Idhad), que capta perdas no desenvolvimento humano por causa das disparidades socioeconômicas; o Índice de Pobreza Multidimensional (IPM); e o Índice de Desigualdade de Gênero (IDG), que mede a perda de oportunidades das mulheres por causa da discriminação.

Fonte: http://www.correiodoestado.com.br

Aimer à perdre la raison

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Aimer à perdre la raison
Aimer à n'en savoir que dire
A n'avoir que toi d'horizon
Et ne connaitre de saisons
Que par la douleur du partir
Aimer à perdre la raison

Ah c'est toujours toi que l'on blesse
C'est toujours ton miroir brisé
Mon pauvre bonheur, ma faiblesse
Toi qu'on insulte et qu'on délaisse
Dans toute chair martyrisée

La fin, la fatigue et le froid
Toutes les misères du monde
C'est dans mon amour que j'y crois
En elle je porte ma croix
Et de leur nuit ma nuit se fonde

Aimer à perdre la raison
Aimer à n'en savoir que dire
A n'avoir que toi d'horizon
Et ne connaitre de saisons
Que par la douleur du partir
Aimer à perdre la raison

Amour et bonheur d'autres sortes
Il tremble l'hiver et l'été
Toujours la main dans une porte
Le coeur comme une feuille morte
Et les lèvres ensanglantées

Aimer à perdre la raison
Aimer à n'en savoir que dire
A n'avoir que toi d'horizon
Et ne connaitre de saisons
Que par la douleur du partir
Aimer à perdre la raison (2 fois)

Aimer à perdre la raison ...

Tradução:

Amar a perder a razão
Amar a não saber que dizer
A ter que você como horizonte
E não conhecer de estações
Que pela dor de partir
Amar a perder a razão

Ah aquilo e sempre você que fere-se
Aquilo e sempre o teu espelho quebrado
Minha pobre felicidade, minha fraqueza
Você que insulta-se e que abandona-se
Em toda carne martirizada

Amar a perder a razão
Amar a não saber que dizer
A ter que você como horizonte
E não conhecer de estações
Que pela dor de partir
Amar a perder a razão

A fome, o cansaço e o frio
Todas as misérias do mundo
É pelo meu amor que há
Nela levo a minha cruz
E das suas noites a minha noite derreta-se

Amar a perder a razão
Amar a não saber que dizer
A ter que você como horizonte
E não conhecer de estações
Que pela dor de partir
Amar a perder a razão

Autor francês: Louis Aragon 

Verdade ou amor?


(ilustração: a família de Tarsila do Amaral)

Talvez alguém dissesse: “Que dilema desgraçado”. Não é desgraçado porque não é sem graça. É um dilema até certo ponto, pois depende muito da valoração de cada um. Para quem a verdade vem primeiro, o amor será sempre um pouco sem graça. Aos que enxergam o amor mais na frente, a verdade é que se torna sem graça. Ora, que seria do amor se não tivesse graça? O que pensar da verdade sem um pouco de amor? E o que dizer, então, do amor sem verdade?
Essa relação entre verdade e amor nas situações conflitantes do dia a dia não é de fácil compreensão, tampouco de fácil realização. Quase sempre ficamos em maus lençóis. Como falar a verdade sem desgraçar alguém? Como promover a verdade sem causar ódio ou dano às pessoas? E o que fazer quando amamos demais, ao ponto de nos abestalharmos? O amor nos deixa tolos, abobados e bestas?
Tomemos muito cuidado com o que estamos fazendo conosco e aos filhos no tocante à educação. Os filhos precisam respeitar e vislumbrar nos pais um modelo de comportamento ético. Pais infiéis geram filhos infiéis. Pais mentirosos geram filhos mentirosos. Pais ignorantes geram filhos ignorantes e assim por diante. Numa época em que as famílias de modelo patriarcal estão em demolição pela ausência da figura do pai, no sentido de sua omissão e de sua liderança, as famílias acabam se maternalizando por demais, uma vez que a liderança e a disciplina, tão próprias aos pais para formar os filhos em geral, ficam restritas aos zelo das mães, que não poupam esforços e sacrifícios para fazer as vezes do próprio pai dentro da família. Porém, mesmo que a família nuclear esteja bem composta, o que está se tornando cada vez mais raro, pois encontramos, com mais frequência, as famílias fragmentadas, ainda assim não se percebe uma preocupação explícita dos pais em disciplinar os filhos; combinar horário; afastar a mentira; falar com autoridade; cumprir regras; fidelidade no matrimônio; compromisso com Deus...
Atitudes como estas, cada vez menos presentes no convívio familiar, demonstram que acima do amor deve vir o compromisso com a verdade, que está na linha da lei e da formação da personalidade. Imagine a primeira reação de um filho ao flagrar os pais na mentira.
Todos nós devemos aprender mais com a verdade, e não fugir dela. Engraçado, não suportamos a verdade. No mais das vezes, preferimos o amor à verdade. Queremos muito mais massagear o nosso ego com carinhos e afagos, ouvindo o que se gosta, afirmando o que se pensa, do que ouvir a verdade; que precisamos corrigir isso ou aquilo, pedir desculpas quando ofender alguém, assumir as consequências pelos malfeitos. Não podemos mais deixar pra lá, esquecer e fazer de conta que nada aconteceu. Errou, tem que aguentar as consequências, a fim de se evitar não repetir os erros.
Em decorrência disso, estamos produzindo pessoas menos resistentes às adversidades da vida, ao sofrimento, à dor. O erro está justamente na formação. Não devemos somente passar a mão na cabeça dos filhos toda vez que eles errarem e chorarem, mas precisamos mostrar-lhes, pelo diálogo e pela conduta, que é possível aprender com os erros, e que o sofrimento é uma ótima escola.
O fato é simples: Poucos de nós suportam a verdade. Entre o amor e a verdade é preciso considerar algo. Nem um dos dois é suficiente e absoluto para viver bem. Só o amor nos deixa tontos, meio que vulneráveis diante das atrocidades da natureza humana. Só a verdade pode gerar homens totalitários e absolutos, incapazes de recuar, de relevar, de se soltar um pouco, de se despreder das convicções e assumir que precisa mudar.
Verdade demais pode afastar os amigos da gente, uma vez que ninguém é perfeito. Amor demais pode nos arrastar para a bobagem, na medida em que se perde a admiração e o brilho. Em geral, é muito perigoso quando escolhemos uma em detrimento da outra. O mais razoável seria escolhermos uma e outra em nossas ações, e não uma à outra. Verdade e amor não se excluem, mas se completam admiravelmente.
Depois desse devaneio sobre a verdade e o amor, você ainda concorda com a tão honrosa expressão atribuída a Aristóteles: “Amicus Plato, sed magis amica veritas” - “Amigo de Platão, mas mais amigo da verdade”?

Prof. Jackislandy Meira de M. Silva
Licenciado em Filosofia, Bacharel em Teologia e Especialista em Metafísica

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Filosofia para Crianças: Valores e contravalores

Há valores situados fora do tempo e do espaço, como a paz, a justiça, a generosidade, o diálogo, a sinceridade, etc. Já nos diálogos de Platão vamos descobrir a discussão destes mesmos valores, o que vem corroborar a afirmação que principia este parágrafo.
Descobrir, incorporar e realizar estes valores positivos deve ser, pois, uma das tarefas básicas da filosofia para crianças e adolescentes.
Devemos começar pensando: “Quais os critérios para se viver em sociedade?”
Veremos que temos:
- o sentimento de crítica que nos permite analisar a realidade;
- o sentimento de alteridade que nos permite sair de nós mesmos para estabelecer relações com o outro;
- o conhecimento e o respeito pêlos direitos humanos, que nos traz harmonia;
- o compromisso pessoal e o espírito de responsabilidade para que os outros critérios não caiam no vazio.
O que é um valor?
Algo que estimamos, a convicção de que alguma coisa é boa ou ruim (contravalor). A organização destas convicções vai se fazer em nós, através dos valores dos pais, dos educadores, da religião e da so­ciedade, durante o nosso processo de desenvolvimento.
De onde vêm os valores?
 A filosofia vai contribuir para que estes valores já estabelecidos se­jam passados pelo crivo da razão e   ajuda-nos a definir, com clareza, os objetivos de vida e assumir, livremente, valores autênticos que evidentemente  ajudarão a aceitar e amar como é, facilitando uma relação equilibrada com o outro, com a vida e com o mundo.

Fonte: Do livro Filosofia para Crianças e Adolescentes.  Autora: Maria Luis S. Teles. Ed Vozes

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

13 curiosidades sobre Emmanuel Lévinas

Levinas - 13
Levinas solicitou que se colocasse uma faixa ao redor do livro Da Existência ao Existente com a seguinte sentença: “onde não se trata de angústia”.

Ele deixa a angústia do nada e parte para o horror do há da existência. Ou seja, o abandono do medo da morte em direção ao demais de si mesmo.
Levinas - 12
Levinas encontrou Sartre três vezes. Segundo Simone de Beauvoir, Sartre teria especialmente apreciado Teoria da Intuição na Fenomenologia de Husserl. Levinas teve grande admiração por Sartre. O filósofo teve contato com O Ser e o Nada logo que saiu do cativeiro.
Levinas - 11
Antes da guerra, o filósofo solicitou a nacionalidade francesa e a obteve. Terminou sua tese. Neste período, casou. Levinas prestou serviço militar em Paris no Regimento de Infantaria.
Levinas - 10
O filósofo rapidamente foi feito prisioneiro de guerra. Foi levado para a Alemanha, declarado judeu, passou para o campo de prisioneiros onde trabalhava de dia na floresta. A pé, atravessando o vilarejo diariamente para o trabalho, Levinas descreve que o olhar das pessoas, olhar de condenação, "dizia tudo".
Levinas - 9
Levinas conheceu Husserl já muito velho. A mulher de Husserl estudava francês com Levinas que se dirigia à casa do velho filósofo para este fim. De Heidegger, Levinas teve a impressão de um autoritarismo austero. Tinha um grande respeito, admiração, por Heidegger, mas nunca esqueceu suas relações com Hitler.
Levinas - 8
O filósofo dizia que era difícil dialogar pessoalmente com Husserl em uma aula, questionar Husserl. Qualquer pergunta parecia ser respondida com uma conferência, com textos prontos.
Levinas - 7
Levinas chega à fenomenologia na França, ao conhecer por intermédio de uma amiga Husserl. Ao ler As Investigações Lógicas, o filósofo entendeu que estava diante de uma nova possibilidade de passar de uma idéia para outra, além dos aspectos induditos, dedutivos, intuitivos.
Levinas - 6
Desde seus primeiros estudos na França, a partir de 1924, Levinas nutriu uma sólida admiração pelo pensamento de Bergson. Idéias como a do infinito em cada pessoa, a excelência do bem, a duração, temporalidade, vários elementos impressionaram o filósofo.
Levinas - 5
Levinas chegou à Filosofia inicialmente pelas leituras dos autores russos. Os textos de autores judeus também o conduziram neste caminho. Por fim, quando sua família se muda para a França, onde vários professores de Filosofia lhe chamam a atenção, e o caso Dreyfus é discutido sob a ética em toda a Europa.
Levinas - 4
Quando o tzar abdica, em 1917, Levinas era muito mo?e não compreendia o alcance do ato. Em julho de 1920 sua família aproveita uma oportunidade e retorna imediatamente ?itu?a, onde as chances para uma família israelita seriam melhores.
Levinas - 3
Desde os 6 anos de idade Lévinas teve aulas habituais de hebraico. Quando chega ao liceu, em Kharkov, tinha 11 anos e somente havia conhecido aulas particulares até então. Era muito raro judeus poderem cursar as melhores escolas e a família Lévinas comemorou o fato.
Lévinas - 2
Era comum que a geração dos pais do fil?o iniciasse os jovens pelo hebraico. Mas tal geração compreendia que o caminho a seguir pelos jovens deveria passar pela cultura russa, pela línguua russa. Assim, era usual que nas famílias de origem judaica os pais falassem russo com os filhos.
Lévinas - 1
O filósofo afirmava ter poucas recordações de sua infância. Lembra que o pai tinha uma livraria em Kovno, Lituânia. Tinha cerca de 8 anos quando começou a guerra em 1914. Havia uma forte cultura judaica na região, muitas sinagogas, diversos lugares onde estudar.


Fonte: www.filosofia.com.br

Charges de Gary Larson

Gary Larson(1950) é cartunista norte-americano. Autor de FAR SIDE, onde mostra situações surreais. Nosso blog o homenageia com quatro desenhos seus.
Fonte: www.filosofia.com.br 

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Reajuste: governo anuncia elevação do salário mínimo de R$ 622,73 para o próximo ano

 
O governo anunciou ao Congresso Nacional a elevação do valor do salário mínimo para R$ 622,73 a partir de 1º de janeiro de 2012. A previsão era R$ 619,21, com a revisão aumentou R$ 3,52. O reajuste consta da atualização dos parâmetros econômicos utilizados na proposta orçamentária de 2012. O anúncio foi enviado em ofício do Ministério do Planejamento.
O projeto orçamentário encaminhado ao Congresso, em agosto passado, foi feito com previsão do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de 5,7%. Com a atualização que elevou a inflação para 6,3%, também haverá a elevação do reajuste do salário mínimo, que era 13,62% para 14,26% em relação ao atual valor que é R$ 545,00.
A política de recuperação do salário mínimo prevê reajuste com base na inflação de 2011 mais a taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2010, que foi de 7,5%. Com a projeção de aumento do INPC haverá também aumento nos benefícios assistenciais e previdenciários para os que recebem acima de um salário mínimo. A previsão de reajuste para esses casos subiu de 5,7% para 6,3%.

 * Informações da Agência Brasil

Crime ao meio ambiente

Quem vai pagar a conta? Quem vai arcar com o prejuízo? Novamente a humanidade.

O erro de Foucault

por Luiz Felipe Pondé para Folha

Você sabia que o pensador da nova esquerda Michel Foucault foi um forte simpatizante da revolução fanática iraniana de 1979? Sim, foi sim, apesar de seu séquito na academia gostar de esconder esse "erro de Foucault" a sete chaves.

Fico impressionado quando intelectuais defendem o Irã dizendo que o Estado xiita não é um horror.

O guru Foucault ainda teve a desculpa de que, quando teve seu "orgasmo xiita", após suas visitas ao Irã por duas vezes em 1978, e ao aiatolá Khomeini exilado em Paris também em 1978, ainda não dava tempo para ver no que ia dar aquilo.

Desculpa esfarrapada de qualquer jeito. Como o "gênio" contra os "aparelhos da repressão" não sentiu o cheiro de carne queimada no Irã de então? Acho que ele errou porque no fundo amava o "Eros xiita".

Mas como bem disse meu colega J. P. Coutinho em sua coluna alguns dias atrás nesta Folha, citando por sua vez um colunista de língua inglesa, às vezes é melhor dar o destino de um país na mão do primeiro nome que acharmos na lista telefônica do que nas mãos do corpo docente de algum departamento de ciências humanas. E por quê?

Porque muitos dos nossos colegas acadêmicos são uns irresponsáveis que ficam fazendo a cabeça de seus alunos no sentido de acreditarem cegamente nas bobagens que autores (como Foucault) escrevem em suas alcovas.

No recente caso da USP, como em tantos outros, o fenômeno se repete. O modo como muito desses "estudantes" (muitos deles nem são estudantes de fato, são profissionais de bagunçar o cotidiano da universidade e mais nada) agem, nos faz pensar no tipo de fé "foucaultiana" numa "espiritualidade política contra as tecnologias da repressão".

E onde Foucault encontrou sua inspiração para esse nome chique para fanatismo chamado "espiritualidade política"?

Leiam o excelente volume "Foucault e a Revolução Iraniana", de Janet Afary e Kevin B. Anderson, publicado pela É Realizações, e vocês verão como a revolução xiita do Irã e seu fascínio pelo martírio e pela irracionalidade foram importantes no "último Foucault".

As ciências humanas (das quais faço parte) se caracterizam por sua quase inutilidade prática e, portanto, quase impossibilidade de verificação de resultados.

Esse vazio de critérios de aplicação garante outro tipo de vazio: o vazio de responsabilidade pelo que é passado aos alunos.

Muitos docentes simplesmente "lavam o cérebro" dos alunos usando os "dois caras" que leram no doutorado e que assumem ter descoberto o que é o homem, o mundo, e como reformá-los. Duvide de todo professor que quer reformar o mundo a partir de seu doutorado.

Não é por acaso que alunos e docentes de ciências humanas aderem tão facilmente a manifestações vazias, como a recente da USP, ou a quaisquer outras, como a dos desocupados de Wall Street ou de São Paulo.

Essa crítica ao vazio prático das ciências humanas já foi feita mesmo por sociólogos peso pesado, em momentos distintos, como Edmund Burke, Robert Nisbet e Norbert Elias.

Essa crítica não quer dizer que devemos acabar com as ciências humanas, mas sim que devemos ficar atentos a equívocos causados por essa sua peculiar carência: sua inutilidade prática e, por isso mesmo, como decorrência dessa, um tipo específico de cegueira teórica. Nesse caso, refiro-me ao seu constante equívoco quanto à realidade.

Trocando em miúdos: as ciências humanas e seus "atores sociais" viajam na maionese em meio a seus delírios em sala de aula, tecendo julgamentos (que julgam científicos e racionais) sem nenhuma responsabilidade.

Proponho que da próxima vez que "os indignados sem causa" ocuparem a faculdade de filosofia da USP (ou "FeFeLeCHe", nome horrível!) que sejam trancados lá até que descubram que não são donos do mundo e que a USP (sou um egresso da faculdade de filosofia da USP) não é o quintal de seus delírios.

Agem com a USP não muito diferente da falsa aristocracia política de Brasília: "sequestram" o público a serviço de seus pequenos interesses.

No caso desses "xiitas das ciências humanas", seus pequenos delírios de grande "espiritualidade política".

ELEIÇÃO PARA DIRETOR DA ESCOLA SILVINO BEZERRA DE FLORÂNIA É FRAUDADA

A Escola Estadual Cel. Silvino Bezerra da cidade de Florânia realizou as eleições para diretor, vice e coordenador financeiro quinta-feira passada, dia 17 de novembro de 2011, na qual concorreram a Sra. Professora Daguia Nobre que obteve 261 votos e José Porfírio que obteve 260 votos. As fraudes atingiram os segmentos dos Professores, dos Servidores e dos Pais. Na listagem dos professores que era de 24 assinaturas apareceram 25 votos, sendo 01 a mais. Na listagem dos servidores, que era de 17 assinaturas, assinaram 16 e apareceram 19 votos. Enquanto que, no segmento dos pais, assinaram 233 pais, tendo sido apurado de votos válidos 226 mais 02 votos brancos e nulos, perfazendo-se assim 228 votos. Pergunta-se: Onde estão os outros cinco votos dos pais? E os quatro votos que apareceram no segmento dos professores e servidores vieram de onde? Veja o quadro abaixo e comprove. Estas e outras fraudes já estão sendo investigadas pelas autoridades competentes. Obs: Não publicamos a listagem dos votantes para preservar a integridade das pessoas que votaram.


segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Uma dose de filosofia na saga “Crepúsculo”


Um triângulo amoroso, que arrancou suspiros na famosa saga “Crepúsculo”, desenrolando-se em mais duas fases “Lua Nova” e “Eclipse”, vem agora atraindo multidões do mundo inteiro para as próximas revelações que darão rumo ao futuro de Bella nas telas de cinema. Revelações estas, claro, para quem ainda não leu a última parte dessa saga, “Amanhecer”.
Um vampiro, uma humana e um lobo. Três naturezas diferentes. Três ordens de pensamentos diversos. Três mundos muito distantes, mas que se aproximam e se encontram pelo amor. Um amor que altera a ordem das coisas e para o qual não há regras. Três visões de mundo completamente diferentes. Poderíamos dizer: Três filosofias. Edward demole a figura clássica de um vampiro feio, exótico e insociável e constrói a figura de um vampiro belo, bom e amável. Mesmo carregando a imortalidade na pele fria, Edward aparenta ser bastante reservado aos humanos, sem presas afiadas e sem ostentar maldade. Não manisfesta qualquer atitude suspeita de que, afinal, é um vampiro, pois Bella só soube que Edward era um vampiro depois de o conhecer. O comportamento de aproximação e distanciamento que havia na amizade entre os dois levou Bella a desconfiar de que se tratava de alguém muito diferente. No entanto, já era tarde demais, os dois já estavam envolvidos.
Nesse movimento curioso de aparecimento e desaparecimento de Edward, alguém muito especial entra na vida de Bella, Jacob. De visão aguçada, audição potente, olfato incomparável e demais sentidos tão próprios a um lobo; comprometido com sua alcateia, fiel aos tratos feitos no passado com os vampiros “cullen” de que nem lobos e nem vampiros poderiam ameaçar os humanos, Jacob não tinha medo de manifestar o seu amor por Bella, muito menos de desafiar os “cullen” para conseguir este tão maravilhoso amor. Ao contrário de Edward, Jacob era moreno, quente e cheio de vida, não de morte. Jacob cheirava à vida, não à morte. Embora muito bonito, esbelto e galã, Edward era pálido e temia a si mesmo por causa do sangue dos humanos. Sua natureza gostava de sangue. Talvez, por isso, se entenda o motivo dos desaparecimentos de Edward de quando em vez. Se a contradição que existia entre o ser vampiro de Edward e a humanidade de Bella era uma ameaça para a realização deste amor; a natureza de lobo de Jacob e a de Bella não implicava em tanto.
Com quem, de fato, Bella vai ficar? Isso todos nós já sabemos. Edward, de acordo com a última parte da saga “Amanhecer”, é o dono de seu coração, porém Jacob tenta mudar esse destino. Jacob se arrisca por isso. Não desiste de Bella, está sempre em sua companhia, principalmente nos impasses entre ela e Edward. Jacob luta por ela, tenta beijá-la, mas ela reluta, até que quase ao final de “Eclipse” tudo ocorre por atração, desejo e naturalmente:
“Pode me beijar, Jacob?
    • Está blefando.
    • Beije-me, Jacob. Beije-me e depois volte.(...)
    E então, com clareza, senti a fissura em meu coração se estilhaçar como a menor parte que se separava do todo. Os lábios de Jacob ainda estavam nos meus. Abri os olhos e ele me fitava, admirado e exaltado.
    • Tenho de ir – sussurrou ele.
    • Não. - Ele sorriu satisfeito com minha resposta.
    • Não vou demorar – prometeu ele. - Mas primeiro uma coisa...
    Ele me beijou de novo, e não havia mais motivos para resistir. Que sentido teria?
    Dessa vez foi diferente. As mãos dele eram suaves em meu rosto e seus lábios quentes eram gentis, inesperadamente hesitantes. Foi breve e muito, muito doce”(pág. 377-378)
O amor de Bella por Edward e vice-versa é a fonte de inspiração de toda a trama, mas Jacob entra em cena sempre que a dúvida toma conta da cabeça dos dois. A dúvida de Edward aparece quando se dá conta da sua natureza de vampiro. Condenado à imortalidade e ao frio, ao sangue, ao mesmo tempo que a amava se sentia uma ameaça para ela. Por outro lado, não querendo condená-la a perder a sua alma, se ausentava de sua presença. Aí, abre-se um espaço para o lobo, Jacob. Vampiros e lobos são inimigos por natureza, mas que se uniam por um amor, Bella.
Vejam que estranho e ao mesmo tempo admirável: Os três tinham todas as razões, todos os motivos para se odiarem e se evitarem o tempo todo, mas uma linda e fantástica história de amor os envolviam em ambientes peculiares com interesses comuns e únicos. As três vidas estavam como que comprometidas em torno de um nome, de um sentido, de uma força extraordinária, amor. Um amor que é mais forte do que a morte e do que a imortalidade. Em toda a saga, diga-se de passagem, a morte é apenas um detalhe. Não sem razão, a autora da saga, Stephenie Meyer, escreve de próprio punho no prólogo de “Amanhecer” que está agora nos cinemas: “Pode-se correr de alguém de que se tenha medo; pode-se tentar lutar com alguém que se odeie. Todas as minhas reações eram preparadas para aqueles tipos de assassinos, os monstros, os inimigos. Mas quando se ama aquele que vai matá-la, não restam alternativas. Como se pode correr, como se pode lutar, quando essa atitude magoaria o amado? Se a vida é tudo o que você tem para dar ao amado, como não dá-la? Quando ele é alguém que você ama de verdade”(pág. 13).
O mais interessante é que, por esse amor, ambos são capazes de não serem capazes, ambos são dotados de um poder que ultrapassa a barreira do tempo e do espaço. Jacob também a ama tanto quanto Edward. Bella ama misteriosamente os dois, só que ama mais a Edward. Queiramos ou não, na minha opinião, os três são merecedores desse amor, porém, nem um dos três consegue conter ou dominar esse amor, uma vez que em toda a história o amor é soberano.

Prof. Jackislandy Meira de M. Silva
Bacharel em Teologia, Licenciatura em Filosofia, Especialista em Metafísica

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Ficha limpa e judiciário: uma vergonha

É uma vergonha! Onde está a nossa conivência e consciência para com a justiça em nosso país? É por isso que os políticos corruptos deitam e rolam em "berço esplêndido".

A aurora do pensamento ocidental – José Arthur Giannotti

Seguindo a tradição dos povos indo-germânicos, para os quais o Uno configura o múltiplo, desenvolve-se na Grécia (séc. VII a. C.) uma produção de livros a serem discutidos por todos os cidadãos, que procuram responder à questão “o que é?”. São as formas separáveis (Ideias) dirá Platão, são as formas inseparáveis, portanto energizadas nelas mesmas, dirá Aristóteles. E assim se desenha o campo em que a batalha pela metafísica se dará.
Palestra da série Filosofia e saber de José Arthur Giannotti.
Outras palestras desta série acontecem no dia 24 de novembro e 2 de dezembro.
Transmissão ao vivo a partir das 18h em www.cpflcultura.com.br/aovivo.
Data: 18 de novembro
Horário: 19h
Classificação etária: 14 anos
Programação gratuita e por ordem de chegada a partir das 18h. A cpfl cultura em Campinas fica na rua Jorge Figueiredo Corrêa, 1632 – Chácara Primavera. Mais informações pelo telefone (19) 3756-8000.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Ontologia leviana dos seios

por Luiz Felipe Pondé para Folha

Hoje acordei um tanto leviano. Em dias assim, falo a sério de filosofia. O niilista respira identificando em toda parte a morte da metafísica. Pra quem não sabe, a metafísica é a "ciência" segundo a qual existiria um mundo de formas eternas e plenas, invisível aos olhos, mas visível ao "espírito".

Engraçado como muita gente combate a artificialização da beleza do corpo em nome de uma beleza "natural". O que essa gente não entende é que se a metafísica morreu, a existência de uma natureza "natural" também morreu, porque tudo neste mundo da matéria é impermanente, vago, impreciso, e, acima de tudo, dolorido.

Com a morte de Deus (símbolo máximo da morte da metafísica), o corpo velho é apenas um corpo feio e decadente. Se Deus não existe, toda beleza artificial é permitida. Logo, viva o silicone.

Mas não quero falar de Deus, quero falar de seios.

A vida pode ser miserável e pequena. Triste constatação. Mas miserável pode ser apenas a constatação de que anatomia é destino, como dizia Freud. O corpo, essa massa mortal que perde a forma com o tempo, é nosso lar, uma casa em que habitamos e que nos abandona, deixando-nos a herança do pó.

"A Pele em que Habito", título do novo e maravilhoso filme de Almodóvar, define nosso destino. Mas não vou falar do filme, pois é aquele tipo de filme de que quanto menos se fala, melhor, porque quando se fala dele, corre-se o risco de falar demais.

O freudiano, agostiniano e dostoievskiano Nelson Rodrigues, o maior filósofo brasileiro, escreveu um livro chamado "Asfalto Selvagem, Engraçadinha, Seus Pecados e Seus Amores", no qual a heroína Engraçadinha, segundo ele, seria infeliz porque tinha seios belos demais.

O mundo não perdoa a (a falta de) beleza, seja ela visível ou invisível. Por um seio bonito, mata-se e morre-se. No mínimo paga-se caro.

Acho que o SUS deveria pagar cirurgias plásticas para mulheres pobres colocarem silicone nos seios. Por que não? Travestis gozam de cirurgias de mudança de sexo, por que nossas mulheres não deveriam ter o direito de ficarem mais belas?

Ontologia é a disciplina da filosofia que estuda as essências das coisas e dos seres vivos. A ontologia diz o que você é. A ontologia da mulher passa pelos seios, pelas pernas e pela doçura, assim como a do homem pela potência e pelo dinheiro. O resto é mentira.

Tanta tinta corre no mundo em nome da política e da economia, e, ainda assim, os seios podem decidir a vida e o amor verdadeiro. Diante deles, a alma desfalece em desejo. Como disseram filósofos no passado, se o nariz de Cleópatra fosse diferente, a história do Ocidente teria sido outra.

Fala-se muito que devemos dar valor à alma, ao que se tem "dentro de si", ao que se "é", e não ao que se "tem", mas, o dia a dia, aquele mesmo em que acordamos atordoados pela constante constatação de nossas carências e impotências, parece dizer o contrário. O futuro pode sim ser julgado pela beleza dos seios.

Isso pode ser um indicativo da solidão do mundo no qual só a matéria existe. O niilismo, assim como o Demônio, o maior de todos os humanistas, respeita a angústia das feias.

Este fato, como todo fato obscenamente verdadeiro, pede silêncio de nossa parte. Mas eu, que peco constantemente em nome do vício, confesso: as pessoas quase sempre fazem tudo pelo que podem ter e não pelo que podem ser. E, muitas vezes, o "ser" é decorrente do "ter". E não falo de grana, falo de seios.

Fosse Platão um admirador do sexo frágil, abriria seu diálogo "O Banquete" (sobre o amor) pela ontologia dos seios da mulher.

Sendo assim, a indústria da beleza deveria receber maior atenção da filosofia e não apenas suas pedras de desprezo.

Colocar silicone pode ser um pedido discreto de amor. Uma forma tímida de buscar o olhar negado. Com o tempo, a forma dos seios abandona o mundo, ficando presa no mundo miserável do passado. Não se pode pegar com a mão ou com a boca a lembrança dos seios perdidos, apenas a forma dos seios reconstituídos.

A beleza artificial é uma batalha discreta contra o vazio do corpo e da alma.


segunda-feira, 14 de novembro de 2011

A Rede Globo se abre para o EVANGELHO

Tudo confirmado para o especial de fim de ano que a Rede Globo vai promover focado no público evangélico: o Festival Promessas. Pouco a pouco, a emissora vai percebendo o potencial do segmento chamado gospel, principalmente na música, tendo já investido em famosos talentos como Davi Sacer, Diante do Trono e Ludmila Ferber com gravação de seus CDs.
Agora chega a vez de realizar um programa específico para esse público. Talvez, não apenas valendo-se da possibilidade de grande audiência, mas também por tentar recuperar a credibilidade da emissora diante de muitos evangélicos que têm rejeitado conteúdo, nível e propostas de muitas programações da Globo.
Serginho Groisman será o apresentador do Festival Promessas e a direção de núcleo ficará por conta de Luiz Gleiser. O show de música está marcado para o dia 10 de dezembro, na Praia do Flamengo, no Rio de Janeiro, e deve ir ao ar no dia 18 (domingo), abrindo a programação especial de fim de ano. Nove artistas e grupos importantes da música gospel nacional se apresentarão. Isso é que é força gospel.

http://www.verdadegospel.com/serginho-groisman-vai-apresentar-especial-gospel-da-globo/

De corrupção e faxina

Prof. Nei Alberto Pies
Ativista de Direitos Humanos

“A política não é a arte do que é possível fazer, mas sim de tornar possível o que é necessário fazer”.
 (Augusto Boal, dramaturgo brasileiro)

Nem a faxina e nem a corrupção são invenções femininas. A corrupção é um evento de natureza essencialmente humana, que decorre como fruto das oportunidades, elaboradas ou fortuitas, do caráter dos oportunistas ou dos interesses escusos ou mal intencionados. Jamais acabaremos com a tão disseminada “praga” da corrupção que corrompe os espaços da esfera pública e privada. O que podemos fazer é “torná-la cada vez mais difícil de ser praticada”, como pensa a nossa presidenta da República Dilma Rousseff. 

Quem cunhou o termo “faxina” para denominar os esforços que governo, parlamentares e organizações da sociedade estão empenhando pelo controle da corrupção o fez sem considerar o significado do próprio conceito e sem pensar nas conseqüências nele implicadas. A verdadeira faxina é praticada todos os dias, nas nossas ruas e casas, por milhares de mulheres e homens no Brasil que, de forma digna, fazem deste ofício o sustento e alento de suas vidas. Estes, sim, “faxinam” os nossos lixos e restos.

É difícil falar de faxina sem recorrermos a uma casa. Ocorre que existem implícitas em toda faxina diferentes modos de conceber a arrumação como a limpeza de uma casa. Há quem prefira casas esterilizadas, semelhantes a um centro cirúrgico ou cenário de novela. Há outros, no entanto, que preferem casas que promovam a vida e a festa, muito antes da arrumação. Carlos Drummond de Andrade, em seu poema “A casa arrumada” afirma que:
“casa com vida é aquela em que os livros saem das prateleiras e os enfeites brincam de trocar de lugar. Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha. Sofá sem mancha? Tapete sem fio puxado? Mesa sem marca de copo? Tá na cara que é casa em festa”.
Faxinar pressupõe, por isso mesmo, “limpar o ambiente” com a certeza de que o mesmo logo mais estará sujo. E não é isto que se deve fazer para combater a corrupção.

O fato é que, no nosso jeito brasileiro, em cada momento histórico, vamos fabricando expressões lingüísticas para deixar tudo como está ou para zombar de quem está fazendo alguma coisa. Sempre arrumamos formas de não assumir nossa responsabilidade individual diante dos problemas enfrentados por todos. Fica muito mais fácil e cômodo ignorarmos a “corrupção nossa de cada dia”, aquela que enxergamos e da qual temos conhecimento, focando como se a mesma se concentrasse na Capital Federal, Brasília. É sempre menos comprometedor faxinar do que combater.

 No Brasil, não vivemos a cultura da radicalidade. Pela radicalidade, buscaríamos as soluções para nossos problemas a partir da raiz de sua existência.  Radicalidade é a nossa predisposição para a mudança efetiva e comprometida das realidades. Mas será que temos alguma predisposição para mudar o curso das coisas que movem a nossa vida social? A quem interessa combater a corrupção?

A corrupção gera-se em contextos circunstanciais, quando há oportunidades reais para que alguém, a partir de sua posição ou poder, apodere-se injustamente de algo que não lhe pertence. Não há como deter controle absoluto sobre as condutas pessoais e nem sobre a corrupção, mas há muito para fazer para resgatarmos valores como a ética, a justiça, a responsabilidade social, o zelo e a consideração pelas coisas públicas, a dignidade humana, o valor da política. Estes, sim, podem constituir uma nação mais cidadã e mais livre. São o verdadeiro antídoto para combater a corrupção.

Poesia de Pessoa está viva em cada esquina de Lisboa



Pedro Bassan mostra, numa viagem de bonde pelas ruas de Lisboa, os locais preferidos do poeta Fernando Pessoa.

Uma placa diz que um dos maiores poetas da língua portuguesa, Fernando Pessoa, nasceu no 4º andar de um prédio em Lisboa e a casa dele foi a cidade inteira. Pessoa andou pelas ruas da região até 1935. Mas quem disse que poeta morre? As palavras estão vivas em cada esquina e a Lisboa de Fernando Pessoa ainda existe.

Para passear por ela, basta entrar num bonde. São os mesmos que percorrem a cidade até hoje. Não são do mesmo modelo, não. São os mesmos, mesmo. Parece até que Fernando Pessoa vai estar sentado ao nosso lado.

As cabines mantêm o mesmo aspecto desde que foram construídas, em 1901. Já o sistema mecânico é moderno, foi todo reformado nos anos 90. Nos bondes de Lisboa, é possível viajar no tempo, com a sensação de total segurança.

Eles se encaixam em cada cantinho de Lisboa e levam 20 milhões de passageiros por ano. É impressionante o fôlego do ‘velhinho’ de 110 anos. Os bondes não foram mantidos só pelo romantismo, não.

É que até hoje é impossível encontrar outro veículo que enfrente curvas com o mesmo equilíbrio. São 45 bondes na ativa. Parece muito mais. Pintam a cidade de amarelo e andam carregados de poesia. Será que não foi dentro de um bonde que pessoa teve a inspiração para alguns de seus versos?

Por exemplo: “Às vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido”. Ou então, em outro poema, a vontade de trocar as próprias palavras por esse barulho: rugindo, rangendo, ciciando, estrugindo, ferreando. “Ah, poder exprimir-me todo como um motor se exprime. Ser completo como uma máquina”.

Em Lisboa, os bondes são chamados de elétricos. É um monumento nacional de Portugal no centro de Lisboa e é ele que nos leva para o centro do mundo de Fernando Pessoa. O bairro Alto, o Chiado, são cartões postais da cidade, os lugares de que ele mais gostava.

No local, ninguém está sozinho. Porque mesmo os mais solitários têm sempre a companhia do poeta. Numa mesa, basta imaginar um pouquinho para ouvir o Fernando, nosso amigão, declamando os próprios versos: “Tudo vale a pena se a alma não é pequena. “Para viajar basta existir”.

“Tenho em mim todos os sonhos do mundo. Sonhar é muito mais prático que viver”. Só que, sonhando, sonhando, a gente corre o risco de perder o bonde. Adeus, Pessoa. É hora de descer da poesia para a vida real.

http://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2011/11/poesia-de-fernando-pessoa-esta-viva-em-cada-esquina-de-lisboa.html

domingo, 13 de novembro de 2011

Série “Brasil sem Cigarro”


18-cigarrosCom o objetivo de sensibilizar as pessoas que querem parar de fumar fornecendo informações e dicas para auxiliá-las nesse processo de cessação, a TV Globo exibirá de 13 de novembro a 11 de dezembro a série – "Brasil sem Cigarro", com apresentação do Dr. Dráuzio Varella, exibida no programa Fantástico. Para isso, a empresa solicitou parceria para a divulgação do programa nos estados. O programa será veiculado nos moldes da série exibida anteriormente - Medida Certa – com grandes eventos em algumas cidades e um reality show do acompanhamento de fumantes que querem parar de fumar;
Os eventos presenciais do quadro Brasil sem Cigarro serão em 10 Estados, sendo 2 Estados por final de semana (um no sábado e outro no domingo), para veiculação durante a série no programa Fantástico.
É importantíssimo que, mesmo as cidades que não foram contempladas com os eventos presenciais, e, principalmente as listadas (onde ocorrerão os eventos) estejam preparadas para um possível aumento de demanda para as unidades de tratamento do fumante.
Listagem das cidades e datas. Acreditamos que esta listagem seja a final, porém quaisquer alterações de datas e locais serão informados.
12/11 – Porto Alegre
13/11 – Rio de Janeiro
19/11 –Fortaleza
20/11 –Brasília
26/11- Manaus
27/11 – Goiânia
03/12- Belém
04/12-Belo Horizonte
10/12- Recife
11/12- São Paulo

Acesse: http://fantastico.globo.com/platb/brasil-sem-cigarro.
Enquanto a série Brasil Sem cigarro não começa, o Doutor Drauzio Varella sugere duas providências imediatas para quem quer parar de fumar. Ele explica que largar o cigarro é uma prova de resistência e força de vontade e que apesar de não ser fácil, muita gente já conseguiu.
Drauzio alerta que é preciso se preparar para largar o vício. "Corte pela metade o número de cigarros que você fuma. Cortar pela metade é completamente possível. Você pode fazer isso sem sofrer", incentiva o doutor.
A segunda dica é cortar o cigarro da manhã, logo depois do café: "Só acenda o primeiro cigarro duas horas depois do café. Dá pra aguentar, passa depressa".

NOTA: Se você conhece alguma pessoa que deseja parar de fumar e tem essa dificuldade indique esta série que começará dia 6 de novembro no programa Fantástico - Rede Globo. Lembre-se, a série será abordado por um especialista, um médico conceituado e que já passou por este vício durante 19 anos e conseguiu largar.


sexta-feira, 11 de novembro de 2011

A mentira...


          
            Às vezes me pego a pensar livremente, de um modo estranhamente natural e instintivo, sobre o dado da mentira. A mentira tem várias faces. Tal qual moeda, certamente, tem uma cara e uma coroa. Na política então... Há mais cara do que coroa.
            Quando ela mostra sua cara é terrível, pois vem quase sempre carregada ou a serviço de quem amamos. É bem por isso que a Bíblia trata a mentira, lá em Jo. 8. 44, de filha do diabo. Se Satanás, na inspiração bíblica, é o pai da mentira é porque algo de muito nefasto, mal e perverso tem a ver com a mentira. A mentira atrapalha vidas de casais, possivelmente quando uma das partes se utiliza dela para esconder uma traição ou uma verdade que implica dor e sofrimento a ambos. A mentira separa velhos amigos e é a causa de conflitos entre pais e filhos. A mentira joga com o engano para nos oferecer o reino das ilusões imediatas. Uma mentira está sempre puxando outra e alimentando a desconfiança de muita gente. Ninguém confia no mentiroso!
            Sinto muito aqui ser tão pragmático, mas é o que ocorre quando achamos que podemos enganar as pessoas a vida toda com nossas mentiras. O mentiroso está sempre na linha da falsidade, uma vez que se esconde num “mundinho” só seu. Quase sempre o mentiroso é egoísta e não tolera a verdade. É capaz até de falar a verdade para os outros, mas não suporta a sua verdade. É óbvio que a mentira em si não existe, só passa a existir quando a praticamos, é por isso que as ações incoerentes nos denunciam assustadoramente. Da mesma forma que a honestidade enquanto tal não existe, mas a partir do momento em que tomamos ações honestas, justas e bondosas, aí sim somos honestos, uma vez que praticamos a honestidade. Assim, é preciso praticar a mentira para ser, de fato, mentiroso. Negando a mentira, não significa dizer que sejamos verdadeiros, mas negando a prática da mentira, não a praticando, é que, sem dúvida, somos verdadeiros. Essa é a cara da mentira.
            Mentir tornou-se uma constante no mundo da política, haja vista a pauta de planos e de estratégias que os políticos, na sua imensa maioria, têm de cumprir. Estratégias estas, claro, tendo em vista as eleições, os votos, e nada mais. Para conquistá-los, a mentira entra em jogo voluntariamente fazendo qualquer negócio. Ao contrário de muitos de nós que mentem involuntariamente, – até pensando em amenizar a dose da verdade para os outros, e talvez esteja aqui a outra face da moeda, a coroa – o político mente caprichosa e ardilosamente, uma vez que vive mais dela do que ela dele. Explico. O político se serve mais da mentira para atingir seus objetivos, do que a maior parte das pessoas, que são pegas de surpresa por ela, são usadas por ela, quando não gostariam.
            Todavia, não sem razão, disse Platão sobre a mentira no diálogo Hípias Menor, algo assim: “Os mentirosos são capazes, e inteligentes, e conhecedores, e sábios naquilo em que mentem...”(PLATÃO. Sobre a inspiração e Sobre a mentira. Porto Alegre, RS: L&PM, 2008, p. 64). É óbvio que o mentiroso ignorante também se engana e acaba falando a verdade. Portanto, é próprio do homem mentir e falar a verdade, quer voluntária ou involuntariamente. Nesse diálogo que ora cito, vem considerada a possibilidade humana de agir com consciência de modo vergonhoso ou não, aí entra a mentira, pois quem mente é versátil e multiforme. Aqui está, sem dúvida, a coroa da mentira, na sua linguagem em parecer-se criativamente com a verdade. O modo de falar a mentira como se fosse verdade, com persuasão, é uma de suas curiosas artimanhas. O sofista era muito habilidoso nesse aspecto. Daí, a mentira ser tão importante para a política.
            À deriva de um olhar bíblico-cristão, a mentira vem relativizada, sobretudo, na esfera política, na esfera filosófica até certo ponto, como também no campo da linguagem, da arte e da ética numa visão “extramoral”. Nietzsche foi um exemplo claro de tratar a mentira num sentido artístico, poético e filosófico além dos padrões culturais em que vivia e no qual se sentia aprisionado, talvez por isso seu espírito livre esteja tão presente em sua obra. “Ora, o homem esquece sem dúvida que é assim que se passa com ele: mente, pois, da maneira designada, inconscientemente e segundo hábitos seculares e justamente por essa inconsciência, justamente por esse esquecimento, chega ao sentimento da verdade(...) O que é a verdade, portanto? Um batalhão móvel de metáforas, metonímias, antropomorfismos, enfim, uma soma de relações humanas, que foram enfatizadas poética e retoricamente, transpostas, enfeitadas, e que, após longo uso, parecem a um povo sólidas, canônicas e obrigatórias: as verdades são ilusões, das quais se esqueceu que o são, metáforas que se tornaram gastas e sem força sensível, moedas que perderam sua efígie e agora só entram em consideração como metal, não mais como moedas”(NIETZSCHE, F. Col. Os Pensadores. São Paulo: Ed. Abril. 1999. p. 46-49).
            Joguemos, pois, a moeda para cima e esperemos cair. Se for cara, bastante cuidado com a mentira, ela poderá arruinar sua honra e sua fama. Se for coroa, prudência, a mentira poderá ser um sinal de que não é hora de falar a verdade, porém mais cedo ou mais tarde, a verdade aparecerá com toda a sua força e mais viva do que nunca. De qualquer modo, tenhamos muito cuidado com a moeda da mentira por mais sedutora que ela seja!
Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva
Licenciado em Filosofia, Bacharel em Teologia e Especialista em Metafísica

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Chama-se Brasil o nome deste país

Que país é esse? E ainda temos que aguentar o uso escancarado de dinheiro público, dinheiro de nossos impostos, em construção de obras para a copa, inclusive em contruções gigantescas com gastos absurdos que não trarão retornos para a população.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Geração Capitão Planeta

por Luiz Felipe Pondé para Folha

Você se lembra do desenho "Capitão Planeta"? Nele um grupo de jovens de várias etnias (brancos, negros, amarelos, vermelhos, enfim, todas as "cores do arco-íris") defendia o planeta.

Acho que "Capitão Planeta" deveria ser o patrono dos "novos jovens" que invadiram Wall Street , o Viaduto do Chá e a USP. Estes, então, são ridículos, se acham acima da lei e não querem polícia no campus. Como ficam as alunas violentadas? Devem pedir ajuda para o fantasma de Foucault?

Muito professor-cheerleader é culpado por isso quando fala de "jovens que lutam por um mundo melhor".

Este "mundo melhor" é o que eles têm na cabeça e que implica sempre eliminar quem não concorda com eles (o movimento estudantil sempre foi extremamente autoritário).

E não existe "o jovem", jovens são múltiplos e muitos não concordam com os baderneiros que invadiram a Faculdade de Filosofia da USP.

Quando você tem 12 anos, um desenho como esse "emociona". Depois dos 18 anos, se você ainda acredita "no mundo do Capitão Planeta", é porque não fez os passos naturais do amadurecimento mental.

A diferença entre eles e a última geração revolucionária de fato (Fidel Castro e Che Guevara) é que enquanto "los hermanos" de Cuba, enfrentaram inimigos à bala, essa moçadinha, que acha que "todas as diferenças podem conviver lado a lado" (até a primeira briga de ciúme entre dois caras pela menina mais gostosa do grupo, aliás, coisa rara nesse meio), ao primeiro tiro correria para casa para brincar com o seu iPad.

A mídia ideológica, cansada do marasmo desde maio de 1968 (aquela "revolução francesa" dos estudantes entediados que acabou numa noite gostosa de queijos e vinhos), abraçou esses "movimentos" como um novo "partido mundial dos jovens".

Engraçado como gente (os "jovens") que não paga suas contas (papai as paga ou alguma instituição) acha que pode "resolver" o mundo.

Para provar a piada, basta lembrar que Wall Street é um reduto do Partido Democrata americano, logo, do Obama, o "Messias avatar" dessa moçada, fato que a maioria desses "invasores" do templo capitalista não sabe.

Esta "invasão" de Wall Street foi uma modinha das grandes cidades da costa americana, assim como seus desfiles de moda, seus chefs de cozinha étnica e seu gosto por clássicos da literatura somali, sem os quais o mundo não seria a mesma coisa...

A "invasão" marca o descontentamento de desempregados e a irritação com os ganhos dos bancos nos últimos anos em meio à crise.

No caso dos EUA, ninguém deu ouvidos a eles na "América profunda". A mídia tentou fazer deles representantes da América porque a maior parte da mídia é "Capitão Planeta".

Um objeto fetiche desses caras é a Primavera Árabe. Assim como o restante desses movimentos dos últimos meses, todos diferentes entre si, o árabe pode ter diferenças importantes internas ao próprio mundo árabe.

Peguemos a "secular" Tunísia como exemplo. Berço da "Primavera Árabe", conforme muitos previram, ela deu a primeira vitória das urnas a um partido islâmico (como queríamos demonstrar... Aliás, ao contrário do que a geração de intelectuais "Capitão Planeta" dizia sobre "não haver risco de os islamitas ganharem as eleições"). Islamita é o nome técnico para fundamentalismo islâmico político e/ou "militar".

Apesar de o partido em questão, Nahda, jurar que abandonará suas propostas fundamentalistas (ele era ilegal durante a ditadura "secular" da Tunísia justamente por ser fanático), veremos se suas juras serão verdadeiras.

Especialistas esperam que esses islamitas, quando chegarem ao poder, usem como modelo o partido islâmico moderado da Turquia.

Na Turquia, índices como a presença de mulheres nos quadros funcionais do governo diminuíram significativamente nos anos em que o islamismo moderado turco tem estado no poder. Isso significa uma "islamização" da máquina administrativa. Islamitas tratam as mulheres como animais de estimação.

Ocidentais que não conhecem o Oriente Médio pensam que a maioria da população lá é do tipo "paz, amor e viva a diferença". Pura ignorância.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Música mescla café e filosofia

Letra da musica Couleur Café:

J’aime ta couleur café
Tes cheveux café
Ta gorge café
J’aime quand pour moi tu danses
Alors j’entends murmurer
Tous tes bracelets
Jolis bracelets
À tes pieds ils se balancent
Couleur
Café
Que j’aime ta couleur
Café
C’est quand même fou l’effet
L’effet que ça fait
De te voir rouler
Ainsi des yeux et des hanches
Si tu fais comme le café
Rien qu’à m’énerver
Rien qu’à m’exciter
Ce soir la nuit sera blanche
Couleur
Café
Que j’aime ta couleur
Café
L’amour sans philosopher
C’est comm’ le café
Très vite passé
Mais que veux-tu que j’y fasse
On en a marr’ de café
Et c’est terminé
Pour tout oublier
On attend que ça se tasse
Couleur
Café
Que j’aime ta couleur
Café

Belo cotejo da poesia musical. Como amo a cor do café! O amor sem filosofia é como o café, passa muito rápido... Como amo a cor do café. A cor do café. Café. Filosofia.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Brasil é o 84º do ranking de desenvolvimento humano


foto
Foto: Divulgação
O IDH 2011 do Brasil é 0,718, colocando o país no grupo de nações com desenvolvimento humano elevado



















O Brasil é o 84° colocado no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) 2011, divulgado hoje (2) pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). A lista tem 187 países e o índice varia de 0 a 1, sendo que quanto mais próximo de 1 o resultado, melhor o desempenho. O IDH 2011 do Brasil é 0,718, colocando o país no grupo de nações com desenvolvimento humano elevado. O índice brasileiro está acima da média global (0,682).
Na comparação com 2010, o Brasil subiu uma posição. A Noruega manteve a liderança no ranking, com IDH de 0,943. Em seguida estão a Austrália (0,929) e os Países Baixos (0,910) no grupo de países com desenvolvimento muito elevado. Nas últimas posições, com os piores índices, estão o Burundi (0,316), Níger (0,295) e a República Democrática do Congo (0,286), todos na África Subsaariana.
O IDH considera três dimensões fundamentais para o desenvolvimento humano: o conhecimento, medido por indicadores de educação; a saúde, medida pela longevidade; e o padrão de vida digno, medido pela renda.
Em 2011, para o Brasil, foram registrados 73,5 anos de expectativa de vida, 13,8 anos esperados de escolaridade (para crianças no início da vida escolar) e 7,2 anos de escolaridade média (considerando adultos com mais de 25 anos). A Renda Nacional Bruta (RNB) per capita dos brasileiros em 2011 considerada no cálculo do Pnud foi US$ 10.162.
Desde a criação do IDH, em 1980, o Brasil registra evolução no índice. Em três décadas, a expectativa de vida do brasileiro aumentou em 11 anos, a média de escolaridade subiu 4,6 anos, mas a expectativa de anos de escolaridade caiu 0,4 ano. No período, a RNB per capita subiu cerca de 40%.
“As dimensões sociais, de educação e saúde foram as que mais causaram impacto no IDH do Brasil e fizeram com que o país ganhasse posições”, avaliou o economista do Relatório de Desenvolvimento Humano brasileiro, Rogério Borges de Oliveira. Entre 2006 e 2011, o Brasil subiu três posições no ranking do IDH, segundo o Pnud.
Apesar dos avanços, o IDH 2011 do Brasil está abaixo da média da América Latina (0,731). O desempenho brasileiro está atrás do Chile (0,805), da Argentina (0,797), do Uruguai (0,783), de Cuba (0,776), do México (0,770), do Panamá (0,768), do Peru (0,725) e do Equador (0,720).
Em relação aos outros países que compõem o Brics (grupo formado pelo Brasil, a Rússia, China, Índia e a África do Sul), o IDH brasileiro é o segundo melhor, atrás da Rússia. “É interessante colocar esses países em um mesmo grupo de comparação pelo tamanho continental, pelas populações enormes, pela importância política, por serem economias emergentes e por terem políticas similares em alguns pontos”, explicou Oliveira.
Além do índice principal, o Pnud também divulgou o IDH ajustado à desigualdade (Idhad), que capta perdas no desenvolvimento humano por causa das disparidades socioeconômicas; o Índice de Pobreza Multidimensional (IPM); e o Índice de Desigualdade de Gênero (IDG), que mede a perda de oportunidades das mulheres por causa da discriminação.

Fonte: http://www.correiodoestado.com.br

Aimer à perdre la raison

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Aimer à perdre la raison
Aimer à n'en savoir que dire
A n'avoir que toi d'horizon
Et ne connaitre de saisons
Que par la douleur du partir
Aimer à perdre la raison

Ah c'est toujours toi que l'on blesse
C'est toujours ton miroir brisé
Mon pauvre bonheur, ma faiblesse
Toi qu'on insulte et qu'on délaisse
Dans toute chair martyrisée

La fin, la fatigue et le froid
Toutes les misères du monde
C'est dans mon amour que j'y crois
En elle je porte ma croix
Et de leur nuit ma nuit se fonde

Aimer à perdre la raison
Aimer à n'en savoir que dire
A n'avoir que toi d'horizon
Et ne connaitre de saisons
Que par la douleur du partir
Aimer à perdre la raison

Amour et bonheur d'autres sortes
Il tremble l'hiver et l'été
Toujours la main dans une porte
Le coeur comme une feuille morte
Et les lèvres ensanglantées

Aimer à perdre la raison
Aimer à n'en savoir que dire
A n'avoir que toi d'horizon
Et ne connaitre de saisons
Que par la douleur du partir
Aimer à perdre la raison (2 fois)

Aimer à perdre la raison ...

Tradução:

Amar a perder a razão
Amar a não saber que dizer
A ter que você como horizonte
E não conhecer de estações
Que pela dor de partir
Amar a perder a razão

Ah aquilo e sempre você que fere-se
Aquilo e sempre o teu espelho quebrado
Minha pobre felicidade, minha fraqueza
Você que insulta-se e que abandona-se
Em toda carne martirizada

Amar a perder a razão
Amar a não saber que dizer
A ter que você como horizonte
E não conhecer de estações
Que pela dor de partir
Amar a perder a razão

A fome, o cansaço e o frio
Todas as misérias do mundo
É pelo meu amor que há
Nela levo a minha cruz
E das suas noites a minha noite derreta-se

Amar a perder a razão
Amar a não saber que dizer
A ter que você como horizonte
E não conhecer de estações
Que pela dor de partir
Amar a perder a razão

Autor francês: Louis Aragon 

Verdade ou amor?


(ilustração: a família de Tarsila do Amaral)

Talvez alguém dissesse: “Que dilema desgraçado”. Não é desgraçado porque não é sem graça. É um dilema até certo ponto, pois depende muito da valoração de cada um. Para quem a verdade vem primeiro, o amor será sempre um pouco sem graça. Aos que enxergam o amor mais na frente, a verdade é que se torna sem graça. Ora, que seria do amor se não tivesse graça? O que pensar da verdade sem um pouco de amor? E o que dizer, então, do amor sem verdade?
Essa relação entre verdade e amor nas situações conflitantes do dia a dia não é de fácil compreensão, tampouco de fácil realização. Quase sempre ficamos em maus lençóis. Como falar a verdade sem desgraçar alguém? Como promover a verdade sem causar ódio ou dano às pessoas? E o que fazer quando amamos demais, ao ponto de nos abestalharmos? O amor nos deixa tolos, abobados e bestas?
Tomemos muito cuidado com o que estamos fazendo conosco e aos filhos no tocante à educação. Os filhos precisam respeitar e vislumbrar nos pais um modelo de comportamento ético. Pais infiéis geram filhos infiéis. Pais mentirosos geram filhos mentirosos. Pais ignorantes geram filhos ignorantes e assim por diante. Numa época em que as famílias de modelo patriarcal estão em demolição pela ausência da figura do pai, no sentido de sua omissão e de sua liderança, as famílias acabam se maternalizando por demais, uma vez que a liderança e a disciplina, tão próprias aos pais para formar os filhos em geral, ficam restritas aos zelo das mães, que não poupam esforços e sacrifícios para fazer as vezes do próprio pai dentro da família. Porém, mesmo que a família nuclear esteja bem composta, o que está se tornando cada vez mais raro, pois encontramos, com mais frequência, as famílias fragmentadas, ainda assim não se percebe uma preocupação explícita dos pais em disciplinar os filhos; combinar horário; afastar a mentira; falar com autoridade; cumprir regras; fidelidade no matrimônio; compromisso com Deus...
Atitudes como estas, cada vez menos presentes no convívio familiar, demonstram que acima do amor deve vir o compromisso com a verdade, que está na linha da lei e da formação da personalidade. Imagine a primeira reação de um filho ao flagrar os pais na mentira.
Todos nós devemos aprender mais com a verdade, e não fugir dela. Engraçado, não suportamos a verdade. No mais das vezes, preferimos o amor à verdade. Queremos muito mais massagear o nosso ego com carinhos e afagos, ouvindo o que se gosta, afirmando o que se pensa, do que ouvir a verdade; que precisamos corrigir isso ou aquilo, pedir desculpas quando ofender alguém, assumir as consequências pelos malfeitos. Não podemos mais deixar pra lá, esquecer e fazer de conta que nada aconteceu. Errou, tem que aguentar as consequências, a fim de se evitar não repetir os erros.
Em decorrência disso, estamos produzindo pessoas menos resistentes às adversidades da vida, ao sofrimento, à dor. O erro está justamente na formação. Não devemos somente passar a mão na cabeça dos filhos toda vez que eles errarem e chorarem, mas precisamos mostrar-lhes, pelo diálogo e pela conduta, que é possível aprender com os erros, e que o sofrimento é uma ótima escola.
O fato é simples: Poucos de nós suportam a verdade. Entre o amor e a verdade é preciso considerar algo. Nem um dos dois é suficiente e absoluto para viver bem. Só o amor nos deixa tontos, meio que vulneráveis diante das atrocidades da natureza humana. Só a verdade pode gerar homens totalitários e absolutos, incapazes de recuar, de relevar, de se soltar um pouco, de se despreder das convicções e assumir que precisa mudar.
Verdade demais pode afastar os amigos da gente, uma vez que ninguém é perfeito. Amor demais pode nos arrastar para a bobagem, na medida em que se perde a admiração e o brilho. Em geral, é muito perigoso quando escolhemos uma em detrimento da outra. O mais razoável seria escolhermos uma e outra em nossas ações, e não uma à outra. Verdade e amor não se excluem, mas se completam admiravelmente.
Depois desse devaneio sobre a verdade e o amor, você ainda concorda com a tão honrosa expressão atribuída a Aristóteles: “Amicus Plato, sed magis amica veritas” - “Amigo de Platão, mas mais amigo da verdade”?

Prof. Jackislandy Meira de M. Silva
Licenciado em Filosofia, Bacharel em Teologia e Especialista em Metafísica

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